cena brasiliense

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cena brasiliense

1970.

a pista enluarada e plana era o eixinho
em seus aclives e declives imperceptíveis
ao olho humano entre as asas
sul e norte de brasília.
a velocidade ali um convite
a quilômetros deslizantes.

súbito ela dispara para! para! para! para!
ele assustado o que houve?! ela insiste
urgente pare o carro!
docilmente intrigado ele parou
no acostamento, claro.

ela então enlaçou o pescoço
do namorado entre os braços
e beijou-lhe estrelas

incendiadadelicadapaixonadamente
na boca

Angélica Torres Lima, poetisa goiana, natural de Ipameri
Poema transcrito do livro "Luzidianas", Coleção Oi Poema, 2010


 


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