Luzes Mecânicas

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Aos ventos que hão de vir;
Arrastando o ar miscigenado,
Em DNA singular, Candango,
Onde aurbis é oinspirar.

Alenta-se os monumentos,
Da Catedral a Torre Digital,
Excede-se o natural,
Da Ponte JK aos Ministérios.

Ascendevermelho-pungente,
Barro que adentra a cosmopolita
Noite que cega, luzes mecânicas.

Além das asas sul e norte,
E eixos desconcertantes, paira,
Há algo utópico, centros brasilienses.

Pablo B.P. Santos

TARDE

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Das cabeceiras do verão
o tempo incerto
traz para a cidade
um domingo deserto.
                                        Os estacionamentos abandonados.
Dentro dos muros
de um domingo morto
esta cidade pára.      
                                       A solidão nas superquadras.
Janua coeli.
Stella vespertina.
Tarde. Tarde.
Inconsolatrix.
                                        A poeira no claro espaço das brisas.
 
H. Dobal, poeta piauiense, natural de Teresina.

VICTA CAUSA

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A cidade dominada
pelos pontos cardeais:
           Norte
           Sul
           Leste 
           West.
A cidade dominada
pelos gabaritos da monotonia.
Pela arquitetura de massas.
                 Dos mármores.
                 Dos vidros.
A cidade fechada
nos seus espaços.
A cidade
Indiferente à causa dos vencidos.
 
H. Dobal, poeta piauiense, natural de Teresina.
FIM DE EXPEDIENTE
 
Passaram as siglas da manhã
Perdeu-se a paz do meio-dia.
Ficaram
                              do esplendor sub-letal,
                              das divisões de vidro,
                              das cortinas de cânhamo,
                              do ritual dos processos,
                              da cidade crucificada no planalto,
um fim de tarde e os signos da noite.

 H. Dobal, poeta piauiense, natural de Teresina.

PLANALTITUDE

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Neste planalto de azul silêncio
a vida tão me quis sem a medida
convencional do tempo, porque aqui
atravesso o dia e a noite como atravessava
o quintal de minha casa, não sabendo
da evolução constante e rude que passeava
por demais despreocupada.
Luzes de um outro lado/ladeado
trans/migrantes de nada/ar navegam anunciantes
por um lago de sal/lágrimas, resultado de rios
com amputados braços.
E virei pássaro sem inocência no aberto céu
onde não há papagaio, mas a segura/herança
e segurança nos multi/lados, onde salvei-me
de ter mutiladas as minhas asas de ouro.
 
Fernando Correia Dias, poeta português, natural de Penajoia

TEMPOS DE BRASILIA

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Eis o sertão cerrado,
cerrado mas aberto
em flores de asperezas.
Que árvore está florindo?
Cada qual tem seu tempo.
Estação? Quaresmeira.
Pelo retrovisor,
uma chuva cinzenta
na moldura do lago.
Da celeste aridez,
incide o duro sol
no luminoso ipê.
Com puro céu lavado
o verde está brotando,
louvado seja Deus.
 
