José Hélder de Souza

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

José Hélder de Souza medita: “Esta cidade nova/inventada no cerrado/branco quando envelhecer…estarei morto” (“Brasílico”). Antecipa a nostalgia, a saudade de quem a acompanhou por tantos anos e, um dia, há de experimentar a separação inevitável, decretada pela morte. A “casa sem história” se diluirá mais tarde, mas o vento sudoeste se perpetuará em blandícias, ao brotar nova aurora sobre superquadra cristalina, aquáticas noites…O legado maior do poeta será o descendente, filho legítimo desta terra cujos caminhos pisamos, os demais, os já maduros, na condição de meros adventícios…”Palipalanto” “é uma planta”, explica o poeta, a socorrer o leitor que busca (sem resposta) a informação nos dicionários e enciclopédias. Ele a descreve em minúcias, ensina-nos que ela é o vegetal mais parecido “com uma estrela”, “uma estrela branca”, e é “cheia de raios”. O palipalanto é “luz nas planuras de Goiás”, nas “lonjuras goianas onde brotou Brasília”. Informa o poeta, a lamentar sua existência ameaçada: “(…) está sumindo, cortada, pisada pelos bois,/o boi-latifúndio, boi do frigorifico,/triste boi industrial”. O epílogo são lamúrias: “Palipalanto,/palipalanto não há mais,/não há mais estrelas/nos campos de Goiás”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira


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