Das fontes noturnas

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Das fontes noturnas
 
a noite possui a cidade
em leve meio tom
a cidade possui a noite
em cinco marchas
 
ambas possuem o encanto das fontes
desesperadamente cálidas
 
é quando a fome de lâminas afiadas
se apossa das bicas arfantes
que os cães fuçam raízes de begônias
(se é que existem begônias
na cidade e na noite)
para babar loucuras e mistérios
 
os mistérios da cidade rifados na noite
 
a cidade dança na noite
coreografias esfaimadas
correntes e punhais de felicidade
celebram paz
e esticam fraldas de dor nos varais
 
a noite é falsidade de anzóis
pós-do-sol que oferece tépido
assovio de enigmas a cada esquina
um fio invisível a costurar nós e sina
um silêncio de procissão nébula a praça.
 
Carlos Barbosa, poeta baiano, natural de Oliveira dos Brejinhos.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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