Fernando Correia Dias, poeta português, natural de Penajoia

DA AMPLIDÃO

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Azulejo de paredes frias
Montanha de pele surda
Jornal amarfanhado
                             nos dentes dos aviões?
                             Planta uiva podre
                             Lago avenida
                             e torre:
                                    sangue
Dentro da nossa febre
sempre cantam estas cigarras
                              tontas e lerdas
                               brancas e pardas
                               Pode ser
                               este horizonte retilíneo
                               ou o ônibus
                               ou a pressa
                               quem sabe o vazio das vielas?
Que a cidade detém os pássaros
                                  nas artérias do vento
                                  Manhã nem é dia
                                  para a rede Macunaíma
                                  e o tempo aleijadinho
só vomitou pedras lodacentas
                                  Tantas vezes
                                  as mãos eram socos
                                   nos olhos desta cidade
No entanto
o asfalto luzidio:
                                   não se sabe
                                   por onde foi
                                   o mar
                                   desta cidade
                                   Não se retomará quase nada
                                   Nem mesmo é um jeito
                                   de se sorrir dos palácios
                                   A tortura
                                   não esmaga o eixo das flores amarelas
                                   Ou talvez
                                   não mais se sonhe
                                   por aqui
Vindos do Brasil inteiro
                                   inteiros não somos mais:
                                   a cidade estraçalha
                                                   nossos corpos famintos
                                   a cidade espicaça
                                                    nossos sonhos famintos
E famintos:
               não se sabe
               por onde foi
               a canção
               desta cidade
               Mormaço calor cerrado
               espaço branco azulado
               chuva rente primavera
               Alegria a gente inventava
               sem precisar de máquinas
Hoje realmente
               não se sabe
               por onde foi
               por onde foi
               por onde foi?
 
Stela Maris, poetisa natural de Nova Granada (SP)

Brasília

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“Entre os graus 15 e 20, aí havia uma enseada bastante extensa e bastante larga, que partia de um ponto onde se formava um lago. (…) aparecerá aqui a terra prometida, onde correrá leite e mel.”

Dom Bosco

Brasília é bastante branca
Brasília é vermelha manta
Brasília é o diáfano sobre a luz que abrilhanta

Brasília é um colar de pérolas que à noite encanta
Brasília é um manjar turco exótico que me levanta
Brasília é uma cobra recolhida que se estanca

Brasília é um vilarejo se passando por cidade
Brasília é uma expressão na geometria da felicidade
Brasília é a cidade invisível de Italo Calvino em tenra idade.

Brasília é uma profecia de Dom (Bosco)
Brasília é um poema esculpido em pedra
Brasília é canção de Carlos Drummond (de Andrade)

Brasília é o diamante na coroa
Brasília é um avião imenso que não voa
Brasília é uma cidade de Amauri afundada à toa.

Brasília é a Clarice Lispector sonâmbula sobre a água
Brasília é açaí preto na sobremesa, árdua
Brasília é a perfeição em tijolo e argamassa na frágua.

Brasília é um pedaço de torta espacial
Brasília é uma ilha de fantasia num lago irreal
Brasília é uma noite dominicana frugal.

Brasília é a última utopia
Brasília é para Sylvia Plath uma distopia
Brasília é uma paisagem de ectopia

Brasília é um oásis de pássaros migratórios
Brasília é o oráculo de vocábulos premonitórios
Brasília é uma página de um livro obrigatório.

Brasília é uma miragem instável no deserto
Brasília é uma visão pálida de um ponto incerto
Brasília é quando o prego e o martelo estão muito perto.

Poema de Abhay K, vice-chefe da missão diplomática da Índia no Brasil

Meu Deus, que cidade linda!

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Por Guilherme Goulart

Ele tinha motivos de sobra para comemorar a aprovação, em concurso público, para um cargo no Banco do Brasil, em Brasília.
Além de deixar para trás o interior do país, Antenor conquistava a esperada oportunidade de conhecer e morar na cidade tantas vezes cantada por Renato Russo. Aos 25 anos, mantinha-se fá incondicional do eterno líder da Legião Urbana. Apaixonara-se pela banda no inicio da adolescência, quando ouviu, pela primeira vez, Faroeste Caboclo.

Àquela época, gastava horas e horas imaginando a Brasília reverenciada pelo ídolo. Estranhava termos como Asa Norte, rockonha, Parque da Cidade, camelo e tentava, por si só, desvendar esses mistérios. Quando soube do resultado do concurso, Antenor logo avisou: “Mãe, tô indo para Brasília! Vou conhecer a terra do Renato, a senhora acredita?” Dona Genoveva ficava com o coração apertado, mas sabia que a inteligencia e a dedicação do filho o levariam para longe dali. Ainda assim, ela era só orgulho.

