Espera

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Espera
 
O amor que eu tinha
era feito de néon calidoscópio
e me fazia feliz
como o painel de anúncios
do Conjunto Nacional.
 
Respirava a cidade
molhada de chuva.
Meu amor
estava refletido
em semáforos e asfaltos.
 
Um dia gravou um videoclipe
onde o seu perfil azul
virava águia,
voava do penhasco.
(Meu amor televisivo).
A tarde era o ângelus,
eu presa na moldura da sala
ele viajando no metrô
que ainda não fora construído.
 
Eu toda fé e solidão.
Não passou pela rua da minha janela.
Se extinguiu, se exauriu.
Amanhã nasce de novo.
 
Maria da Glória Lima Barbosa, poetisa baiana, natural de Camaçari.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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