Ode à cidade

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Ode à cidade
 
Abraço azul de céu tão baixo
em grossas nuvens cintilantes
abraça e solta abrasa e sopra.
Silvo de terras sem quiçás
alimentando teu presente
e deixando o passado atrás.
 
Nossa alma leve de perdiz
nessa rítmica simetria
sobre cimento fincará
espalhando nova raiz
ode-cidade cor de homem
onde homem tem novo matiz.
 
Tranqüilo até para sofrer
estende-se além do cerrado
o tempo despido em paisagem
paisagem despida de sal
que no lábio longo do lago
em paz descansa elemental.
 
Despejando passos e posses
enquanto cresce o teu afã
amadurecendo precoces
humildemente deslizamos
exaustos de êxtases de orvalho
no embalo de cada manhã.
 
Se uma pomba municipal
girar viva ou morta girar
– cifrando motores e cal –
vão alcançá-la ou bem ou mal
porque sem tempo para sofrer
domingo se pode morrer.
Entre buritis empinados
clamando do céu despojado
o marco azul de tua história
a cada amor a cada pranto
um anjo mantém no planalto
a vermelha cor da vitória.
 
Yolanda Jordão, poetisa natural de São Paulo.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira

 


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