José Alcides Pinto

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

José Alcides Pinto é autor de "Nascimento de Brasília: a saga do planalto" constituído de poemas longos (menos um) sob os seguintes títulos: "A idéia", "Gênesis", "Primeira geração", "Canção dos pioneiros" e "O planalto enquanto cidade". O poeta, amigo do contista Samuel Rawet e do poeta Joaquim Cardozo, em companhia desses ilustres funcionários da Novacap (Cia. Urbanizadora da Nova Capital) aqui esteve, por diversas vezes, na fase inicial da construção. Em "Canção dos pioneiros", ele testemunha: "(Eu vi o candango triste/cantando sobre o planalto/a canção dos pioneiros/a canção cantava assim:)/O Palácio da Alvorada/não é castelo de mouro/nem coisa do arco-da-velha/nem morada de fidalgo". O poeta traz para o presente, que assiste à implantação da longamente sonhada urbe interiorana, figuras de nossa literatura e de nossa história (Castro Alves, Olavo Bilac, Fernão Dias Paes Leme, Frei Caneca, Tiradentes). "Primeira geração" afirma que "Brasília nasceu assim: da dor e da vertigem"/(…)"nasceu para crescer e virar história". Fala dos que iniciaram as obras e de seus descendentes: "assim como a cidade sem teto discriminação/nasceram os primeiros filhos dos pioneiros/que por seus arredores iam ficando/fazendo outros filhos que iam-se integrando na cidade/como a cal o ferro o alumínio das superquadras/iam eles seguindo o exemplo dos pais/um mundo novo arrebentando de seus pés como um diluvio". O poeta acompanha o progresso, a formação, a composição que vai ocorrendo, irreversível: "Iam crescendo numa ordem rígida/buscando a forma ideal da cidade/(forma/modelo/estilo)/a ordem dos edificios nas linhas puras/(eixo central da cidade)/a Praça dos Três Poderes/o Palácio da Alvorada/a Catedral/o seriado das superquadras/a paisagem de vidro sob as transparentes persianas". O poema homenageia Juscelino, Lúcio Costa, Niemeyer, e enfatiza que "A cidade nascia da determinação de homens rebeldes", aplaude o candango, "agora mais consciente de sua missão", lembra (evocando Euclides) que nossos operários procediam "do norte e do sul do leste e do oeste/homens (antes de tudo) sertanejos/(antes de tudo) fortes-homens/na expressâo mais exata da palavra". E mais: "Ah! Foi no ímpeto de suas determinações que a cidade nasceu:/a mais típica de todas as cidades/a mais socialmente política/(…) que outro nome te dariam se nâo – Brasília ?"
 
Texto transcrito de "Esses poetas, esses poemas", da antologia "Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 


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