Luiz Paiva de Castro

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília, Decifrando Brasília Sem Comentários

Luiz Paiva de Castro situa-se entre os autores que mais lograram captar a alma da cidade. Em vários (e longos) poemas soube, como poucos, retratá-la, e pouquíssimos a viram tão amplamente, no bojo da história, anunciada, prenunciada, prometida na fluência dos fatos, dos acontecimentos de que ela acabou por emergir. Em “Fundação de Brasília”, temos o navegador, o símbolo da fé plantado na terra, o que do solo começou a nascer (as coisas e pessoas), depois o sonho do alferes de Minas e, bem mais tarde, “além das Tordesilhas”, a cidade. Assim, se encerra a “Anunciação cabralina”. A segunda parte do poema tem como epígrafe texto sobre a “profecia” de Dom Bosco. Mas se detém mesmo é na aventura do “pau-de-arara”, nos edifícios nascentes, no inexistente mel; e o leite paradisíaco vaticinado é apenas funda interrogação. A seção número três do poema é uma toada onde se reúnem águas, palácio, um candango vitorioso, amante, navegador. Palavras de Oscar Niemeyer, em tom de queixume, denunciam o destino dos “bons e dignos companheiros”, os operários que sustentaram nos ombros a metrópole embrionária – e elas são tomadas como ponto de partida para mais uma seção do extremo poema. O autor rememora aquele que “comeu farinha, carne-de-sol, colheu raízes/na cicatriz do solo adormecido” e findou por deitar-se “para ser mais longo nos rios que cortam a paisagem”.

Texto transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

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