Estações

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Estações
 
Em setembro me vieram
dois amores, e se foram,
levados na primavera.
 
Agora, em pleno outono,
tu me chegas, me acendes,
com calores de verão.
 
Tenho medo desta chuva,
destas águas, fim de março,
ocultando-me o real.
 
E eu tremo, e eu choro,
sabendo a frutas, a solo,
temendo a fome e a sede,
 
pois o inverno já assusta
com suas garras de frio,
destroçando-me a seara.
 
Agosto, gostei jamais.
Fim de inverno, só lá fora;
cá dentro, neva e venta.
 
Aglaia Souza, poetisa carioca, nasceu no Rio de Janeiro.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …