O avanço de Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

Homens da indústria e das classe produtoras, habituados a ver com olhos abertos e a raciocinar em termos realistas, não nos escapa, de modo nenhum, o que essa iniciativa representa como esforço de pioneirismo, no sentido de estender as conquistas do progresso às extensas regiões até aqui abandonadas do centro e do oeste, procurando rapidamente arrancá-las do sub-desenvolvimento e integrá-las, como valor positivo, à vida útil, dinâmica e produtiva alcançada por muitas regiões do leste e do sul de nossa Pátria.

Somente isso, somente esse extraordinário esforço de pioneirismo já bastaria para justificar a decisão do ilustre Presidente Juscelino Kubitschek em lançar os fundamentos dessa obra e a ela dedicar seu esforço obstinado, sua energia pugnaz e seu devotamento sem reservas. Vivemos num país em que tudo é criação do espírito pioneiro e o que todos devemos desejar é que jamais chegue o dia em que não haja lugar para o impulso de renovação, a ânsia de novos caminhos, o pleno exercício de atividade criadora. Ao construir, no centro geográfico do país, a nova Capital da República, encontraremos, os brasileiros, a oportunidade de demonstrar que somos, realmente, capazes dessa imensa tarefa, e que as dificuldades a vencer se converterão em outros tantos títulos a assinalar a determinação de um povo na conquista de seu progresso, na marcha ao encontro de seu destino.

A interiorização da Capital do País, sendo um mandamento constitucional, corresponde também à amadurecida aspiração de eminentes homens públicos e de abalizados estudiosos da realidade brasileira, desde os longínquos acontecimentos políticos da Inconfidência. Podemos dizer que o próprio instinto nacional sentiu a necessidade de se transportar a sede do Governo para o planalto central, como meio adequado a possibilitar uma série de providências de largo alcance para estender o progresso real e dinâmico, envolvendo a questão do aumento da densidade de povoação, a da difusão cultural, a do desenvolvimento econômico, envolvendo todas as questões enfim atinentes à completa integração territorial do Brasil, procurando-se eliminar esse desnível ocorrente entre a civilização do litoral e do sertão, entre as condições de vida da orla marítima e do interior.

Eis aí, sem dúvida, um relevante aspecto de ordem política, de ordem social e de ordem econômica, ao qual não poderia ter sido indiferente a nossa geração. E eis porque, dispondo-se com firme energia e serena determinação a construir Brasília e promover a transferência da Capital, o ilustre Presidente Juscelino Kubitschek avulta nos seus predicados de estadista, possuído da paixão absorvente de servir ao seu País e ao seu Povo, sem medir sacrifícios.

Temos diante dos olhos exemplos edificantes, que demonstram como foi decisivo na evolução da vários povos o ato mudar a sua Capital para os locais que as condições especiais de cada um estavam a indicar como o mais apropriado. Refiro-me a Washington, nos Estados Unidos, e a Camberra, na Austrália. Mas no Brasil mesmo, encontramos o exemplo de como é possível fundar cidades, que adquiriram rápidos e extraordinários desenvolvimentos, não obstante as vozes de descrença que sempre se erguem contra o espírito pioneiro. Aí estão Belo Horizonte, Goiânia, Londrina para atestar que o generoso solo e a capacidade de progresso do Brasil jamais deixarão de retribuir com abundância e grandeza o esforço dos que crêem, dos que confiam e dos que se devotam ao trabalho criador.

O Presidente Juscelino Kubitschek lança aqui os fundamentos da grandeza futura do Brasil. Participemos do seu radioso entusiasmo e de sua fé em nossa Pátria, e procuremos também dar a nossa contribuição para essa obra, que as gerações que nos sucederem haverão de consagrar como uma obra configuradora do Brasil grande e progressista, com que sonharam nossos antepassados e que nós teremos tido a glória de ajudar a construir.

Lídio Lunardi.
Reproduzido da Revista "Brasília", da Novacap, novembro de 1957, número 11.

 


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