FLOR DE CERRADO

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FLOR DE CERRADO

TU ÉS MAJESTOSO OH CERRADO DITOSO
DE PEDRA DA TERRA DE ÁRVORE DE AVE DE ÁGUA
ÁRVORES DE BELEZA BENDITA QUE FICA NA
ALARGADA VISTA
GUARDA O CERRADO NA VISTA E RESPIRA AS FLORES QUE
ELE DÁ DE CHEIRO
GERANDO A ORIGEM REFEITA NA VENTANIA
E NA CRISTA COLORIDA DA PEDRA QUARTZITA
FAÇA O FOGO
BRUTA PEDRA PIRITA QUADRADA CÚBICA PARTIDA
SOLTA NA ESTRADINHA
ÁGUA FRIA ESCORRENDO DO RIO
ENTERRADA NA TERRA ANTIGA
DA CORUJA, DO GAMBÁ, DOS NÕMADES
COM PEIXES DOURADOS DE CIPÓS PRATEADOS
PÉS NUS E CORPOS PINTADOS NO CERRADO
QUANDO AS ESTRELAS CAÍREM
CAIRÃO TAMBÉM OS SUSPIROS
PERDIDOS DE UM SONHO PARTIDO
AS FADAS VERDES CINTILANDO PÚRPURA
RODOPIAM ATRÁS DAS FOLHAS
DESTE CERRADO SECO E ÁSPERO
DOS VEADOS, DOS FEIXES, DAS POMBAS
BRASÍLIA LAGARTA VERDE LARGADA DE CARROS
COM SEUS CAMPOS DE OBRAS CERCADOS
ESCREVE PRA REPARTIR AS PALAVRAS DA IDEIA
AS FALAS DO TEMPO EXCELENCIA
NO ATO QUE NÃO REALIZA A CONSTRUÇÃO CIVIL
ALUGA A CARA METADE
PAGAMENTO DE JUROS DOBRADOS
NÃO LIGA SEM BATERIA
BATERA A PORTA NO GATO
VEADO CORRE NO MATO DELICADO

PEIXE DESLIZA QUENTE NO RIO
PASSARINHADA NA ALGAZARRA
E AO MESMO TEMPO EM SILENCIO
HIERÁRQUICO E SOBERBO
DE TODA NATUREZA
QUE FAZ DE COISA
DE SENTIR OS SENTIDOS NA AMPLIDÃO
UMA PAZ TRANQUILAMENTE AMANSA A ALMA
CABEÇA SENTE COISA
INFINITA MENTE PLENA
PENA QUE A CABEÇA ESPANTE
E NÃO MAIS SE LEVANTE
PARA VER DA VISTA
NATUREZA INFINITA
ELA ENTORTA E BAIXA
ATRÁS DA MARDITA GASTA
INDIVISÍVEL INDIVÍDUO
IN
DIVI
DUAL
A QUALQUER PREÇO

Bic Prado (Fabiane Prado Silveira), poetisa brasiliense
Poema transcrito do livro "Poemas de um livro verde", Coleção Oi Poema, 2010

 


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