Quando saí do quadrado

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Quando saí do quadrado;
Vi que os andares não se acabavam no seis
Que o mundo era muito maior que
O eixão e a W3

Fora do quadrado;
Valorizei o chão, o vão, pintar o asfalto
Sangrar o nariz.
Correr, cair e levantar
Debaixo do pilotis.

Voltar pro quadrado;
É um plano, é um vôo
É ser piloto do próprio avião

Aprendi que a voltinha no parque
Demora mais que imaginava.
Aprendi que o silêncio de muitos
fazia valer a quem se falava.

E pouco a pouco, na planitude,
Vi passar muitos e largos anos
Como largas eram as ruas e escolhas
no meu viver cartesiano.

Post de Cevs Volpi e Jóta Stilben, via Facebook

Brasília revisitada

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Para Adirson Vasconcelos

Que sei de ti?

Que sei de mim?

Volto às origens de tudo: barro.

Tumulto e barro mal comprimidos

no largo espaço do meu espanto.

Vagas lembranças de um pé-de-vento

e o redemoinho varrendo sonhos.

Desde o começo desta epopeia,

homens e bichos se circunscreveram em puídos mapas,

em utopias de sonhadores do amanhã.

Volto ao passado,

Vejo o presente

e a solidão frutificada.

João Carlos Taveira, poeta mineiro

Choro sorrindo

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O Clube do Choro

É um pedacinho do céu

Na noite de Brasília

É uma sonífera ilha

De sons-maravilhas

Sortidos & Alados

O Clube do Choro

É um bordado

Uma sinfonia

Usina de notas

Brasileiríssimas

Soltas no palco

Iluminado por carícias

Da citara de

Aveno de Castro

Lá, o não é nunca

E o sim tem o som

Sempre sincopado

Quando vou ao

Clube do Choro

Ahh, Chiquinha

Não vou sozinho

Vou sem medo

Quando não bebo

Bashô

Bashô

Bashô o santo

Agora todo Japão é banto

África

Olhai em si

O que não é haicai

É oriki

Teatro Nô

Em jogo de Ifá

My Butterfly

Vai piorubá

 

Luis Turiba, poeta pernambucano

Poema transcrito do livro “Qtais”, 7 Letras

CASTRO ALVES, FILHO DE BRASÍLIA

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Patrimônios, os dois, da humanidade;

deles são a petúnia, a sálvia, a gília

dos canteiros de flores da cidade.

 

Ambos buscaram (noites de vigília!…)

conseguir, preservar a liberdade.

Esse bem, garantia de família

e riqueza maior da sociedade.

 

“Cecéu”, um apelido da infância.

Por símbolo o condor – gênio entre as aves -,

para um gênio de andina culminância.

 

No céu da poesia ele é um astro:

Antonio Frederico Castro Alves.

A mãe: Clélia Brasília Silva Castro.

 

José Peixoto Júnior, poeta pernambucano

Poema transcrito da antologia poética “Sonetos de Bolso”, de

Jarbas Junior e João Carlos Taveira

BRASILIANAS

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I
O céu se abre ao infinito
Teus espaços são a capital dos meus pensamentos
Sorri o busto que fundou esse sentimento monumental
De poder, nas tuas letras, estar agora, brasiliana

II
Inauguraram um monumento
Mas é a tua estampa
Que transforma meus pensamentos
Em traços curvos
Que nem Niemeyer sonhou

III
Tempo Estio
Em que corpo e alma tem mais sede
Embora muita água possa ver, em realidade
Não é fácil atingir teu lago
Mesmo assim,
Vou forjando uma orla
Pela beira –
Mar que, um dia, em sonhos verei

IV
Pesadelo alado
Que voa ao Norte
Mas é para o Sul que vertem tuas veias
No entanto, a alma, condor que vaga
Do alto vê: é um avião!
Quando enfim, ao leitor regresso
Eis que uma voz de metal me chama
Novamente ao teu aeroporto!

V
Ando em tua perspectiva
Por uma avenida sem fim e sem nome
Estonteante velocidade colorida
De sonhos em movimento
No rosto do menino
As luzes de uma cidade perdida
Olho para frente
O sinal deve abrir
(Qual será o caminho mais curto até o teu ser?)

VI
Abrindo picadas no teu seio
Pelo cerrado
Acreditando na visão
Vou quebrantando tua fé de pedra
Esse plano de gelo, bloco de certeza
De quem não quer me habitar
E sentir a paixão dos pioneiros
Com a força
E os sonhos
Nos quais sou operário
Que despenca de todos os andaimes

VII
Brasiliana tem olhos de gata
Iris de velha xamã
Com tuas seitas
Seus novos mistérios
Feiticeira do altiplano
De bruxa, de benzedeira
E não foi a cruz em sua fortaleza
Que lhe livrou desse feitiço
De possuir toda a gente
E a cidade
Que no inicio
Não tinha Deus
Não tinha amor, nem nada
Passou a crer mais na vida
E os templos: a natureza!

VIII
Na noite em que parti
Levantei poeiras e dúvidas
Na bagagem que juntei
Um mapa sem legenda
E o coração como bússola
Apenas na procura de teus jardins em mudança de estação
Porque meus pastores
São os pássaros que desenham em teu céu
As luzes coloridas desses dias

IX
O expediente
O calhamaço, o ouro e o calmante
O lilás de bocas trêmulas
De longe brilham e fazem fama
A Brasiliana que me engana
É uma miragem em reluzente deserto
Sinuosa, prematura e disfarçada
Que agora caminha distante
Batendo asas
Buscando a mortal travessia
Em saltos loucos
Nos meios-fios de Brasília

Marcelo Ferreira Carámbula, poeta gaúcho.
Poema transcrito da lista de ganhadores do “Prêmio Cassiano Nunes”

MEMÓRIA FUTURA

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Mesmo coberta
Brasília é uma cidade
nua. Intervalos,
espaço, o plano em que se inventa
se despojam, verticalmente
Planalto, Brasília salta
e se repete para o alto.

E comemora-se, num céu
declarado, num horizonte
preciso, como quem sabe
o que faz de si
e guarda o rosto explicito.

Em que cidade os vãos
se mostram com tanto
azul, e ventos e vertentes?
Onde limites
Que se correspondem, onde
lacunas que se preencham
apontando
sua vizinha evidência;
onde é que
guarda tanto sentido
em sua indiferença?

Os edifícios, nítidos
como cactus, contra uma terra
envolta em terra
se amaciam e se retomam em lago.
E o branco é mais longo
no assalto do poente,
e a técnica se arredonda
na memória da Acrópole
e pelo ser
se aconchega, nas dobras
do existente.

Nada se aglomera
ou se expulsa
nesta paisagem onde a razão
é o sensível e sua imagem.

Aqui se faz o homem:
geografia-geometria
e a historia murmurando
amanhã
nas curvas da poesia.

Aqui a terra se ergue,
lapidada em seu proveito,
aqui medita
o que a pátria espera
de nós, por nós,
na nudez dos que pensam.

Lupe Cotrim Garaude, poetisa natural de São Paulo

BILHETE PARA ADIRSON

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Caro Adirson, suas histórias
não são contos, são memórias
de Brasília, de suas glórias.
Acordes de violoncelos
nas encenações de Otelo;
validadas promissórias
em as outorgas uxórias
da cidade em formação.
 
Você é um aventurado
do mistério de obá,
fecundo, predestinado,
no rubro pó do cerrado
bem cedo chegou pra cá.
Trouxe a perspicácia e a pena,
a alma ardente e serena,
a garra pela notícias
novas, bem quentes, notórias,
o gosto pela pesquisa,
as narrações sem malícia,
a mais genuína historia.
 
 Assim, caríssimo Adirson,
tão zeloso e devotado
Barão do Paranoá,
continue investigando,
juntando os sagrados elos,
pontos, planos, paralelos
da custosa conexão,
cosendo o caso perfeito,
com manemolência e jeito,
nas trelas do coração.

Antonio Temóteo, poeta baiano, natural de Piatã.

