Luís Martins da Silva 

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Luís Martins da Silva vê Décio Pignatari na “Plataforma superior da Estação Rodoviária”, a contemplar pela primeira vez a praça dos Três Poderes, em 1965, quando teria exclamado: “Mas é Atenas! Uma Atenas marciana…”. Só a ausência dos deuses causaria estranheza! O poeta (em “Pulsações de um planalto central”) refere a ausência: “Nem acrópoles/Nem Pirâmides//Nem eram Atenas/Nem era cidade”. A Brasília em construção (ainda) oferecia alguma compensação: “Eram apelos cifrados/Aos astronautas de Nazca” (ou Nasca: cidade do Peru, centro comercial e turístico, situado no local de um centro de civilização pré-colombiana). Os “apelos cifrados são as siglas e abreviações características da Capital Federal: SQN (Salvem Quem Necessita)//SQS (Socorro Queremos Socorro)//SOS (Save Our Souls)”, etc. O poeta fala dos “Navegadores noturnos”, os boêmios e os vagalumes [(“Pirilampos (De Beirute)”]. Não se trata da cidade, mas do bar, local tradicional de encontro de escritores. É onde “os sonâmbulos da cidade”/ “(…) sobrevivem aos naufrágios. Luís Martins revela a existência de “Árvores-relógios”: “Cá existem espécies que são relógios, não árvores”. “Flores são cronômetros, copos, mostruários.”// “Se é outono, são bromélias, camélias, azaleias, dálias”// “Se é verão, fogo ardente, flamboyants, radiantes, carmins”. “Estranhas  florações” retornam de certo modo a ideia, e revelam: “Não parecem flores, não parecem frutos,//Estranhas formas, cada estranha criatura!//Exóticas floras, estranhas formosuras”. O fogo é fogo (principalmente no cerrado), apresenta-nos o “Bruxo bruxuleante”// “Bicho fúlgido e fugidio,”//famélico/carburante”. Brasília é “Patrimônio (cultural) da humanidade”, desde o governo José Aparecido de Oliveira. O poeta recomenda: “Não joguem pontas de cigarro no gramado!”. E revela: “Mas, agora, deve-se fazer o registro:/As maiores riquezas naturais dos Cerrados são: céu (…), O céu a doer nos olhos,//Em todos os lados do olhar” vem “(…) de cima da Torre” (que) “mais parece cabine”, conforme observa o poema “Primeiro passeio turístico”. “3×4” nos faz volver ao tempo dos tranquilos “lambe-lambes”. “Passagem de pedestres” leva o leitor pelas “Tardes fugidias” na “Água mineral”, parque por muitos  eleito como ponto de lazer e turismo.
 
Texto transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, seção “Esses poetas, esses poemas”, de Joanyr de Oliveira.
 
 

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