Ode a Oscar Niemeyer

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Ode a Oscar Niemeyer
 
A Athos Bulcão
 
A arquitetura extraordinária
de Oscar Niemeyer
(e admito as críticas
que se lhe fizeram
ou venham a fazer)
é apenas um minúsculo visor,
olho mágico de apartamento,
que nos permite
– a nós, leigos –
contemplar
numa perspectiva reduzida
mas global,
o espírito verídico,
o caráter inteiriço,
desse homem de ferro e cimento armado,
mas que não repele
as sinuosidades verdes das ondas,
as delicadezas do rococó,
estética graciosa,
mal compreendida
(como ele, às vezes),
homem múltiplo,
gênio inconteste,
como os seus mestres renascentistas,
milionário singelo.
comunista por compromisso com o fraterno,
que sentimos pródigo,
neste tempo de indigência,
neste deserto de colossos,
em que os únicos mitos
são os da propaganda e os da droga,
como coluna
sustentáculo,
pai, irmão, amante,
em Brasília,
no Brasil,
entre os nossos patrícios
desamparados,
enganados e
explorados,
e aguardando
aquela promessa de Brasil
do pão certo,
da terra possuída,
da casa construída,
e até do cemitério igualitário dos ancestrais
em que (oh! doçura!)
nos converteremos
em terra da nossa terra!
 
Cassiano Nunes, poeta paulista, nasceu em Santos.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


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