Dois poemas de Joana: A travessia

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Dois poemas de Joana: A travessia
(ou uma tentativa apenas)
 
Vozes eufóricas e
fortes zumbidos
se espalhando
no enorme corredor
mal iluminado do Minhocão.
A aula que não houve
se transforma
no estudo solitário
da diacronia
da Língua Portuguesa,
segundo Marcos.
Sorrisos, risadas e
gargalhadas escandalosas
não me deixam concentrar.
Já não percebo
a voz monocórdica
dos professores nas salas.
Início tardio
do semestre letivo.
Caótico.
É o caos da greve
deixando os estilhaços
em nosso caminho.
Como obstáculos,
a pedra no meio do caminho.
Lá fora,
a moto sem silencioso
sai em disparada no
breu estacionado no ICC Norte.
E eu adoro silêncio.
Espero a carona
até no último minuto.
O barulho oscila
entre as vozes meio gritadas
e o volume alternado do ruído
dos saltos-agulha que
desfilam fazendo
um eco comprido
até se tornarem inaudíveis.
A leve brisa espalha
o cheiro da erva sagrada,
tal capim santo.
Hoje, os rapazes
disputam a histeria ruidosa
com as moças.
E se sobressaem brilhantemente.
Atravessar a nado
o Lago Paranoá.
Pedir socorro e abrigo
aos monges beneditinos
ou às irmãs carmelitas.
Poder calar e descansar
para ouvir o mais fundo
do meu coração.
 
A LIMPEZA DA CAPITAL..
 
No frio seco da manhã,
em meio a nuvens
do vento empoeirado.
Lá estão elas…
Lá estão eles…
Tentam agasalhar-se,
e a se proteger
como podem.
De longe, percebo
o alaranjado movimento
do azul de seus casacos.
Vassouras, pás,
sacos de lixo,
baldes e carrinhos…
Estou confortavelmente
congelada dentro
do carro.
Olhos admirados
e agradecidos.
— Cenário típico e
aburguesado.
Tento acompanhar
o grupo por um instante
para adivinhar-lhes
os sonhos…
As cuidadoras
e os cuidadores da cidade
transpiram cansaço.
Da vida
Das viagens
Das madrugadas
Dos ônibus
mal cuidados
em direção
ao Plano Piloto.
Do almoço dormido
em suas marmitas.
E da volta pra casa,
que não termina nunca…
Preservam o bom humor,
apesar de tudo.
Será que todos sabem
que há muita sujeira
espalhada pela cidade
que o seu trabalho
nunca vencerá?
Abençoai-as, abençoai-os,
Ó Senhora Padroeira
da mais bela catedral do país!
E também a nossa cidade,
porque Brasília
está carente de bênçãos
e de luz.

Joana Eleuterio, poetisa mineira, natural de Bom Despacho.

EXALTAÇÃO A BRASÍLIA

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Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Foste sonho e ideal de tantos.
Pelas mãos pioneiras, candangas.
Integrando-o de Norte a Sul
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Niemeyer, os teus palácios,
Israel te deu forma e força,
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Onde cabem raças e credos.
E as noites frescas e de estrelas.
E de Dom Bosco, predição;
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Da grande síntese desponta
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Construtora de um novo tempo,
De amor, energia e consciência.
Fruto do esforço brasileiro,
Dos novos tempos, edifício,
Aurora de um novo Brasil.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Dos Três Poderes, tens a Praça,
Mais a Ermida e bela Esplanada,
As Quadras, Eixos, Avenidas
E também Águas Emendadas.
Teus panoramas deslumbrantes
De chão, de luz e de horizontes,
Lembras família, pátria, Deus.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
A vida que ofertas a todos,
Assim no Plano e nas Satélites,
De ânimo à ação, ao trabalho,
Um homem síntese criaste,
De cores e costumes pátrios,
De um forte Brasil, alicerce.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!

Post Adirson Vasconcelos, poeta cearense.

Cidade em frascos

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Deitado no espelho do asfalto
em tons de ametista
safira, topázio e rubi

o céu desdobra o horizonte
alvorado algemado
à paisagem da cidade.

Quem vem dos confins
de um país recém-inaugurado
jamais é o mesmo após adotado.

