A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

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Tom Jobim e Vinicius de Moraes no Catetinho, em Brasília

O texto de Antônio Carlos Jobim

Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios. Horizonte: 360 graus. No fundo do “Catetinho” há um capão de árvores altas por onde passa um córrego de água boa e fria. Seguindo-se a água sai-se num campo onde fui muitas vezes escutar o pio das perdizes. Sillêncio nos campos claros, batidos de sol. De repente, de perto, como um grito, veio o piado do macho chamando a fêmea. Silêncio. E de longe chega a resposta. É uma conversa que parece vir do fundo dos tempos. Aqueles dois pontos de som escondidos no capim se procuram, aproximam-se, encontram-se e cantam juntos. Uma nuvem passa e sua sombra corre pelos campos. O vento faz ondas nos penachos do capim: dourado, verde, dourado…

Neste ambiente foi composto “O Planalto Deserto”. A música começa com duas

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Athos Bulcão: poesia desenhada

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Athos Bulcão na frente do painel da Igrejinha

Com sua obra, Athos colocou a cereja no bolo de concreto brasiliense.

No mês em que o artista completaria 94 anos, a homenagem do Brasilia Poética a um autêntico artista da cidade

Atuam no tenro espaço
Teatros praças palácios
Hipostilos coruchéus
Observo a beleza dos traços
Seguidos de formas no céu
Barro vermelho miragens
Urge que surgem imagens
Levitante sol paisagens
Concretam mistérios segredos
Átomos eternos de Athos
Olhar de amar armando brinquedos

Renato Matos, cantor e compositor pioneiro de Brasília


Burity perdido

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Foto: Marcos Brandão

 

Burity perdido

Velha palmeira solitária,
testemunha sobrevivente do drama da conquista,
que de majestade e de tristura, não exprimes,
venerável eponymo dos campos!
No meio da campina verde, de um verde esmaiado e
merencoreo, onde tremeluzem às vezes florinhas douradas do
alecrim do campo, tu te ergues altaneira levantando ao Céo as
palmas tesas – velho guerreiro petrificado em meio da peleja!

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Majestosamente Simples

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Leveza, grandiosidade, lirismo e imponência
Majestosamente Simples

Por Severino Francisco

 

Mesma mineira em Brasília
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.

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Há 50 anos

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Há 50 anos

 

“Foi uma impressão inolvidável”

“Parece que aterrissei em outro planeta”

“Brasília é a cidade mais bonita. Sua fama mundial é bem merecida”
Yuri Gagarin, cosmonauta russo sobre Brasília.

Leia mais em “A visita do cosmonauta”


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Os ipês se acendem!

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Foto: Sheyla Leal

Os ipês se acendem!

A majestade dourada dos ipês brasilienses é eloquente.
Ei-los de volta, neste final de julho, como a esperar – a gosto – quando o seu esplendor nos rendem a seus pés.
A cidade muda em volta.
Nós também.
Mas, na sua fiel e única aparição anual, o fulgor e brilho dos ipês permanecem.

velho ranja

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FAROESTE CABOCLO

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“Meu Deus, mas que cidade linda”
João de Santo Cristo


Imagem: Breno Fortes/CB/D.A Press/Reprodução

FAROESTE CABOCLO

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido

Ouça a música:

mp3 file

“>Clique para ouvir

História do Rock – Brasília
Por Carlos Marcelo

 

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Brasília, 51 anos

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Brasília, 51 anos

O CONCRETO JÁ RACHOU
Por Dino Black

Minha consciência mira os passos do tempo
A canção ao fundo traz de volta bons momentos
Álbum de fotografia lembranças antigas
Na arquitetura das ruas apertadas de Brasília

Gente espremida em bares e lanchonetes
Carros estacionados estrugindo a urbanidade do rap
Lojas de conveniência, postos de gasolina, trabalhadores no comércio
Pedintes nos sinais, nas esquinas escravas do sexo

Tipinhos tatuados de camisetas e bonés virados
Um pé atrás do outro pra cima e pra baixo
Contando suas moedas num balé cotidiano
Gritos na multidão letreiros objetos estranhos

Será o tombo
do tombo?

Por Alfredo Gastal

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Brasília Poética no Twitter

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+ mais lidas

“Em Brasília se tem o céu baixado,
reles do chão,
ou é a terra que sobe no rumo da amplidão;
claridade dela é tanto que se nega a escuridão”
“Brasília guarda um segredo,
o de ter sido possível”
“Os ossos de Brasília são feitos
de concreto armado”
“Brasília é uma Canudos do
século 20”
“(Brasília) É assim eficiente, acolhedora e íntima.
É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional”
“Como ela veio não se sabe
nem como viria se soube”
“Cubro seus vértices de rosas e as rosas
desabrocham cimento”
“Como manter meu andar
torto em ruas não-ruas tão
certas?”
“Ébrio de céus e nuvens, vi num amanhecer esses horizontes multimilionários” “Para oeste, assim como quem
de um mirante avista o reflexo
de uma cidade imaginária e, para ter,
inventa-a”
“Nem há tristeza: há somente a força do agreste, o sopro das asas e dos insetos,
silêncio de antes do mundo”
“Antes do começo, era o sertão, só e ríspido. Vegetais cheios de ódio
fitando os céus impossíveis”
“E tu, ó musa, que amas o deserto
E das caladas sombras o mistério”
“Sob os céus do meu país
a lua amola suas facas vermelhas”

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Certidão de nascimento de Ceilândia

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Certidão de nascimento de Ceilândia
Por Antonio Garcia Muralha

Águas Emendadas

Ceilândia…lândia dos filhos das aves de arribação
Que pousaram no Planalto conscientes da missão
De plantar no Centro-Oeste do Brasil em construção
Aço e pedra, de tal forma que, pela obra da mão
Do cerrado, se fizesse construir um coração
Que palpitasse bem forte no peito desta nação
Dia e noite, noite e dia, soca paçoca pilão!

Pioneiros operários

Ceilândia…lândia dos filhos das aves de arribação
Que, já no imenso planalto, sob o sol da solidão
No mesmo dia aprenderam sua nova profissão
Areia, cimento e brita, seu novo nome peão
Das obras que eles faziam sem saber pra qual patrão
Como abelhas operárias sem rainha e sem zangão
Dia e noite, noite e dia, soca paçoca pilão! (…)


Brasília Periferia e Terceira Mensagem
Por Gog

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Vivendo no vazio

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Foto: Adonai Rocha

Vivendo no vazio
Por Conceição Freitas

Vivo numa cidade entremeada de vazios. É solitária e vagarosa a distância que separa dois pontos na cidade onde moro. O lugar que me acolhe embaralha os pontos cardeais e me deixa como uma criança perdida depois de rodopiar em torno do próprio eixo. Ela me acolhe, mas não facilita a minha vida. Meu olhar procura onde se apoiar, mas Brasília se esconde detrás do vazio e fico que nem menino brincando de cabra-cega.

 

 

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Primeira geração

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“Eu sei que para os inimigos de Brasília, a beleza passou a ser uma indignidade.
Diante do belo, do simplesmente belo, rosnam: “Fascismo, fascismo. E, no entanto,

o paralelepípedo mais analfabeto teria vontade de chorar lágrimas de esguicho

ante a beleza de Brasília”

Nelson Rodrigues

“Não há nada no mundo parecido. Só os braços de um Cíclope poderiam
cortar este pedaço de granito incomparável, que é Brasília”


Assis Chateaubriand

Primeira geração
Por José Alcides Pinto

Brasília assim nasceu: da dor e da vertigem
da coragem do amor do suor da insubmissão
nasceu para crescer e virar história
(história que falasse da bravura de seus homens)
de suas lutas com a terra – a violência de seus bichos
sua milenar geologia
– ouro sujo – alfabeto desconhecido
enterrado no estômago do chão
Assim como a cidade sem teto discriminação
nasceram os primeiros filhos dos pioneiros
que por seus arredores iam ficando
fazendo outros filhos que iam-se integrando na cidade
como a cal o ferro o alumínio das superquadras
iam eles seguindo o exemplo dos pais
um mundo novo arrebentando de seus pés como um dilúvio


Mufunfa de candango
Por Conceição Freitas

Brasília estranha
Por Mara Bergamaschi

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Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …