Brasília – Abril de 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – ABRIL DE 1960

 

 

Sexta-feira, 1 de abril de 1960

Hospital Distrital – Anuncia-se que será a seguinte a distribuição de médicos pelos diversos serviços do Hospital Distrital de Brasília:

Enfermarias (90 leitos): Cirurgia, 40; Obstetricia, 20; Clínica Média 20; Pediatria, 10.

Serviço de Emergência – Pronto Socorro Hospitalar – Serviço Domiciliar de Urgência. Ambulatório – Serviços auxiliares de diagnóstico e tratamento. Relação de especialidade:

Cirurgia, 6; Urologia, 1; Traumatologia, 2; Oftalmologia, 1; Otorrinolaringologia, 1; Clínica Média, 2; Cardiologia, 3; Pediatria, 3; Nutrologia, 1; Obstetrícia, 4; Laboratório Clínico, 1; Banco de Sangue, 2; Anatomia Patológica, 1; Anestesia, 4; Neuro-cirurgião, 1; Dentistas, 4.

Total de médicos, 33; total de dentistas, 4.

 

E.F. Goiás – Comentam os jornais haver crescido de importância o papel que cabe à Estrada de Ferro Goiás com a transferência da nova capital para Brasília: é não somente a principal ferrovia de interligação do Planalto Central, mas ainda a única via de acesso ferroviário até Anápolis para quem procede de São Paulo, pela Mogiana, e de Minas, pela Rede Mineira.

A receita total de transportes arrecadada pela E.F. Goiás, em 1959, foi de Cr$ 179.267.448.70, que representa quase o dobro da cifra obtida no ano anterior de Cr$ 90.048.333,00.

Entre carros e vagões carregados, a Goiás efetuou 47.672 viagens em 1957, 63.100 em 1958 e 66.296 em 1959. Em 1957, a estrada não possuía nenhuma locomotiva Diesel-elétrica, havendo, hoje, em tráfego, 12 unidades.

No decurso desses três anos, houve aumentos crescentes nos transportes de bagagens, animais e mercadorias em geral.

Foram substituídos, de 1957 até dezembro de 1959, 101.860 dormentes e reespaçados 46.859, para atender aos serviços de substituição de trilhos e empedramento.

 

 

Sábado, 2 de abril de 1960

Comando Naval – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, o Comando Naval de Brasília. Por outro decreto é excluída da jurisdição do Primeiro Distrito Naval a área compreendia pela futura Capital Federal e delimitada pela Lei número 2.874, de 19 de setembro de 1956.

Serviço telefônico – A imprensa anuncia que, na data da transferência da Capital para Brasília, no próximo dia 21, Brasília contará com um mínimo de 60 canais telefônicos, em pleno funcionamento, para suas comunicações com o país e o mundo. Presentemente, apenas 12 canais estão sendo utilizados, mas o equipamento para a ampliação do importante serviço acaba de ser ali desembarcado – transportado por via aérea – perfazendo o seu volume um total de 6 mil quilos, segundo informações prestadas por um porta-voz da NOVACAP. A ampliação de que agora se cuida é a primeira etapa do plano de instalação dos canais do empreendimento. Os equipamentos adquiridos são o que de mais moderno existe nesse campo, permitindo perfeita fonia com os locais com que se fizer ligação direta.

 

Domingo, 3 de abril de 1960

 

Almoço no Catetinho – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek oferece um almoço, no Catetinho, aos operários pioneiros da construção da nova Capital do Brasil, oportunidade em que manifesta seu agradecimento a quantos contribuíram, nos primeiros dias, para o início da construção de Brasília.

Relatório da NOVACAP – A Assembléia da NOVACAP aprova o Relatório apresentado pelo Presidente da Companhia a respeito dos trabalhos realizados em 1959.

 

Segunda-feira, 4 de abril de 1960

Partida de funcionários – Pela manhã, partem do Rio de Janeiro para Brasília, de ônibus, os primeiros sessenta funcionários federais que decidiram seguir para Brasília por estrada de rodagem, de acordo com o plano organizado para a ida do pessoal pelo Grupo de Trabalho de Brasília. Dois ônibus são usados, da empresa que venceu a concorrência pública aberta para a prestação desse tipo de serviço.

Visando organizar um roteiro prático e de interesse para os servidores, a empresa vencedora decidiu colocar técnicos e especialistas em viagens em determinados pontos do itinerário para estudá-los devidamente. Dessa forma foi estabelecida a escala de paradas e o modo de feitura da viagem. Uma experiência foi feita neste sentido no início do m6es passado, embora de caráter turístico, com onze dias de duração. Todos os fundamentos para conforto e comodidade dos passageiros destas viagens foram tomados, de modo a assegurar-se aos servidores públicos que viajarão por rodovia pleno conhecimento da rota que obedecerão.

De acordo com o roteiro organizado pela empresa vencedora da concorrência e aprovado pelo Grupo de Trabalho de Brasília, o itinerário será feito por Minas Gerais, com passagem em Juiz de Fora e Belo Horizonte. Na capital mineira os servidores deverão jantar e dormir, aproveitado a manhã do dia seguinte para uma volta aos pontos pitorescos da cidade, incluindo-se a Pampulha. A seguir, rimarão para Paracatu, passando antes por Três Marias, onde poderão verificar o ritmo acelerado de construção daquela que será a quinta barragem do mundo dentro de poucos meses. Em Paracatu, os funcionários jantarão e dormirão, seguindo para Brasília, passando por Goiânia e Anápolis. Em vários pontos da viagem os servidores serão saudados pelos prefeitos das cidades do percurso e receberão homenagens das populações dos mesmos. Na nova capital brasileira, os funcionários serão recebidos pelo pessoal do Grupo de Trabalho, que os levará às suas futuras residências, de acordo com o programa já organizado.

 

Terça-feira, 5 de abril de 1960

 

Iluminação – À noite, inicia-se em Brasília a colocação de lâmpadas ao longo do Eixo Rodoviário, numa extensão de quase 4 quilômetros. A tarefa será concluída no espaço de poucas horas. De acordo com informes colhidos junto ao Departamento de Viação e Obras Públicas da NOVACAP, vai ser agora atacado o trabalho de posteamento e instalação de luz elétricas nas Avenidas Monumental, W-3 e outras vias da nova metrópole.

Preparativos finais – Com a aproximação da data de transferência da Capital da República, Brasília está vivendo seus dias de mais febril atividade. Grupos de operários se revezam dia e noite, para que o trabalho não sogra a menor interrupção, e igual operosidade se observa em todos os demais setores responsáveis pela conclusão do gigantesco empreendimento. Intensificou-se, ao mesmo tempo, o movimento do aeroporto, da estação rodoviária e das estradas, com a afluência de milhares e milhares de pessoas, e, em conseqüência, as ruas da cidade apresentam uma agitação desusada, que se reflete principalmente nas casas comerciais.

Fogos de artifício – As festas de 21 de abril, em Brasília, deverão oferecer espetáculos de rara beleza. Sabe-se através da Comissão Organizadora dos Festejos da mudança, que Portugal e aHolanda colaborarão para o maior brilhantismo do programa, contribuindo com fogos de artifício especialmente fabricados para a ocasião. Aquele primeiro país enviará 10 milhões em fogos, não se conhecendo ainda o montante da oferta holandesa. Assim, as primeiras horas do dia 21, em Brasília, serão assinaladas, por um dos maiores espetáculos pirotécnicos já vistos no mundo.

 

 

Quarta-feira, 6 de abril de 1960

 

Funcionários federais – Chegam a Brasília os primeiros sessenta funcionários federais, que deixaram o Rio de Janeiro na manhã de 4 do corrente. Como se tratou de viagem pioneira, a imprensa procurou conhecer a reação dos integrantes do grupo, que viajaram em dois ônibus modernos, da empresa vencedora da concorrência pública no Grupo de Trabalho de Brasília. Todo o roteiro anunciado foi seguido à risca e o tempo ajudou em muito aos funcionários na observação dos locais pelos quais passaram, sobressaindo o entusiasmo que experimentaram ao ver as obras gigantescas da barragem de Três Marias. Como grande parte do grupo não conhecesse ainda Belo Horizonte, a empresa proporcionou à caravana um passeio aos seus pontos pitorescos com amplas explicações por parte dos guias especializados. À chegada dos funcionários, o pessoal do Grupo de Trabalho, na nova Capital, tomou todas as providências relacionadas com suas acomodações e aparte de alimentação.

Uma particularidade que merece ser salientada é a relativa aos veículos usados, ônibus de fabricação brasileira, que se mostraram resistentes e capazes de proporcionar o máximo conforto. Os servidores puderam também observar grande parte do interior mineiro, com suas velhas cidades, como o caso de Paracatu, que ressurge por força do espírito dinâmico que Brasília imprimiu em todo o país. A empresa transportadora de funcionários federais para Brasília explicou que o sucesso da viagem pioneira está ocasionando invulgar interesse dos demais grupos que deverão seguir nos próximos dias a fim de iniciar seus trabalhos na nova sede do Governo brasileiro. Na próxima semana, outro grupo deverá seguir para o Planalto, de acordo com o plano de ação do Grupo de Trabalho de Brasília.

 

Tapete Verde – Já iniciou em Brasília a preparação do tapete verde que cobrirá toda a zona urbana da nova Capital. Em algumas áreas, realiza-se o trabalho de terraplanagem e preparação da terra para o plantio imediato de grama, enquanto se ultima esse plantio nas áreas que constituirão os jardins das casas da FCP. Os habitantes de Brasília poderão ter os seus jardins particulares, neles plantando o que lhes aprouver, sendo-lhes proibido apenas erguer cercas ou muros divisionários, para que a cidade ofereça a impressão de ser "formada por um só jardim".

VASP – A Viação Aérea São Paulo inaugura sua nova linha São Paulo – Brasília – Fortaleza, operada com aviões tipo "Viscount".

 

Quinta-feira, 7 de abril de 1960

 

Comércio goiano – O Presidente da Associação Comercial de Goiás, Senhor José de Aquino Porto, revela à imprensa que a construção de Brasília já está influindo poderosamente para o progresso do comércio no Estado, citando, a propósito, que o imposto de vendas e consignações obteve, até agora, um aumento de 50 por cento. Inúmeras firmas novas estão se instalando em território goiano, enquanto as empresas já estabelecidas no Estado vem ampliando seus negócios, a fim de atenderem ao aumento da demanda. Com a efetivação da transferência da Capital – acentua – é de se esperar que a situação do comércio se torne ainda mais satisfatória.

Rodovia Fortaleza-Brasília – A Comissão de Povoamento dos Eixos Rodoviários, em reunião no Ministério da Viação e Obras Públicas, decide encaminhar à consideração superior um projeto de desapropriação, amigável ou judicial, de uma faixa de 10 km ao longo da rodovia Fortaleza-Brasília e daquelas que atravessam os vales úmidos do Estado do Maranhão, BR-21 e BR-24, como medida de primeira urgência para povoamento das áreas devolutas.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem fornecerão as plantas necessárias à caracterização, no decreto, das faixas que serão desapropriadas. Se as faixas alcançarem terrenos de propriedade dos Estados, outros decretos serão assinados excluindo-as. As mesmas medidas serão tomadas em relação às áreas já cultivadas.

Comunicações telegráficas – Em seu gabinete, o Ministro da Viação e Obras Públicas informa que o propósito do Governo é facilitar aos jornais, emissoras de rádio e correspondentes telegráficos amais rápida comunicação entre Brasília e o resto do país e do mundo. Tudo se vem fazendo no sentido de que as condições técnicas indispensáveis estejam asseguradas até a data da mudança da Capital, ou mesmo antes.

Sexta-feira, 8 de abril de 1960

Ministério da Marinha – O Almirante de Esquadra Mattoso Maia, Ministro da Marinha, reúne em seu gabinete a imprensa carioca, a que concede uma entrevista coletiva sobre a mudança do seu Ministério para a nova Capital brasileira, declarando inicialmente que a sua pasta e o órgão de administração pública que menos complicações terá com a mudança, isso porque a sua razão de ser é aEsquadra, que, logicamente, não será transferida de seus órgãos de apoio: bases navais, arsenais, depósitos, centros de abastecimento e de reparo especializado, de instrução, escola de aprendizes, de formação de oficiais, etc.

Depois de tecer outras considerações, o titular da Armada fez questão de frisar: seguidamente temos ouvido uma pergunta: "A Marinha vai para Brasília fazer o que?". Ora, nem a Marinha, nem o Exército e a Aeronáutica irão integralmente, como se fosse um todo. São instituições que exercem suas atividades em todo o país, atingindo as mais distantes regiões. No caso especial da Marinha, possuímos a Esquadra, que por sua própria natureza é móvel. Normalmente fica ela sediada no Rio. Entretanto, a qualquer momento sua sede poderá ser alterada, como aliás ocorreu na última guerra, quando desmembrada: duas forças-tarefas, a Força Naval do Nordeste e a Força Naval do Sul, a primeira com a quase totalidade dos navios, sediada em Recife, e a segunda com poucas unidades que permaneceram no Rio.

Prossegue o Ministro da Marinha:

Para Brasília irá apenas a alta administração naval, constituída pelo Ministro e órgãos de sua assessoria direta, isto é, o Estado Maior da Armada, Secretaria Geral da Marinha, as Diretorias Gerais e os Conselhos Consultivos. Inicialmente seguirá o Gabinete Ministerial, que, a 21 de abril, deverá estar instalado e funcionando na nova Capital.

Levará, acentua o Almirante Mattoso Maia, 24 funcionários, além do pessoal militar, permanecendo no Rio apenas 14 funcionários e alguns militares, para procederem à remessa do material que forçosamente tenha de ficar aqui para não haver solução de continuidade com a transferência do Ministro. Até o dia 17 do corrente a mudança estará feita.

O titular da pasta da Marinha passa, a seguir, a outro aspecto de sua entrevista:

Para o Gabinete ministerial e, posteriormente, para o conjunto administrativo que funcionará no novo Distrito Federal, estão sendo criados os serviços de apoio, dos quais o principal é a Estação Rádio Brasília, ligada à rede de comunicações da Marinha. Todos os serviços ficarão sediados em confortável terreno denominado "Vila Naval", onde já se encontram aquartelados fuzileiros navais enviados há mais de 3 meses. O grupamento de fuzileiros lá existente constitui o núcleo do futuro Destacamento de Fuzileiros Navais de Brasília. Todos os serviços – transporte, militar, de suprimentos, de guarda e polícia, médico-hospitalar, de comunicações e outros, – ficarão subordinados ao recém-criado Comando Naval de Brasília. Como se sabe, o território nacional está dividido em 6 Distritos Navais. O primeiro, com sede no Rio, abrange o Distrito Federal, o Estado do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Esse Distrito continuará sediado no Rio, perdendo a área do novo Distrito Federal, que ficará independente, diretamente subordinado ao Estado Maior da Armada, à semelhança dos seis Distritos Navais. Dessa forma, ficarão duas autoridades navais, ambas diretamente subordinadas ao EMA, o Primeiro Distrito Naval, comando territorial e operativo da defesa da orla marítima, e Comando em Chefe da Esquadra, comando operativo de todas as nossas forças navais de alto mar.

Finalmente sua entrevista, informa o ministro da Marinha:

Depois do dia 21 de abril serão transferidos o Secretário Geral da Marinha, o Estado Maior da Armada, a Diretoria do Pessoal, as Diretorias de Intendência, Aeronáutica, Engenharia, Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Diretorias de Armamento, Saúde, Portos e Costas, Inspetoria Geral, Eletrônica e de Hidrografia e Navegação. Os conselhos de Promoções e o Almirantado serão transferidos quando a maior parte de seus membros já estiverem servindo em Brasília.

 

Sábado, 9 de abril de 1960

 

Eixo Rodoviário – Desenvolvem-se em ritmo acelerado os trabalhos de construção do Eixo Rodoviário, tudo indicando que estarão concluídos a 21 de abril, a não ser que sobrevenham chuvas, prejudicando a secagem do concreto dos trevos e das passagens de nível. Quanto à iluminação do Eixo, acredita-se que, na pior das hipóteses, estará pronta em grande extensão da importante via, na data da inauguração da nova capital.

Ajardinamento – Com a aproximação de 21 de abril, data da transferência da Capital da República, Brasília está vivendo seus dias de mais intensa atividade. Assim é que, enquanto se realizam, noite e dia, os retoques finais nos prédios destinados a receber o funcionalismo federal, centenas de operários, em atividade também ininterrupta, revezam-se na faina de ultimar os canteiros de grama ao longo do eixo rodoviário e o calçamento e ajardinamento no setor a cargo da Fundação da Casa Popular. Na asa sul desse mesmo setor, novas habitações estão sendo construídas, sendo de se observar que o seu estilo difere do de todas as erguidas anteriormente pela Fundação e que essas novas residências dispõem de maior área.

Ministério da Guerra – O Ministro da Guerra, marechal Odylio Denis, aprova o seguinte programa organizado para a participação do Exército Nacional nas solenidades de inauguração de Brasília:

a) Batalhão de Guardas, que fará as Guardas de Honra, no aeroporto, por ocasião da chegada do Legado Pontifício; na Praça dos Três Poderes, por ocasião do hasteamento da Bandeira; na instalação do Congresso Nacional e na chegada do Presidente da República para o desfile militar. Tomará parte, ainda, na referida parada, a ser realizada no dia 21, às 16:30 horas, precedendo o desfile dos operários da NOVACAP;

b) Contingente de 50 cadetes da AMAM, que representará o Exército nas várias solenidades e também formará no desfile;

c) Contingente de 90 alunos do CPOR-RJ, que comporá a guarnição de uma bateria de Artilharia, encarregada das salvas por ocasião da chegada do Legado Pontifício, da instalação do Congresso e da chegada do Presidente da República, participando ainda da parada, com um contingente de Infantaria, na cerimônia de hasteamento da Bandeira na Praça dos Três Poderes;

d) Contingente do Batalhão da Polícia do Exército, com 6 oficiais, 17 motocicletas e 40 soldados especialistas de trânsito, que fornecerá os batedores pra o carro presidencial e auxiliará o policiamentoa cargo da chefia da Polícia de Brasília;

e) Contingente de 80 "Dragões da Independência" para a Guarda de Honra no Palácio dos Despachos por ocasião da recepção oferecida pelo Presidente e cooperação no Festival de Brasília do dia23;

f) Bateria de Projetores de Artilharia de Costa, com missões específicas em várias solenidades de 20 e 21 e no Festival de Brasília;

g) Contingente de 205 atletas da Artilharia de Costa com missões no Festival de Brasília.

 

Domingo, 10 de abril de 1960

 

Obras dos Institutos – Aceleram-se os trabalhos de construção dos grupos de edifícios dos Institutos da Previdência Social, ainda não inaugurados. Pelo andamento das obras, tudo faz prever que serão todos inaugurados próximos, completando-se desse modo a primeira fase do plano de construções estabelecido pelos órgãos constituintes da Previdência Social para Brasília.

IAPB - Estão praticamente concluídas as 76 unidades residenciais que o Instituto dos Bancários está construindo para seus associados em Brasília. A inscrição de interessados na locação já foi encerrada.

Fundação da Casa Popular – Pioneira em Brasília na construção de residências, a Fundação da Casa Popular inaugurou na nova Capital seus conjuntos há dois anos, estando todos ocupados. Agora, com a aproximação da inauguração na nova Capital, a F.C.P. decidiu realizar pintura nova em todas as casas de seus conjuntos.

Ao mesmo tempo, a F.C.P. está ajardinando todas as áreas devolutas de seus conjuntos.

Banco do Brasil – Na próxima semana estará concluída a colocação de vigésima quarta laje do Edifício do Banco do Brasil, que, uma vez terminado, será um dos mais importantes da nova Capital. Trabalhar-se ativamente na construção da futura sede de nosso principal estabelecimento de crédito, tendo-se batido um verdadeiro recorde de tempo, pois as obras foram iniciadas há apenas 90 dias. No dia 21 entrarão em funcionamento todo o subsolo e dois pavimentos do edifício, destinados, na primeira fase de transferência, às atividades da administração do Banco. Além de seu edifício-sede, o Banco do Brasil já adquiriu duas lojas do grupo da Caixa Econômica, a fim de instalar sua primeira agência no perímetro urbano de Brasília. A inauguração da agência está incluída no programa de festividades do dia 21.

