O ermo

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O ermo
 
(continuação)
 
II
 
(…)
Desfeita no outro dia, eram bastantes
Para abrigar o filho do deserto;
No carcás bem provido repousavam
De todo o seu porvir as esperanças,
Que suas eram da floresta as aves,
E nem lhes nega o córrego do vale,
Límpido jorro que lhe estanque a sede.
No sol, fonte de luz e de beleza,
Viam seu Deus, prostrados o adoravam,
Na terra a mãe, que os nutre com seus frutos,
Sua única lei – na liberdade.
 
Oh! floresta, que é feito de teus filhos?
Esta mudez profunda dos desertos
(…)
 
 
III
 
(…)
E tu, ó musa, que amas o deserto
E das caladas sombras o mistério,
Que folgas de embalar-te aos sons aéreos,
D’almas canções, que a solidão murmura,
Que amas a criação, qual Deus formou-a,
(…)
 
(continua amanhã)
 
Bernardo Guimarães, poeta mineiro, nasceu em Ouro Preto.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


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