Cimento & devaneio

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Cimento & devaneio

(final)
 
 
Canto o Palácio dos Arcos,
o Parque Zoobotânico.
Os espaços que me ofuscam
com seu fausto arquitetônico.
 
Em domingos de lascívia,
de azul mais rijo e mais puro,
canto a cidade e seus olhos
voltados para o futuro.
 
Trevos que emergem das trevas,
volúpias que se bifurcam.
Alamedas de aloendros,
retas que esbarram nas curvas.
 
Bustos despontam do verde
com o despudor de uma orquídea.
Nuvens são formas de incesto
em domingos de lascívia.
 
Presságios deitam raízes
no coração da metrópole.
Outrora, ali, só se ouvia
rumor de perfuratrizes.
 
Jardim de astúcia e algarismos.
– Urbe de rubros ovários
em cujo dorso galopam
descendentes de centauros.
 
Cidade em corpo de pássaro,
Longas asas de albatroz.
Em teu ser de liberdade
um pouco de todos nós.


Francisco Carvalho, poeta cearense, nasceu em São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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