Edifício Brasília

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Edifício Brasília

As estreitas ligações entre Ana Miranda, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Lucio Costa, Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek

Sim, leia ‘A máquina do mundo’, leia todo o Claro enigma, e verá como Brasília é poética. É drummondiana. Mesa ao lado de mesa. Cadeira a cadeira. Linha por linha. Que diferença há, afinal, entre versos e ruas?’’

Como se pode perceber pela citação acima, é a Carlos Drummond de Andrade que recorre Ana Miranda para descrever o estranhamento vivenciado ao revisitar Brasília, cumprindo uma missão confiada pelo Correio Braziliense, como parte das comemorações do 42º aniversário da cidade. Justamente a Drummond, o poeta que trabalhou lado a lado com o também centenário Lucio Costa, no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

‘‘Espírito de Minas me visita/ e sobre a confusão desta cidade,/ onde voz e buzina se confundem,/ lança teu claro raio ordenador’’. Essa parece ser a prece dirigida pela escritora ao poeta, no afã impossível de reunir os fragmentos dispersos que lhe vêm à memória e que, em vão, tentam se articular em torno da imagem da flor que povoara de beleza sua infância — a Caliandra/rosebud, que, hoje, não encontra mais nenhuma correspondência na paisagem transformada do cerrado. Brasília ‘‘flor-de-estufa’’ não há mais. O que há é o mistério. E, se assim é, beba-se em Clarice Lispector.

Mas, como Clarice, se também ela, trinta anos atrás, na crônica ‘‘Brasília: Esplendor’’, acabou recaindo no mesmo Drummond para tentar traduzir o ‘‘espanto inexplicado’’, experimentado frente à visão da obra-maior de Lucio Costa e Oscar Niemeyer? Como justamente ela, que, no cumprimento de sua sina de escriba, de ‘‘infeliz definidora por destino’’, se expõe como mais uma ‘‘alma canhota’’ que só vive pela palavra — a sua, que, afinal, acaba sendo também a do outro, a de outros? 1

Versos e ruas…Literatura e arquitetura… E política, acrescentaríamos, lembrando aqui um terceiro centenário, Juscelino Kubitschek, principal responsável pela construção da nova capital. Mas, ao contrário do ex-presidente, que sempre manifestou confiança em seu projeto de, através da união da arte e da política, construir uma realidade absolutamente nova sob o céu límpido do Planalto Central do País, Clarice, intérprete do mundo das sombras, faz ecoar em sua crônica a voz irônica do poeta para denunciar a fantasmagoria da cidade moderna: ‘‘Brasília é o meu martírio. E não tem substantivo. É só adjetivo. E como dói.’’

Se a Ana Miranda se impõe a comparação da capital planejada à ‘‘máquina do mundo’’, já Clarice opta pela analogia de Brasília com a cidade natal de Drummond, evocada nos poemas ‘‘Confidência do Itabirano’’ e ‘‘Edifício Esplendor’’. Que linha é essa, afinal, que liga a provinciana e férrea Itabira, uma ‘‘cidadezinha qualquer’’ perdida no mapa do Brasil, com suas ‘‘casas entre bananeiras’’ e seus segredos trancados em ‘‘quartos escuros’’ a uma cidade aberta ao horizonte, ‘‘completamente nua’’, projetada para injetar na sociedade brasileira ares cosmopolitas e concretizar os ideais rousseaunianos da transparência entre os espaços público e privado? Como enxergar na face da desinibida e luminosa Brasília uma relação com o pudor imposto ao tímido Drummond, desde cedo iniciado na sabedoria mineira que reza que roupa suja se lava é em casa?

É certo que já podemos ver a marca do poeta funcionário-público no edifício do Ministério de Educação e Cultura, obra considerada o marco zero da moderna arquitetura brasileira, que atinge com a construção de Brasília o seu ápice. Afinal, a carta de 03/10/1945, endereçada por Lucio Costa a Gustavo Capanema, a quem Drummond servia como Assessor de Gabinete no período da ditadura Vargas, não deixa margem para dúvidas: a influência do poeta na deflagração do movimento foi muito além das conversas entre os amigos que passaram, naquele ano, a ocupar a mesma sala do SPHAN, sob a supervisão de Rodrigo Melo Franco de Andrade:

‘‘A honestidade dos nossos propósitos teria sido vã, Dr. Capanema, não fosse podermos contar com dois cúmplices nos postos extremos de que dependiam, em última análise, todas as providências relacionadas com a obra — um no Catete, outro no seu gabinete: os senhores Getúlio Vargas e Carlos Drummond de Andrade. Cumplicidade que se manteve constante durante todo o transcurso da longa e acidentada empresa.’’