Antenor deveria assumir o novo emprego dali a dois meses. Mas tamanha ansiedade o fez deixar a cidade natal quase imediatamente. Queria ver, ouvir, tocar e sentir a trilha sonora da juventude. “Mãe, vou de ônibus. Quero saber o porquê de o João (de Santo Cristo) dizer: “Meu Deus, que cidade linda” ao sair da Rodoviária e ver tudo enfeitado com as luzes de Natal. Dona Genoveva não sabia muito bem como lidar com a empolgação do filho, mas compartilhava tamanha felicidade.

O jovem legionário não dormiu nas mais de 24 horas de viagem interestadual, excitado demais para descansar o corpo e os olhos. Parecia um menino. Conversou com todos os passageiros, que, na metade do caminho, sabiam de cor a paixão do futuro funcionário do Banco do Brasil pela trupe de Renato Russo. Alguns mais solidários cantavam com ele as canções preferidas.
Geração Coca-Cola, Tempo Perdido, Faroeste Caboclo, Eu sei, Pais e Filhos…Terminava uma e logo engatava outra, transformando a viagem em excursão de segundo grau.
Antenor só ficou em silêncio quando o ônibus alcançou o Distrito Federal e enveredou pelo Eixão Sul. Encantou-se com os prédios, o verde abundante e a avenida de sete faixas, três de cada lado e uma central. Em cinco minutos, estava diante da Rodoviária. À direita, enxergou o que só a imaginação até então lhe trouxera: a Esplanada dos Ministérios. “Meu Deus, que ci-da-de lin-da”, repetiu, devagarinho, como João de Santo Cristo. Antenor Azevedo chorou como criança.

O servidor público viveu intensamente a capital federal até o primeiro dia de trabalho. As impressões e as estranhezas – era difícil entender as quadras, o trânsito e a falta de nome nas vias – apareceram nas cartas escritas à mãe. Também expandiu o conhecimento. Visitou museus, prédios públicos e monumentos. Descobriu Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Burle Marx e Athos Bulcão. Em pouco tempo, conhecia mais a cidade do que muitos brasilienses. E prometeu à mãe que, tão logo alugasse “um apê no Sudoeste Econômico”, a traria para “um city tour de primeira”.

Antenor estava realizado. Morava na terra onde viveu o carioca Renato Russo.

Texto de Guilherme Goulart, transcrito da “Crônica da Cidade”, do Correio Braziliense, 24 de junho de 2017.

SK8

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SK8
É
cultura
energia
pulsação
é um tipo de célula social
para construção de laços,
amizades, cidadania

antes da existência dos paralamas do sucesso
o Herbert e o bi conheceram-se através do SK8

cresci entre livros e idas de SK8
para a pista do clube dos 200 em Taguatinga

a chegada da pista na praça do D.I.
representou o desejo de toda uma geração

ontem,
diante dos olhos do administrador de Taguatinga,
nossa pista foi derrubada

a praça do SK8 é do povo
ontem meu coração foi dormir furado
ontem foi o meu pior role em taguatédio

querem acabar com as drogas?
derrubem polític@s ordinári@s

a fúria dos deuses
irá voltar-se
para os criminosos
da beleza

Paulo Kauim
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense, 07 de maio de 2015.

BRASILIA FUTURA

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Lua cheia
no meio do Brasil
a construção de tudo: a cidade
No princípio é moldura do nada
sobe mais de 1.000 metros no ar
nem um morro contorna a vista
no alto o plano piloto vira escultura
A primeira fase é candanga
ligação de Brasis
com o mundo
Os pés sobre a terra finavermelhácida
pele de asfalto
corpo de concreto e vidro
mãos ao norte e sul do fazer
O rosto da cidade fica conhecido
sai do papel
escala o pico do impossível
em recorde de inauguração
A cidade criança engatinha
abre os braços para toda gente
parece com a mamãe e o papai
traços da filosofia socialista e de Le Corbusier
anda com a burocracia e suas primas Poesia e Lazer
Infância de sonhos
cidade encontro de céu e chão
asas de último tipo
A dimensão Brasília
face humana do cerrado e arquitetura
fundidos em habitantes-raízes da utopia
Brasília
marco zero da ocupação do interior
voo de raças e quereres
seta ao vento da miscigenação
Aqui não tem mar, não tem esquina
nem trem ou tradição…
ter nascido cidade-capital é destino
de gente, espaço e tempo
Oscar Niemeyer e Lucio Costa
criaram os rumos da modernidade brasileira
largo gesto de autoria
de casas e palácios das mudanças
Tem palavra que é Brasília escrita e pronunciada
mudança é uma delas
muda de lugar e hora
transmuta e marca a história.

Delei
Poema transcrito do álbum “Brasília: 55 anos – da utopia à Capital

O Povoamento Poético de Brasília

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Por Anderson Braga Horta

Brasília foi um gesto ousado, corajoso, temerário para alguns, combatido por muitos. Mas não foi um gesto impensado. Repito o que disse em “Notícia de Poesia em Brasília”, texto que abre o livro “Sob o signo da Poesia: Literatura em Brasília”:

A ideia de uma cidade atravessa os séculos encoberta pela névoa da Profecia, que se clarifica no sonho-visão de Dom Bosco. A Palavra – o Logos, o Verbo – está associada a ela, em particular a Criação, a Poesia. E Brasília surge, em verdade, como um Farol de autoconhecimento, de auto-realização, de integração nacional e supranacional, de fraternidade.

O planejamento e a implantação, no cerrado quase deserto, de uma cidade moderna, destinada a ser a capital de um país em ascensão – melhor ainda: a cidade nascida de uma ideia progressista, de um pensamento generoso – mexeu com o País e provocou o interesse do mundo. Natural que estimulasse a imaginação de alguns poetas. Pois, como disse e gosto de repetir, Brasília nasceu sob o signo da Poesia.

Os grandes poetas que primeiro cantaram a nova cidade foram Vinicius de Moraes, Cassiano Ricardo e Guilherme de Almeida. Vinicius na “Sinfonia da Alvorada” (música de Tom Jobim), Cassiano Ricardo na “Toada para se Ir a Brasília”, Guilherme na “Prece Natalina de Brasília”.

Brasília está, com essa espécie de batismo poético, desde o nascedouro ligada à melhor literatura nacional. A rigor, desde antes, e muito antes, se pensarmos em tudo quanto se escreveu – em tudo o que se sonhou! – sobre a interiorização da capital brasileira. Recordo, a propósito, o caso curioso de Osvaldo Orico, que publicou, no livro “Dança dos Pirilampos”, de 1923, o poema “A Cidade do Planalto”, que lhe parece cair – premonitoriamente – como uma luva.

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Arquitetura moderna do amor

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Mônica é do plano

                         Fernando de Brazlândia

                                                         Seus caminhos fizeram
                                                                                            t

                                    e 

                                              s

                                                    o

                                                u

                                          r

                                   i

                             n

                       h

                             a

                                na estrutural

Numa tarde de c

                        h

                        u

                         v 

                         a 

lado a lado na zebrinha 

moto parcelada dele deu pau

Trocaram watzaps

combinaram de ver o por do sol na praça do cruzeiro

Mônica chegou tarde

Fernando não sabia o que fazer além de tirar fotos

o sol, no monumental, se foi

restou rodoviária do plano e um dissabor meio ponte Costa e Silva para ele

para ela, um pouco da coloração psicodélica de um fim de tarde na primavera

Combinaram novamente de se encontrar

parque olhos d’agua

caminharam e cruzaram a ponte do rio verde

entrequadras 

se entrelaçaram 

beijo com sabor de flor do cerrado e beleza de pé de pequi

perderam o eixo

esqueceram as setecentas e se perderam nas novecentas

tiraram fotos na igrejinha

e se amaram na concha acústica

terminaram em plena seca, quando floriram os ipês

voltaram junto com os flamboyants e viram a primeira chuva da janela.

