Cimento & devaneio

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cimento & devaneio

Todos cantam sua terra
também vou cantar Brasília:
cimento que devaneia
em domingos de lascívia.
 
Os anjos da catedral,
madre erguida em praça pública.
Os vitrais incendiados
pelas centelhas da súplica.
 
Canto as asas desse pássaro,
plumagem de relva e brisa.
Seus mamilos lapidados
em domingos de lascívia.
 
O lago como um rebanho
de ovelhas pacificadas.
Pupila de um deus insone
que incendeia as madrugadas.
 
Lúcio Costa, Niemeyer,
a Ermida Dom Bosco.
Seios brotando da relva
nas tardes de vidro fosco.
 
Canto a cidade sonhada
pelo argonauta de Minas.
– Urbe que o mito preserva
dentro de nossas retinas.
 
Os candangos e a magia
das mãos que semeiam gestos,
modelam vigas que brotam
dos sonhos dos arquitetos.
O cerrado e seus crepúsculos,
nos momentos de vigília.
O amor que devora os corpos
em domingos de lascívia.
 
(continua amanhã)


Francisco Carvalho, poeta cearense, nasceu em São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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