Lua de Brasília

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Lua de Brasília
 
Lua de Brasília,
lua de Goiás,
lua plena, filha
da noite que em mim faz;
lua que deslizas
pelo céu e em mim,
levada nas brisas
como vão assim
a nossa esperança,
nosso devaneio,
lua em que descansa
toda a dor que veio
da vida e ficou
nessa luz boiando,
na diafaneidade
desse de cristal
chafariz de bruma
que já nem sei quando
sobre o meu silêncio
senti latejando;
lua de Brasília
a que preso estou,
lua de Goiás
que me inculca paz,
lua derramada
sobre escadarias,
lua deslembrada
de remotos dias,
lua de Brasília,
lua de Goiás,
– qual frustrado, insano
cosmonauta, vou
no teu rumo, além
da rua onde estou,
muito além de mim,
muito além da rua,
aonde mais ninguém
terá ido, lua,
seguindo teus passos
nos telhados úmidos,
beijando-te, a espaços,
nos teus seios túmidos,
muito além de mim,
muito além da rua,
como vai assim
tudo quanto esplende,
em vão reverbera
nessa paz que rende,
nessa primavera
que doce halo faz,
que tão casta brilha,
lua minha? lua
visionária, estranha,
que não és senão
a que me acompanha
sempre em solidão,
que não mais serás
que remota ilha
perdida no peito
deste caminhante,
deste caminhante
que te sabe filha
da ilusão do amante,
ah remota ilha
que és e serás,
mais que lua, a doce
lua de Brasília,
lua de Goiás…
 
Alphonsus de Guimaraens Filho, mineiro de Mariana.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


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