O piloto e o pássaro

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O piloto e o pássaro
 
                                à JK

E um pássaro
imenso, imponente,
ousado,
futurista, metálico,
pousou no cerrado.
Sentiu o cheiro do
chão,
bebeu águas do rio,
humanizou-se.
Batizou-se por Dom Bosco,
deu Graças a Deus,
e permaneceu em GOIÁS.
 
E o pequeno sabiá,
o joão-de-barro,
o bem-te-vi,
todos os passarinhos
ficaram assustados,
em suas histórias
humildes e sertanejas.
 
E as borboletas
fizeram reverência,
dançando cores,
sobre paus-terras,
pequizeiros e ipês.
 
Era abril.
As paineiras
viraram
damas de honra,
em seus
vestidos
cor-de-rosa.
 
             O piloto
                sorria
                no altar
                da poesia.
                Ousou,
                decidiu,
                transformou
                asas em
                Cidade,
                e proclamou
                a liberdade.
 
Quis
                que as
                vértebras
                do gigante
                alado
                fossem
                harmonia,
                equilíbrio,
                no processo de
                decisão.
 
A cabeça
do grande pássaro
pensava a justiça
pensava as leis
para a regência
da caminhada
dos Homens.
 
              O hemisfério direito,
              comungando o céu.
              O hemisfério esquerdo,
              comungando a terra.
 
O piloto cantava
vitória
no altar da história.
              – Foi plural:
              não sonhou
              sozinho,
              não realizou
              sozinho.
 
O peito do pássaro
pulsava forte,
carregando a emoção
das pessoas
(candangos,
trabalhadores,
operários
da construção)
poetando e
conquistando rumos
para o Centro-Oeste,
poetando e
conquistando
rumos para o Brasil.
E o piloto
apostava
no teste:
trazer
o desenvolvimento
para o Centro-Oeste.
 
Choveram
versos,
em páginas brancas.
Pingaram
cores,
em telas brancas.
Caíram notas,
melodiando
o silêncio.
Ritmaram
passos,
e o palco
não ficou
vazio.
 
O mundo extasiou-se.
Correu,
virou Avenida das Nações
no Planalto Central.
 
GOIÁS abriu o peito
e acolheu
o piloto e
o pássaro.
 
GOIÁS abriu o peito
e acolheu
Minas Gerais.
 
GOIÁS abriu o peito
e acolheu o Brasil,
e o Mundo.
 
E tudo
virou um hino
               ao novo Exupéry,
               o Grande Príncipe,
               o eterno Poeta
               Juscelino.
 
Post de Sonia Ferreira, poetisa goiana.

 


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