Missão Cruls

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Missão Cruls
 
Em maio de 1892, o governo Floriano Peixoto criou a Comissão Exploradora do Planalto Central e entregou a chefia a Louis Ferdinand Cruls – ou Luiz Cruls -, astrônomo e geógrafo belga radicado no Rio de Janeiro desde 1874, que dirigia o Observatório Imperial. Objetivo: conforme disposto na Constituição, proceder à exploração do Planalto Central da República e à conseqüente demarcação da área a ser ocupada pela futura capital. O grupo, de vinte pessoas, sai do Rio em 9 de junho de 1892 e chega a Pirenópolis, Goiás, no dia 1º de agosto. Do Rio até Uberaba, no Triângulo Mineiro, de trem. Daí em diante, a cavalo. O relatório final é apresentado em 1894. Fragmento:
 
"Em resumo, a zona demarcada goza, em sua maior extensão, de um clima extremamente salubre, em que o emigrante europeu não precisa da aclimação, pois encontrará aí condições climatéricas análogas às que oferecem as regiões as mais salubres da zona temperada européia. (…) Entretanto, como demonstra a exploração à qual procedeu esta Comissão, existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima, com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."
 
A única objeção à mudança da capital que o relatório considerou merecedora de resposta foi a da distância. Mas a conclusão é que ela carece de fundamento, porque o centro do quadrilátero de 14.400 quilômetros quadrados demarcado dista aproximadamente 970 quilômetros do Rio de Janeiro e será sempre possível construir-se estrada de ferro cujo traçado não excederá 1.200 quilômetros, distância esta que poderia ser facilmente vencida em vinte horas. Cruls posicionou seu quadrilátero no triângulo formado pelas lagoas Formosa, Feia e Mestre D’Armas. O mesmo local indicado por Varnhagen em 1877. Está definida a área que vai ser a principal base dos estudos futuros.
Em tempo. Astrônomo, Cruls se encanta com o céu da área:
 
"O estudo do nosso céu e a limpidez atmosférica ferem a atenção. (…) A pureza atmosférica vai ao ponto de, muito superior à do Rio, permitir com instrumentos menos poderosos ver os astros que lá exigem melhores condições para se mostrar (…) O nosso céu, de uma beleza notável, carrega-se pela manhã de nuvens a leste, passando elas pelo zênite nas proximidades do meio-dia para, à tarde, acumularem-se pelo lado oeste e, afinal, desaparecerem quase totalmente, descendo a nebulosidade às vezes quase a zero; parecem fazer cortejo ao sol."
 
Extraído do livro "Brasília Kubitschek de Oliveira", de Ronaldo Costa Couto.

 


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