Guilherme de Almeida

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Guilherme de Almeida fez-se presente nas solenidades de inauguração da nova Capital. Coube-lhe a glória de ler, então, o poema de sua lavra que mais uma vez confirma o que veio a proclamar Anderson Braga Horta: “Brasília nasceu sob o signo da poesia”. Já entre os nomes da Inconfidência Mineira, a qual propugnava a transferência da capital litorânea para o Planalto Central, estavam três poetas. E, ao longo do tempo, àqueles se somaram outros destacados vates, como Osvaldo Orico e (mais recentemente) José Godoy Garcia, Lina Tâmega del Peloso, Antonio Carlos Osório (advogado, nas primeiras décadas, ainda por revelar-se íntimo da poesia). E incontável é o número dos que se têm inspirado na paisagem física e humana da cidade de JK. “Prece natalícia de Brasília” começa por assinalar o ponto de convergência não apenas fixado pelo “Diário Oficial”, e pela vontade de um presidente da República, mas consagrado por uma nação inteira, por multidões que se deslocaram de todos os quadrantes, na epopéica e “grande marcha”. Proclama o poeta: “Agora e aqui é a Encruzilhada Tempo-Espaço./Caminho que vem do Passado e vai para o Futuro;/caminho do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste;/caminho de ao longo dos séculos./caminho de ao longo do mundo (…)”. O grande poeta e tradutor de poetas franceses vem, comovido, “…das naus da Descoberta…”, chega às Bandeiras, às missões, ao Crucifixo – arma nas selvas “contra as flechas ervadas” – Ad majorem Dei gloriam”. E segue, passando pelos “três sangues”, atravessam (a estigmatizar) as senzalas. A longa estrada da história chega finalmente a Brasília, onde ocorre “…a intersecção de auroras e poentes” – seta em cruz sobre arcos retesos. “(Aqui, Guilherme de Almeida alude, provavelmente, ao brasão da cidade.) “Aí estás, Brasília! E, como estás, pareces/ave de asas abertas sobre a terra…” (…) “Aí estás, Brasília do olhar de menina! (…) “Rosa dos ventos…, Figura de proa…, Torre de comando…/Porto do destino…/Portal do sertão…”
 
Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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