Ciro José Tavares

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília Sem Comentários

 

Ciro José Tavares recorre à mitologia, terreno de sua predileção, em que transita com engenho e arte. Busca o herói tessálico, rei dos lápidas, lançado ao fogo por seu sogro Deioneu. Seria Brasília (ou o poeta) o pássaro vermelho e, como tal, teria, de algum modo, a ver com a personagem condenada por Zeus a permanecer amarrada, para sempre, a uma roda em chamas? O poeta se proclama “…preso ao eixo por centauros”, e completa: “…que diuturnos fiam ocasos com meu sangue.” Mas há o contraponto, os ares benfazejos, como que a anular todo o desconforto e o indesejável, as “…artérias frias”/desnudando ventres de ciclopes no concreto…” e “…o orvalho das manhãs”, a envolver o vate, generosamente, e a saciar-lhe a sede.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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