O Povoamento Poético de Brasília

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Por Anderson Braga Horta

Brasília foi um gesto ousado, corajoso, temerário para alguns, combatido por muitos. Mas não foi um gesto impensado. Repito o que disse em “Notícia de Poesia em Brasília”, texto que abre o livro “Sob o signo da Poesia: Literatura em Brasília”:

A ideia de uma cidade atravessa os séculos encoberta pela névoa da Profecia, que se clarifica no sonho-visão de Dom Bosco. A Palavra – o Logos, o Verbo – está associada a ela, em particular a Criação, a Poesia. E Brasília surge, em verdade, como um Farol de autoconhecimento, de auto-realização, de integração nacional e supranacional, de fraternidade.

O planejamento e a implantação, no cerrado quase deserto, de uma cidade moderna, destinada a ser a capital de um país em ascensão – melhor ainda: a cidade nascida de uma ideia progressista, de um pensamento generoso – mexeu com o País e provocou o interesse do mundo. Natural que estimulasse a imaginação de alguns poetas. Pois, como disse e gosto de repetir, Brasília nasceu sob o signo da Poesia.

Os grandes poetas que primeiro cantaram a nova cidade foram Vinicius de Moraes, Cassiano Ricardo e Guilherme de Almeida. Vinicius na “Sinfonia da Alvorada” (música de Tom Jobim), Cassiano Ricardo na “Toada para se Ir a Brasília”, Guilherme na “Prece Natalina de Brasília”.

Brasília está, com essa espécie de batismo poético, desde o nascedouro ligada à melhor literatura nacional. A rigor, desde antes, e muito antes, se pensarmos em tudo quanto se escreveu – em tudo o que se sonhou! – sobre a interiorização da capital brasileira. Recordo, a propósito, o caso curioso de Osvaldo Orico, que publicou, no livro “Dança dos Pirilampos”, de 1923, o poema “A Cidade do Planalto”, que lhe parece cair – premonitoriamente – como uma luva.

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Eduardo e Mônica

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“Eduardo e Mônica é de 1980, da época do Trovador Solitário, personagem criado por meu irmão.

Algumas das citações da letra tinham a ver com o dia a dia dele, que fazia natação na AABB, gostava de cinema de arte, lia bastante e fazia seguidas audições de discos.
Embora nunca tenha revelado quem era o Eduardo e a Mônica cantados na letra, deixava no ar a ideia de que poderia ser algum dos casais do seu ciclo de amizade, como o formado pelo diplomata Fernando Coimbra e pela artista plástica Leo Coimbra”.

Carmem Teresa, irmã de Renato Russo


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