Marítimo

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Marítimo
 
Um ruflar de asas anuncia a aurora.
As luzes aos poucos se apagam
na casa quase enterrada na areia.
Na estreita trilha para o cais
conchas e algas e cascas
garras de crustáceos
duas garrafas vazias
um frasco de perfume.
Um cavalo-marinho
espectro e emblema de si mesmo.
O mistério do novo dia começa ali
em algum lugar entre o rochedo e o mar.
A brisa e seu hálito de maresia.
Uma ilha ao longe
         uma nuvem negra
                   um albatroz.
O sabor salgado de um novo dia.
Quem sabe uma vida mais amena ou mais veloz.
O coração é uma câmara de ecos
e os tambores da manhã já estão rufando.
 
Eudoro Augusto, poeta português, nasceu em Lisboa.
Poema reproduzido da antologia
“Deste Planalto Central: Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 


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