Meu pai, JK e a foto

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Do Baú do Velho Ranja

Meu pai, JK e a foto

 


José Rangel e Márcia, filha de JK

Um certo dia, meu pai, Eustáquio Rangel de Farias, funcionário público, orgulhoso chefe do Escritório do IBGE, em Taperoá, na Paraíba, onde nascemos, escreveu uma carta para o presidente Juscelino Kubitschek. JK respondeu, em missiva escrita de próprio punho. Foi o suficiente para granjear a admiração do meu velho por toda sua vida, a qual expressou em vários gestos. Deu nome às minhas primeiras duas irmãs de Stella e Márcia, como gratidão pela atenção recebida do presidente sorridente.
Lembro de uma cena dos meus sete anos de idade, durante uma recepção à JK ocorrida na Praça da República, no centro de Campina Grande, pendurado na sua cacunda no afã de avistar o ilustre visitante em meio a multidão aglomerada no local. Meu pai repetia: "levanta o lenço, filho". E obedecendo, eu fazia coro com meu aceno a milhares de lenços brancos que ovacionavam JK naquela tarde luminosa e inesquecível.
Muito distante daquele dia memorável, corria o ano de 1986 e Brasília se preparava para realizar sua primeira eleição para escolha dos seus representantes – deputados e senadores – no Congresso Nacional. Apresentado pelo o amigo e veterano jornalista mineiro Sérvulo Tavares, acabei contratado por Ildeu de Oliveira, primo de JK e coordenador da campanha, para atuar como assessor de imprensa da candidata Márcia Kubitschek, eleita naquele pleito, deputada federal.
Na hora de combinarmos o salário para a tarefa, contei a ela a história e a admiração do meu pai por Juscelino. E fiz a seguinte proposta: caso fosse eleita, ao invés de receber em dinheiro, nós dois tiraríamos uma foto no Congresso, ela faria um autógrafo ao meu pai e esse seria o pagamento pelo meu trabalho na campanha. Assim se deu e esta é a história desta foto.

Velho Ranja, nasceu em Taperoá, poeta

 


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