No Catetinho

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

No Catetinho
 
I
Ali no Catetinho há olhos d’água,
bosque em que a sombra como que reluz.
 
Do Catetinho foi que Juscelino,
como o terno Bernardo, imaginou
 
ao longe uma cidade se espraiando.
Qual não teria sido o sentimento
 
que o dominou na solidão completa
deste planalto? Pois que ontem, agora,
 
ao longe se ergue a que ofegante alma
adivinhou, no grande descampado
 
fluindo em brisa e luz, transluminosa
e docemente branquejando como
 
bando de garças. (Foi assim que um dia,
pitando o seu cigarro do mais puro
fumo goiano, o meu avô Bernardo
dentro do coração te adivinhou.)
 
(continua amanhã)
 
Alphonsus de Guimaraens Filho, poeta mineiro, nasceu em Mariana.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …