Cidade non plus ultra

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cidade non plus ultra*
 
Brasília, cidade-monumento, erguida sobre o chapadão do Planalto Central, cidade-Patrimônio Cultural da Humanidade, cidade clássica, aparentada, no pensamento idealizador, com a Cidade Ideal de Platão, com a Cidade de Deus, de Santo Agostinho, com a Cidade do Sol de Campanella, com a Utopia, de Thomas Morus, com a Cidade Contemporânea para Três Milhões de Habitantes e com a Cidade Radiosa, ambas de Le Corbusier e definidoras da Carta de Atenas, cidade-continuação e cidade-desejo dos Inconfidentes e mais tarde, de Hypólito José da Costa (daquele outro Correio Braziliense), de José Bonifácio de Andrada ("…um nova capital, no interior do Brasil, em uma das vertentes do rio São Francisco, que poderá chamar-se Petrópole ou Brasília…"), do historiador Varnhagen ("para a futura capital da União Brasílica o triângulo formado pelas lagoas Feia, Formosa e Mestre D’Armas, das quais manam águas para o Amazonas, para o São Francisco e para o Prata!" – depois definida pelo polígono Cruls), cidade-sonho da "grande civilização que surgirá entre os paralelos 15′ e 20’", na visão de Dom Bosco, cidade mística, ligada ao Egito antigo, cidade-irmã de Roma (ambas natas a 21 de abril) e da democracia da cidade grega, em luz suplantando a Cidade-Luz, cidade planejada, modernista, idealizada sob os três vértices de Lucio Costa, de Niemeyer, de JK, cidade cosmopolita, cidade universal, sob suas quatro escalas – monumental, bucólica, gregária e residencial -, mas também cidade-estado, totalitária e absolutista como Washington, cidade-berço da ditadura militar, força de atração humana e de segregação social, cidade sobreposta à cidade colonial, à casa-grande e às fazendas de gado, cidade infensa ao homem do Brasil interior, ao Goiás, ao cerrado e aos caminhos coloniais, cidade-espelho dos antagonismos mais fundos, dela emanando jardins de plantas, vias expressas, prédios-monumentos ordenados pelo homem, para um incerto novo espírito que irradiará novas memórias e ficções para o orbe, cidade-incógnita do terceiro milênio.
 
*não mais além, o mais alto ponto, apogeu.
 
Alex Cojorian
Texto em colaboração com Ataíde Mattos – Círculo de Estudos Clássicos de Brasília.
"Abstrata Brasília Concreta", de W. Hermuche.

 


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