Cardeal Cerejeira – Em Lisboa, embarca no Vera Cruz para o Rio de Janeiro, o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício à inauguração de Brasília, que presta as seguintes declarações à imprensa:

"Ao partir como Legado de sua Santidade para a inauguração de Brasília, quero dirigir ao Brasil as minha saudações mais fervorosas.

Nasceu o Brasil pela mão de Portugal. Para contarem a própria história, Portugal e Brasil terão de repetir muitas páginas comuns que Camões não conheceu. Se as soubera, já foi dito que elas fariam o cântico undécimo do Lusíadas.

Não há coração de português que não tenha dentro de si sempre viva a imagem do Brasil. É certo que o Brasil começou há muito a descrever por si próprio a grandiosa história do seu destino e aimagem maior do Brasil, que é já tão grande – é a imagem do Brasil do futuro.

A inauguração de Brasília é como que a aurora deste Brasil. Para bem apreciar, é preciso considerá-la com olhos proféticos como os do ilustre Presidente da Nação Brasileira.

Sua Santidade o Papa João XXIII escolheu o Cardeal Patriarca de Lisboa para representar a Sua Augusta pessoa nesta solene inauguração, um ato de arrojada esperança para o Brasil e para o Mundo. Esta escolha quer-me parecer que traduz uma intenção: com o Legado vai ao Brasil Portugal.

O Santo Padre, quando fala, diz só palavras de verdade, de esperança e de amor. Nesta embaixada de benção ao Brasil novo quer pronunciá-las em português. Esta é a língua em que Portugal e Brasil se entendem. E a um senhor Cardeal brasileiro, irmão pela púrpura, pelo caráter episcopal e pelo fraternal afeto, ouvi lembrar que foi a língua que Nossa Senhora falou em Fátima falando para o mundo. Por isso eu fui escolhido. E nenhuma missão me podia ser mais grata. Deus guarde o Brasil".

 

Segunda-feira, 11 de abril de 1960

 

Transporte de funcionários – De acordo com o que foi estabelecido entre a empresa transportadora de pessoal civil por terra e o Setor de Transportes do Grupo de Trabalho de Brasília, a ida de pessoal

federal por ônibus será feita, até o fim do corrente ano, sempre às segundas-feiras, em número de unidades que se fizerem necessárias, dada a escala de partida do funcionalismo. Acreditam os elementos do GT de Brasília e o diretor-presidente da empresa transportadora que a média semanal será de sessenta e nove funcionários. Procurando dar ao pessoal o máximo de conforto, a empresa colocará mo circuito seus ônibus especiais, com bares e toilettes, poltronas reclináveis e privativas. Uma unidade de transporte deste tipo ficará em exposição por mais alguns dias no pátio do Ministério da Educação e da Cultura, de acordo com as informações recebidas pela reportagem. Nessas viagens, os funcionários verão três metas do Governo: Brasília, a indústria automobilística e as modernas ferrovias. Dado o conforto que os ônibus oferecem, os responsáveis pelo GT disseram à imprensa que o interesse de utilizá-los na transferência para o Planalto Central aumentou muito na última semana, crescendo o número de candidatos.

 

Festa de inauguração – Elementos da NOVACAP informam que não faltarão acomodações em Brasília para aqueles que a visitarem durante as festividades de inauguração. Com essa finalidade, aquela Companhia providenciou junto à Caixa Econômica e a uma construtora as casas necessárias para abrigar os visitantes, adaptando-as de modo a poderem acomodar um número considerável de pessoas. As 40 residências já preparadas, que passaram a ser denominadas "casas de hóspedes" – proporcionando hospedagem gratuita a 650 pessoas.

Ajardinamento – O trabalho de preparação do tapete verde de Brasília já está bastante adiantado. A plantação de grama cobre, até o momento, uma área de cerca de um milhão de quadrados, a maior parte da qual compreendida na zona habitada, cujo plantio deverá estar concluído na data da inauguração da nova Capital. Nas demais zonas, a tarefa será realizada após as festividades.

Abastecimento – A imprensa assinala que não constituirá problema o abastecimento de Brasília em 21 de abril corrente. O comércio varejista preparou-se convenientemente para fazer face ao aumento da procura, podendo já agora observar-se ma fartura extraordinária dos mais variados produtos alimentícios, particularmente de ovos, verduras, legumes, arroz, feijão, farinha, açúcar e café. O leite sobra nos entrepostos e a carne é encontrada em quantidades consideráveis no mercado. Dezenas de caminhões procedentes do interior goiano e de outros Estados chegam diariamente aBrasília trazendo carregamento de gêneros, inclusive de frutas e produtos de horticultura. Por sua vez, as granjas-modelo da nova Capital oferecerão valiosa contribuição, através de seus postos de venda.

Caneta simbólica – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio das Laranjeiras, o Senhor José Aquino Porto, Presidente da Associação Comercial de Goiás, e o Senhor Lídio Lunardi, Presidente da Confederação Nacional da Indústria, que, em nome das classes produtoras, lhe ofertam a caneta com que será assinado o primeiro ato oficial na nova Capital. O Presidente acolhe esse gesto com o maior interesse, comprometendo-se a fazer a assinatura do primeiro ato que marcará sua presença na nova Capital do país com aquela dádiva. A caneta terá uma incrustação em esmeralda simbolizando a epopéia dos bandeirantes e, também, a condição de médico do Presidente Juscelino Kubitschek.

Câmara Municipal do Rio de Janeiro – Ao ser homenageado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que lhe concede o título de Cidadão Benemérito, conferindo igual honraria à Senhora Sarah Kubitschek, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso de agradecimento, em que assinala numerosos pontos ligados à mudança da Capital a serem efetuadas no Rio de Janeiro.

 

 

Supremo Tribunal Federal – Os Ministros Barros Barreto, Presidente, e Nelson Hungria e Afrânio Costa, membros do Supremo Tribunal Federal, chegam a Brasília, para uma visita de inspeção às obras do Palácio da Justiça, cujas instalações devem estar concluídas até o próximo dia 21, data da mudança da capital. Os magistrados viajam em avião especial e são recebidos no aeroporto pelo Senhor Filinto Maia, Diretor Executivo do Grupo de Trabalho de Brasília. Na visita às obras, os Ministros são também acompanhados pelo Sr. Filinto Maia, que lhes presta todas as informações sobre o andamento dos trabalhos.

 

Leilão de lotes – No leilão de lotes comerciais-residenciais realizado em Brasília, o segundo promovido pela NOVACAP, 32 lotes leiloados renderam 94 milhões de cruzeiros, sendo a média de venda de 2 milhões e 950 mil cruzeiros por lote de 5 metros de frente por 40 de fundos. Lotes que há um ano eram vendidos a 250 mil cruzeiros foram arrematados, no leilão de agora, por somas superiores a3 milhões de cruzeiros, o que dá a medida exata do interesse que Brasília está despertando em todo o país, pois numerosos compradores vieram especialmente para esse leilão de todos os quadrantes do território nacional, sobretudo do Rio de Janeiro e de São Paulo. Agora, a NOVACAP está estudando o lançamento dos 700 lotes comerciais-residenciais na zona norte do Plano Piloto, ou, como se diz popularmente, dos lotes da asa norte do gigantesco avião que o traçado do urbanista Lúcio Costa sugere ao observador. Todos esses lotes serão vendidos em leilão – novo método adotado pela NOVACAP no sentido de evitar a intervenção de elementos especuladores na venda das terras de Brasília. A renda total dos lotes do Plano-Piloto está calculada em cerca de 30 bilhões de cruzeiros, enquanto o custo total das obras da cidade deverá oscilar entre 17 e 18 bilhões de cruzeiros, fato que confirma a assertiva de que Brasília é uma obra autofinanciável, que nada custará ao Governo da União.

 

Terça-feira, 12 de abril de 1960

Funcionalismo - É cada vez mais intenso o fluxo de servidores públicos transferidos para Brasília. Até este momento, 260 funcionários do Poder Executivo, com seus dependentes, totalizando 680 pessoas, já se encontram instalados na nova Capital da República. Também ali se encontram 46 funcionários da Câmara dos Deputados, com suas famílias. Vários Deputados já vieram a Brasília e receberam as chaves dos seus apartamentos. O Grupo de Trabalho incumbido da mudança da Capital Federal tem dado a mais completa assistência a todos os servidores que chegam a Brasília, recepcionando-os e encaminhando-os às residências previamente designadas. Durante os dias necessários à adaptação dos funcionários e suas famílias, o referido Grupo de Trabalho coordena as atividades dos funcionários recém-chegados, indicando-lhes preços de mercadorias, armazéns onde devem adquirir e outras utilidades e ainda fornecendo a todos transporte em ônibus, sobretudo aos que desejam utilizar-se dos restaurantes dos Institutos de Previdência Social.

Setor sanitário – No dia 21 do corrente, Brasília terá todos os serviços públicos em pleno funcionamento, inclusive no setor da saúde. O Hospital Distrital, cujas obras se encontram adiantadíssimas, será parcialmente inaugurado com 90 leitos, apresentando todos os serviços clínicos, cirúrgicos e de urgência inteiramente aparelhados. Para atender aos milhares de visitantes esperados nos próximos dias, toda a rede médico-hospitalar já existente funcionará em perfeito entrosamento com o Hospital Distrital, sob a orientação do Conselho Médico de Brasília. Numerosos postos de emergência serão instalados em diferentes pontos da cidade, inclusive nas rodovias de acesso à Nova Capital. Os socorros de urgência serão assegurados por 12 ambulâncias das mais modernas.

 

Lotes rurais – Divulga a NOVACAP que os futuros ocupantes dos lotes rurais receberão assistência de unidades sócio-econômicas, integradas por escolas, postos médicos, serviços de revenda de materiais agrícolas e de informações técnicas, além de outros. Prevê-se que cerca de 800 granjas, localizadas no cinturão verde de Brasília, serão distribuídas antes do dia 21 deste mês.

 

Conselho Nacional de Economia – O Senhor Edgard Teixeira Leite, presidente do Conselho Nacional de Economia, designa os Conselheiros Humberto Bastos e Pereira Diniz para estudarem todas as providências de ordem financeira e administrativa relativas à transferência desse órgão constitucional para Brasília.

 

Supremo Tribunal Federal – Reunido em sessão extraordinária de tribunal pleno, o Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do Ministro Barros Barreto, presentes os Ministros Luiz Gallotti, Ary Franco, Ribeiro da Costa, Nelson Hungria, Lafayette de Andrada, Villas Boas, Rocha Lagoa, Cândido Motta Filho, Hahnemann Guimarães e Gonçalves de Oliveira, estando presente o Procurador-Geral da República, Se. Carlos Medeiros Silva, decide favoravelmente em torno da mudança da alta corte para Brasília, na data fixada, 21 do corrente.

 

 

Votam o Presidente Barros Barreto, e os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa e Ary Franco. Fica deliberado que haverá mais uma sessão plena extraordinária, já convocada anteriormente, voltando o Tribunal a reunir-se em sessão solene para a inauguração, em Brasília, entrando após em recesso, até que possa funcionar normalmente.

Ministério da Agricultura – Ao noticiar a próxima partida para Brasília dos elementos do Gabinete do Ministro da Agricultura, a imprensa assinala que o Ministério, há mais de dois anos, possui serviços em Brasília, realizando importantes atividades nos setores de fomento da produção animal e vegetal e, ainda, no setor florestal, tendo aplicado mais de cem milhões. Estão plantados mais de 600 hectares nas duas fazendas do Ministério e, na terceira, 600 mil mudas florestais. Uma enorme gleba, de 11.500 hectares, foi recentemente entregue ao Ministério da Agricultura, que ali instalará vários outros serviços, tendo sido aprovado o plano de aplicação de 126 milhões de cruzeiros.

 

Ministério da Viação e Obras Públicas – O Ministro da Viação designa os funcionários de seu Gabinete que deverão partir em breves dias para Brasília. O Ministro Ernani do Amaral Peixoto, acompanhado de sua família, viajará no próximo dia 16, de avião.

Ministério da Saúde – Parte para Brasília, em ônibus, o primeiro grupo de funcionários do Ministério da Saúde, contingente de cúpula.

De acordo com o plano traçado, até o dia 17, trinta funcionários do Ministério da Saúde estarão em Brasília, contando-se com parte do pessoal do Gabinete, do Departamento da Administração, do Departamento Nacional de Endemias Rurais e de Serviço Nacional de Tuberculose. De acordo com o esquema de trabalho traçado pelo DASP, o Ministério da Saúde será o primeiro a ser instalado na nova Capital.

Cassiano Ricardo – O poeta e escritor Cassiano Ricardo, membro da Academia Brasileira de Letras, em companhia do editor Diaules Riedel, no Palácio das Laranjeiras, em visita ao Presidente Juscelino Kubitschek, entrega ao Chefe do Governo brasileiro um exemplar especial do poema de sua autoria "Toada pra se ir a Brasília". Trata-se de uma edição artística. e o poema será publicado no primeiro número do jornal Correio Brasiliense, que iniciará sua circulação no dia 21 de abril, na futura Capital do País.

 

 

Quarta-feira, 13 de abril de 1960

Instalação em Brasília – A imprensa assinala que o Grupo de Trabalho de Brasília, órgão encarregado da mudança de funcionários e serviços para a nova Capital, continua a executar todas as medidas indispensáveis ao pleno cumprimento de sua alta missão, encontrando a melhor compreensão e boa vontade por parte das demais autoridades e dos servidores transferidos nas últimas semanas. Até o dia 11 do corrente, já se achavam instalados em Brasília, definitivamente, cerca de 700 servidores, acompanhados de suas famílias.

Além dos funcionários do Executivo, principalmente os que serviam no Palácio do Catete, já se encontram também instalados definitivamente na nova Capital numerosos parlamentares. Segundo apurou a reportagem, até o dia 11 do corrente 14 deputados receberam do Grupo de Trabalho as chaves das suas novas residências. Entre eles, podemos citar os deputados Adalberto do Vale, Aloísio Ferreira, Croacy de Oliveira, Moreira da Rocha, Carlos Luz, Emival Caiado, João Abdala, Sílvio Braga, Unirio Machado, Corrêa da Costa, Batista Ramos, Martins Rodrigues, Nelson Omegna, Pinheiro Chagas e Miguel Bahury. O primeiro Deputado a instalar-se definitivamente em Brasília foi o Sr. Breno da Silveira, da bancada carioca e que já reside na superquadra do IAPETC, com sua família.

O Grupo de Trabalho de Brasília instalado no andar térreo do bloco 7 da Esplanada dos Ministérios, além de dirigir a mudança total, constitui-se também num centro de informações para localização e acomodações dos funcionários, ali trabalhando uma equipe de servidores requisitados de diversos órgãos da administração pública, aos quais incumbe receber no aeroporto os funcionários transferidos, transportá-los ao centro, proporcionando-lhes repouso num bloco especialmente preparado, alimentação nas várias cantinas de Instituto e fornecendo-lhes ainda detalhes da vida no novo ambiente. Cria, assim, o Grupo de Trabalho de Brasília uma frente de simpatia e entusiasmo para os que foram transferidos para a nova Capital, no desempenho de suas missões.

 

Polícia – A organização policial de Brasília, que se prepara com o máximo de cuidado, deverá equipara-se às mais perfeitas do mundo, segundo informações do Chefe de Polícia dessa cidade, General Osmar Soares Dutra. Entre outras inovações a serem introduzidas nesse organismo, a mais importante se relaciona com a criação da Polícia Rural, nos moldes da Polícia Montada canadense, com a finalidade não só de zelar pela segurança da zona rural da nova Capital da República, como de prestar auxílio aos agricultores. Caberá à Polícia Rural de Brasília, especialmente treinada e composta de elementos selecionados, oferecer conselhos com relação a questões agrícolas, prestar pequenos socorros médicos, transportar correspondência entre as granjas e a zona rural, além de outras importantes atribuições, como proteger as matas, impedindo sua devastação. Para a concretização de tais planos, deverá ser fundada em breve uma Academia de Polícia, na qual o corpo policial receberá esmerado treinamento. Pensa o General Osmar Dutra, também, na construção de uma Penitenciária Agrícola, para reabilitação de condenados.

 

Supremo Tribunal Federal – O Gabinete da Presidência do Supremo Tribunal Federal divulga a seguinte nota: "O Correio da Manhã", na edição de ontem, referindo-se a um voto proferido pelo Senhor Excelentíssimo Ministro Luiz Gallotti, transcreveu a seguinte parte do referido pronunciamento:

"Compreendo – declarou ontem, altivo e digno, o Ministro Luiz Gallotti – que os que já receberam vultoso dinheiro, a título de despesas de viagem, estejam tolhidos, depois disso, para decidir livremente se vão ou não. Algumas já me confessaram essa dificuldade irresistível, embora reconheçam que ainda não existem condições normais para a mudança."

Convém esclarecer, a fim de evitar interpretações infiéis, que o Senhor Ministro acrescentou, em período seguinte:

"Mas nós, membros do Poder Judiciário, que nada recebemos, ainda estamos moralmente livres para decidir, não sem falar nas garantias especialíssimas da independência que a Constituição nos concede".

Organização Administrativa do novo Distrito Federal – O Presidente Juscelino Kubistchek sanciona a lei do Congresso Nacional relativa à administração do novo Distrito Federal, vetando expressões contidas em seus artigos 50, 53 e 54. A lei tomará o número 3.751, de 13 de abril de 1960.

Parque de Material em Brasília – O Presidente Juscelino Kubistchek assina o Decreto 48-111, de 13 de abril de 1960, dispondo sobre o Parque de Material de Brasília.

Posto Fiscal Aduaneiro – Pelo Decreto 117, de 13 de abril de 1960 o Presidente Juscelino Kubistchek estabelece em Brasília um Posto Fiscal Aduaneiro.

 

 

Sexta-feira, 15 de abril de 1960

Rodovia Uberlândia-Uberaba-Brasília – O Presidente Juscelino Kubistchek determina ao Diretor Geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem que inicie imediatamente as obras de construção da nova rodovia Uberlândia-Brasília através do traçado já aprovado. O trecho integra parte da BR-106 que liga São Paulo a Brasília e a determinação do Presidente da República é feita em atendimento a um memorial das classes produtoras do Triângulo Mineiro entregue ao Chefe do Governo.

Serviços de utilidade pública – o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza, Diretor-Executivo da NOVACAP, sob cuja responsabilidade funcionam os Serviços de Força e Luz, Água e Esgotos, Telefones Urbanos e Interurbanos e Viação e Obras Públicas, concede à Agência Nacional entrevista sobre os serviços de utilidade pública em Brasília.

A propósito dos trabalhos realizados pelo Serviço de Força e Luz, revela que foram executadas redes aéreas no total de 83 mil metros; redes de condutos subterrâneos e dutos, no total de 370 mil metros; foram instalados transformadores em número de 96, usando 37 mil KWA. Há duas usinas elétricas em funcionamento: a de Caralas, com 500 HP, e a de Cachoeira Dourada, fornecendo 18.500 HP. Ha uma usina elétrica em construção, que é a do Paranoá, em 27.000 HP, a qual deverá ficar pronta no fim deste ano ou em janeiro próximo. Independente dessas usinas elétricas, aNOVACAP adquiriu duas turbinas a gás, com um total de 15 mil HP, e mais uma unidade composta de três grupos, num total de 3.700 HP. Essas duas usinas a gás e a unidade termelétrica funcionarão em Brasília em casos de emergência. Com isso, a cidade estará perfeitamente abastecida, até a conclusão da segunda etapa da Cachoeira Dourada, que fornecerá o total de 120 mil HP.

