NASCIDA NO LIXO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

NASCIDA NO LIXO

Irrompe de forma segura a carcaça do tempo.
Brota num bailado sedutor e amoroso.
Abre os tentáculos de forma profunda e determinada.
Respira todo o ar como se nada pudesse sobrar.
Arregala os olhos diante de tantos empecilhos.
Fofa a terra num grito de socorro.
Além da terra encontra algo pesado, sufocante!!
Toca cada cantinho em torno de si a fim de encontrar um espaço.
Ufa, acaba de descobrir uma pequetita saída.
Num arrobo, explode em vida e emerge para superfície.
Deixa-se beijar pela brisa suave e cândida.
Realiza movimentos lânguidos por entre entulhos.
Não sou mais uma semente.
Sou realidade diante de um sonho.
Sou vida diante do esquecido.
Sou esperança diante da amargura.
Sou sombra diante da labuta dos que manipulam o lixo.
Sou riso farto e solto diante do farfalhar do vento.
Sou alegria diante da fome.
Sou amor diante da dor.
Sou sustentabilidade diante do insustentável.
Sou uma mangueira nascida no lixão!!!
 
Laura Ferreira Macedo
Catálogo "Gente de Talento 2006"
Caixa Econômica Federal

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …