Joilson Portocalvo

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Joilson Portocalvo, em “Favos e cupins”, contesta Dom Bosco. Afinal os profetas são, regra geral, descomedidos, tendentes ao excesso. E são obscuros, herméticos. Suas palavras quase sempre carecem de exegeses. Não devem ser entendidas literalmente. Suas profecias muitas vezes colidem com a história. O “leite e mel” do vaticínio apenas goteja “nos paralelos do sonho”. Os operários haveriam de repetir o poeta popular: “Palácio já ficou pronto./Candango não pode entrar”. Diz J.P.: “Sendo verdade que/quem planta jabuticabeira/não come das suas frutas”. Onde o mel? Onde o leite? Onde os tesouros do chão da “antevisão”? Em outro poema (“Lago”), as garças tomam o lugar das graças, em trocadilho presente nos três versos. Admirador de Octávio Paz, o poeta canta com pura e infantil alegria sobre resgate do livro do vate e ensaísta mexicano. Constelação (obra de O.P.) foi salva da pequenez da feira, do mundo das bugigangas, pelas mãos competentes, reverentes e sensíveis do poeta.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 


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