 

Quanto ao problema de água e esgotos, Brasília disporá de um os mais modernos sistemas de tratamento e distribuição de água. A captação será feita através de cinco mananciais, de modo a permitir o abastecimento normal a todos os pontos. O Córrego do Torto oferece vazão de 1.400 litros por segundo, ou sejam, 1 milhão e 200 mil metros cúbicos em 24 horas, para o que estão sendo instalados 2 condutos elétricos, de 2 mil cavalos-vapor para cada um e com capacidade para 700 litros de vazão por segundo para abastecimento dos setores norte e sul do Plano Piloto. Essa captação é feita em uma barragem de 252 metros de comprimento e 8 de altura, por meio de bombas, através de uma adutora de 1 metro de diâmetro e 9 quilômetros de extensão. A água captada é mandada para o reservatório já concluído, com capacidade para 60 milhões de litros. O abastecimento da cidade foi estudado na base de 400 litros por segundo, o que é mais do que suficiente, dado que no Rio de Janeiro o abastecimento é da ordem de 180 litros por segundo. A água será tratada por moderna aparelhagem importada da França.

Até agora já foram construídos 178.674 metros de rede de esgotos e 23.873 metros de rede de águas pluviais.

Quanto aos telefones urbanos e interurbanos, a NOVACAP ja construiu em Brasília uma rede subterrânea definitiva de 224 mil metros de dutos singelos e uma rede aérea já em funcionamento de 120 mil metros. A rede telefônica sul, em sua primeira etapa, contará com 5 mil linhas e 12 mil telefones, cuja inauguração será amanhã. O serviço interurbano, em ondas curtas, com dois canais, já foi inaugurado e está em funcionamento. O serviço interurbano de micro-ondas será também inaugurado amanhã, com 34 canais, e ligará Brasília com Uberlândia, Araguari, Uberaba, Araxá, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. O equipamento de ondas curtas estabelece circuito direto com Recife, Salvador e Porto Alegre.

Quanto às obras do Departamento de Viação e Obras Públicas, divulgam-se os seguintes detalhes: foram construídos 108 pontes, viadutos e passagens subterrâneas, com o comprimento total de 3.760 metros, numa área de 46.710 metros quadrados. Na implantação do Plano Piloto e nas estradas já pavimentadas, foram escavados, até hoje, 31.222.900 metros cúbicos de materiais. Brasília – diz o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza – tem realmente uma área pavimentada muito grande, com avenidas extraordinariamente grandes. A área pavimentada é bem superior à de Belo Horizonte, uma vez e meia mais do que a Capital de Minas. Durante toda a execução do serviço, foi necessária a construção de 217 quilômetros de estrada de ferro e 367 quilômetros de estradas provisórias para garantir o abastecimento de início.

Na construção da cidade foram batidos vários recordes, inclusive em matéria de pavimentação. O serviço de instalação de micro-ondas, realizado em 4 meses, constituiu um dos recordes. Também houve recordes na construção de pontes: há várias pontes aqui, de concreto, de 35 a 40 metros, construídas em vinte e poucos dias. O Engenheiro Gomes de Souza diz ainda que ali existe realmente o espírito de Brasília, que é o entusiasmo de todos que estão trabalhando nas obras, responsável por esses recordes nacionais e talvez internacionais.

 

Sábado, 16 de abril de 1960

Loba romana – Em carta dirigida ao Embaixador Aluizio Napoleão de Freitas Rêgo, Chefe do Cerimonial da Presidência da República, o Senhor Carlo Enrico Giglioni, Encarregado de Negócios da Itália, informa que o Governador de Roma entregará ao Embaixador do Brasil na Itália, destinada a Brasília, uma loba romana de bronze.

Supremo Tribunal Federal – Iniciando os preparativos para a instalação solene do Supremo Tribunal Federal em Brasília, às 9h30m de 21 de abril, seguirá para a Nova Capital na próxima quarta-feira, dia 20, o Presidente, Ministro Barros Barreto, que viajará em companhia do seu oficial do Gabinete, Sr. Ruy Machado de Brito. Amanhã, domingo, seguirá para Brasília, o Secretário Geral da Presidência da República, Sr. Ismael Cavalcanti.

Após a sessão solene de instalação em Brasília, o Supremo Tribunal Federal permanecerá em recesso, até que se iniciem seus trabalhos de julgamentos.

Tribunal Federal de Recursos – A Presidência do Tribunal informa à imprensa que, em sessão realizada na última quarta-feira, dia 13, ficou deliberado o seguinte: a) ter sido realizada, naquele dia, aúltima sessão do Tribunal no Rio de Janeiro; b) o Tribunal está em recesso, não correndo prazos de qualquer natureza, nem havendo tramitação alguma, até a transferência integral e reinício dos trabalhos em Brasília; c) os funcionários continuarão com o regime normal, tratando e auxiliando a movimentação para a mudança, com as atribuições determinadas pelo Presidente, Ministro Afrânio Antônio da Costa.

A sessão solene de instalação do Tribunal Federal de Recursos, em Brasília, será realizada às 10h30m, do próximo dia 22.

 

Domingo, 17 de abril de 1960

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 quilômetros, todos pavimentados, é hoje oficialmente inaugurada, embora tenha sido entregue ao tráfego público desde 31 de janeiro último, quando foi percorrida pela Coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro.

Nas suas obras foram aplicados 4 bilhões e 700 milhões de cruzeiros pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, responsável por 556 km da rodovia.

A construção da BR-7 decorreu da Lei número 3.273, de 1º de outubro de 1957, que fixou para 21 de abril de 1960 a transferência da Capital da República para Brasília e incluiu a ligação rodoviária entre a antiga e a nova Capital, através de Belo Horizonte, no plano federal de rodoviação.

O traçado espontâneo para essa via terrestre impôs o aproveitamento do trecho Rio de Janeiro-Belo Horizonte, que constitui uma estrada federal, a BR-3, já inteiramente concluída e pavimentada.

A BR-7 compreende, do ponto de vista de sua execução, três trechos distintos:

1) do km zero ao km 134, entre Belo Horizonte e a localidade de Lajes do Jacaré, forma a Rodovia Estadual MG-1, construída e pavimentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais;

 

2) da Lagoa do Jacaré (km 134) à divisa do novo Município Federal (km 700) – trecho de 566 km – foi construída e pavimentada pelo D.N.E.R;

 

3) do km 700 ao km 747, trecho inteiramente situado no polígno do novo Município e que atinge o centro de Brasília, foi executado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP).

 

Diante do exíguo prazo de que se dispunha para concluir a BR-7 antes de 21 de abril, foi natural que se aproveitasse o trecho de 134 km da Rodovia MG-1, construído pelo Governo de Minas em direção ao norte do Estado.

Desta forma, transferiu-se o ponto de partida da BR-7 para Lagoa do Jacaré, uma vez que isto implicava, de outra parte, em incorporar à nova rodovia uma das zonas mais prósperas de Minas Gerais, altamente industrializada, e onde se encontram Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sete Lagoas e Paraopeba.

 

Esse aproveitamento é justificado, ainda, pelo fato de ser mínimo o alongamento do traçado entre Belo Horizonte, Lagoa do Jacaré e Três Marias em relação à diretriz ideal que une os pontos extremos desse subtrecho, notando-se que a passagem da estrada a jusante da Barragem de Três Marias é condição obrigada do traçado.

De Lagoa do Jacaré em direção a Brasília, a diretriz da BR-7 foi fixada com passagens em Felixlândia, Três Marias, Canoeiros, João Pinheiro e Paracatu, em Minas Gerais, fazendo-se a transposição do rio São Francisco a três quilômetros a jusante da barragem em construção pela CEMIG. Em seguida, a estrada transpõe o rio São Marcos e entra no Estado de Goiás, passando em Cristalina e nas vizinhanças de Luziânia, para atingir finalmente o novo Distrito Federal.

O trecho de 566 quilômetros construído pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem atravessa em oitenta por cento, aproximadamente, do seu traçado, região levemente ondulada ou mesmo plana, que constitui os chamados cerrados do Oeste mineiro.

Ainda assim, 21 milhões de metros cúbicos de terra foram escavados, a fim de implantar o leito da estrada sobre o terreno. Além disso, mais quatro milhões de solos selecionados foram escavados e transportados para constituírem, depois de cuidadosa compactação executada sob rigoroso controle técnico, a base estabilizada que suporta o pavimento asfáltico, cuja área reveste nada menos de quatro milhões de metros quadrados.

O pavimento executado pelo D.N.E.R, na Belo Horizonte-Brasília, constitui-se de um tratamento superficial betuminoso duplo, sobre base granular mecanicamente estabilizada que foi dimensionada pelo método do índice Suporte Califórnia para uma carga de 5.500 kg em cada roda. De um modo geral, empregou-se uma base de 20 cm de espessura constante, precedida de sub-base e reforço do sub-leito variáveis com as condições locais.

Para a pavimentação asfáltica tão somente foram extraídas e britadas 125 mil toneladas de pedra, enquanto 23 mil toneladas de ligantes asfálticos foram transportadas da Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (São Paulo).

Trinta e quatro rios exigiram outras tantas pontes de concreto armado para a sua transposição. Incluída uma passagem superior sobre a Rodovia MG-1, no trevo inicial em Lagoa do Jacaré, os cumprimentos dessas obras totalizam 3.177 metros. Isto só por si constitui obra de arrojo, porque significa que 5 metros de ponte tiveram de ser concretados durante dois anos, em cada dia de trabalho, contados domingos e feriados.

Entre as pontes da BR-7, destacam-se a do rio São Francisco, a mais longa, com 360 metros de comprimento; a do rio São Marcos, com 270 metros, na divisa Minas Gerais-Goiás; a do rio da Prata, com 190 metros; a do rio São Bartolomeu, com 192 metros; e a do rio do Sono, com 170 metros.

As primeiras máquinas chegaram aos canteiros de serviço em abril de 1958, pelo que o prazo efetivo de construção da estrada foi precisamente em dois anos.deduzidos, porém, os domingos, os feriados e os dias santificados, o prazo útil de execução (incluídos os dias de chuva em que não se pode trabalhar) foi de 556 a 570 dias. A média da produção efetiva na BR-7 corresponde, portanto, aum quilômetro de estrada por dia, desde o desmatamento, a construção dos bueiros e dos drenos, as cercas marginais, a implantação propriamente dita do leito estradal até a construção das pontes e da pavimentação betuminosa.

O projeto da BR-7, no trecho executado pelo D.N.E.R., obedece às exigências da estrada da classe Especial das “Normas para o Projeto de Estradas de Rodagens” aprovadas pela Portaria no. 19, de 10 de janeiro de 1949, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Suas características gerais são as seguintes: Extensão: 566 km; raio mínimo: 214,18 metros, havendo grande predominância de curvas com raio superior a 600 metros; rampa máxima: 6%; pontes e viadutos: 35, com total de 3.177 metros; pavimentação: tratamento superficial duplo com emprego exclusivo de ligantes de produção nacional; investimento realizado pelo DNER: 4,7 bilhões de cruzeiros.

 

Serviço telefônico – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pedindo uma ligação para Brasília, com o Presidente da NOVACAP, o serviço telefônico entre o Rio e a nova Capital. Ao ser completada a ligação, depois de dizer ao Senhor Israel Pinheiro quem falava, o Presidente Juscelino Kubitschek declara:

- Quero congratular-me com você pela inauguração das comunicações telefônicas com Brasília, melhoramento que vem colocar a nova Capital em contato com outras grandes cidades brasileiras e com o mundo inteiro.

 

Estabelece-se um diálogo, no decorrer do qual o Presidente da República comunica que se encontrava presente, no momento da inauguração oficial, o Sr. Wally Watts, vice-presidente da RCA Victor International, a quem iria condecorar, logo em seguida, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Estavam, igualmente, a seu lado, técnicos que haviam previsto que a obra realizada exigiria três anos. Entretanto, a mesma fora completada em cinco meses, tempo recorde.

Nesse período foram construídas 26 estações, numa extensão de 1.400 quilômetros, 52 prédios, 190 quilômetros de estradas e erguidas torres num total de 896 metros.

A ligação entre Brasília e o Rio, pelo sistema de microndas, dispõe inicialmente de 60 canais, número que será imediatamente elevado para 132.

 

Cruz de Cabral – Por via aérea, chega ao Rio de Janeiro, o Cônego Luciano Afonso dos Santos, do Cabido da cidade portuguesa de Braga, trazendo a cruz com que foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra, em 1500, a Primeira Missa no Brasil. A cruz será levada para Brasília, onde permanecerá durante as solenidades de inauguração da nova Capital brasileira.

 

Segunda-feira, 18 de Abril de 1960

 

Organização Judiciária – O Diário Oficial publica a Lei no. 3.754, de 14 de abril de 1960, que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília e dá outras providências.

O Diário Oficial publica ainda as razões pelas quais o Presidente Juscelino Kubitschek vetou alguns dos dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

 

Comemorações em Ouro Preto – Em Ouro Preto, o Presidente Juscelino Kubitschek participa das festividades comemorativas de mais um aniversário do suplicio de Tiradentes, desta feita antecipadas pelo fato de estar marcada para 21 do corrente a mudança da Capital para Brasília. Na Praça Tiradentes, de um palanque, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que se refere ao exemplo histórico dos Inconfidentes e à construção de Brasília como ponto de partida para uma nova era histórica no país.

 

NOVACAP – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Guilherme Machado para o cargo de Diretor da Novacap, na vaga do Senhor Íris Meinberg.

Prefeito de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Israel Pinheiro da Silva para o cargo de Prefeito do Distrito Federal de Brasília.

Exposição de Nova York – A imprensa assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, a inaugurar-se no próximo dia 4 de maio, terá como tema central Brasília. O projeto, extremamente harmonioso, procurou captar o sentido arquitetônico da nova Capital, em suas linhas de singeleza e simplicidade. O pavilhão reproduz, externamente, o Palácio da Alvorada. Atrás das colunas, internamente – de maneira a não serem vistas do lado de fora – ficarão situadas as vitrinas, em que serão expostos, em pequena quantidade, de forma quase que simbólica, os principais e mais expressivos produtos brasileiros, significando o progresso do Brasil atual. Máquinas colocadas ao fundo do pavilhão, responderão, automaticamente, às mais variadas perguntas sobre nosso país. Nas paredes, serão colocados mapas luminosos do Brasil e de Brasília. A organização do pavilhão brasileiro está a cargo do Senhor Francisco Medaglia, Direto do Escritório Comercial do Brasil em Nova York.

Ordem dos Advogados – O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil designa uma comissão, sob a presidência do Professor Nehemias Gueiros, para providenciar a instalação da Seção da Ordem no novo Distrito Federal de Brasília.

Ministério da Saúde – Ao embarcar para Brasília, o Professor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, dirige a seguinte mensagem ao povo do Rio de Janeiro:

“Ao deixar o Rio de Janeiro com destino a Brasília, nova Capital da República, é com a mais grata satisfação que me dirijo aos cariocas para externar-lhes a minha acendrada esperança no futuro do Estado da Guanabara, que será o marco decidido da expansão e do progresso do seu povo.

Se Brasília, obra memorável e ciclópica do presidente Juscelino Kubitschek, representará para a pátria brasileira a bendita e promissora evolução do seu desenvolvimento econômico, também o Estado da Guanabara irá representar um dos seus maiores pontos de apoio, quer no aspecto político cultural, quer no econômico, conjunto de fatores que assegura ao Rio, de muito tempo, um lugar de alto destaque no cenário do Brasil. A frente do Ministério da Saúde, aqui no Rio, não desfitei um só momento o panorama imenso do Brasil, empenhando-me pela melhoria crescente do estado sanitário do seu ‘hinterland’, propiciando melhores condições de saúde às suas gentes. Todavia, nem por isso mesmo, o Ministério da Saúde descurou-se do seu dever para com as grandes metrópoles que concentram, em seus limites, milhões de patrícios e semelhantes necessitados de assistência médico-social.
Agora, que Brasília será o elo visível da integração e da unidade nacional, continuarei no recesso do planalto central, no mesmo posto, olhando o Brasil caminhar para as suas novas dimensões, impulsionando, com o entusiasmo que sempre foi o meu apanágio, a máquina do Ministério da Saúde, no sentido de tornar o Brasil um país livre das grandes endemias que ainda flagelam suas populações.
A esta Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Ministério da Saúde não faltará com a sua colaboração marcadamente interessada no seu bem-estar, principalmente por dever de gratidão para quem carinhosamente hospedou o Governo da Nação por quase dois séculos sem desvincular-se da nobre e brava independência cívica de seus filhos de tão fecundas realizações para a Pátria comum.
Em Brasília, serei um carioca a serviço do Brasil."

Inspetoria Florestal – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Inspetoria Florestal do Distrito Federal de Brasília.

Fuzileiros Navais – Chegam a Brasília os fuzileiros navais e marinheiros integrantes da Operação Alvorada, e que realizaram o percurso Rio de Janeiro-Brasília à pé.

Supermercado – Inaugura-se em Brasília o moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores do Plano Piloto, com 60 funcionários especializados.

Terça-feira, 19 de abril de 1960

Cardeal Cerejeira – Chega ao Rio de Janeiro Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Legado Pontifício para a inauguração de Brasília. Do "Vera Cruz", em que viaja, Sua Eminência passa para a lancha "Garça", do Ministério da Marinha. No Ministério, a "Garça" atraca junto ao mastro da Bandeira, desembarcando, em primeiro lugar o Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira e o Sub-chefe do Cerimonial do Itamarati. Ao atingir o topo da escada, o Legado Pontifício, após ser saudado pelo comandante do 1º Distrito Naval, dirige-se, acompanhado do Sub-chefe do Cerimonial, para a esquerda do mastro da Bandeira. Os demais membros da comitiva colocam-se em linha, à esquerda e junto à escada em que desembarcaram, com a frente voltada para o edifício do Ministério.
Em seguida, são executados os Hinos Pontifício e Nacional, ouvindo-se, simultaneamente, as salvas de estilo. Terminado o Hino Nacional, o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek trocam demorado aperto de mão. Findos os cumprimentos, o comandante da Guarda de Honra apresenta-se ao Legado Pontifício e convida-o a passar em revista a tropa. Ao deslocar-se o Legado Pontifício para a testa da Guarda de Honra, o Presidente Juscelino Kubitschek dirige-se para o local onde se encontram as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Terminadas as apresentações, inicia-se o cortejo e, no momento em que o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek se dirigem para o carro presidencial, a Guarda de Honra apresenta continência e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o "Cisne Branco". Tendo à frente o carro presidencial, o cortejo desloca-se em direção à Praça Barão de Ladário. Ao longo da Avenida Rio Branco e demais artérias do itinerário, estavam formados contingentes do Exército, Marinha e Aeronáutica, constituindo o Destacamento Misto, sob o comando de um Oficial-General do 1º. Exército.
Na confluência da rua Visconde de Inhaúma com a Avenida Rio Branco, os Dragões da Independência passam a escoltar o cortejo presidencial, ao mesmo tempo em que uma chuva de flores e papéis picados desce do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco. Durante todo o trajeto pela principal artéria da cidade enorme multidão aplaude o Cardeal Cerejeira, dando vivas a Portugal e Brasil.

Palácio Itamarati – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, no Palácio Itamarati, a reunião da Comissão Brasileira da Operação Pan-Americana, despedindo-se, ao mesmo tempo, do funcionalismo do Ministério das Relações Exteriores. Após a reunião, o Presidente da República dirige-se ao salão em que se realiza o ato inaugural da Exposição de Antecedentes Históricos de Brasília, organizada em estreita colaboração entre o Serviço de Documentação da Presidência da República e a Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores.
Da referida mostra constam vários quadros e painéis, todos documentando a idéia da construção da Capital do Brasil no interior, desde o tempo em que Tomé de Sousa se instalou na Bahia como Primeiro Governador Geral do Brasil.
Um dos ângulos mais interessantes da Exposição se situa na documentação referente aos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, em que a sentença de condenação dos acusados faz referencias ao fato de que os inconfidentes também estavam imbuídos da idéia de mudar a capital da Capitania de Minas Gerais, de Vila Rica para São João Del Rei. Enriquece ainda a Exposição uma coleção de mapas antigos, pertencentes à Mapoteca do Itamarati, onde se inclui o Planisfério de Jerônimo Marini, datado de 1518, original adquirido pelo Barão do Rio Branco.
Também faz parte da mostra o famoso mapa de Tozzi Colombina, com que esse geógrafo instruiu, em 1750, o seu pedido de concessão para instalar uma linha de diligencias partindo do Rio de Janeiro para atingir os confins do Oeste.
Vários objetos históricos que pertenceram a Tiradentes e José Bonifácio também constam da exposição, onde se vê o autografo da Constituição de 1891, em que pela primeira vez figura o dispositivo mudancista. Vê-se ainda na Exposição o original da emenda de Rui Barbosa à redação do mesmo dispositivo, além do farto material fotográfico relacionado com homens e fatos ligados à evolução da idéia da interiorização, desde o Marechal Floriano Peixoto até o Presidente Juscelino Kubitschek, focalizando também a criação da Novacap e a escolha do Plano Piloto de Lucio Costa.

