Conheça a história de como JK atraiu Israel Pinheiro para comandar a construção de Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

Já alcançara Israel os sessenta anos e embora se encontrasse em plena forma, não era mais um jovem, convenhamos. Juscelino lutava assim, com os seus escrúpulos. Mais um dia, numa viagem de avião, sentado lado a lado com Israel, tomou coragem:
  – "Israel, estou pensando em convidar você para um trabalho importante". (Fez uma pausa). "Mas não sei se…"

  Israel interrompeu o Presidente, facilitando as coisas:
 
   – Ô Juscelino, já sei o que é, e aceito!
 
   E foi desta forma que se viu definitivamente ligado à construção da nova Capital.
 
   Assinada em 19 de setembro de 1956 a Lei 2.874, que dispunha sobre a mudança da Capital e criava a Novacap, foi esta constituída em solene sessão pública a 22 de setembro e seus atos constitutivos aprovados por decreto do dia 24. No dia 25 Juscelino nomeou Israel presidente da Empresa.
 
   Mesmo antes de tomar posse, Israel cuidou de liberar a publicação de Edital de Concurso para a escolha do Plano Piloto da futura cidade. Os principais jornais do país publicaram o Edital em 30 de setembro. Em 20 de setembro o "Diário Oficial" da União já havia publicado, mas a divulgação do edital pelos principais jornais fora sobrestada até que os atos constitutivos da Novacap fossem aprovados.
 
   No dia 2 de outubro Israel acompanhou Juscelino em sua primeira visita ao sítio onde se ergueria a nova Capital. Já sobrevoara a área algumas vezes, a partir do momento em que recebera o tal convite, antes da nomeação. Queria ir tomando pé nas coisas, para depois não perder tempo.
 
   Voltando daquela viagem na tarde do dia 2, compareceu Israel à Câmara no dia 4 para as despedidas. Nesse último discurso naquela Casa, que não foi tão só de renúncia ao mandato parlamentar mas sobretudo de reafirmação de sua confiança no futuro do país, disse que seguia para uma luta maior a serviço de um ideal. Tinha nítida consciência de que não ia apenas lançar no interior despovoado os lineamentos de uma nova cidade, mas principalmente os sólidos fundamentos de uma obra de civilização e de conquista. Salientou que a participação de representantes da Oposição na Administração da Novacap, a despeito das duras lutas partidárias que então se travavam, caracterizava bem o sentido superior do empreendimento, o plano incomparavelmente elevado em que se colocava o problema da interiorização da capital, aspiração de todos que teria repercussão externa e interna na vida nacional.
 
   Recebeu, na oportunidade, palavras e apoio, de estímulo e votos de sucesso na missão, de deputados de todos os partidos. Entretanto, embora Afonso Arinos, com sua acuidade costumeira, declarasse da tribuna: "quem tem o sentido da posteridade, quem tem a intuição do futuro, faria com prazer isto que Vossa Excelência está fazendo, abandonar o mandato parlamentar para assumir uma missão desta importância e desta significação histórica", não foram poucos os que mostraram surpresa e até espanto diante da decisão de Israel de trocar o mandato de deputado federal pela Presidência da Companhia Urbanizadora. Muitos consideraram a troca uma loucura. Estavam equivocados, como o futuro se encarregaria de provar.
 
Extraído do livro "Brasília – Memória da Construção", de Tamanini

 


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