 

Post Patrick Mariano

Viver é bom

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Chego a Brasília,
– Que calor é esse, meu Deus,
Tem uma lua linda,
Lua nova soprando brisa fresca.
Que venham as noites frias
Da estação das secas
E que se abra a florada
Exótica do Cerrado.
Brasília,
Acho que é um poema
Que me nasce agora,
Vem cá, dá-me um abraço,
Minha cidade linda.
Deixa-me admirar-te,
Flor digital.
Na imensidão do Planalto.
Deitada à rede de casa,
Penso que é bom viajar
E que voltar
É melhor ainda.
Viver é bom, afinal.

Post Amneres, poetisa paraibana
Poema inédito

Não há

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Não há

Dia mais curto que aquele…
Manhã mais longa que a mal começada…
Não há neste mundo…
Caminho sem volta
Pedido sem resposta
Olhar não devolvido
Pior sentimento que o da entrega…
Culpa maior que a dor…
Dor maior que a solidão…
Desejo maior que o da carne…
Coração vazio de amor…
Maior cego que o de olhos abertos…
Ou alegria maior que ver o SOL…
Mesmo que numa noite sem fim!!!

Post Helio Moura Filho, poeta natural de Sorocaba

Face do Planalto

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Face do Planalto

 

Sob as faces do Planalto

Novo tempo que começo

A espera de um milagre

Doce fato que aguardo

Meu afeto por você

 

Andarilho como sou

No aguardo do momento

Nova vida vim buscar

sob as faces do Planalto

 

E do instante que perdi

Novos olhos me guiaram

Ao abraço permanente

Nova vida estruturou

 

Sob as faces do Planalto

Doce vida vim buscar

Novo tempo que construo

Ao instante permanente

Leite mel a derramar

 

Post Helio Moura Filho, poeta natural de Sorocaba

Brasília de Mim

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Brasília de Mim

 

A doce terra do leite e mel

Planalto central de mim

Aos olhos de um novo tempo

Um novo passo se faz

 

Das curvas de concreto

Em um esboço e papel

Ergo minhas suplicas ao céu

Brasilia de mim

 

Do sonho que um dia apaguei

O cerrado do tempo os refez

Ao reflexo de um espelho

Que um dia ousei olhar.

 

E do caco que um dia fui

Sincero momento de gozo e prazer

Ao caminho que hoje trilho

Brasília de mim

 

Post Helio Moura Filho, poeta natural de Sorocaba

SENHORA BRASILIA

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SENHORA BRASILIA

 

Eu já sou senhora

Tenho quarenta e sete anos

Mas me sinto jovem

Forte e bonita

Sou conhecida

Nos quatro cantos

Do mundo

Não tenho orgulho

Acolho brancos, negros

Pobres e ricos

Todos que me veem

Se encantam

Admiram-se

E se apaixonam

Imponente para o mundo

Fui sonhada

Fui planejada

Hoje sou amada por todos

Sou a Capital do Brasil

Eu sou Brasília!!!

 

Post Francisco Pereira, poeta potiguar, natural de Natal.

BRASÍLIA

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Se fosse abraço

me fundiria em ti.

Se fosses luz

me esculpiria em tua sombra.

Se fosses orvalho

me derreteria em teus lagos.

Se fosses ilusão

te sonharia licenciosa.

Se fosses remanso

me embalaria nos teus côncavos.

Se fosses tudo

o que és,

Brasília dos mil poderes

mágica alucinação

do desafio

se fosses

então eu seria em ti.

 

Sofia Vivo, poetisa natural de Montevideo, Uruguai

Poema transcrito do acervo da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília


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