Jamil Almansur Haddad

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Jamil Almansur Haddad faz coro com Drummond e Cassiano, que o precederam na “convocação” e na decisão, jamais consumada, de tomar os rumos do Planalto. Mas, antes de apontar para a “cidade/Em que nunca haverá saudade” (C.R.) e repetir, literalmente, os termos do convite (“Vou-me embora pra Brasília”,) e de lembrar o Plano Piloto e reportar-se a um “…piloto sem plano”, ele sugere se excursione em certa cidade grega.
Trata-se de Cérigo ou Citara, ilha situada entre o Peloponeso e Creta, célebre pelo seu santuário de Afrodite Anadiomena.  É, segundo as enciclopédias, lugar privilegiado pelas suas fontes termais e cultura da vinha e da oliveira. (O título do aludido poema, cuja primeira parte se compõe, apenas, de uma quadra e um dístico, é “Partida para Citara”.) A segunda parte “prenuncia” que “Lá descobrirei uma ilha/À sombra dos pilotis”, e fala da futura catedral e da torre “Vinda de Volta Redonda”. Em “Canção egípcia” a cidade tem “grandeza faraônica”, faraônica no bom sentido, em oposição ao sarcasmo e à azeda ironia dos antimudancistas. Em “Balada das musas do Planalto”, há evocação de Marília e Gonzaga, a amada, zelosa, a “atualizar” seu endereço, não mais nas vetustas Minas Gerais, mas no moderno hotel brasiliense…E, com ela, se fazem presentes Moema, Beatriz e outras consagradas figuras: “Pelas madrugadas brancas/Vão placidamente os poetas/Contemplando as tuas ancas/Por serem meta das metas”, declara um terceiro poema (“Outra canção de amor”), a destacar, assim, a anatomia da cidade, que é feminina…Embora “criança”, ela já vive em processo de fecundação – é a urbe que se ergue, se edifica, a evidenciar que “Vai nascendo um Brasil novo”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 


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