Ésio Macedo Ribeiro

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

Ésio Macedo Ribeiro começa por ecoar o cediço queixume dos inadaptados, na luta para aspirar os novos ares, que eles também existem. Arranham-no “…flores artificiais e concreto armado…”. “Deslizo em seu asfalto/vazio e volto como gosma/sem conseguir me impregnar em seu corpo”. E mais: “Visito palácios onde não existem reis”. Ele quer deparar-se com majestades, realezas, nobrezas talvez medievais (o que seria deveras anacrônico…). Mas os dias são outros. Na cadeira (ou cátedra?) do intelectual, o povo soberano, e indócil ante os seus governantes anteriores, houve por bem entronizar o líder sindical – e torneiro mecânico do ABC -, fato rigorosamente inédito, impensável até bem pouco tempo atrás na consabida “república dos bacharéis”. Mas o poeta não se conforma no inconformismo… Num salto espetacular (e encantador!), passa por radical conversão. E logo se “alucina”: “Me entrego a você,/mulher de outros ladrões.” Subitamente, ele tem coração e tímpanos desobstruídos, e pode até apreciar as cigarras, que vêm e “zumbem em seus” (de Brasília) “mangueirais”. No poema “Palafita”, o poeta testemunha que “Boceja a aurora/e, no rosto do plebeu,/brota a seiva/da coluna de marfim”.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 


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