Código do herói opaco

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Código do herói opaco
 
(…)
as chuvas desabam sobre as máquinas.
Brasília.
e do fundo do tempo um santo pavor.
e o poema, incapaz de culto: sob as máquinas.
 
ó grande medo, mais que a chuva,
a cidade rejuvenesce.
 
ficou um denso mais verde,
o chão.
um teto maior o azul
desabado e recomposto.
uma força mais cor
os homens.
um sentido as máquinas.
o poema, um rito
 
*
 
minha cidade, filha e mãe,
à luz primitiva,
meu fazer
– danação.
 
cidade, és criança, incesto, dor
de te nascer do sexo do mundo:
 
as crianças criando a criação.
 
*
 
do planalto central
eu medito o centro
dentro e fora.
porque as mãos independem.
não sou apenas
o que faço.
 
(continua amanhã)
 
Hermenegildo Bastos, poeta baiano, nasceu em Salvador.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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