Cidade Satélite

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Cidade Satélite
 
Nossa casa, sem paredes, pura
asa e vôo, delirante, casa
pouso e parto, porto perto
nossa pretendida e nua fada
sem teto, sem bandeira, pátria
sem porta, sem fronteira, frátria
estrela verdadeira, pátria
tocaia e mata densa, casa
repleta e completamente, pátria
colo e fidelíssima teta, mátria
Nossa pátria, nossa casa
fértil e cálida morada.
Fútil e fétida cilada.
 
Terra, Terra, Terra, Terra
Casa e pátria, pátria e casa
Dama, mulher-dama, puta pátria
a mancha no tapete dessa casa
silente, camuflada, imunda, amada
linda, majestosa, vício e várzea.
Nossa casa, nossa pátria, cova rasa
nossa vala, nossa espada, pátria e casa.
Aí de ti, de mim, de nós
donzela e parca pátria.
Ai dos teus movimentos pelo espaço, etérea
das bombas escondidas no teu seio, pátria
e, na porta do quarto, detonadas, casa
dormindo pela via expressa láctea
pátria e casa, aves raras.
Asa sul e norte fraturadas.
Minha alma, por ti enamorada, pátria
sem parede, sem fronteira, sem bandeira.
 
Terra, Terra, Terra, Terra
Casa e Pátria, Pátria e Casa.

Leonardo Almeida Filho, poeta paraibano, nasceu em Campina Grande.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


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