Julio Cezar Meireles

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Julio Cezar Meireles traz entre os seus versos resquícios da nostalgia
que envolvia principalmente os cariocas transplantados ao altiplano
nas primeiras décadas da cidade. A adaptação aos novos ares foi penosa
para muitos, saudosos das praias, do rumor do mar, do burburinho das
gentes. O poeta por fim inseriu-se “…nessa (por que ainda não
“nesta”? indagar-se-á) ilha/cercada de terra e gente/aberta pra todo o
lado (…) pras beiras do meu vazio”. Brasília – informa J.C.M. -, “é
meu céu da boca/e noves-fora meu Rio”. E prossegue: “retirante do mar
pras cabeceiras do abismo/ai que o amor me empurra pra dentro/do bolso
dessa cidade/pro edredom do cerrado”. A cidade está no outro prato da
balança, com “seus gramados”, “jardim sem muro”, “avenidas coloridas”,
contraponto ante os “quintais” e “varais da infância”. Os cenários do
menino não se apagam, ou não se vão por inteiro, mas a nova terra
acaba por prevalecer e fazer jus ao amor do “estrangeiro”: “(…) esse
espaço tão fundo, azul/e agreste no peito/me arde…”

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas
para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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