O LAGO

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O LAGO
 
Estas águas paradas
em pura aparência:
navegantes ocultas
do próprio ventre.
 
Águas de tilápias
e outros ciclídios
de boquinhas grávidas
e de dez espinhos.
 
Estas águas pardas
de rosto poluído
em dias de pasmo
e semblante lívido.
 
Águas e seus braços
longos no invisível,
fugitivos mares
despojados, insípidos.
 
Águas fantásticas
de navios prenhes
de salinos pássaros
no mofo das lendas.
 
Águas deste Lago
sobre as redes do tempo
colhem prédios e faces
descarnadas e leves.
 
Águas e mais nada:
só os mitos perfeitos
e os sonos pesados
de edifícios e peixes.
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, natural de Aimorés.
"Casulos do Silêncio", de 1988

 


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