Os viventes se movem

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Os viventes se movem

pastel de cana e caldo de queijo
pastel de vento e caldo de desejo
pastéis inventam sugerem despejos
sonhos de vento arrebatam frígidos beijos
às cinco da manhã, dificeis trôpegas
as pernas sentem o cheiro de
urina mal curtida dos não-dormidos
insones na rodoviária, que tem mais
luzes que assentos, mas placas que
ônibus, mais olhos que desejos mais
desejos que bocas, mais bocas que
comida às oito na rodoviária já é meio
dia para quem acordou às cinco e saiu do
gama, recanto das emas paranoá brasilinha e meio
dia já é fim de jornada para quem nem vai
almoçar pastéis de vento caldos de desejo às
seis ave marias escuridão já embota
o cérebro embota o estômago já embota
as botas nove da noite já é
hora de dormir pastéis de desejo
caldos de despejos à meia noite lembra?
que dia foi ontem se lembra pastel de
cana e caldo de queijo na rodoviária

João Bosco Bezerra Bonfim, poeta cearense, natural de Novo Oriente.
Poema transcrito da antologia "Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


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