EXÍLIOS

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

EXÍLIOS

A cidade se perde em seus próprios labirintos:
pelas serpentes de pedra e asfalto
corre pressuroso um rio de animais metálicos

Não há mais lugar para os homens
no fluxo divergente
de olhares escondidos por chador e véus.

Anônimos, como areia na ampulheta,

vamos em busca da utópica Pasargada.
enquanto a história nos atravessa como um raio.

A metrópole oriental,
como um ventre,
espera o desconhecido
e na sua intangível solidão geométrica
exilo-me nos labirintos dos bazares
onde florescem catedrais de ausências
e um fluxo divergente de homens e mulheres
son chador e véus.

O tempo, enxame de bactéria a nos roer,
me leva a mundos que eu sonhei um dia:

De Cataguases a Isfahan
de Brasilia a Teerã,
quanto de mim vai ficando nesses caminhos
com sua orfandade de margens.

Quando contemplo
os picos nevados das montanhas Alborz
ou busco os longes caminhos de Shiraz e Burujerd
os barcos da infância,
que lancei no rio Pomba rumo ao desconhecido ,
ressuscitam nas águas do Zuyandé
prisioneiros do vento, cativos da geografia.

 

Ronaldo Cagiano, poeta mineiro, nasceu em Cataguases.
Poema enviado de Teerã ao poeta Joilson Portocalvo.

 


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