O batismo é de pedras
e o olhar se perde
pelos rastos

vazios sob arranha-céus
tontos na multidão
exaustos em procissão
rumo ao nada.

Siamesas
ela e eu
somos hoje

nervosos bordados
na trama
do tempo volátil.

Angélica Torres Lima, poetisa goiana.
Poema transcrito do livro “Luzidianas”, Coleção Oi Poema.

BICICLETA PRA BRASILIA DO CERRADO

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Na praça a trança
Voa no vento quente do Cerrado
Seco do Planalto de Brasília
Praças grandes traziam armadas amar aradas
Flores amaralindas
Folhas amarlindadas
Alguns beija-flores são azuis, brilhantes delicados
Aveludadas flores cachos casas rosas amareladas casas
Terra traço e grafite brilho e sol
Chapéus botas d’águas longe das catedrais
Praça porque pára praça porque pára parque
Cidades sitiadas armadas amarradas
Via bicicleta não precisa ser atleta
 
*
 
Bicicleteiro Corre
Pedal companheiro
Não poluente
Avenida pela frente
Vento na gente
 
*

Bic Prado, poetisa brasiliense.
Poema transcrito do livro “Poemas de um livro verde”, Coleção Oi Poema

Brasília, avião do futuro

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Brasília
Um avião de concreto que me leva ao futuro
Meu mundo
Cidade da alvorada, sem você fico sem rumo
As vidas
Que se encontram sem destino no centro das curvas
Essa história
Surgiu na companhia de todo esse céu azul
Ruas, avenidas no Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Brasília
Um universo paralelo que simula a fantasia
As luzes
Que à noite mostram o brilho das cidades vizinhas
As torres
Que te fazem acreditar estar no topo do mundo
As pontes
Que atravessam o espelho nesse céu do lago azul

Ruas, avenidas do Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Letra de Sara Santos e Blandu Correia
Música inscrita no concurso “Canta Brasília”, em homenagem aos 53 anos de Brasília
Transcrito do Caderno Especial “Brasília – a capital de todos os sons”, Correio Braziliense
21 de abril de 2013

Um Poeta do Cretáceo no Distrito Federal

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Um dinossauro montou banca de camelô
na rodoviária de Brasília.
Em horas de fastio
come ônibus da linha de Samambaia.
Um ninho de megatérios
ocupou a esplanada dos ministérios,
para geral agrado dos funcionários,
parceiros da preguiça gigante.
O serviço público existe
para o feito de todos os mais desistirem.
Na Taquatinga persistem os mitos
do Arqueopteriz, já assim idoso,
mendigando entre a praça do Bicalho
e o largo do Relógio.
Mas é no Gama
que agora afama o Velociraptor.
Três vitimas fatais em uma semana.
Todo o tempo equipes da polícia
estão no encalço, para lhe cobrar
multas de trânsito e o imposto sobre assaltos.
Vivendo assim é que escapamos da pré-história.
Três Tiranossauros, em três dias,
consomem Brasília inteira.
A única solução é seu novo desadvento.

Paulo Bertran, poeta goiano, natural de Anápolis.
Poema transcrito do livro “Sertão do Campo Aberto”

Brasília utópica/distópica

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Brasília
visualizada por
místicos e revolucionários,
é ícone da ruptura
do passado colonial;
utopia de uma nova sociedade
mais humanitária e igualitária,
e expressão singular da
arquitetura modernista,
minimalista,
onde só o essencial é traçado.

Raiz
dos Guayases,
Brasília acolhe tribos
de todas as nações.
É cidade porto e cidade parto
de uma nova civitas,
eclética em seitas
que a todos abriga
esotéricos e racionais.
Sonho/realidade erguido
a partir de uma encruzilhada
por peregrinos que consolidaram
a etnologia tupiniquim, orgulhosa
de sua genialidade e miscigenação
de múltiplos matizes, enriquecida
por mosaicos culturais globais.

Ao sopro inicial
em um 21 de abril,
primeiro dia de Touro,
signo de terra e de realização,
consolidou-se após
o arrojo inicial do Carneiro,
que crê nos sonhos impossíveis
e a tudo enfrenta
para os concretizar.

Sua
mitologia é do novo,
do pragmático e do imaginário
arquitetônico fundidos na criação
de uma realidade monumental
inspirada no tarô egípcio e
na cabala hebraica,
subvertendo o óbvio
que a tantos confunde
por só reconhecerem como belo
a miragem das urbis convencionais.
A esses, o cerrado, inusitado,
assusta,
enquanto aos que admiram sua
originalidade,
Brasília encanta.

Indo além do convencional de
moradia, trabalho e circulação,
Brasília é espaço vivo,
alterando continuamente
sua topografia e
estabelecendo novos topologias,
urbanas e humanas,
na entropia em que está inserida.

Lúdica,
Brasília assume novas direções no
fluxo continuo dos processos sociais
transformadores de planos pilotos
que são desfeitos
para outros serem criados
mas preservando sua insígnia
futurista, mesmo repetindo
cartesianos passos pretéritos,
posto que,
se por mitos foi concebida,
por humanos é forjada,
e destes se retraem
as asas do arrojo
para saltar no desconhecido
de novas alvoradas.

Interiorização
e equilíbrio
nos convidam Brasília.
Suas largas vias e
horizonte amplo
purificam o ar e remetem
os corpos ao movimento e
as mentes a olharem
a plenitude do
Planalto Central.
Suas tesouras não cortam,
unem caminhos.

Anos,
décadas, séculos e milênios
terminam e iniciam,
e a vida segue seus passos
construindo um novo futuro.
Nesse pulsar eterno, Brasília,
com sua magia plural,
como somos em nosso painel de
diversidade geográfica, cultural,
étnica e religiosa, continuará a
abrigar renovadas auroras, em um
convívio utópico/distópico a ser
(re)construído.

Roberto Rodriguez
Poema transcrito da Revista do Correio, 21/04/2013

Brasília

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Desenhada por Lucio Costa, Niemeyer e Pitágoras
Lógica e lírica
Grega e brasileira
Ecumênica
Propondo aos homens de todas as raças
A essência universal das formas justas

Brasília despojada e lunar como a alma de
um poeta muito jovem
Nítida como Babilônia
Esquia como um fuste de palmeira
Sobre a lisa página do planalto
A arquitetura escreveu a sua própria paisagem
O Brasil emergiu do barroco e encontrou o seu número

No centro do reino de Artemis
– Deusa da natureza inviolada –
No extremo da caminhada dos Candangos
No extremo da nostalgia dos Candangos
Athena ergueu sua cidade de cimento e vidro
Athena ergue sua cidade, ordenada e clara
como um pensamento
E há anos arranha-céus uma finura delicada de coqueiro

Sofhia Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa.

Brasília: ou reflexões sobre o poder

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A
o poder é boquirroto
e às vezes aborto
de um parto arrevezado.

o poder é falácia
se assentado em mapas
de areias movediças.

o poder é farsa
quando a mão que o traça
já nasce corroída.

B
no trato
com o poder
o cuidado com o bote
                                no fundo
                                do pote.

no trato
com o poder
                                 o destino
para o boi de corte.

no trato
com o poder
                                  a vocação
para bobo da corte.

Adão Ventura, poeta mineiro.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”
Correio Braziliense, 3/4/2008

Brasília fênix cidade

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Uma dança minimalista
Entre janelas de neons
Assiste cerrado em fogo
(re)acinzentando o azul
do céu das curvas das asas da cidade da dança da fênix do cerrado
d’asas abertas num voo
entre o nascer e morrer
(re)cria o verde de novo
das cinzas fênix cidade

Jorge Amâncio, poeta brasiliense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”,
Correio Braziliense, 10/10/2012

PLANO PILOTO

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urubus
             nunca
                         riscaram
distâncias
                   castanhas
no plano piloto
por isso
              o ar
embalsamou
uma pátria baldia
de sonhos anônimos.

Ézio Pires, poeta natural de Cantagalo, RJ.
Poema transcrito do livro “Brasília: Vida em Poesia”
Organizado por Ronaldo Alves Mousinho


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