Leonardo Almeida Filho

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Leonardo Almeida Filho imagina “O rio fantasma”, a que oferece o poema. Um rio, a um só tempo, a correr no Planalto, eliminando a “a tua saudade de mar” e a “(…) transportar, para outras terras, teu soluço”. O fácil trocadilho presente no título de “O lago paira no ar” ameaça mas não chega a comprometer o poema, que declara: “o mar aqui não é mar/o mar são as pessoas”. Traz à lembrança – não intencionalmente, admita-se – os versos contundentes de Castro Alves sobre as águas que em multidão se personificam: [“que este mar de almas e peitos/com as vagas de seus direitos/virá partir-vos a lei.”] Mas, declara Leonardo Almeida: “(…) minha mensagem não tem destino CLARO”. O que o envolve são “As solidões, fiéis companheiras:/(…), a (…) carta (…) de Van Gogh/para Théo e para Deus”. A conclusão é: “Estou perdido/e o mar de gente ameaça a plantação/tão duramente cultivada/nessa fértil ilha-eu”. A pátria do poeta (em “Cidade Satélite”), “pátria/sem porta”, “nossa casa”, “pátria e casa” é “fútil e fértil cilada”. É sempre sombria e desconfortável, conquanto objeto do amor do homem do povo que o poeta veio interpretar: cova rasa, vala sem parede, sem bandeira…Em “Cosmogonia” (dedicada a Eudoro de Souza), está a “Brasilírica, brasilúdica”, onde somos luzes e ventania, palco em que “…nos cabe/Acordar”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.



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