É certo, também, que o poeta faz, em sua obra, várias referências a Brasília, de cujo projeto, casualmente, foi um dos primeiros a tomar conhecimento, no SPHAN (‘‘Era um rabisco e pulsava’’). Chegou mesmo, num certo momento, a transformá-la numa Pasárgada, quando é aprovada a transferência do Governo para a nova Capital (‘‘Destino: Brasília’’), não deixando, por outro lado, de a ela resistir, no momento de sua inauguração (‘‘Canção do Fico’’).

Mas, talvez a principal razão para se recorrer ao poeta itabirano na tentativa de compreender Brasília seja a percepção clariciana da profunda descrença manifestada por Drummond quanto a qualquer projeto construtivista, até mesmo na fase em que ele procurou, como ‘‘pedro-pedreiro’’, colocar sua arte a serviço da revolução socialista, no breve período em que manteve o namoro com o Partido Comunista. Talvez a explicação para a revelação de Clarice se situe na simbiose que se estabelece entre ela e o escritor em torno da consciência de que o nosso tempo é, acima de tudo, um ‘‘tempo de homens partidos’’. Um tempo em que o poeta se vê diante de uma crise da representação tão intensa que lhe impossibilita exercer, como os demais modernistas de sua geração, o papel protagônico que até então lhes fora reservado no universo, ainda provinciano, das nossas cidades das letras. Assim, a Clarice que se pergunta o tempo todo se a ação realmente ultrapassa a palavra se encontra com o Drummond que, diferentemente do que se passava com os amigos vanguardistas, empenhados no paradoxal objetivo de transformar, através da arte moderna, o passado em tradição constituída, opta por desconstruir o próprio conceito de nação que embasava a prática do intelectual periférico. Pois não foi ele um dos primeiros a afirmar que ‘‘o Brasil não existe’’ e a se questionar até mesmo quanto à existência dos brasileiros?

Tal posicionamento não significaria, entretanto, entregar-se ao silêncio, mas, sim, o transformar a solidão de alguém que se apresenta como um homem comum, em ‘‘palavra de amor’’. A exposição de si, a fixação da memória do poeta no tempo assumiria, pois, a função de, mesmo numa situação de total imanência, oferecer-se ao outro, leitor, como ‘‘meio de conhecimento’’. Talvez ninguém tenha simultaneamente compreendido e se incomodado tanto com essa função da literatura de Drummond quanto seu amigo e interlocutor Mario de Andrade, que, em correspondência enviada ao poeta em 15 de outubro de 44, afirma: ‘‘Você ama e com que amor ansiado! Solidariza, participa, digamos até que se entregue. Mas não se integra, não se dissolve em. Você não se transpõe. Se transporta, mas permanece insolúvel, não se transpõe porque não consegue transcender-se a si mesmo.’’

O oferecer-se em espetáculo, que tanto espantava o autor de Macunaíma, deixa transparecer em Drummond uma profunda melancolia que, longe de significar um mero descompromisso com o social, aponta para um processo no qual o escritor desconfia de sua capacidade para contribuir na construção de um mundo realmente novo, entregando-se à reflexão sobre si mesmo e sobre o cotidiano que lhe cerca.

Nos momentos mais produtivos da literatura melancólica, o poeta reconheceria, todavia, que mesmo frente à impossibilidade de representar, mesmo frente à perda de função do intelectual na sociedade moderna, ‘‘certas histórias não se perderam’’. É através dessas histórias, que consistem na sua vivência pessoal, que Drummond dá a conhecer a experiência de sua geração, expondo todas as ambigüidades e os limites de sua atuação. O poema ‘‘Edifício Esplendor’’, talvez a principal referência da crônica de Clarice, constitui, sem dúvida, um desses momentos. Coleção de fragmentos do passado e do presente, nele vemos dramatizado o mesmo processo de decadência retratado pelas flanêries baudelairianas, que nos forçam a perceber o elemento antigo que se esconde na novidade e a incessante produção de ruínas promovida pela modernização.

Logo na primeira parte do poema, constituída de quatro estrofes, encontramos a referência ao arquiteto que transformou Brasília num monumento a céu aberto, mas se trata de uma referência irônica, que desconfia da técnica e da capacidade da arquitetura para gestar, como se chegou a acreditar, um novo homem, ou um novo país. Aqui, a concretude do cimento e a arquitetura dos prédios de apartamentos só conseguiram contribuir para o isolamento e a desumanização:

‘‘Na areia da praia/ Oscar risca o projeto./
Salta o edifício/ da areia da praia.

No cimento, nem traço/ da pena dos homens./ As famílias se fecham/ em células estanques.

O elevador sem ternura/ expele, absorve/
num ranger monótono/ substância humana.

Entretanto há muito/ se acabaram os homens./ Ficaram apenas/ tristes moradores.’’

Já na parte II, começa o registro no tempo pretérito, numa evocação da infância que teria o amargo sabor de um ‘‘copo de veneno’’. Daí para diante, exumam-se cadáveres, ressuscitam-se fantasmas, até que, no final, a destruição do sonho modernista apresentado de início se complete:

‘‘— Que século, meu Deus! diziam os ratos.
E começavam a roer o edifício.’’

Nesses versos, coincidentemente escolhidos como epígrafe da revista Edifício, que reuniu, nos anos 40, um grupo de jovens escritores, tendo como redator-chefe o escritor Autran Dourado, futuro secretário de imprensa de JK, a modernidade mostra a sua fase corrosiva e cruel. Aqui, como na crônica de Clarice, os ratos desafiam a força da racionalidade, da ordem e da geometria, mostrando quão pré-histórica é a nossa modernidade: ‘‘Brasília é um futuro que aconteceu no passado’’, afirma a escritora, outra descendente da linhagem baudelairiana, que incorpora, como Drummond, o spleen, o taedium vitae.

Paradoxalmente, o spleen, de acordo com a teoria benjaminiana, seria responsável tanto pela esquizofrenia quanto pelo potencial construtivo que permite ao escritor (e, por transferência, ao leitor) distanciar-se de si mesmo e simultaneamente gerar, através da literatura, novos espaços de fuga, novas experiências. Dessa forma, se Minas não há mais, se Brasília flor-de-estufa não há mais, talvez se possa, ainda, imaginar, inventar ou recriar em outras bases uma nova cidade, um novo país ou novas comunidades, mesmo que no ‘‘vasto mundo’’ feito de papel. Versos e ruas… Afinal, não foi mesmo Drummond quem disse que ‘‘uma rua começa em Itabira, que vai dar em qualquer ponto da terra’’?

Rachel Esteves Lima é doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi professora do ICESP, em Brasília/DF. Artigo publicado no jornal Correio Braziliense, em 20 de outubro de 2002.

 

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A cidade do Planalto

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“(…) Poucas cidades do mundo tiveram o privilégio de ser cantadas por tantos e tão importantes poetas.”
Comentário de Moacir C. Lopes sobre a antologia “Brasília na poesia brasileira” (1982), de Joanyr de Oliveira.

 “A cidade do Planalto
 
Oh! a Cidade que irá surgir
bela, sobre o planalto, além dos horizontes.
A que não foi preciso descobrir,
a que o olhar divisou pela encosta dos montes.
Cidade sem o lenço azul das caravelas,
Cidade do porvir,
longe do mar, Cidade perto das estrelas…

Tu não terás o afago de ondas, a carícia
voluptuosa da espuma contra o cais;
nem um colar chorando luzes sobre as águas
numa circunferência, e ainda mais… ainda mais
a praia, a areia de ouro, a banhista, a delícia
da alameda que fica junto ao cais.
Mas eu te amo assim mesmo, em teu futuro,
amo o trabalho humano que há de levantar
sobre os teus montes, edifícios de ouro
e a igreja branca onde talvez eu vá rezar.

Amo a glória do teu futuro!

Mas quero muito mais a saudade que fica
desse arraial onde hoje dormem caravanas
de montanhas e de pobres cabanas
e tendas humildes e pequeninas.

Ficas longe do mar, mas ficas perto
do céu, de um claro céu que há de estar sempre aberto
às nossas mágoas e aos nossos cantos, ao vento.

Que o homem futuro possa ter um sentimento,
adorar as tuas paisagens belas,
e possa, pela coragem, merecê-las.