Presidente Gronchi – A propósito da inauguração de Brasília, o Presidente da República Italiana dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

"Ao ensejo da inauguração da nova Capital – Brasília – em dia fausto para a latinidade, quero fazer chegar ao povo brasileiro a saudação e os votos de felicidade do povo italiano e meus pessoais, votos por um futuro de prosperidade sempre crescente, através da constante consolidação das instituições democráticas e do progresso da vida econômica e social.
O povo italiano não se sente alheio à intrépida valorização dos recursos inexauríveis da terra brasileira, à qual, sob a orientação válida e genial de Vossa Excelência, se dedica o povo brasileiro com o espírito de iniciativa e a capacidade de trabalho que lhe são peculiares, o que tive ensejo de admirar de perto.
Como no passado, o povo italiano deseja contribuir com o trabalho e o pensamento – numa união de propósitos e de obras – não somente no interesse comum dos nossos dois países, como também no tocante a uma convivência mais segura e feliz de todos os povos num clima de liberdade, justiça e paz."

Rodovia Fortaleza-Brasília – Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo a Brasília, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. No primeiro dia, a caravana vai pernoitar em Goiás, na cidade de Posse, após percorrer uma grande reta de 215 km no vale que divide as águas do São Francisco das do Tocantins.
A caravana dos operários construtores da grande artéria que está unindo o Nordeste à Capital do planalto tem por objetivo, além de dar por aberto ao tráfego o trecho que vai do interior do Estado da Bahia à nova Capital, levar uma mensagem cordial ao grande número de conterrâneos seus que ali trabalham nos serviços de construção civil ou nas vias de penetração que para lá se dirigem, como a Belém-Brasília, conforme se lê numa faixa colocada sobre o primeiro veiculo, saudando "os candangos que, com o espírito de Brasília, construíram a nova Capital".
Sobre a rodovia, o Diretor Geral do DNOCS diz à imprensa:

"Consideramos aberto ao tráfego o trecho da Nordeste-Brasília que vai de Barreiras à nova Capital com a cobertura do percurso pelos veículos do Departamento em tempo considerado normal para estradas não pavimentadas. A rodovia, naturalmente, carece de obras complementares até o seu asfaltamento, serviços que serão continuados sem interrompimentos. O trecho Fortaleza-Barreiras, cujo prazo de conclusão foi fixado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, será entregue ao transito em setembro próximo pelo Chefe de Governo."

Mensagem presidencial – O Presidente Juscelino Kubitschek dirige ao povo carioca, através da Voz do Brasil, a seguinte mensagem de despedida:

"A tranqüilidade de consciência pelo dever cumprido se reúne a tristeza do adeus a esta encantadora cidade do Rio de Janeiro que, com inexcedível generosidade, hospedou o governo durante quase dois séculos.
A transferência não se faz sem o efeitos de natureza emocional. Confesso que me acho possuído, ao transmitir-vos esta mensagem de afeto e reconhecimento, pela sensação de estar perdendo alguma coisa – o privilegio de viver convosco, altivo, nobre e culto povo que, com o correr do tempo, vim a conhecer melhor e cada vez mais amar.
Estou certo de que, embora de longe, o magnetismo da vossa cidade continuará a imprimir caráter particular a decisões fundamentais para os rumos do Brasil e que os vossos centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino.
Bem sabeis que, ao cumprir o preceito da Constituição que determina a mudança da Capital do país para o planalto central, atendemos a um imperativo de nossa formação republicana federativa. Com esse passo, remontamos às nossas raízes históricas e rendemos, aos varões ilustres que se constituíram patriarcas da Nação brasileira, homenagem das mais grandiosas de quantas lhes foram prestadas.
Deixo a responsabilidade da administração do Estado da Guanabara a um dos meus mais dedicados auxiliares, Embaixador José Sette Câmara Filho, que demonstrou, em todos os momentos, firmeza de caráter, inteligência arguta e excepcional exação no cumprimento dos deveres. Será ele um digno sucessor dos eminentes prefeitos, Drs. Sá Lessa, Negrão de Lima e Sá Freire Alvim, que o precederam, aos quais, de público, manifesto o meu mais sincero e efusivo reconhecimento pelos inestimáveis serviços prestados à cidade do Rio de Janeiro, durante o meu Governo.
Quero render, aqui, homenagem ao vosso último prefeito, Dr. Sá Freire Alvim, honrado homem público, administrador dos mais eficientes, realizador de inúmeras obras que em definitivo há de marcar a sua gestão à frente do executivo municipal.
Ao despedir-me, asseguro que, enquanto eu for Presidente da República, há de dar-vos o Governo Federal inteira colaboração, a fim de que o Rio de Janeiro mantenha o titulo com que o mundo todo o consagra – Cidade Maravilhosa."

Indulto – Logo após a leitura de sua mensagem ao povo carioca, o Presidente Juscelino Kubitschek assina o decreto que indulta todos os sentenciados primários, condenados a penas que não ultrapassem três anos de prisão e que tenham cumprido, com boa conduta, um terço das mesmas. O decreto apresenta inicialmente os seguintes considerandos:

"…considerando que a transferência da Capital da República para Brasília constitui acontecimento de singular relevância para a Nação brasileira;

considerando que todos os brasileiros devem participar desse acontecimento, inclusive os que estão em cumprimento de penas…"

Quarta-feira, 20 de abril de 1960

Partida do Presidente Juscelino Kubitschek – O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de sua esposa e filhas, antes de embarcar para Brasília, visita pela manhã o Palácio do Catete, onde se despede de todos os funcionários que não foram transferidos para a nova Capital do país.
A cerimônia, embora simples, sem qualquer protocolo, apresenta aspecto tocante, visto que alguns servidores, não conseguindo conter a emoção, choram ao abraçar o Presidente da República.
O Chefe do Governo faz questão de reunir no seu antigo Gabinete de trabalho todos os servidores do Catete, independente de qualquer categoria funcional e, abraçando um a um, deseja a todos as maiores venturas.
Durante algum tempo de palestra com os representantes da imprensa, o Presidente Juscelino Kubitschek externa os seus agradecimentos a todos que, de qualquer forma, naquela casa presidencial, emprestaram colaboração ao seu Governo, considerando-os como cooperadores dos mais eficientes.
Falando em nome dos jornalistas credenciados no Palácio do Catete, o Sr. Valdemar Bandeira, decano da Sala de Imprensa, agradece as atenções com que o Presidente da República sempre os distinguiu.
Ao retirar-se do Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek é alvo de significamente manifestação de apreço e carinho por parte de alunos da Escola Rodrigues Alves contígua ao Palácio Presidencial, que, agitando lenços brancos, se despediam do Chefe do Governo. Nessa ocasião, a Sra. Sarah Kubitschek, visivelmente emocionada, não consegue esconder as lágrimas, o mesmo acontecendo com suas duas filhas.
Com esforço, o Presidente da República consegue entrar no automóvel, pois a massa popular que o aplaude dificulta sua locomoção, e somente a muito custo os batedores conseguem romper a aglomeração popular e rumar para o Aeroporto.
O Presidente da República, acompanhado da Sra. Sarah Kubitschek e de suas duas filhas Márcia e Maristela, chega ao Aeroporto Militar Santos Dumont pouco antes das 10 horas sendo aguardado por numerosas pessoas que vão apresentar as despedidas ao Chefe da Nação.
Após os cumprimentar a todos quantos se encontram no Aeroporto Militar Santo Dumont, o Presidente Juscelino Kubitschek, tendo ao lado a Senhora Sarah Kubitschek e suas duas filhas Márcia e Maristela, sobe as escadas do ‘Viscount’, volta-se para a multidão e dá um ‘Viva o Estado da Guanabara’.


Foto: Arquivo Público do DF

Chave de Brasília – A abertura das solenidades de inauguração de Brasília dá-se com a chegada do Presidente Juscelino Kubitschek à Praça dos Três Poderes, a fim de receber das mãos do Presidente da Novacap a chave simbólica da cidade. O Presidente da República é recebido por grande multidão e, após agradecer os aplausos populares, toma lugar na tribuna fronteira ao Palácio do Planalto, em companhia de sua esposa e filhas e do Senhor Israel Pinheiro. Este, entregando a chave de ouro da cidade, profere discurso em que exalta a construção de Brasília.
Após um orador popular, o Presidente Juscelino Kubitschek profere seu discurso de agradecimento.
Finda a oração presidencial, o Senhor Israel Pinheiro oferece ao Presidente Juscelino Kubitschek o Livro de Ouro onde se consignam os nomes de todos aqueles que construíram Brasília, do Catetinho à Praça dos Três Poderes.
A cerimônia encerra-se com a entrega ao Senhor Israel Pinheiro, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, da Ordem Nacional do Mérito.

Cardeal Cerejeira – Viajando por via aérea, procedente do Rio de Janeiro, chega a Brasília Sua Eminência o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício, sendo recebido no Aeroporto Internacional de Brasília pelo Presidente da República, Ministros de Estado, Cardeais, parlamentares e autoridades civis e militares, congregações religiosas e grande massa popular.
Logo após descer do avião e ao receber os cumprimentos de boas-vindas do Presidente Juscelino Kubitschek e auxiliares do seu Governo, o Cardeal Manuel Cerejeira ouve a execução do Hino Pontifício e do Hino do Brasil, passando, a seguir, revista a um contingente misto do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, ocasião em que uma bateria do Exército dá as salvas de estilo.
Após essas cerimônias de estilo, o Legado Pontifício é apresentado pelo Chefe do Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores às autoridades presentes, dentre elas o Vice-Presidente da República, Sr. João Goulart, o Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Ranieri Mazzilli, o Ministro Barros Barreto, Presidente do Supremo Tribunal Federal, aos Cardeais brasileiros, aos Ministros de Estado e autoridades dos três Poderes da República.
Logo após, o Legado Pontifício, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e autoridades dirige-se para sua residência oficial durante a sua permanência nesta cidade, recebendo durante o trajeto as mais calorosas manifestações de carinho do povo de Brasília.

Missa Solene – Às 23h30m, coloca-se no altar armado na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, a Cruz histórica da frota de Pedro Álvares Cabral, trazida de Braga para a Missa da inauguração de Brasília.
A Missa solene em ação de graças, iniciada às 23h45m, é oficiada pelo Legado Pontifício, Cardeal Cerejeira, acolitado pelos Cardeais brasileiros – D. Augusto Álvaro da Silva, da Bahia; D. Jaime de Barros Câmara, do Rio de Janeiro; e D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, de São Paulo.


Foto: Arquivo Público do DF

A importante cerimônia ao ar livre é presenciada pelo Presidente Juscelino Kubitschek e sua esposa, colocados em local próximo e fronteiriço ao altar; pelas altas autoridades do país, dispostas em área à esquerda do Chefe do Governo; pelos numerosos representantes diplomáticos, colocados à direita, e pelo povo, operários, funcionários e milhares de visitantes.
Antes de ser iniciada a missa é lido um ‘breve’ pelo qual o Papa João XXIII nomeia o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, Legado ‘a-latere’ à inauguração de Brasília. O ‘breve’ é lido em latim e português, sendo, em seguida, o Cardeal Legado conduzido para o trono pontificial a fim de ser paramentado para a Missa.
Todo o cerimonial é descrito por D. Hélder Câmara. O Arcebispo-Auxiliar do Rio de Janeiro exorta o povo brasileiro a, unido, marchar para o progresso que despontava com aquele empreendimento do Governo de Juscelino Kubitschek, considerado no mundo inteiro como um marco glorioso na vida de um povo. As palavras de D. Hélder, pedindo ao povo que orasse pela glória de Deus e do Brasil, são ouvidas em silencio pela multidão que se encontra na Praça dos Três Poderes. O Coro Renascentista canta o "Kyrie Eleison" e, pouco depois, entoa outras peças sacras, acompanhado da Orquestra de Câmara de São Paulo.
No momento da elevação do Santíssimo, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o Hino Nacional e todo o logradouro é iluminado por dezenas de refletores.

Quinta-feira, 21 de abril de 1960

Missa Solene
– Ao final da Missa solene em ação de graças pela inauguração de Brasília, cuja celebração começara às 23h45m do dia 20 de abril, Sua Eminência o Legado Pontifício profere vibrante alocução em saudação a Brasília, procedendo em seguida a benção da nova Capital. O Patriarca de Lisboa, nesse ato, segue o ritual preparado pela Sagrada Congregação do Concílio. Após a leitura da benção papal ao povo brasileiro, o Cardeal Cerejeira abençoa a bandeira brasileira, que já ostentava a alteração concernente ao Estado da Guanabara.

Benção Papal – Aos 45 minutos do dia 21 de abril, através da Rádio do Vaticano, diretamente de Roma, Sua Santidade o Papa João XXIII dirige ao Brasil, com sua Benção Apostólica, a seguinte mensagem de saudação:

"Aos queridos filhos do grande e nobre Brasil:
É com o maior júbilo para o nosso coração de pai comum que aproveitamos a oportunidade da inauguração da nova Capital do Brasil para dirigirmos ao seu laborioso e generoso povo nossa palavra e nossa benção. Muito nos agrada saber que em tão solenes celebrações, em que tomamos parte na pessoa de nosso Legado, sobressaem as cerimônias de caráter religioso, para invocar a Deus novas bênçãos e favores sobre a Nação inteira. Da Bahia de Todos os Santos a Piratininga e ao Rio de Janeiro, sob o impulso do exemplo sempre vivo de Nóbrega e Anchieta, e encorajado pelas proezas heróicas das Bandeiras do Sul e das Jornadas do Norte, o Brasil, pelo arrojo do seu Presidente, assenta os arraiais da sua nova Capital no planalto central de seu imenso e rico território, qual vigil atalaia sobre os destinos da nação. Brasília há de se constituir, assim, um marco miliário na história já gloriosa da Terra de Santa Cruz, abrindo novos sulcos de amor, de esperança e de progresso entre as suas gentes, que, unidas na mesma fé e língua, se tornarão aptas aos maiores cometimentos. Pedimos a Deus que, continuando a derramar em abundância as Suas graças, faça do Brasil uma nação cada vez mais forte, grande e livre, à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja, contra tudo aquilo que lhe possa minar a força, comprometer a grandeza e diminuir a liberdade. Com estes sentimentos e votos ao querido povo brasileiro, hoje espiritualmente reunido, com o seu Episcopado e Clero e, particularmente, ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República e a todas as autoridades, bem como aos técnicos e operários que contribuíram, com as suas canseiras, para a realização de tão grande obra, concedemos, de todo o coração, a nossa especial Benção Apostólica."

Despachos presidenciais
– Em Brasília, a despeito do intenso programa de festas da inauguração da nova Capital, o Presidente Juscelino Kubitschek despacha com seus auxiliares imediatos numerosos assuntos de interesse da administração pública, notadamente questões ligada à organização do novo Distrito Federal e à instalação dos serviços públicos em Brasília.


Foto: Arquivo Público do DF

Alvorada – Às 8 horas da manhã, na Praça dos Três Poderes, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek, altas autoridades e grande massa popular, executa a Banda do Batalhão de Guardas o toque da Alvorada, após o que o Presidente da República hasteia o pavilhão nacional, ao som do Hino Nacional.
Após o hasteamento da Bandeira, o Presidente Juscelino Kubitschek profere as seguintes palavras:


Foto: Arquivo Público do DF

"Cabe-me a honra de içar neste momento a Bandeira Nacional. Faço-o com emoção que dificilmente poderia exprimir. Esta e todas quantas agora se hasteiam, não importa em que sitio de nosso imenso território, ostentam uma estrela a mais. Porque o país cresceu, se animou do espírito criador, e este espírito criador produziu mais uma entidade na Federação. Ai está a estrela do Estado da Guanabara que se vem juntar aos vinte Estados que giram harmoniosamente em torno de Brasília, Capital Federal da pátria brasileira, centro das futuras decisões políticas, cidade da esperança, torre de comando da batalha pelo aproveitamento do deserto interior.

A bandeira que vai tremular nos céus do Brasil simbolizará um país que se tornou maior. Sinto agora a mesma vibração, o mesmo entusiasmo, o mesmo tremor que sentem todos aqueles que estão praticando o mesmo gesto nos quatro cantos da Pátria. Meu pensamento volta-se, neste instante, para as novas gerações que hão de recolher o fruto de nossos trabalhos e encontrar um Brasil diferente daquele que encontramos, um Brasil integrado no seu verdadeiro destino. Diante da Bandeira Nacional, com suas vinte e duas estrelas, saúdo os pioneiros, os que lutaram para que chegássemos ao que somos, e saúdo os filhos dos nossos filhos para os quais, sem medir esforços e sacrifícios, erguemos as bases da nossa grandeza futura."


Fotos: Arquivo Público do DF

Círculo Diplomático – Às 8h30m, os Embaixadores estrangeiros em Missão Especial à inauguração de Brasília comparecem ao Palácio do Planalto, a fim de apresentar cumprimentos ao Presidente Juscelino Kubitschek, com toda a solenidade prevista no protocolo. De cada um dos Chefes de Missão o Presidente Kubitschek ouve os mais calorosos elogios à nova Capital.
O senhor John Moors Cabot, Embaixador dos Estados Unidos da América, entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte carta do Presidente Dwight D. Eisenhower:

"Prezado Senhor Presidente:
Vossa Excelência certamente se lembrará de quão grandemente fiquei impressionado durante o nosso encontro em Brasília, em fevereiro último, com o extraordinário empreendimento do Governo e do povo brasileiro construindo essa inspiradora nova Capital. Nesta festiva ocasião da inauguração de sua grande cidade do futuro desejo renovar minhas congratulações a Vossa Excelência pela sua visão e esforço e pelo esplendido espírito do povo livre do Brasil, com os meus calorosos cumprimentos. Sinceramente, Dwight Eisenhower."

Embaixador do Uruguai – Logo após a recepção dos Embaixadores em Missão Especial, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio do Planalto, as credenciais do novo Embaixador do Uruguai, Senhor Salvador Ferrer Serra.

Poder Executivo – Após o Círculo Diplomático, o Presidente Juscelino Kubitschek reúne, no Palácio do Planalto, os Ministros de Estado, para instalação do Poder Executivo em Brasília, em presença também dos Embaixadores estrangeiros e de altas autoridades. Nessa reunião, declarando instalado o Executivo, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que assinala a importância do momento histórico.

Congresso Nacional – Enquanto se processa no Palácio do Planalto a cerimônia de instalação do Poder Executivo, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados realizam, em suas respectivas salas, sessões preparatórias da reunião conjunta a celebrar-se mais tarde, presidido o Senado Federal pelo Senhor João Goulart, e a Câmara dos Deputados pelo Senhor Ranieri Mazzilli.
Às 11h30m, as duas Câmaras reúnem-se no recinto da Câmara dos Deputados, para instalação solene do Congresso Nacional. Comparecem à solenidade o Presidente Juscelino Kubitschek, o Legado Pontifício, os Embaixadores em Missão Especial, Governadores e Ministros de Estado e altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Discursando, o Senhor João Goulart, Vice-Presidente da República, profere a oração em que declara instalado o Congresso Nacional na nova Capital.
Falam, a seguir, o Senador Filinto Muller, Vice-Presidente do Senado Federal e o Deputado Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados.

Arquidiocese de Brasília – Ás 10h15m instala-se no local da futura Catedral de Brasília a Arquidiocese da nova Capital. A cerimônia, oficiada pelo Núncio Apostólico no Brasil, Monsenhor Armando Lombardi, conta com a presença do Legado Pontifício e de altas autoridades. É então empossado solenemente o Arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista.

Supremo Tribunal Federal – Ás 9h30m instala-se em seu Palácio, o Supremo Tribunal Federal, em cerimônia a que todos os Ministros comparecem de toga e capelo.
A sessão é presidida pelo Ministro Frederico de Barros Barreto, estando presentes nos Ministros Lafayette de Andrada, Vice-Presidente; Nelson Hungria, Villas Boas, Cândido Motta Filho, Gonçalves de Oliveira, Sampaio Costa e Vasco Henrique D’Ávila e ainda o Procurador Geral da República, Sr. Carlos Medeiros Silva.
Por motivos justificados deixam de comparecer à solenidade os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa, Ary Franco, Hahnemann Guimarães e Rocha Lagoa.
Iniciando os trabalhos, o Ministro-Presidente profere o seguinte discurso:

"Cabe-me, neste momento, a honra excepcional de inaugurar a sede do Supremo Tribunal Federal na nova capital da República dos Estados Unidos do Brasil.
Honra que sobremodo me distingue, como magistrado e como brasileiro.
E, de fato, esta obra monumental parece simbolizar, na sua importância, a magnitude e importância de um dos Poderes da República, a Justiça, em sua cúpula.
Evidencia-se em suas linhas arquitetônicas, em seu acabamento, a realização desse intento de seus idealizadores.
E bem é que tão acertadamente se conceitue este Poder, pois, na palavra de Rui Barbosa, "a Justiça é a essência do Estado".
Consolida-se, por sem dúvida, o Estado, quando se assegura à sua Justiça a força e o conceito que ela merece.
Nesta Egrégia Corte, não é excessivo ressaltar, se julgam e amparam elevados interesses da nacionalidade.
Eis o Pretório Excelso em lugar condigno, para cumprir a sua nobre e augusta missão, tão nobre e augusta quanto vital para a nossa instituição democrática, da qual, como poderia ser repetido pelo Mestre inesquecível, "o eixo é a Justiça, eixo não supositício, não meramente moral, mas de uma realidade profunda e tão seriamente implantado no mecanismo do regime, tão praticamente embebido através de todas as suas peças que, falseando ele ao seu mister, todo o sistema em paralisia, desordem e subversão."
Como já disse, em outra oportunidade, a fim de conservar a coordenação dos órgãos da soberania nacional, por força do principio fundamental do regime republicano, fixado no art. 36 da Carta Maior, acerca da independência e harmonia dos poderes, sistema de freios e contrapesos, na União e nos Estados, é relevante a função do Supremo Tribunal Federal, guarda e interprete máximo da Constituição e das leis ordinárias, participando ele, destarte, na construção e preservação do regime. E, no uso de sua missão primacial, foram por ele corrigidos até preceitos das Cartas Estaduais.
Releva afirmar, outrossim, que esta Corte Suprema, na grandeza de suas atitudes, mas, dentro da esfera traçada pelo Estatuto de 1946, continuará a manter, destemidamente, suas tradições e insuperáveis prerrogativas institucionais, defendendo a aplicação das leis e exigindo respeito ao direito e aos interesses magnos da Justiça.
Neste planalto e nesta hora, em que, entre festejos e aplausos, se instala a Capital do País, espero venha a surgir uma nova era, a que tanto aspiramos, para os melhores destinos da nossa Pátria, era que se anuncia no arrojo e suntuosidade deste empreendimento de repercussão histórica, que é Brasília."

O Senhor Carlos Medeiros Silva, Procurador Geral da República, profere as seguintes palavras:
"Nesta histórica sessão, o Egrégio Supremo Tribunal Federal se congratula com a Nação brasileira no cumprimento de um dispositivo constitucional, sonho dos pioneiros de nossa independência política, promessa da República e hoje realidade.
Se outros motivos de júbilo faltassem neste dia glorioso, somente o fato da complementação constitucional, preconizada em três assembléias constituintes, bastaria para que o guardião supremo das leis se regozijasse com os demais poderes do Estado pelo grandioso acontecimento.
Mas não é possivel calar-se nesta hora e minguar os louvores ao Chefe do Poder Executivo, Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e ao Congresso Nacional, que tão decididamente se empenharam para que a mudança da Capital da União para o Planalto Central se realizasse.
É um privilégio de nossa geração, aqui reunidos, neste dia que lembra Tiradentes, celebrando Brasília, é honra insigne, para mim, como Chefe do Ministério Público Federal poder falar a Vossas Excelências nesta cátedra.
Glória ao Pretório Excelso e a todos os seus membros pelo feliz acontecimento que ora celebramos."

O Ministro Nelson Hungria profere a seguinte oração:
"Senhor Presidente, estou certo de interpretar o sentimento e a vontade de todos os nossos ilustres companheiros nesta solenissima jornada, saudando em Vossa Excelência, o primeiro Presidente do Supremo Tribunal Federal, na sua nova sede, em Brasília, a nova Capital do Brasil.
No mesmo passo, quero congratular-me com Vossa Excelência e com os nossos colegas por nos acharmos nesta nova metrópole, em pleno coração geográfico do Brasil, em que o Poder Judiciário se acha enquadrado neste digno e dignificante Palácio.
É bem certo, Senhor Presidente, que aqui não vamos encontrar as comodidades que haviamos conquistado, através de dilatados anos, na velha Capital. Aqui vamos encontrar uma vida talvez cheia de dificuldades, de desajustes, de deficiências sob o ponto de vista material; mas, em compensação, estou certo de que aqui teremos mais tempo, mais vagar, para nossas meditações. Talvez a nossa Justiça seja ainda mais caprichosa em qualidade do que aquela que distribuimos na velha Capital. Aqui estaremos no eixo geográfico do Brasil e poderemos, por isso mesmo, realizar, na frase de Rui Barbosa, que Vossa Excelência acaba de relembrar, o ideal de Justiça como eixo do regime democrático-liberal que nos dirige.
Estou certo, Senhor Presidente, de que aqui, longe dos rumores da babilônia carioca, longe daquela cidade tentacular, que nos absorvia até a medula, com o paroxismo do seu struggle for life, nós poderemos fazer uma justiça mais profunda, uma justiça mais refletida e, mais que tudo, revestida do mais puro cunho de brasilidade.
Era o que tinha a dizer."

Ao declarar encerrados os trabalhos, o Ministro Presidente agradece a presença das altas autoridades civis e militares e outras pessoas gradas.

Marco de Brasília - Às 13,00 horas, em solenidade a que comparece o Presidente Juscelino Kubitschek, inaugura-se o marco histórico da fundação de Brasília, situado na Praça dos Três Poderes, entre os Palácios do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
O marco inaugurado é constituído de um bloco de concreto, revestido de mármore e tendo em seu interior um modelo da cidade, contendo dados relativos à construção da Capital e ainda opiniões emitidas pelas mais diversas personalidades e entidades.
O ato foi simples e constou da leitura da "Prece Natalícia de Brasília", escrita e lida, na ocasião pelo orador oficial da solenidade, poeta Guilherme de Almeida.
Após a leitura do poema, Guilherme de Almeida oferece ao Presidente da República um exemplar do trabalho, gravado em pergaminho.


Foto: Arquivo Público do DF

Desfile militar e operário - Às 16,30 horas inicia-se no Eixo Rodoviário o desfile militar e operário, diante do Presidente Juscelino Kubitschek e altas autoridades, que passam em revista os destacamentos das escolas militares, que abriram a parada tendo à frente o esquadrão da Escola Naval, seguido da Escola de Aeronáutica, e, finalmente o esquadrão da Academia Militar das Agulhas Negras e o Batalhão da Guarda Presidencial. Seguem-se tropas que integraram as colunas militaress procedentes da Bahia e do Rio de Janeiro.


Foto: Arquivo Público do DF

Após a parada militar, desfilam os operários da NOVACAP, os contrutores de Brasília, engenheiros, técnicos e "candangos", bem como máquinas, tratores, caminhões, máquinas de terraplenagem e toda sorte de engenhos adotados em construções civis.
Em último lugar, chegam atletas que conduzem o Fogo Simbólico, que partira da Cidade de Salvador no dia 29 de março e passara pelas mãos de cerca de três mil atletas em seu percurso até Brasília. Na ocasião de receber o fogo simbólico, o acadêmico Osvaldo Orico profere discurso alusivo ao ato.
O Presidente Juscelino Kubitschek retira-se em seguida.


Foto: Arquivo Público do DF

Fogos de artificio - À noite, realiza-se um grande espetáculo de fogos de artificio, na Plataforma do Eixo Monumental.

Recepção – Encerrando o programa oficial do dia 21, realiza-se no Palácio do Planalto a recepção às altas autoridades e ao Corpo Diplomático, oferecida pelo Presidente da República e a Senhora Juscelino Kubitschek.

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Brasília – Março de 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – MARÇO DE 1960

 

 

 

 

02
 
Clima – A imprensa comenta que o Serviço de Meteorologia do Ministério da Agricultura já conta com um Observatório Meteorológico em Brasília, cuja construção está praticamente terminada, devendo-se proceder em breve à instalação do instrumental já adquirido.
No observatório da futura capital serão realizadas rádiossondagens com aparelhos eletrônicos, fazendo-se também emprego do radar, a fim de se pode medir, diariamente, até grandes altitudes (cerca de 30 km), as variações da pressão, temperatura, umidade relativa e ventos, dados esses de absoluta necessidade, não só para aperfeiçoar a previsão do tempo, mas ainda para orientar com maior segurança os pilotos da aviação comercial cujos vôos a jato se realizam em torno dos 13 mil metros de altitude.
Além desse equipamento, o observatório utilizará outro tipo de radar para determinar as áreas em que estiverem ocorrendo chuvas até uma distância de 200 a 300 km em torno. A imagem das cartas sinóticas, organizadas diariamente no Rio, será transmitida para Brasília, pelo sistema fac-smile (via-rádio).
O clima de Brasília, ameno e saudável, apresenta as características dos climas tropicais de altitude (1.000 metros), isto é, embora se eleve durante o dia, a temperatura cai à noite, descendo sempre abaixo de 20ºC, o que torna as noites agradáveis e repousantes. As chuvas caem nos meses de verão (novembro a março), atingindo cerca de 1.750 milímetros (valor médio anual), contrastando com os meses de inverno que são inteiramente secos. Durante a época chuvosa, predominam os ventos do Norte, ao passo que durante o inverno são mais freqüentes os ventos de Este e Sueste. A umidade relativa alcança no verão a média de 85%, mas cai no inverno a 60%, o que torna seco o ar no inverno.
De acordo com o programa aprovado pelo Ministério da Agricultura, será instalado em Brasília um Instituto dotado do mais moderno aparelhamento, para o fim de proceder ao estudo aprofundado do clima do Planalto Central e de suas bacias hidrográficas, naquilo em que estas envolvem aspectos meteorológicos. O estudo far-se-á sob todos os aspectos: macroclima, mesoclima, microclima, climatologia, sinótica, etc.
O Instituto também cuidará de maneira especial dos climas tropicais e de sua influência sobre a formação dos solos e o comportamento das culturas, para fins ecológicos. Estudará ainda, a par do problema das chuvas artificiais, as condições oferecidas pela região do ponto de vista bioclimático e da climatologia médica. Deverá denominar-se Instituto de Pesquisas Meteorológicas e Hidrológicas.
 
03
I.S.E.B. – A imprensa anuncia a realização, por iniciativa e sob o patrocínio do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, de oito conferências sobre a interiorização da Capital e a mudança para Brasília.
 
Governador Juraci Magalhães – Em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, o governador da Bahia manifesta-se entusiasmado com Brasília, declarando:
 
“Estou cheio de satisfação pelo que vi e só lamento não estar mais moço para ver a projeção de Brasília no futuro. Esta será uma terra que entusiasmará os brasileiros que a viram nascer. Queria ser mais jovem para crescer com Brasília”
 
Estas palavras foram proferidas durante a entrevista concedida à emissora local, tendo dito ainda o Sr. Juraci Magalhães, em tom de blague, que apostou uma gravata com o Presidente da República em como a mudança para a nova Capital não se faria na data aprazada, mas que perdera a aposta, e, por isso, no próximo dia 21 de abril procurará pessoalmente o Presidente Juscelino Kubitschek, para lhe entregar o objeto da aposta.
 
04
Declaração presidencial – A respeito de notícias divulgadas na imprensa carioca de que o Governo estaria interessado em movimentos que tem como objetivo o adiamento da data da mudança da capital para Brasília, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República distribui as seguintes declarações do Presidente Juscelino Kubitschek:
 
“Essas notícias representam os últimos estertores de uma campanha que visa impedir a mudança da capital.
 
Anuladas todas as manobras, superados todos os pretextos, os adversários de Brasília lançam agora mão desse recurso descabido, que põe em dúvida o inflexível propósito do Governo de promover, em obediência à lei, a efetivação da mudança.
 
Brasília, contudo, traduz um movimento de tão profundo sentido nacional, que contra ele não podem prevalecer os desígnios de uma minoria que pretende contrariar uma aspiração de todo o povo brasileiro.
 
Nada impedirá que a 21 de abril, Brasília seja a Capital do país. No Planalto Central iniciaremos, então, uma nova etapa da nossa luta pelo desenvolvimento e por um Brasil maior.”


Foto: Arquivo Público do DF

Fundação Educacional Brasília – Na pasta da Educação e Cultura, o Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto de instituição da Fundação Educacional Brasília, que terá a finalidade de organizar e manter, na nova Capital, estabelecimentos de ensino de grau médio.

Fundação Brasil Central – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto fixando novas atribuições à Fundação Brasil Central e transferindo sua sede para Brasília, a fim de que possa mais efetivamente cooperar no desbravamento, colonização e aproveitamento econômico da região da qual a nova Capital é o centro.

05
Cardeal Cerejeira – A propósito de sua designação para representar, como Legado Pontifício, o Santo Padre João XXIII, nas festas da inauguração de Brasília, Sua Eminência Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa, dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

“Ao receber a altíssima missão de Legado Pontifício à inauguração de Brasília, peço licença para saudar em Vossa Excelência o prestigioso chefe da grande Nação brasileira e criador da nova Capital do Brasil do futuro”

Discurso presidencial – Recebendo, em Belo Horizonte, o título de Professor Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere ao plano educacional de Brasília:

“A construção de Brasília, em cujas linhas urbanísticas e arquitetônicas domina o sentido da modernidade, levou-nos a empreender, obedecendo a rigoroso planejamento, a construção de uma rede escolar primária e média, à altura da nova Capital brasileira. E posso afirmar-vos que em abril estará funcionando ali, simultaneamente a outras iniciativas de ensino, o grande centro de educação média, compreendo quatro ramos e funcionando lado a lado, numa experiência pedagógica nova em nosso meio e com uma capacidade para três mil e quinhentos alunos.”
Concluindo seu discurso, diz o Presidente Juscelino Kubitschek:

“Todo o vasto Plano de Metas em que concentrei minha atuação à frente dos destinos nacionais se resume no porfiado empenho de melhorar as condições de vida deste grande povo.

Não se pode compreender que esteja no âmbito de nossas fronteiras o maior deserto da terra. Nem é concebível que a Nação se divida em regiões de progresso e de subdesenvolvimento, como se todos não tivessem iguais direitos e oportunidades debaixo da mesma bandeira.

Por isso, convocamos o Brasil para o maior esforço coletivo de toda a sua História. E erguemos Brasília. Mas não para deixá-la adormecida no Planalto como uma ruína imponente e sim, como já tive oportunidade de acentuar, para que ali vibre o cérebro das altas decisões nacionais, na mais bela cidade do mundo construída no mais curto prazo da História. E rasgamos as estradas quase inconcebíveis no recesso das matas nunca pisadas pelo homem.
Mas não para que a mata volte a fechar-se nos caminhos èpicamente abertos com o sangue, o suor e as vidas dos nossos patrícios. E construímos Furnas. E realizamos Três Marias. Em suma: sacudimos o gigante, para vê-lo de pé.

Tudo quanto fizemos e ainda estamos realizando tem o sentido pleno da redenção nacional. Em lugar de pensar no homem brasileiro, de forma vaga e indefinida, como simples especulação filosófica, este Governo pensou em sessenta milhões de brasileiros, que em breve serão cem milhões, numa Pátria engrandecida com os seus próprios recursos e que hoje dá ao mundo, com o arrojo de suas iniciativas ciclópicas, a prova de que sabe ser digna da vastidão do seu território, base física da nacionalidade sobre a qual erguemos agora o Brasil de amanhã.”

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Museu da República – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto na pasta da Educação de inclusão no Museu Histórico Nacional de diversos órgãos, entre os quais a Divisão de História da República, com sede no Palácio do Catete, devendo seu funcionamento iniciar-se a partir de 22 de abril de 1960.

Nunciatura Apostólica – No Gabinete do Ministro das Relações Exteriores, no Palácio do Itamarati, Rio de Janeiro, realiza-se a cerimônia da assinatura das escrituras de doação, à Santa Sé, do terreno destinado à construção do edifício da Nunciatura Apostólica em Brasília. Do ato participam o Ministro Horácio Lafer, o Núncio Dom Armando Lombardi e o Presidente da Novacap.
O lote doado é o de no. 1, localizado, como o de todas as representações diplomáticas, em Brasília, na avenida que corre ao longo do grande lago em formação com o represamento das águas do rio Paranoá.
O representante da Santa Sé, Monsenhor Lombardi, palestrando com os presentes, manifesta o maior entusiasmo pela construção de Brasília, considerando essa obra grandiosa, de afirmação do gênio criador, da capacidade técnica e do patriotismo do povo brasileiro, a realização da maravilhosa visão de S. João Bosco, que profetizou uma grande civilização no Planalto Central do Brasil, justamente no lugar onde se formava um lago.
Pouco antes da solenidade os presentes tiveram o ensejo de apreciar a planta do edifício a ser construído. Trata-se de trabalho do Sr. Contardo Bonicelli, professor de Arquitetura e Urbanismo da Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil.
O autor, palestrando com as autoridades e jornalistas presentes, explica que teve em mente, ao projetar o edifício, dar-lhe um aspecto de simplicidade mas com a majestade de um verdadeiro Palácio-Jardim, pois conterá nada menos de nove pátios internos ajardinados, alguns cobertos com pérgolas, contornados por grandes galerias, de sorte a imprimir ao conjunto não só um aspecto artístico moderno, em perfeita consonância com as linhas clássicas, como formar um ambiente propício à meditação. Dominando o edifício, colocou o autor uma grande cruz, a ser revestida de painéis de cerâmica a fogo, com todas as passagens da vida de Jesus. A área coberta terá 3.100 metros quadrados de construção. O custo estimado do edifício da Embaixada da Santa Sé em Brasília vai ser enviado ao Vaticano, a fim de receber a critica das autoridades competentes, podendo receber ou não modificações. Logo que for aprovado o projeto definitivo, terão inicio as obras em Brasília.

I.A.P.C. – O Grupo de Trabalho de Brasília recebe do Instituto dos Comerciários mais 432 apartamentos construídos em Brasília. Na oportunidade, durante a cerimônia realizada no Rio de Janeiro, na sede do DASP, o Presidente do Instituto revela que a obra, a menos dispendiosa já realizada na América Latina, teve seu custo por metro quadrado inferior a nove mil e quinhentos cruzeiros.


Foto: Arquivo Público do DF

Telecomunicações  – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza, despachando exposição de motivos do Ministro da Viação, a aquisição de equipamentos necessários à rede de telecomunicações entre o Rio de Janeiro e Brasília.

Instituto Superior de Estudos Brasileiros – Inaugurando a série de conferências promovida pelo I.S.E.B. sobre “Brasília e o Desenvolvimento Nacional”, o senhor João Guilherme Aragão, Diretor Geral do DASP, profere no Rio de Janeiro uma conferência sobre as atividades do Grupo de Trabalho em Brasília.

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Preparativos para a inauguração – De Brasília, a Agência Nacional recebe o seguinte comunicado, que distribui à imprensa:

“Os canteiros estão sendo cobertos de plantas e flores e o trabalho de asfaltamento de grandes áreas nesta cidade prossegue em ritmo acelerado, visando dar aos brasileiros e estrangeiros que aqui vierem a vinte e um de abril uma visão panorâmica da ‘cidade do século’. Já estão limpas todas as áreas que circundam as super-quadras dos edifícios de apartamentos do Eixo Rodoviário no Plano Piloto. O plantio de grama já ganha novo ímpeto, o mesmo acontecendo com a parte de iluminação pública que deverá estar funcionando em todo o plano até o fim do mês um curso. As ruas estão com seu aspecto de vias de acesso de uma cidade que já vive muito. Os observadores acreditam que a cidade se constituirá na maior surpresa mesmo para os mais céticos e pessimistas na data de sua inauguração, comprovando a capacidade realizadora do povo brasileiro.”

Palácio do Planalto – A imprensa divulga que os visitantes de Brasília já podem ler, em uma das paredes do Palácio do Planalto, situado na Praça dos Três Poderes, a seguinte inscrição histórica:

“1789 – Os Inconfidentes mineiros incluem em suas reivindicações a idéia de interiorização da capital do país, reivindicação igualmente expressa nas Constituições de 1822, 1891, 1934 e 1946. Em 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira é eleito, a 3 de outubro, Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1956, o Presidente Juscelino Kubitschek, em abril, remete ao Congresso Nacional mensagem em que solicita a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, Novacap. A 19 de setembro sanciona a lei aprovada pelo Poder Legislativo e nomeia seu presidente Israel Pinheiro da Silva. Em 1960, convicto da grandeza do empreendimento e lutando decididamente contra todas as dificuldades, o Presidente Juscelino Kubitschek concretiza sua promessa de candidato, entregando ao povo brasileiro a nova capital – Brasília”

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Missão Polonesa – Visitando Brasília, o Chefe da Missão Comercial Polonesa, Senhor Fraciszek Morsewsky, declara-se entusiasmado com tudo o que vê, afirmando que o espírito de trabalho na área da futura Capital é dos mais afanosos e excede tudo quanto se pode esperar.

Inauguração – O Senhor Carlos Alberto Quadros, Direto do Departamento de Relações Públicas da Novacap, informa à imprensa que serão expedidos mil e oitocentos convites especiais a todos os países amigos, para as cerimônias que serão realizadas no próximo dia 21 de abril.
Para a acomodação destes visitantes ilustres, a direção da Novacap já está tomando as devidas providências, estando no esquema a ocupação de todas as dependências do Brasília Pálace Hotel.

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Exposição de Móveis – Inaugura-se, no Rio de Janeiro, no edifício do Ministério da Educação e Cultura, a Exposição de Móveis para Residências em Brasília, iniciativa do Grupo de Trabalho de Brasília.

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I.A.P.B. – Sete blocos residenciais do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários já estão quase concluídos na sua super-quadra. Um deles foi utilizado durante a visita do Presidente Eisenhower, tendo hospedado quase duzentos jornalistas. Além desta parte, o IAPB ainda está construindo, em fase bastante adiantada, no Setor de Habitações Populares, nas quadras 35 e 38, um conjunto de cento e cinqüenta e duas casas, que deverão estar prontas no fim do mês de abril vindouro. O processo de construção destas casas é inédito, pois nos painéis do teto, as vigas de cobertura e as esquadrias são pré-fabricadas.
No caso dos painéis ainda há mais de uma curiosidade: saem pintados da carpintaria. A parte do Setor de Habitação Popular terá residências de conforto, com aluguéis previstos para a média de quatro mil cruzeiros.


Foto: Arquivo Público do DF

Aquisição de glebas – Noticia-se que prosseguem normalmente os trabalhos relativos às aquisições de terras no novo Distrito Federal pelo Governo de Goiás, em colaboração com o Governo Federal. Os trabalhos desta comissão correm em ritmo acelerado tendo em vista propiciar elementos bastantes para sua conclusão o quanto antes. A comissão em questão tem feito reuniões diárias.

Empréstimos  – O Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República envia aos Ministros de Estado a seguinte circular:

“O Excelentíssimo Senhor Presidente da República incumbiu-me de recomendar a Vossa Excelência que, na concessão de empréstimos simples por esse órgão, sejam observadas as seguintes normas:

I – Ficam excetuadas do disposto na Circular no 14, de 1958, desta Secretaria, os empréstimos simples até valor inclusive de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros).

II – A execução da presente circular não importará na reabertura dos órgãos cujas operações hajam sido temporariamente suspensas.

III – Tendo prioridade nas concessões de empréstimos os servidores que forem servir em Brasília, condição essa a ser comprovada mediante atestado expedido pelo Grupo de Trabalho, criado pelo Decreto no. 43.285, de 25 de fevereiro de 1958.”

Arquidiocese de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia a Dom José Newton de Almeida Batista, por motivo de sua designação para Arcebispo de Brasília, a seguinte mensagem telegráfica:

“Foi com a mais viva satisfação e sincero júbilo que recebi a noticia da designação do Excelentíssimo e Reverendíssimo amigo para Arcebispo de Brasília. Estou certo de que na nova Capital Federal sua admirável ação apostólica se fará sentir com o mesmo devotamento e profundidade que a tem caracterizado em minha cidade natal. Admirador que sou de suas altas virtudes apostólicas, que tanto o distinguem como figura das mais brilhantes do episcopado brasileiro, apraz-me, na oportunidade, congratular-me com o excelentíssimo e reverendíssimo amigo e apresentar-lhe atenciosos cumprimentos”

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Ministérios – Antes do fim de março, os prédios dos Ministérios serão entregues ao Grupo de Trabalho do DASP encarregado de organizar a mudança da capital – informa o engenheiro Aloísio Ribeiro de Sousa, chefe da Quarta Divisão de Obras do Departamento de Edificações da Novacap. Já estão prontos, de acordo com as informações recebidas pela reportagem, os seguintes edifícios: Tribunais de Recursos, Eleitoral e Justiça Local; do Tribunal de Contas e DASP; da Agricultura, do Trabalho e da Fazenda.
Todos esses blocos já tem as instalações fundamentais: luz, força, esgoto, água, elevadores e telefone.

Colonos estrangeiros –  Levantamentos feitos em Brasília informam que setecentos imigrantes, enviados ao nosso país pelo Comitê Intergovernamental das Migrações Européias – CIME, – estão trabalhando em diversos setores das obras da nova capital. Três pontos são obedecidos quando qualquer imigrante chega: 1) conseguir trabalho sob orientação do pessoal do CIME; 2) obtenção de meios de adaptação e instalação de sua família; 3) imediato aproveitamento em sua especialidade. A adaptação da maioria está sendo rapidamente feita e seus filhos estão sendo matriculados em escolas ali em funcionamento, tanto no nível elementar quanto no médio.

SAPS – Em convênio com a Novacap, o SAPS cria um restaurante na cidade satélite de Taguatinga, devendo entrar em funcionamento antes de 21 de abril próximo, de acordo com informações do sr. Amauri Nogueira, que superintende os trabalhos desta autarquia em Brasília. Até o momento, o número de refeições diárias que vem sendo servidas é de cinco mil, segundo estatísticas feitas pelos funcionários do SAPS.

Educação elementar – A imprensa divulga que a educação elementar será facultada em Brasília em Centros de Educação Elementar, cada um dos quais constituirá um conjunto integrado por 4 jardins de infância, 4 escolas-classes e uma escola-parque, servindo a 4 quadras, e assim discriminados em suas finalidades: Jardins de Infância, destinados à educação de crianças das idades de 4 a 6 anos; Escolas-classes, para educação intelectual sistemática de menores nas idades de 7 a 12 anos, em curso completo de seis anos ou séries escolares; Escolas-parque, destinadas a completar a tarefa das escolas-classes, mediante o desenvolvimento artístico, físico e social da criança e sua iniciação no trabalho.
Como a futura capital será formada de quadras e cada quadra abrigará população variável de 2.500 a 3.000 habitantes, foi calculada a população escolarizável para o nível elementar – 6% relativos às idades de 4 a 6 anos, ou sejam 180 crianças destinadas a jardins de infância, e 16% correspondentes às idades de 7 a 12 anos, ou sejam 480 crianças, ficando, pois, estabelecido: Para cada quadra: 1 jardim de infância, com 4 salas, para, em 2 turnos, atender a 160 crianças ou com 8 salas, para funcionamento em regime de tempo integral; 1 escola-classe, com 8 salas, para, em 2 turnos, atender a 480 alunos (16 turmas de 30 alunos).
Uma escola-parque suficiente para atender, em 2 turnos, cerca de 1.900 alunos das 4 escolas-classe, em atividades de iniciação no trabalho, para crianças de 10 a 12 anos, em pequenas oficinas de ‘artes industriais’, (tecelagem, tapeçaria, encadernação, cerâmica, cestaria, cartonagem, costura, bordados e trabalhos em couro, lã, madeira, metal, etc) e também, as de 7 a 12 anos em atividades artísticas, sociais, culturais e de recreação (pintura, biblioteca, exposições, grêmios, música, jogos, natação).
Os alunos freqüentarão, diariamente, a escola-parque em regime de revezamento com o horário das escolas-classe, isto é, permanecerão 4 horas nas classes de educação intelectual e 4 horas nas atividades da escola-parque, com intervalo para o almoço.

Pasteurização de leite – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o Ministério da Agricultura a ceder o equipamento adquirido na Dinamarca destinado à montagem de uma usina de pasteurização de leite, com a capacidade de 3.000 litros por hora, para ser instalada em Brasília.

Reunião no Catete – Realiza-se no Palácio do Catete, sob a presidência do Ministro da Justiça, uma reunião de vários Ministros de Estado e altas autoridades, durante a qual são tratados vários aspectos do programa de mudança da Capital e seu escalonamento, bem como problemas relacionados com alojamento, saúde, educação e abastecimento.

Presidência da República – O Diário Oficial publica a portaria do Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, de designação dos membros do Gabinete Civil que servirão em Brasília.

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Mensagem ao Congresso Nacional – Em sua Mensagem anual ao Congresso Nacional, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere à mudança da Capital Federal para Brasília, no passo final da Introdução:

“Pouco mais de um mês nos separa do momento histórico em que a sede do Governo se há de transferir para Brasília – no coração do País – deixando esta bela e nobre cidade do Rio de Janeiro, que lhe deu abrigo pelo espaço de dois séculos. A 21 de abril próximo, a nova Capital estará apta a receber os três Poderes da República e a proporcionar-lhes os requisitos básicos para as suas atividades normais, não só no que se refere à instalação dos serviços públicos, como também no que concerne ao alojamento condigno dos servidores.

Mesmo os retrógrados e pessimistas já não podem opor-se à realidade que surge, esplendente, no Planalto Central do Brasil. Graças à bravura e à decisão do nosso povo, ao espírito criador de nossos artistas e à dedicação de chefes e operários, onde, faz três anos, havia apenas deserto e silêncio, existe, hoje, uma cidade de linhas monumentais, destinada a testemunhar, agora e sempre, a memorável arrancada para o Oeste.

Cumpriu-se, enfim, o preceito constitucional em que a Nação reiteradamente ordenava esse passo decisivo para a ocupação efetiva do nosso interior. Brasília não é apenas uma cidade nova, surgida milagrosamente na solidão do altiplano; não é apenas técnica e arte, pioneirismo e arrojo.
É antes de tudo a revolução, porventura a mais fecunda do nosso tempo: a mudança na rota de um País empenhado em transpor a barreira do subdesenvolvimento e ocupar, entre os povos do Mundo, o lugar que lhe cabe pela sua extensão, pelas suas riquezas, pelo valor dos seus filhos.

Antes mesmo de se tornar o centro de decisões nacionais, a novel metrópole já vai libertando a nossa hinterlândia do cativeiro da pobreza e do abandono. Extensos troncos rodoviários a ela fazem convergir do Norte e do Sul, da orla marítima e do extremo Oeste, multidões que se congregam por um ideal, gente enérgica, desejosa de um Brasil novo e orgulhosa de poder construí-lo.

Brasília não é um artifício, mas criação de rico impulso vital, imperativo da unidade da Pátria, fervoroso e antigo anelo que se converteu em ato – vitória enfim, dessa intrepidez e pertinácia capazes, tanto de fazer surgir do ermo uma cidade que maravilha os povos, como dessa epopéia de rasgar a Transbrasiliana no mundo primitivo da selva amazônica.

Com a expansão harmônica do País e o aproveitamento de poderosas energias latentes, como o transplante, para os remotos rincões do interior, da civilização que floresce à costa do Atlântico, há de vir, querendo Deus, um tempo de abundância e de genuína fraternidade que permita indistintamente a todos os brasileiros a fruição dos bens da cultura e do progresso.”

Conferência – No auditório do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, o senhor Augusto Guimarães Filho, arquiteto e Chefe da Divisão de Urbanismo da Novacap, profere uma conferência sobre Arquitetura e Urbanismo em Brasília.

Ligações rodoviárias – O Presidente Juscelino Kubitschek sanciona a Lei do Congresso Nacional, que toma o no. 3.735, e pela qual se autoriza o Poder Executivo a abrir pelo Ministério da Viação e Obras Públicas o crédito especial de Cr$ 2 bilhões para a conclusão das ligações rodoviárias de Brasília com os Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Maranhão, Mato Grosso e Goiás.

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Fundação de Assistência aos Garimpeiros – O Presidente da Fundação declara à imprensa que está providenciando a instalação de sua sede em Brasília, já tendo criado as delegacias de Diamantina, Minas Gerais e Goiânia, Goiás.
No Planalto Central, a Fundação continuará intensificando a assistência aos garimpeiros, inclusive mediante publicações especializadas.

Banco da Lavoura de Minas Gerais – Um representante dessa entidade trata da instalação, em Brasília, da sua agência metropolitana. O Banco da Lavoura foi o pioneiro do Núcleo Bandeirante e instalar-se-á na quadra 306 do Plano Piloto, providenciando inclusive residência para seus funcionários.

Armazenagem – Prevê-se para os próximos dias o inicio dos trabalhos de construção de um conjunto de armazém e silo em Brasília, com capacidade para guardar de 7.200 toneladas de gêneros. Já se iniciaram as obras de terraplenagem para o Centro de Abastecimento respectivo.

Heckel Tavares – No Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio da Laranjeiras, a visita do compositor brasileiro  Heckel Tavares, autor de uma peça musical denominada “Três Poderes”, composta especialmente para louvar e homenagear a construção de Brasília e também exaltar a perfeita harmonia existente entre os Poderes da República.
Durante a execução da referida peça, o Presidente Juscelino grava, para figurar como parte da mesma, um trecho do seu discurso proferido na futura Capital do país, quando da inauguração do Palácio da Alvorada, ocasião em que pronunciou algumas frases de exaltação cívica que se encontram gravadas à entrada da residência presidencial no planalto goiano.
O compositor Heckel Tavares declara, na ocasião de sua visita ao Presidente da República, que a sua música fora inspirada naquele trecho da fala presidencial.

Conferência – No auditório do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, o senhor Ernesto Silva, Diretor da Novacap, profere uma conferência, no ciclo organizado pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros, sobre aspectos educacionais, médico-hospitalares e assistenciais em Brasília.

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Ensino primário – A imprensa assinala que estão funcionando na área de Brasília as seguintes escolas ou cursos primários particulares: Escola das Irmãs Dominicanas, 150 alunos; Instituto Educacional de Brasília (Batista), 275 alunos; Escola Medodista, 135 alunos; Escola Evangélica de Brasília, 64 alunos; Escola da Igreja Evangélica ‘Simonton’, 70 alunos; Curso Primário do Ginásio de Brasília, 412 alunos; Curso Primário do Ginásio Dom Bosco, 560 alunos e Escola Paroquial Nossa Senhora de Fátima, 330 alunos.

 
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Mudança da Capital – De ordem do Presidente Juscelino Kubitschek, o Chefe da Casa Civil da Presidência da República expede a todos os Ministérios e órgãos diretamente subordinados à Presidência da República a seguinte circular:

“Tendo em vista o acúmulo de serviços da Presidência da República, decorrente dos preparativos de mudança para Brasília, solicito, de ordem do Senhor Presidente da República, providências de Vossa Excelência, a fim de que, a partir desta data, somente sejam remetidos a esta Secretaria os expedientes considerados urgentes e de solução inadiável.”

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Banco do Desenvolvimento do Oeste – O Almirante Lúcio Meira, Presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, declara em Brasília que o estabelecimento que dirige participará, como acionista, do Banco do Desenvolvimento do Oeste, cujo projeto de criação acaba de ser aprovado pelo Presidente Juscelino Kubitschek.

Bacia Paraná-Uruguai – Em Brasília, no anfiteatro do Palácio da Alvorada, o Presidente Juscelino Kubitschek participa dos trabalhos da reunião de encerramento da Conferência dos Estados da bacia dos rios Paraná-Uruguai, proferindo discurso em que assinala a importância de Brasília para os problemas sociais e econômicos daquela região brasileira.

Entrevista presidencial – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek concede aos jornalistas uma entrevista coletiva, em que afirma que, após terminar seu mandato, passará a dedicar-se às atividades agropecuárias no Planalto Central. Outros tópicos:

a)      a rodovia Brasília-Acre será a última ‘grande meta’ do Governo e talvez possa ser inaugurada em 10 de dezembro de 1960;
b)      a mudança do Governo para Brasília é ‘questão certa e será a 21 de abril’;
c)      Brasília estará totalmente paga até o fim de 1960, graças a colocação à venda dos lotes da chamada Zona Norte do Plano Piloto;
d)      a 21 de abril deverão vir a Brasília mais de cem mil brasileiros;
e)      para as festas de 21 de abril, não haverá convite a Chefes de Estados estrangeiros; confirma-se apenas a vinda do Legado Papal, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira;
f)        no momento da Missa Solene, o Papa João XXIII deverá dar sua benção à cidade e ao povo brasileiro.

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Imprensa Nacional – Com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek, realiza-se em Brasília a primeira experiência da rotativa Marinoni do Departamento de Imprensa Nacional, em sua nova sede. O Diário Oficial é impresso com a data de hoje, o nome da cidade e a primeira página somente com o registro do fato. Mais de mil pessoas, entre elas a maioria dos operários que constroem o grande prédio desta repartição federal, jornalistas, deputados e o Vice-governador Porfírio da Paz, estavam presentes a esta inauguração. O prédio da Imprensa Nacional, segundo informações do seu Diretor Geral, sr. Brito Pereira, terá duzentos metros de frente, tendo área total de quarenta mil metros quadrados. Mais duas máquinas de grande porte já se acham na nova capital para serem montadas até 21 de abril próximo vindouro.
“Até lá, explica o Sr. Brito Pereira, teremos todos os meios para editar o Diário Oficial e o Diário do Congresso”.
Foi grande o número de pessoas que conseguiu um exemplar do primeiro Diário Oficial saído da ‘Marinoni’, tendo a maioria solicitado ao Presidente Juscelino Kubitschek que o autografasse.

Inaugurações – Partindo, de helicóptero, do local da sede da Imprensa Nacional, o Presidente Juscelino Kubitschek se dirige aos conjuntos residenciais das diversas autarquias, inaugurando vários prédios dos mesmos. Entre os setores visitados estão os do IPASE, IAPI, IAPETC, IAPB E CAPFESP, onde o Presidente é recebido pelos Presidentes das autarquias. A maioria hoje terminada, que tem dois quartos e sala, com quarto de empregada, está situada em prédios de seis pavimentos, com dois elevadores. Nas proximidades dos mesmos, já estão funcionando confeitarias, farmácias e lojas de artigos variados, em edificações que obedecem aos projetos e especificações da Novacap.


Foto: Arquivo Público do DF

Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek, pelo Decreto no. 47.953, desta data, atribui à Novacap a construção, manutenção e operação dos serviços de comunicações radiotelegráficas entre Brasília e várias cidades.

Conselho de Saúde em Brasília – Pelo Decreto número 47.952, desta data, o Presidente Juscelino Kubitschek institui o Conselho de Saúde em Brasília.

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Programa da Mudança – O Presidente Juscelino Kubitschek envia mensagem ao Congresso Nacional acompanhada de projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a abrir, pelo Ministério da Justiça, o crédito de 150 milhões de cruzeiros para atender a despesas de qualquer natureza, inclusive de material e pessoal, decorrentes da execução do programa organizado pela Comissão de Planejamento e Execução das Solenidades de Instalação do Governo Federal na Nova Capital do País.

Televisão – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto de outorga de concessão à Rádio Rio Limitada para estabelecer, a titulo precário, na cidade de Brasília, sem direito de exclusividade, uma estação de radiotelevisão.

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Calendário da Mudança – No salão de exposições do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, o Diretor Geral do DASP presta à imprensa informações sobre as providências tomadas na reunião do Grupo de Trabalho de Brasília sobre a próxima mudança da Capital.
A mudança obedecerá a um calendário já aprovado e que prevê, não só na parte funcional, bem como na material, a transferência do mínimo considerado essencial ao funcionamento dos 3 Poderes na nova Capital, tendo sido estudado, em todos os seus detalhes, o plano de necessidade dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
No próximo dia 25, partirá o primeiro comboio para Brasília, que transportará cerca de mil volumes com materiais de natureza imprescindível ao funcionamento normal dos serviços que serão instalados na nova capital.
Estão sendo ultimados os trabalhos para inauguração, no próximo dia 21 de abril, de um restaurante com capacidade para 500 pessoas, e que funcionará sob a administração direta do Grupo de Trabalho de Brasília. Disporá de acomodações amplas, instalações higiênicas as mais modernas, além de pessoal habilitado para copa, cosinha e salão. Refeições sadias serão fornecidas a preços populares, sem imediata visão de lucros.
Divulga-se ainda que, na reunião do Grupo de Trabalho, ficaram assentadas as questões relacionadas com a montagem dos Postos de Controle de Trânsito na rodovia Belo Horizonte-Brasília.
Os referidos Postos ficarão situados ao longo da estrada. Localizados nos seguintes pontos: P.C.T. 1 (Posto de Controle de Trânsito) – Paraibuna, Km 160 – limites Estado do Rio-Minas Gerais; P.C.T. 3 – Três Marias – Km 761 – Estado de Minas Gerais; P.C.T. 4 – João Pinheiro – Km 892 – Estado de Minas Gerais; P.C.T.5 – Paracatu – Km 998 – Estado de Minas Gerais e P.C.T. – Cristalina – Km 1.096 – Estado de Goiás.

O Posto inicial de Controle está localizado na Avenida Brasil 380, ficando o Posto terminal instalado no Depósito do Parque de Material, em Brasília, subordinado ao Grupo de Recepção de Mudança.
O Controle de Trânsito tem por finalidade a coordenação e fiscalização do movimento de viaturas utilizadas na mudança de equipamentos das repartições e bagagens dos servidores para Brasília tendo em mira a perfeita execução da mudança.

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Homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek – No Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek é homenageado com um banquete pela Sociedade Americana e a Câmara de Comércio Americana. Saudando o homenageado, o Senhor John Moors Cabot, Embaixador dos Estados Unidos da América, assim se refere a Brasília:

“Com a inauguração de Brasília, o monte de escombros da muralha de silêncio será nivelado pelos ‘bulldozers’ para os alicerces sobre os quais o novo Brasil se constrói. Brasília juntar-se-á a Washington nas manchetes mundiais. E como a fundação de Washington  simbolizou os Estados Unidos, Brasília simbolizará esta nação, que tem papel tão importante a desempenhar nos assuntos mundiais.”

Comunicações burocráticas – O Presidente Juscelino Kubitschek, pelo decreto 47.958, desta data, dispõe sobre as comunicações burocráticas entre o Rio de Janeiro e Brasília.

Gabinete Militar e Civil – O Presidente Juscelino assina decretos mandando servir em Brasília, o General de Exército Nelson de Melo e o diplomata José Sette Câmara, chefes, respectivamente, dos Gabinetes Militar e Civil da Presidência da República.

Imprensa Nacional – O Ministro da Justiça e Negócios Interiores assina ato designando o Sr. Alberto Sá Souza Brito Pereira para ter exercício em Brasília. A propósito dessa designação, disse em despacho, o titular da pasta: “A mudança do Departamento de Imprensa Nacional, já iniciada, é um imperativo da mudança da Capital da República. Ao seu diretor-geral, enquanto não efetivada a transferência total do órgão, continuará cabendo, na forma da legislação em vigor, a administração do Departamento em Brasília e no Rio de Janeiro, valendo-se da distribuição que se fizer conveniente dos elementos administrativos de que dispõe.”

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Inicio da Mudança – Inicia-se a mudança da sede do Governo para Brasília, com a saída do primeiro comboio conduzindo material da Presidência da República, acondicionado em três carretas e dois caminhões de grande tonelagem.
A partida da caravana, da praça fronteira ao Palácio do Catete, efetua-se às 18 horas, cercada de grande interesse popular. Cabe ao Chefe do Gabinete Civil, representar, no ato o Presidente da República.
Depois de esclarecer que o Presidente Juscelino Kubitschek não pudera comparecer, em virtude de estar absorvido na adoção de providências relacionadas com o fragelo das cheias no Ceará, inclusive mantendo contacto permanente com autoridades, naquele Estado, o Ministro Sette Câmara formula votos de boa viagem ao comboio, acrescentando que dentro em pouco todos se encontrariam em Brasília.
Na oportunidade, o Chefe do Gabinete Civil entrega ao motorista do primeiro caminhão todos os documentos relacionados com o transporte do material da Presidência da República e o roteiro de viagem, inclusive os pontos de pousada. O comboio deverá chegar a Brasília na próxima terça-feira, ao anoitecer.
Todo o material embarcado pertence ao Gabinete Civil da Presidência, compreendendo arquivos, documentos e máquinas da Diretoria de Expediente, Assessoria Parlamentar, Biblioteca, 1ª, 2ª, 3ª. e 4ª Subchefias.

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Operação Alvorada – Um contingente de 100 fuzileiros navais e 20 marinheiros voluntários da Esquadra, sob o comando do Capitão-de-Corveta fuzileiro naval Clinton Cavalcanti de Queiroz Barros, parte às 9,45 do Rio de Janeiro, a pé, rumo a Brasília, na marcha que toma o nome de Operação Alvorada. Essa força, constituída na maior parte de soldados e oficiais paraquedistas e integrantes da Companhia de Reconhecimento C.F.N. e da Esquadra, chegará à futura Capital brasileira no dia 20 de abril a fim de tomar parte nas solenidades que ali terão lugar no dia 21.

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Rodovia Brasília-Acre – A propósito da nova rodovia Brasília-Acre, que deverá ser aberta ao tráfego até dezembro de 1960, o engenheiro Regis Bittencourt, diretor geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, declara à imprensa que essa grande realização do Governo do Presidente Juscelino Kubitschek terá uma influência jamais alcançada por qualquer outra das estradas que interligam os diversos rincões do país.

Além de beneficiar mais de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados do território nacional – diz, – a Brasília-Acre possibilitará também a ligação do sistema rodoviário brasileiro à Rodovia Pan-Americana, o que diz bem de sua importância como via de penetração de uma das mais vastas e promissoras regiões do país e como instrumento de aproximação com as demais nações do continente.
O engenheiro Regis Bittencourt faz essas declarações a propósito do relatório que lhe é apresentado pelos engenheiros Carlos Pires de Sá e Philuvio de Cerqueira Rodrigues. Diretores, respectivamente, da Divisão de Construção e da Divisão de Estudos de Projetos daquele Departamento, os quais acompanharam o Coronel Lino Teixeira, Subchefe da Casa Militar da Presidência da República, numa viagem de inspeção às obras de construção da Brasília-Acre.

– O relatório – prossegue o sr. Régis Bittencourt – apresenta fatos alentadores, que nos permitem propiciar o incremento das obras para que cheguem a seu término na data prevista.
Depois de esclarecer que a rodovia terá uma extensão total de 3.335 quilômetros, informa o Diretor Geral do DNER que seu traçado obedece à direção Leste-Oeste, iniciando-se em Brasília, numa altitude de 1.050 metros, para seguir o divisor de águas entre a bacia hidrográfica do Paraná-Paraguai e as do Tocantins e Amazonas.
Atingirá Porto Velho numa altitude de 90 metros e daí descerá acompanhando o rio Madeira até Abunã, de onde avançará até o marco final em Rio Branco, capital do Território do Acre.

Referindo-se ao andamento dos trabalhos, informa o engenheiro Regis Bittencourt que cerca de 5 mil toneladas de matérias diversificados de construção rodoviária já seguiram do Rio de Janeiro para Porto Velho, a bordo do navio ‘Rio Tubarão’. Tendo deixado o Rio no dia 22 de março corrente, aquela embarcação deverá levar trinta dias para vencer o percurso até a capital do Território de Rondônia, percorrendo na viagem, além do longo trecho costeiro, grande parte dos rios Amazonas e Madeira. A chegada a Porto Velho será em época oportuna, quando o nível mais elevado dos rios permita navegação e atracação mais fáceis às embarcações de maior calado.

Até o momento o DNER já entregou ao tráfego o trecho Brasília-Goiânia e mais 60 quilômetros na direção de Jataí. De Jataí até Ponte de Pedra, no rio Verde, passando por Cuiabá, já existe um trecho completo de 1.205 quilômetros, dos quais 430 construídos pelo Exército. O traçado prossegue daí até Porto Velho, numa extensão de 1.090 quilômetros cobertos em sua quase totalidade por matas virgens, que precisam ser desbravadas, como aconteceu com a construção da Brasília-Belém. Uma comparação dá bem uma idéia do vulto da obra: o trecho a desmatar corresponde ao percurso Rio-São Paulo, nos dois sentidos. A partir de Porto Velho e até a capital acreana os trabalhos se desdobrarão por mais 550 quilômetros.

Comenta então o Diretor-Geral do DNER que, devendo ser concluídos até dezembro 1.672 quilômetros da nova rodovia, os engenheiros e operários de seu Departamento terão que entregar uma média diária de estrada superior a 6 quilômetros.
Quanto ao custo das obras informa que as previsões orçamentárias são da ordem de 2 bilhões de cruzeiros.
Os trabalhos de construção são superintendidos por uma comissão especial chefiada pelo engenheiro Valdemar Uchoa de Oliveira.

Na última parte de sua entrevista esclarece o sr. Regis Bittencourt que a Brasília-Acre estenderá sua influência por diversos Estados, na seguinte ordem: Goiás, 200 mil km2; Rondônia, 243 mil km2 e Território do Acre, 153 mil km2, áreas estas destinadas a grande futuro, graças à comunicação direta com a futura Capital.

Concluindo, diz que, com a nova estrada para o Acre e com as demais que a ligarão diretamente a Belém, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e outros pontos do território nacional, Brasília tornar-se-á o verdadeiro centro rodoviário do país, uma Capital no mais alto sentido, pois, em comunicação com toda a Nação, difundirá o sentimento de integração  e conquista pacífica de nosso próprio território.

Arquidiocese de Brasília – A propósito da criação pela Santa Sé da Arquidiocese de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista, novo Arcebispo da futura Capital, concede à Agencia Nacional importante entrevista a respeito de suas futuras atividades pastorais em Brasília.

Curso de Tratoristas – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova a exposição de motivos do Ministério da Agricultura referente à instalação de uma oficina mecânica para prestar serviços aos Cursos Rápidos de Tratoristas, na circunvizinhança de Brasília.

29

Calendário da Mudança – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova a exposição de motivos em que o DASP submete à sua consideração o calendário da mudança do Governo para Brasília e propõe a transferência, até 21 de abril de 1960, dos órgãos pertencentes aos três Poderes da República, prosseguindo, além dessa data, o processo de transferência.

Confederação Nacional do Comércio – No Rio de Janeiro reúne-se, pela última vez, a diretoria da Confederação Nacional do Comércio, cuja sede, por determinação legal, terá de ser, a partir de 21 de abril, em Brasília, novo Distrito Federal. Durante a reunião é marcada a data de 25 de abril para o próximo encontro dos diretores da entidade máxima do Comércio, já na nova Capital do país.
Naquele dia, após a reunião, os diretores, incorporados, farão uma visita de cortesia ao Presidente da República no Palácio dos Despachos.

Hospital Distrital – Anuncia-se que se encontram em via de conclusão as obras do primeiro Hospital Distrital de Brasília. Divulga-se, também, que o Ministério da Saúde
decidiu dar ao novo Hospital o nome oficial de Hospital Márcia Kubitschek.

Escola Agrícola – O presidente Juscelino Kubitschek autoriza a instalação, em Brasília, de um estabelecimento de ensino agrícola, de grau médio.

Crédito especial – O presidente Juscelino Kubitschek sanciona lei do Congresso Nacional abrindo, ao Poder Legislativo, o crédito especial de 800 milhões de cruzeiros, sendo 500 milhões para a Câmara e 300 milhões ao Senado, para atender despesas de qualquer natureza com a sua transferência e remoção do respectivo pessoal para a nova Capital.
Pela mesma lei, fica também aberto ao Poder Legislativo o crédito especial de 150 milhões de cruzeiros para atender, no presente exercício, às despesas com a instalação e custeio do Serviço de Radiodifusão dos Trabalhos do Congresso Nacional.

Medalhas comemorativas – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto considerando de valor histórico as medalhas comemorativas da inauguração de Brasília.
As medalhas serão cunhadas em estabelecimentos de renome internacional e deverão conter, a maior, com 36 milímetros de diâmetro, 15 gramas de ouro de 22/24 quilates e, a menor, com 26 milímetros de diâmetro, 7 e meia gramas de ouro do mesmo teor.

E.F.de Goiás.– Com a intensificação das obras de Brasília, tornou-se a E.F. Goiás o escoadouro natural de toda a produção procedente de São Paulo, pela Mogiana, e de Minas, pela RMV, que se destina à nova Capital.
Registrou-se extraordinário crescimento nos seus transportes, que saltaram de 49 milhões e 243 mil t. km, líquidas remuneradas, em 1958, para um volume de 109 milhões e 135 mil em 1959.
Para alcançar esse volume, a Goiás acelerou a reforma de suas linhas e colocou em tráfego 12 modernas locomotivas Diesel-elétricas recebidas da Rede Ferroviária Federal.

31

I.A.P.I. – No Rio de Janeiro, o Presidente do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários entrega ao Grupo de Trabalho incumbido de realizar a transferência da administração federal para Brasília os primeiros 180 apartamentos ali construídos pela autarquia, para alugar aos parlamentares e altas autoridades.
Os apartamentos entregues ficam localizados em cinco blocos da Super-Quadra 105 e cada residência dispõe de grande ‘living’, 3 quartos, 2 banheiros sociais, ampla cozinha e dependências de serviço.
O Instituto dos Industriários está terminando em Brasília, além disso, a construção de mais 240 apartamentos.


Foto: Arquivo Público do DF

Centro Acadêmico XI de Agosto – Em São Paulo, o Ministro Horácio Lafer lê perante o Centro Acadêmico XI de Agosto o discurso do Presidente Juscelino Kubitschek sobre problemas da atualidade nacional, em que há as seguintes palavras sobre Brasília:

“Acusam-me de haver construído, em pleno deserto do nosso Brasil, uma cidade-modelo, admiração dos homens mais eminentes do mundo – honra e glória da energia, da coragem e da capacidade de trabalho da engenharia e do gênio arquitetônico do nosso povo.
Sei bem que a mudança da capital, neste momento, ou em outro qualquer, representa um sacrifício, mas Brasília é a semente de uma grande árvore nova, o Brasil do futuro, um ato fecundo. Confesso aqui diante da mocidade, que, realmente, no caso da mudança da capital, inspirou-me o amor autêntico ao dia de amanhã. Pensei mais em vós e na vossa descendência, pensei mais na necessidade de praticarmos uma operação redentora do interior brasileiro do que em mim próprio. Contemplei o horizonte distante, antevi o futuro e previ as conseqüências que vão resultar da cidade a ser inaugurada dentro de alguns dias. Para pessoa alguma, para nenhum brasileiro houve sacrifício maior do que o meu para a criação de Brasília. Disputo humildemente a qualquer um o tamanho do sacrifício nesta obra que será fundamental para a nossa posteridade.
Peço-vos que me acompanheis na arrancada da esperança. Somos um país que se movimenta, que age, que está conquistando um grande destino. Orgulhai-vos de nossa pátria, repeli o desespero dos que não se sentem ligados, enraizados, integrados neste país, que não é para eles uma autentica pátria, terra dos pais e dos descendentes mas um simples pouso, um acampamento provisório.
Vossa idade é a idade da compreensão e do amor pelas coisas altas; é a idade em que não podem vingar os sentimentos mesquinhos; o desejo de destruir e de amesquinhar é o contrário do vosso impulso e aspiração que se volta naturalmente para a criação e o bem. Este país necessita vencer os seus obstáculos e os vencerá pelo espírito da juventude, pela alma, pela crença e pela esperança.”

Veículos nacionais – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Rio de Janeiro, no Palácio das Laranjeiras, um plano de venda de automóveis, camionetas e demais veículos necessários ao transporte dos Deputados em Brasília. O Plano prevê prioridades nas entregas sem quaisquer outros privilégios. O Presidente da República, na ocasião, diz que o transporte de parlamentares em Brasília constituía um problema de interesse da sua administração, daí a simpatia com que recebe a apresentação do caso.

Adlai Stevenson – Em entrevista coletiva na Associação Brasileira de Imprensa, o político norte-americano Adlai Stevenson fala sobre Brasília da seguinte forma:

“É a cidade do futuro. Gostei do que vi e penso que ela será a cidade mais falada do mundo durante muito tempo e que, com o crescimento natural do Brasil, ela será o centro de gravidade dos negócios mundiais quando o vosso país tomar o lugar que lhe compete. Vossos arquitetos estão fazendo uma grande obra.”

Fonte: Diário de Brasília, Coleção Brasília – 1960. Serviço de Documentação da Presidência da República

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BRASÍLIA – FEVEREIRO DE 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – FEVEREIRO DE 1960

 

 

 

 

 

01
Discurso presidencial – No despacho coletivo com o Ministério, às 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso:
 “Posso dizer, sem hipérbole, que a decisão relativa a Brasília constituiu para mim um esforço bem mais considerável do que toda a solicitude em acompanhar a parte executiva dessa obra, em verdade imensa e que temos de atribuir, não só à proteção de Deus, que não nos faltou, como à capacidade de trabalho de nossa gente, à dedicação inexcedível dos chefes e dos operários. Naquela ocasião, medi os prós e os contras, avaliei as dificuldades de toda a ordem: as materiais, com todo o cortejo de repercussões econômicas e problemas técnicos; mas, sobretudo, o significado de resolução e a gravidade decisiva do ato. O imperativo constitucional fora repetidamente ignorado e seria fácil permitir que continuasse letra morta. Mas a criação de Brasília, a interiorização do Governo, esse ato dramático e irretratável de ocupação efetiva do nosso vazio territorial, essa demonstração inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, esse triunfo do espírito pioneiro, essa prova de confiança na grandeza deste país, essa ruptura completa com a rotina e o conformismo, eu a sentia em intima e perfeita correspondência com a aspiração máxima do povo brasileiro: a revolução do desenvolvimento nacional. Brasília foi o primeiro ato dessa revolução, fecundo em conseqüências, a meta número um, a meta-síntese de um Brasil renovado.
Brasília significa, não apenas a mudança da sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação. Sei como são fortes as resistências e os antagonismos, porque sei até onde essa mudança tem um aspecto revolucionário, porque estou bastante lúcido quanto à serie de transtornos e de modificações que ela vai ocasionar. Não fugirá a ninguém o aspecto heróico da empresa, nem os sacrifícios requeridos; mas o dia de amanhã explicará melhor do que qualquer discurso – que Brasília obedeceu a uma imperiosa necessidade. Mas dia, menos dia, seria necessário colocar o Brasil no seu centro, conquistar essa parte importante do seu território, integrar o país em si mesmo.
Eu me dou por feliz pelo privilégio de construir Brasília, de realizar essa aspiração, que pareceu inatingível a muitas gerações de brasileiros, em tempo recorde, mostrando ao mundo que somos capazes de fazer o que queremos, e fazer como melhor não o fariam outros povos, que marcham na vanguarda da técnica e da civilização.”

Caravana de Integração Nacional – Em Goiânia, todas as colunas da Caravana se concentram, entre homenagens populares, para a última parte da jornada, a efetuar-se de 1º a 2 de fevereiro, até Brasília.
Chegando a Brasília, os integrantes da Caravana concentrar-se-ão no parque Dom Bosco.

