"Nada obstará a marcha do País para a conquista de si mesmo…"

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

Encerrando, em Belo Horizonte, o Congresso dos Municípios Mineiros, o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek proferiu importante discurso em que abordou questões da maior relevância não apenas para as comunas do grande Estado montanhês mas para as de todo o Brasil. São desse discurso as expressões que abaixo reproduzimos e com as quais, referindo-se à mudança da capital da República para o Planalto Central, S. Excia. ainda uma vez reafirma sua inabalável confiança no êxito do grande empreendimento que tanto vem empolgando a Nação:

"No empenho de valorizar o nosso hinterland – senhores – tenho as vistas voltadas não só para Minas, mas para todo o interior do País. A mudança da Capital da República será o remate de esforços quase sobre-humanos em que me venho empenhando com todas as minhas energias. A nós, mineiros, que edificamos esta Capital numa região desnuda, quase desértica, e a vemos florescer esplendidamente, esse problema não intimida. Se nossos maiores criaram Belo Horizonte, havemos de poder criar Brasília. É uma ação ousada, bem o sabemos, mas, se recuarmos ante dificuldades, retardar-se-á de séculos, talvez, a integração efetiva do Brasil interior na comunidade nacional. A transfiguração política, demográfica, econômica e social que o País experimentará, com a mudança da sede de seu Governo, virá remunerar, generosamente, os sacrifícios que a Nação fizer. Só conhecerá o País a verdadeira grandeza no dia em que dominarmos os grandes vazios interiores, plantando cidades, rasgando estradas, levando o progresso técnico aos rincões remotos e explorando-lhes as imensas riquezas. E Brasília é o grande passo para esse mundo futuro.

Nada poderá deter esse passo. Nada obstará a marcha do país para a conquista de sim mesmo, que é a ocupação efetiva de suas grandes áreas internas. Por ela, empenharei a minha própria vida. Não vejo sentido nas vidas que se economizam, que se recusam a consumir-se na chama de um ideal. A vida é uma dádiva de Deus, e, como dádiva, há de continuar a dar-se generosamente. Não nos é lícito entesourá-la, como um avaro. Continuando a obra da criação, que é perene, havemos de converter a nossa vida em criação também perene.

Sei que me acompanhais nesse empreendimento desmarcadamente grande para que seja sustentado pela energia de um só homem. Sei que conto convosco, homens do interior, sobretudo, homens de Minas. A nossa prudência, o nosso comedimento, a nossa discrição jamais impediram, em nós, os gestos que transformam os destinos de um povo. Se é da natureza mineira a reflexão pausada, se cautos somos na resolução, a verdade é que somos igualmente pertinazes e intrépidos, quando algo foi decidido."

Reproduzido da Revista "Brasília", editada pela Novacap, edição número 4, abril de 1957.

 


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