Cidade que fugiu das ondas e das praias
para ficar vizinha das estrelas…”

Osvaldo Orico, poeta nascido em Belém, Pará. Poemas para Brasília, Antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Destino: Brasília

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"Destino: Brasília

Vou no Rumo de Brasília,
não é aqui meu lugar.
A liberdade, no exílio,
já começa a definhar.

Já não posso ouvir meu rádio
dizer as coisas comuns.
Lá fundarei uma arcádia
e comerei jerimuns.

Lá não chegam portarias
do titular da Viação.
Lá correm livres os rios
e livre é meu coração.

Sobe o imposto de consumo?
Ônibus mais caro, trem!
Lá, sem condução alguma,
sento no chão com meu bem.

Vou ao rumo de Brasília,
para bem longe do mar.
A selva é meu domicílio,
tão mais fácil de habitar.

Adeus, fumaça, adeus, fila,
adeus, carro matador.
Prefiro orquestra de grilo
ao silêncio do censor.

Se a lei contra a imprensa pega,
jornal vira boletim
meteorológico, cego,
surdo, mudo, chocho enfim.

Escola? A da natureza.
Prato do dia? Arganaz.
Vou redescobrir, surpreso,
no mato, a prístina paz.

Vou no rumo de Brasília,
que o Rio está de amargar.
Da inquisição o concílio
me proíbe até pensar.

Se o governo vai malito
e pensa que vai melhor,
quem mais lhe desmancha a fita
de pobre vestida à Dior?

Se chamo alguém de plagiário
(provando-o) me salta a lei:
Direto à Penitenciária,
por injúria grave! Eu sei.

Ladinos do bairro Fátima,
inocentes do Leblon,
que resta – dizei, num átimo –
salvo Glorinha Drummond?

Vou no rumo de Brasília,
o Catete vai ficar.
Se ele for, eu rogo auxílio
a Exu, monarca do ar.

Em Brasília ninguém tenta
espalhar promessa vã.
Transporte? Ao tapa do vento,
monto na besta alazã.

É seu maior privilégio
a vida sem pose, ao sol,
a simplicidade egrégia
da selva como lençol…

Orquídea, lontra, cachoeiro
em sussurro musical.
Não há, nem de brincadeira,
Polícia Municipal.

Vou no rumo de Brasília,
e para me deliciar,
levo meu compadre Emílio
Moura, de brando falar,

Cyro, Cruls, Gilberto Amado,
Aníbal, mago sutil,
Rodrigo M. F., apurada
essência do meu Brasil.

Não são fantasias bobas:
Portinari e seu pincel;
em vez de Orfeu, Villa-Lobos.
Bandeira – of course -: Manuel

E amigos, amigas, certa
saudade do que era azul,
pois mesmo longe está perto
meu norte – da Zona Sul.

Vou no rumo de Brasília."

Carlos Drummond de Andrade, em 21/10/1956

 

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Brasília! Poema de pedra e de flor

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"Dos sonhos, dos olhos, das mãos calejadas,
da dura esperança, de um povo a sofrer,
dos vales, das serras, das chãs, das chapadas,
Ó flor do Planalto, te vimos nascer!
De pedra e poesia, desejo e poesia
das águas, da terra e dos céus, flor-de-lís,
nascente da luta, da noite e do dia,
florindo esperanças nas mãos dos brasis.
Do sangue, da luta, do sonho de um povo,
Brasília surgiste, de pedra e de amor…
E és hoje esperança do belo e do novo.
Brasília! Poema de pedra e de flor…"

Paulo Nunes Batista, poeta paraibano. Cordelista, advogado e jornalista. Radicado desde 1947 na cidade de Anápolis/GO.

Sobre Brasília
Darcy Ribeiro

"Construir cidades artificiais por atos de vontade soberana é uma nossa característica histórica. Obedecendo ordens expressas, foram edificadas Salvador, Rio de Janeiro, São Luís, Belém, Belo Horizonte, Terezina e outra cidade que esqueci.

Em 1957, começa a surgir no chão do Brasil Central o que seria a cidade de Brasília, seguindo o risco do urbanista Lúcio Costa , desenhado numa folha de papel que custou 14 mil réis. A alta arquitetura de Oscar Niemeyer se mudou para lá para desenhar in loco a cidade que haveria de ser a obra mais bela do século.

Mas foi o trabalho – noite e dia – de milhares de candangos, brasileiros de todas as partes, que, em três anos, tornou Brasília possível."

