LAGO DO PARANOÁ

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LAGO DO PARANOÁ
 
as águas
do Lago do Paranoá
logo
       dormem
                     solidões
sem nome
quando chegam chuvas
da lonjura –
a certeza
               das águas
é silenciosa
para descancerizar
a tristeza
da cidade
               sem
                      cais
em chão prateado –
no fundo do Lago
no fundo dos olhos
– uma ventania
                        vinda
de toda a parte
                         azul
é largo beijo
                    úmido
no rosto do cerrado –
onde restou
                   o tempo
                                o ar
embalsamou os mortos
do amor.
 
Ézio Pires, poeta carioca.
Poema transcrito do livro “Brasília: vida em poesia – 36 poetas escolhidos”
Organizado por Ronaldo Alves Mousinho, Valci Gráfica e Editora Ltda – 1996.



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