EXALTAÇÃO A BRASÍLIA

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Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Foste sonho e ideal de tantos.
Pelas mãos pioneiras, candangas.
Integrando-o de Norte a Sul
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Niemeyer, os teus palácios,
Israel te deu forma e força,
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Onde cabem raças e credos.
E as noites frescas e de estrelas.
E de Dom Bosco, predição;
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Da grande síntese desponta
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Construtora de um novo tempo,
De amor, energia e consciência.
Fruto do esforço brasileiro,
Dos novos tempos, edifício,
Aurora de um novo Brasil.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Dos Três Poderes, tens a Praça,
Mais a Ermida e bela Esplanada,
As Quadras, Eixos, Avenidas
E também Águas Emendadas.
Teus panoramas deslumbrantes
De chão, de luz e de horizontes,
Lembras família, pátria, Deus.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
A vida que ofertas a todos,
Assim no Plano e nas Satélites,
De ânimo à ação, ao trabalho,
Um homem síntese criaste,
De cores e costumes pátrios,
De um forte Brasil, alicerce.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!

Post Adirson Vasconcelos, poeta cearense.

Cidade em frascos

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Deitado no espelho do asfalto
em tons de ametista
safira, topázio e rubi

o céu desdobra o horizonte
alvorado algemado
à paisagem da cidade.

Quem vem dos confins
de um país recém-inaugurado
jamais é o mesmo após adotado.

O batismo é de pedras
e o olhar se perde
pelos rastos

vazios sob arranha-céus
tontos na multidão
exaustos em procissão
rumo ao nada.

Siamesas
ela e eu
somos hoje

nervosos bordados
na trama
do tempo volátil.

Angélica Torres Lima, poetisa goiana.
Poema transcrito do livro “Luzidianas”, Coleção Oi Poema.

BICICLETA PRA BRASILIA DO CERRADO

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Na praça a trança
Voa no vento quente do Cerrado
Seco do Planalto de Brasília
Praças grandes traziam armadas amar aradas
Flores amaralindas
Folhas amarlindadas
Alguns beija-flores são azuis, brilhantes delicados
Aveludadas flores cachos casas rosas amareladas casas
Terra traço e grafite brilho e sol
Chapéus botas d’águas longe das catedrais
Praça porque pára praça porque pára parque
Cidades sitiadas armadas amarradas
Via bicicleta não precisa ser atleta
 
*
 
Bicicleteiro Corre
Pedal companheiro
Não poluente
Avenida pela frente
Vento na gente
 
*

Bic Prado, poetisa brasiliense.
Poema transcrito do livro “Poemas de um livro verde”, Coleção Oi Poema

Brasília, avião do futuro

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Brasília
Um avião de concreto que me leva ao futuro
Meu mundo
Cidade da alvorada, sem você fico sem rumo
As vidas
Que se encontram sem destino no centro das curvas
Essa história
Surgiu na companhia de todo esse céu azul
Ruas, avenidas no Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Brasília
Um universo paralelo que simula a fantasia
As luzes
Que à noite mostram o brilho das cidades vizinhas
As torres
Que te fazem acreditar estar no topo do mundo
As pontes
Que atravessam o espelho nesse céu do lago azul

Ruas, avenidas do Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Letra de Sara Santos e Blandu Correia
Música inscrita no concurso “Canta Brasília”, em homenagem aos 53 anos de Brasília
Transcrito do Caderno Especial “Brasília – a capital de todos os sons”, Correio Braziliense
21 de abril de 2013

Um Poeta do Cretáceo no Distrito Federal

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Um dinossauro montou banca de camelô
na rodoviária de Brasília.
Em horas de fastio
come ônibus da linha de Samambaia.
Um ninho de megatérios
ocupou a esplanada dos ministérios,
para geral agrado dos funcionários,
parceiros da preguiça gigante.
O serviço público existe
para o feito de todos os mais desistirem.
Na Taquatinga persistem os mitos
do Arqueopteriz, já assim idoso,
mendigando entre a praça do Bicalho
e o largo do Relógio.
Mas é no Gama
que agora afama o Velociraptor.
Três vitimas fatais em uma semana.
Todo o tempo equipes da polícia
estão no encalço, para lhe cobrar
multas de trânsito e o imposto sobre assaltos.
Vivendo assim é que escapamos da pré-história.
Três Tiranossauros, em três dias,
consomem Brasília inteira.
A única solução é seu novo desadvento.

Paulo Bertran, poeta goiano, natural de Anápolis.
Poema transcrito do livro “Sertão do Campo Aberto”

Brasília utópica/distópica

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Brasília
visualizada por
místicos e revolucionários,
é ícone da ruptura
do passado colonial;
utopia de uma nova sociedade
mais humanitária e igualitária,
e expressão singular da
arquitetura modernista,
minimalista,
onde só o essencial é traçado.

Raiz
dos Guayases,
Brasília acolhe tribos
de todas as nações.
É cidade porto e cidade parto
de uma nova civitas,
eclética em seitas
que a todos abriga
esotéricos e racionais.
Sonho/realidade erguido
a partir de uma encruzilhada
por peregrinos que consolidaram
a etnologia tupiniquim, orgulhosa
de sua genialidade e miscigenação
de múltiplos matizes, enriquecida
por mosaicos culturais globais.

Ao sopro inicial
em um 21 de abril,
primeiro dia de Touro,
signo de terra e de realização,
consolidou-se após
o arrojo inicial do Carneiro,
que crê nos sonhos impossíveis
e a tudo enfrenta
para os concretizar.

Sua
mitologia é do novo,
do pragmático e do imaginário
arquitetônico fundidos na criação
de uma realidade monumental
inspirada no tarô egípcio e
na cabala hebraica,
subvertendo o óbvio
que a tantos confunde
por só reconhecerem como belo
a miragem das urbis convencionais.
A esses, o cerrado, inusitado,
assusta,
enquanto aos que admiram sua
originalidade,
Brasília encanta.

Indo além do convencional de
moradia, trabalho e circulação,
Brasília é espaço vivo,
alterando continuamente
sua topografia e
estabelecendo novos topologias,
urbanas e humanas,
na entropia em que está inserida.

Lúdica,
Brasília assume novas direções no
fluxo continuo dos processos sociais
transformadores de planos pilotos
que são desfeitos
para outros serem criados
mas preservando sua insígnia
futurista, mesmo repetindo
cartesianos passos pretéritos,
posto que,
se por mitos foi concebida,
por humanos é forjada,
e destes se retraem
as asas do arrojo
para saltar no desconhecido
de novas alvoradas.

Interiorização
e equilíbrio
nos convidam Brasília.
Suas largas vias e
horizonte amplo
purificam o ar e remetem
os corpos ao movimento e
as mentes a olharem
a plenitude do
Planalto Central.
Suas tesouras não cortam,
unem caminhos.

Anos,
décadas, séculos e milênios
terminam e iniciam,
e a vida segue seus passos
construindo um novo futuro.
Nesse pulsar eterno, Brasília,
com sua magia plural,
como somos em nosso painel de
diversidade geográfica, cultural,
étnica e religiosa, continuará a
abrigar renovadas auroras, em um
convívio utópico/distópico a ser
(re)construído.

Roberto Rodriguez
Poema transcrito da Revista do Correio, 21/04/2013

Brasília

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Desenhada por Lucio Costa, Niemeyer e Pitágoras
Lógica e lírica
Grega e brasileira
Ecumênica
Propondo aos homens de todas as raças
A essência universal das formas justas

Brasília despojada e lunar como a alma de
um poeta muito jovem
Nítida como Babilônia
Esquia como um fuste de palmeira
Sobre a lisa página do planalto
A arquitetura escreveu a sua própria paisagem
O Brasil emergiu do barroco e encontrou o seu número

No centro do reino de Artemis
– Deusa da natureza inviolada –
No extremo da caminhada dos Candangos
No extremo da nostalgia dos Candangos
Athena ergueu sua cidade de cimento e vidro
Athena ergue sua cidade, ordenada e clara
como um pensamento
E há anos arranha-céus uma finura delicada de coqueiro

Sofhia Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa.

Brasília: ou reflexões sobre o poder

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A
o poder é boquirroto
e às vezes aborto
de um parto arrevezado.

o poder é falácia
se assentado em mapas
de areias movediças.

o poder é farsa
quando a mão que o traça
já nasce corroída.

B
no trato
com o poder
o cuidado com o bote
                                no fundo
                                do pote.

no trato
com o poder
                                 o destino
para o boi de corte.

no trato
com o poder
                                  a vocação
para bobo da corte.

Adão Ventura, poeta mineiro.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”
Correio Braziliense, 3/4/2008

Brasília fênix cidade

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Uma dança minimalista
Entre janelas de neons
Assiste cerrado em fogo
(re)acinzentando o azul
do céu das curvas das asas da cidade da dança da fênix do cerrado
d’asas abertas num voo
entre o nascer e morrer
(re)cria o verde de novo
das cinzas fênix cidade

Jorge Amâncio, poeta brasiliense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”,
Correio Braziliense, 10/10/2012

PLANO PILOTO

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urubus
             nunca
                         riscaram
distâncias
                   castanhas
no plano piloto
por isso
              o ar
embalsamou
uma pátria baldia
de sonhos anônimos.

Ézio Pires, poeta natural de Cantagalo, RJ.
Poema transcrito do livro “Brasília: Vida em Poesia”
Organizado por Ronaldo Alves Mousinho


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