EUS

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

EUS
 
Nesta luta de mim contra mim mesmo
sou D.Quixote e sou meu Sancho Pança.
Não tão magro Rocinante, me levo.
E contra mins de vento
arremeto-me lança.
 
Dulcinéia de mim, de mim Cervantes,
quando arrebentarei o autocasulo?
                Açulo-me
minhas próprias matilhas relutantes.
 
Quando me encontrarei em mim ?
                                                acuado
por fantasmas que engendro! E onde, em que nada?
                                                          – Em Deus?
Em dois, em três, em mil, desindivíduo,
– quem somos eus?!
 
Sinto-me às vezes vós, um outro.
                                                     Ah!
       centelhas rebeldes sou do Todo,
em luta cega contra o reintegrar-se ?
 
Caotizam-me as peças do meu caos.
Ai, não ser deus para criar-me, unipluro!
E vou, vão, ides, vamos, ave grave,
em deslembrança de asas, contra um muro.
 
E eis-me fechado em mim
que me oculto do sol a face escura.
Sem saber como desvestir-me
da solene-ridícula armadura.
 
Anderson Braga Horta, poeta mineiro, nasceu em Carangola.
"O Pássaro no Aquário"

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …