Flamboyants de Brasília e Planalto Central

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Flamboyants de Brasília

Tão vasto este Planalto
Em que se vive e se morre
Entre o negro do asfalto
Onde nosso sangue escorre
E um céu de azul cobalto
Há um vermelho inflamado
Como se fogo do céu
Tivesse se derramado
E caído aqui ao léu
Na copa dos flamboyants
Que explodem de coloridos
Entre as luzes das manhãs
E aparecem renascidos
Sanguíneos e revigorados
Colorindo as avenidas
Que rasgam este cerrado
E ao chegar o dia ao fim
Suas flores despedaçadas
Tingem o chão de carmim
Cumpriram sua jornada
Não viverão outro dia
E partem, sem nostalgia
Nos dando as suas cores
Vão-se deixando a alegria
De sua vida de flores

 

Parque da cidade

No Parque da Cidade há um bosque
Um céu vermelho, o verde, água-espelho
Um quiosque, um realejo, uma cerveja
Um medo cru, uma cereja, uma saudade
Um beijo, um coração e um nu sem pejo
Uma maldade, uma oração, um arremedo
Um desafio, um desalmado, um assovio
Um som transado, sandália e salto alto
Um travesti, um soprano e um contralto
Uma urgência, um xixi, um contrabando
Uma macumba, uma muamba, uma rumba
Uma cachaça, uma quizumba e uma praça
Um churrasquinho, fumaça, um pedalinho
Uma certeza, um fumo bom, uma beleza
Uma riponga, um doutor e um delegado
Um curió, uma araponga e um senhor
Um louco gozo, uma dor e um drogado
Um cara chato, uma freira e um candidato
Uma zoeira, uma santa e uma tacanha
Um sem nexo, outro focado e muito sexo
Uma virgem, uma piranha e uma vertigem
Um bom negócio, artimanha e muito ócio
No Parque da Cidade há um poste
 
Post Naor Seixas
Poemas transcritos do livro "Flamboyants, barcos noites e manhãs", 2010

 


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