Ombro a ombro, sonho a sonho

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Ombro a ombro, sonho a sonho
 
– Bernardo Sayão, confessa:
                 que luz essa a que vislumbra
teu passo de ritmo cego?
 
– Bernardo Sayão, me escuta:
                 que música tom de cântico
na tua ousadia surda?
 
– Bernardo Sayão de andantes:
                que força rege teus gestos
que apontam, convocam, mandam?
 
– Bernardo Sayão das gestas:
                 que pretendes, Bandeirante
deste século vigésimo?
 
                 – Rasgar nossa estrada, homens.
                                     Da Brasília sonho novo
                 a Belém de novo sonho.
 
                 Tirar a estrada da luta.
 
                 Da terra. Do suor. Do sangue.
                 Dos dias de sol. Da lama.
                 Ombro a ombro. Sonho a sonho.
 
Stella Leonardos, poetisa natural do Rio de Janeiro.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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