Texto retirado do site do programa Provocações, da TV Cultura, apresentado por Antônio Abujamra.
Link:
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=292

 

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24 de fevereiro de 2007 – Dia da estréia

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24 de fevereiro de 2007 – Dia da estréia.

"No princípio era o êrmo…
Eram antigas solidões sem mágoa,
O altiplano, o infinito descampado…
Eram antigas solidões sem mágoa
O altiplano, o infinito descampado…
No princípio era o agreste:
O céu azul, a terra vermelho-pungente
E o verde triste do cerrado…"

Trecho da Sinfonia da Alvorada, poeta Vinícius de Moraes
Brasília, 1960.

"Na quarta parte nova os campos ara
E se mais mundo houvera, lá chegara"

Trecho da VII e 14, Os Lusíadas
Camões

Decifrando Brasília

Brasília é um enigma para a maioria dos brasileiros. A sua associação primária e instantânea como signo de poder pouco a revela e a compreensão dos seus significados resulta difusa e incompleta. A imagem predominante que se tem de Brasília perambula sem lugar definido no imaginário do povo brasileiro, em todas as classes sociais, como uma esfinge ainda a ser decifrada.
Eis uma tarefa desafiadora para nós brasileiros.
Compreendendo a Capital do Brasil como um  caldeirão miscigenado que se formou com gentes vindas de todos os cantos do País e que se fincaram na geografia de seu coração, creio que a resposta à presente indagação, ou seja, quem é Brasília? – está dentro de nós mesmos.
Essa é a perspectiva e o propósito deste site de nos próximos três anos e dez meses – tempo que levou a construção física da nova capital – buscar traduzir, pela via poética, quem é esta cidade-balzaquiana ao ensejo dos seus 50 anos de existência.
 
José Rangel de Farias Neto – o Velho Ranja

"À Brasília Poética,
Sucesso!"
Leonardo Assunção
 
"A expresão poética não se restringe à forma gráfica da escrita e sim na forma poética da fotografia artística. O blog "Brasília Poética" vem preencher este gap."
Roberto Castelo

"Pau-Brasil

Para que a árvore
Floresça

É necessário
que a semente

parta,
quebre,
e morra!"
Alan Viggiano
 
"Brasília poética – flui como o eixo de Roma – cidade irmã de Brasília – núcleo do poder poético-imaginário da História. Transcendência mística da profecia de D. Bosco – JK e o Egito de Yara Kern entre a sua geografia de águas e cosmos."
Heitor Humberto de Andrade 

"Brasília é poesia pura!"
Luís Claúdio

"O que não falta cá, em Brasília, é motivo para se fazer poesia!"
Ana Karina

"Brasília é, como a vida, um mistério que diariamente temos que viver e decifrar. Decifremos."
Zeferino Alves Neto

A epopéia da construção

Olá.

Brasília é pura poesia. É uma "mensagem permanente de graça e poesia" nas palavras do poeta Vinícius de Moraes em sua obra conjunta com Tom Jobim "Brasília, sinfonia da Alvorada". Foi construída entrelaçando os fios da estética das formas com "as manifestações do espírito, da imaginação e da poesia".

Por inspiração de Le Corbusier, "um dos predicados mais marcantes de Brasília é a leveza. A técnica e o sonho de erguer uma cidade única, pontilhada por amplos espaços a céu aberto, dão a impressão de que o concreto é feito da mesma matéria-prima dos tecidos mais suaves, de delicada espessura, trabalhando especialmente para dar aos blocos, quadras e ruas uma dimensão transcendente. Por toda parte fica a sensação mágica de que a cidade se equilibra sob pilares invisíveis, por uma energia inexplicável e miraculosa". (Brasília: a Capital do Século 21 – uma biografia poética).

Lúcio Costa e Oscar Niemeyer levaram à prática uma forma de construir que encanta pela poesia, pela força da beleza.

A partir do dia 24 de fevereiro de 2007 e durante os próximos três anos e dez meses – tempo do início da construção até a sua inauguração em 21 de abril de 1960 – este blog irá homenagear poeticamente a capital de todos os brasileiros, inserindo poesias, fotos, datas, personagens, arquitetura, monumentos, fauna, flora, música, literatura etc., focados num único tema: Brasília.

Todos os cidadãos brasilienses, ou não, estão convidados a embarcar nesta viagem no tempo, como uma maneira de homenagear a epopéia da construção da capital de todos os brasileiros. 

José Rangel de Farias Neto – o Velho Ranja

 

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Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …