João Cabral de Melo Neto

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

João Cabral de Melo Neto, diplomata, a pousar aqui e alhures por este vasto mundo, não esqueceu Brasília. O autor de “O engenheiro” associa os palácios abertos ao sol às casas-grandes das fazendas. Ou melhor, traz-nos à lembrança algumas das fontes aonde foi Niemeyer buscar inspiração para conceber as formas das fachadas e das colunas dos Palácios da Alvorada, do Planalto, do Congresso Nacional, do Itamaraty, de Tribunais, do Ministério da Justiça. A respeito dessas obras, o poeta conjectura: “Não se sabe se o arquiteto/as quis símbolos ou ginástica”, e observa que, dos edifícios monumentais, isto é, das “casas-grandes”, “a alma todoaberta se espraia.” João Cabral vê também, em “Uma Mineira em Brasília”, a tranqüila mulher das Alterosas, “nos alpendres sem ânsia”, a trazer lhaneza à cidade embrionária, entre andaimes, ainda áspera, “crispada”. E a reencontra (“Mesma mineira em Brasília”), a reiterar sobre os mesmos elementos: “palácios”, “casas-grandes”, “alpendres”, “horizontes”, “espaços”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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