Remoção de pessoal – O Presidente Juscelino Kubitschek, em despacho proferido em exposição de motivos do D.A.S.P., aprova minuta do convênio a ser estabelecido com o Grupo de Trabalho, bem como o respectivo Plano de Aplicação, da importância de 580 milhões de cruzeiros, destinada a despesas de quaisquer natureza, com a remoção do pessoal para Brasília, inclusive aluguel e arrendamento de imóveis.

Rodovia Belém do Pará-Brasília – Tendo visitado a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional no “Estreito” do Tocantins, o senhor Mattos Carvalho, Governador do Maranhão, viaja por via aérea até Goiânia, a fim de ali esperar a Caravana, com a qual chegará a Brasília.
Falando à imprensa da cidade, o governador Mattos Carvalho externa seu grande entusiasmo pelo que lhe foi dado observar da rodovia Bernardo Sayão, ressaltando a significação da estrada para o desenvolvimento do país: 
“A estrada Belém-Brasília – diz – é um símbolo de progresso e dignifica um governo porque representa o enriquecimento de uma nação.” 
Continua declarando que Brasília dá aos brasileiros a certeza de que está surgindo uma pátria nova, merecendo, por isso, todos os sacrifícios e não sendo admissível a protelação da mudança da sede do Governo para a nascente cidade. 
Concluindo, afirma o Governador que seu Estado, o Maranhão, já sente os efeitos benéficos de Brasília e da rodovia, visto ser maranhense o mais próximo porto marítimo e estarem todas as cidades do sul maranhense, especialmente a região de Imperatriz, ligadas à futura capital federal pela rodovia de integração nacional. 
Fazenda Nacional – O senhor Raymundo Brígido Borba, Diretor-geral da Fazenda Nacional, constitui seu Gabinete definitivo, que deverá embarcar para Brasília antes da transferência da Capital. 
Ranieri Mazzilli – O Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama: 
“Peço ao eminente Presidente e amigo receber minhas congratulações efusivas pela partida da Coluna motorizada que participa da Caravana de Integração Nacional, simbolizando o sonho que seu dinâmico idealismo transformou em realidade brasileira”. 
Declaração presidencial – Na inauguração do Mercado Livre do Produtor no 2, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, falando de improviso, assim se refere ao encontro, em Brasília, no dia 2 de fevereiro, da Caravana de Integração Nacional: 
“Dentro de poucos minutos, vou transpor os céus deste País e, em algumas horas, descer no Planalto Central, onde, amanhã, assistiremos a uma solenidade singela, porém tocante e de profunda significação nacional: o encontro das Caravanas de Integração Nacional. Sabem o que significa esse movimento? Saíram de Belém, no Estado do Pará, às margens do Rio Amazonas, 65 automóveis, conduzindo 250 pessoas, para uma viagem até Brasília. Outros tantos automóveis saíram de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao encontro dessa caravana em Brasília. São quase 5 mil quilômetros de território brasileiro que estão sendo atravessados, de Norte a Sul, pela primeira vez na história do Brasil. E com uma particularidade: todas as caravanas transportadas por automóveis brasileiros, utilizando petróleo brasileiro e rodando em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro.
É o Brasil que se levanta nos seus próprios pés para dominar as dificuldades e começar uma nova marcha, que nos dará a emancipação e a liberdade econômica. Daqui partiu outra caravana, que chegará amanhã a Brasília; de Cuiabá, no longínquo Mato Grosso, saiu outra caravana, que amanhã também como a daqui se encontrará em Brasília, formando uma verdadeira cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direç cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direções.
Os senhores devem ter ouvido falar no que foi o drama para romper esta estrada através da floresta virgem e impenetrável da região amazônica. Nós a atravessamos com o maior esforço, devassamos os mistérios mais impenetráveis do território brasileiro, e hoje esta Nação já pode ser circulada de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Os descrentes, os negativistas não acreditavam fossem possíveis empreendimentos de tal envergadura. Havia no País uma mentalidade ainda negativa, uma mentalidade que apelava sempre para a beira do abismo. Nós a estamos vencendo, nós a estamos dominando, e no fim deste Governo a Nação terá os instrumentos básicos indispensáveis para caminhar sozinha, independente e livre, na rota do seu destino.
Eu sabia que dificuldades inúmeras teria que enfrentar nesta jornada. Sabia que teria que exigir sacrifícios do povo brasileiro, mas pergunto: qual a maneira de uma nação progredir? Viver à custa de auxílios estrangeiros, colonizar-se, humilhar-se diante dos mais poderosos, para realizar o seu desenvolvimento, ou lutar com as próprias forças e vencendo as dificuldades, orgulhosamente proclamar que tem bravura e energia para forjar o seu próprio destino?
Estamos, nesta hora, assistindo a uma nova marcha do Brasil. Estamos subindo o Planalto Central, para conquistar dois terços desta Nação, ainda completamente desertos.”

02
Caravana de Integração Nacional – Em Brasília, celebra-se a cerimônia da chegada das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Já considerável massa popular se acumulava na Praça dos Três Poderes, na manhã de hoje, presentes numerosas autoridades, quando o Presidente Juscelino Kubitschek ali chegou, em helicóptero da FAB, para a recepção às Caravanas de Integração Nacional. Estas deram então entrada na praça, à frente a Coluna Sul, seguida pelas Colunas Leste, Norte e Oeste.
O Chefe do Governo, em pessoa, apresenta as boas-vindas aos integrantes das colunas, cumprimentando-os e trocando rápidas palavras com vários deles. Nessa ocasião, o entusiasmo popular chega ao auge, observando-se que a Coluna Norte merecia especial atenção de parte da multidão.
Depois de percorrer todo o trajeto em que estacionavam os números veículos, o Presidente Kubitschek deixa o local, ainda no helicóptero da FAB, acenando para o povo com a Bandeira Brasileira que, trazida de Belém, lhe fora ofertada pela Coluna Norte.
De grande solenidade se reveste a Missa de Ação de Graças que, como parte do programa de recepção, é celebrada pelo padre Teixeira, pároco de Brasília, no local em que se erguerá a Catedral de Brasília. Assistem ao ato o Presidente da República, D. Sarah Kubitschek, governadores de Estado, o Prefeito do Distrito Federal, parlamentares, demais autoridades em visita à cidade, todos os membros da Caravana de Integração Nacional e a quase totalidade da população de Brasília. Aviões da FAB, em vôos rasantes, deixam cair uma chuva de papel picado, antes da cerimônia religiosa.
Momentos antes da Missa, o Arcebispo de Goiânia pediu à comissão que até ali trouxera a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, que a colocasse no altar, ao lado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília.
O sermão pronunciado por D. Fernando Gomes é todo ele alusivo à marcha realizada pela Caravana de Integração Nacional e à sua significação para o futuro do país. Encerrando-a, diz o Arcebispo de Goiânia:
“A marcha começou, para o triunfo do futuro do Brasil”.
Às 14h, realiza-se o churrasco, que reúne todas as autoridades que se encontram em Brasília, bem como operários que estão edificando a futura Capital federal. O primeiro orador é o senhor Celso Lisboa, presidente da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que fala em nome desta e do povo de sua cidade. Segue-se com a palavra o Governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, falando em nome dos demais governadores presentes: o senhor José Adjunto Filho, prefeito de Unaí; um homem do povo, de nacionalidade norte-americana, há muito radicado em Goiás; o deputado por Goiás, Rezende Monteiro, em nome do vice-presidente da República, João Goulart.
O sexto orador da reunião é o senhor Lúcio Meira, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. O Brasil – diz – estava vivendo uma hora auspiciosa, uma hora histórica. Com sua inflexível determinação, o Presidente Juscelino Kubitschek faz de Brasília o marco da conquista do Oeste e da Amazônia, para que o país deixe de ser o antigo arquipélago econômico e social. 
Graças ao espírito audaz do Chefe do Governo, o Brasil afinal se encontra consigo mesmo, vê trafegar por belas estradas, pavimentadas com asfalto brasileiro, veículos brasileiros, queimando gasolina brasileira.
“Neste instante – acentua – a indústria automobilística nacional pode dizer: presente”.
E mais adiante:
“Aí estão os veículos brasileiros, prontos para o cumprimento de sua missão”.
Encerra sua oração transmitindo ao Presidente Kubitschek “a palavra de fé nos destinos da pátria, neste momento em que as caravanas chegam e o Brasil parte no rumo do futuro”.
Usa da palavra também, o Bispo D. José Pedro, traduzindo o júbilo de todo o povo brasileiro ante a concretização das metas governamentais.
“Precisamos acreditar num Brasil que se unisse em torno de empreendimentos como este – Brasília -, sonho que se tornou realidade. Aqui estou, para bendizer a pessoa de Vossa Excelência”.
E, a certa altura de sua oração:
“As injustiças, as calúnias e as incompreensões foram a moldura de todos os grandes homens que, no passado, trabalharam pela grandeza dos povos. Deus está com o Brasil, através de Vossa Excelência”.
Várias outras personalidades fazem uso da palavra, entre as quais o coronel Paulo René de Andrade, representando a cidade natal do Presidente da República, Diamantina; e o senhor Marcílio Viana.
O orador seguinte é o Governador do Amazonas, senhor Gilberto Mestrinho. Em tom entusiástico, ressalta as realizações do atual Governo, mencionando dentre elas Furnas e Três Marias. Os derrotistas e caluniadores – diz – fazem acusações ao Governo, mas este tem respondido a todas as calúnias com empreendimentos concretos: indústria automobilística, estradas que cortam o país de Norte a Sul, petróleo, conquistas de toda a sorte. Encerra suas palavras apresentando ao Presidente, pelo muito que tem sido realizado, os agradecimentos da Amazônia e do Estado do Amazonas.
Um operário, procedente da Paraíba, embora não estivesse inscrito entre os oradores, toma a palavra e, com expressões do mais alto entusiasmo, em nome de seus companheiros, saúda o Presidente Kubitschek.
Apesar da chuva que caia sobre Brasília, o povo não faltou com o seu aplauso ao desfile das colunas da Caravana de Integração Nacional, pelas principais ruas da cidade.
O presidente Juscelino Kubitschek num gesto que calou fundo no espírito de quantos integravam a grande parada cívica, compareceu em um minúsculo veículo “Romi-Isetta”, para mais uma vez cumprimentar os caravaneiros.
Encerrando a solenidade, fala o Presidente Juscelino Kubitschek.
Após seu discurso, o Presidente Juscelino Kubitschek diz algumas palavras, agradecendo as manifestações de todos os oradores e a colaboração que vem recebendo para a consecução das metas, por mais difíceis e exaustivas.
Em seguida, assina dois atos de significação nacional: um decreto conferindo condições de funcionamento, como porto livre, a Manaus, e outro conferindo o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
O último a falar, antes do discurso de encerramento do Presidente Juscelino Kubitschek, é o senhor Antonio Carlos Cantão, em nome do Centro Acadêmico 11 de Agosto, de São Paulo; faz ele entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek da seguinte mensagem em pergaminho, de autoria do poeta Guilherme de Almeida:
“Sobre o imenso mapa do Brasil desenha-se, neste instante, uma imensa cruz. Partindo, simultânea, dos quatro pontos-cardeais, quatro pontas de aço riscam a terra, atravessam lavras, selvas, praias, montes, vales, desertos e cidades, mirando um ponto de convergência. Aqui chegados, juntos, os quatro traços formam a desmedida cruz. É esta…como a do Cruzeiro do Sul, a das velas do Descobrimento e a do lenho da Primeira Missa, que, no céu, no mar e na terra, vem presidindo os destinos do Brasil, também esta será a benção. E porque é traçada pelas quatro colunas motomecanizadas da Caravana de Integração Nacional, será de Redenção.
Provindas – Norte, Sul, Leste e Oeste – avançaram, firmes, as quatro pontas de aço. É o Brasil que tem encontro marcado consigo mesmo em Brasília pelo Sinal da Santa Cruz”.
A imprensa noticia que o sucesso da marcha empreendida de Belém a Brasília foi de tal ordem que se animaram os seus comandantes a prosseguir viagem até o Rio, dando-a por encerrada na praça fronteira ao Palácio do Catete.

Bacia Amazônica – Durante sua estada em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe os governadores dos Estados e Territórios Federais da Bacia Amazônica. Nessa audiência, reúnem-se com o Presidente da República os governadores José de Mattos Carvalho, do Maranhão; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do Amazonas, e que representa o Governador do Pará; José Ponce de Arruda, de Mato Grosso; Paulo Nunes Leal, de Rondônia; Helio Araújo, do Rio Branco; e Manoel Fontenelle de Castro, do Acre.
Os governadores da Amazônia externam ao Presidente da República o seu desejo de ver executado um vasto plano administrativo e econômico para promover o rápido desenvolvimento de toda a região com o aproveitamento de seus incalculáveis recursos, elevando, ao mesmo tempo, o nível de vida de seus habitantes.
Na ocasião, os governadores apresentam a seguinte moção ao Presidente da República:
“Os governadores dos Estados e Territórios que compõem a Região Amazônica, no momento que reúne, na futura Capital da República, os participantes da Caravana de Integração Nacional, expressam a sua mais viva solidariedade ao dinamismo da administração do senhor Waldir Bouhid, o qual, à frente da Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia, corresponde à confiança que lhe depositou o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek ao lhe colocar sobre os ombros a pesada tarefa de encaminhar o enriquecimento de tão importante faixa do território pátrio.
Ao assumir essa posição, propugna a Amazônia por um esquema administrativo que assegure a continuidade da obra iniciada pelo senhor Waldir Bouhid no sentido de impedir qualquer colapso no ritmo que se imprimiu ao desenvolvimento da região, cujo abandono vinha ganhando características de verdadeira calamidade nacional.”
Recebe essa moção as assinaturas de todos os governadores acima.
O Presidente Juscelino Kubitschek assegura aos Governadores que teria todo o empenho em ver executado o plano sugerido pelos Governadores da Amazônia, solicitando-lhes que apresentassem um conjunto de medidas concretas e as estudassem com o senhor Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização da Amazônia. Os Governadores externaram sua satisfação pela receptividade dispensada pelo Presidente da República às suas mais importantes reivindicações. Fica assentado que os Governadores irão brevemente ao Rio para levar ao exame do Presidente Juscelino Kubitschek as medidas mais importantes e mais urgentes para acelerar o progresso daquela vasta região brasileira.

03
Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa.
A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede.
Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília.
Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro.
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano.
Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek.
Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento.
Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas.
Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida.
Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital.
Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão.
A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

04
Deputado Emival Caiado – O deputado Emival Caiado, presidente do Bloco Parlamentar Mudancista, concede entrevista à Agencia Nacional, afirmando:
 – A construção da nova Capital e a transferência dos Poderes da República são fatos consumados e não cabe, a esta altura, discutir se a mudança se fará, mas tratar-se de efetivá-la, uma vez que já existem condições para isso. Meu projeto de fixação da data decorreu, não de deliberação precipitada, mas de exame acurado e planificação minuciosa.
O que a Novacap, visando a alcançar as condições mínimas imprescindíveis para a mudança, estará realizado, sem dúvida alguma, a 21 de abril.
 Esclarece o deputado Emival Caiado, ainda, que promoveu uma reunião do Bloco Parlamentar Mudancista para o estudo de questões ligadas à transferência, tendo o grupo, depois de amplos debates, deliberado oferecer total apoio às medidas assentadas pela mesa da Câmara para a mudança desta, procurando mesmo estimulá-la na intensificação dos trabalhos até 21 de abril.
 – Com essa finalidade – acrescenta – a presidência do Bloco Parlamentar Mudancista pensa em acompanhar de perto as atividades dos diferentes setores encarregados da mudança, tendo sempre presente a necessidade de se dar a tal orientação um tratamento político de alto teor, condizente com o espírito patriótico da empresa.
Finaliza sua entrevista o deputado Emival Caiado declarando que, “para dissipar qualquer dúvida na opinião pública”, o Bloco Parlamentar Mudancista resolveu proclamar ao País que serão inúteis todas as impatrióticas tentativas de adiamento de transferência da Capital Federal para o Planalto Central.
Caravana de Integração Nacional – Em entrevista de imprensa, o Major Edson Perpétuo, coordenador da Caravana, manifesta sua satisfação pela precisão cronométrica com que foram executados os planos, lembrando que a Coluna Leste se atrasou em sua chegada à Brasília apensa sete minutos: prevista para às 12 h do dia 1º de fevereiro, sua entrada na nova Capital ocorreu às 12 h e 7 m.
Revela também que, por toda a parte recebeu a Coluna Leste homenagens, não só de autoridades como de pessoas do povo. Em Cristalândia, pequena cidade do interior de Goiás, por exemplo, a população, tendo à frente o prefeito, abriu as portas de suas residências aos integrantes da Caravana. Ali, lhe foi feita uma intimação, pelo prefeito: este desejava receber, oficialmente um relatório de toda a jornada, para ser incluído na história da localidade.
Revela finalmente o Major Edson Perpétuo que vai reunir esforços, novamente, desta feita para organizar a Caravana de Integração do Nordeste. Esta, constituída por uma coluna-monstro, deverá partir de Fortaleza e atingir Brasília.
Interessante depoimento é feito, também, pelo Coronel Aviador Lino Teixeira, que comandou a Coluna Norte, à qual coube realizar o percurso Belém-Brasília, através da Rodovia Bernardo Sayão. A viagem dessa coluna durou sete dias, incluindo a estada em Goiânia, onde foram prestadas grandes homenagens à caravana. O deslocamento se fez igualmente com absoluto êxito.
– Para que se avalie a excelente condição da Rodovia Bernardo Sayão – declara aquele militar – basta dizer-se que, durante toda a viagem, não ocorreu um só acidente com veículo. Nem mesmo um pneumático furado, o que é digno de nota. Um eloqüente atestado de ação governamental nestes quatro anos e um magnífico teste para a nossa indústria automobilística.
Encerrando seu depoimento, diz o Coronel Lino Teixeira que no domingo, dia 24 de janeiro, a meio percurso da Coluna Norte, foi celebrada Missa, pelo Bispo de Bragança, no local em que perdeu a vida o engenheiro Bernardo Sayão, um dos pioneiros da abertura da rodovia Belém-Brasília.
Abastecimento – Anuncia-se que, a fim de fazer face ao aumento de população que se verificará em Brasília com a transferência da Capital, estão sendo intensificados os trabalhos agrícolas que vem sendo levados a efeito pelo Ministério da Agricultura e pela Novacap, através de convênios, na área do futuro Distrito Federal, superior a 5 mil quilômetros quadrados.
Em sua recente visita a Brasília, o Ministro Mário Meneguetti examinou vários problemas e assentou providências para a sua solução, trocando idéias com o Sr. Israel Pinheiro e com os representantes do seu Ministério.
Desde logo, ficou decidida a imediata ampliação dos convênios, de forma a se emprestar maior vulto à produção vegetal e animal. Deverá ser construído pelo Ministério da Agricultura um conjunto de armazéns e silos no grande Centro de Abastecimento, onde vem a Novacap de autorizar a construção de um moinho de trigo, com a capacidade diária de 100 toneladas.
Dos entendimentos havidos, ficou assentada ainda a vinda de outros técnicos do Ministério da Agricultura para pesquisas agronômicas, e se acordou a entrega ao Ministério de uma área rural de 12 mil hectares para instalação de serviços técnicos.
Será em breve inaugurado o primeiro supermercado construído pela Novacap, enquanto se iniciam as obras do segundo e as de uma usina de pasteurização.
Fazenda-Escola – Uma Fazenda-Escola, cuja base é constituída pelo antigo Posto de Criação e Monta, que há mais de cinco anos é mantido pela Inspetoria de Fomento Animal de Goiânia, está em organização por técnicos do Ministério da Agricultura, para desenvolvimento da pecuária nesta região. A Fazenda-Escola ocupa uma área de 430 ha
a ser ampliada para 1.660 hectares e dista 26 quilômetros do perímetro urbano de Brasília, cabendo-lhe estimular as atividades até então a cargo do Posto, cuja eficiência deixava a desejar diante da falta de recursos, de pessoal e equipamento com que lutava.
Com a construção de Brasília, foi reconhecida a necessidade de desenvolver aqueles trabalhos pioneiros e, para esse fim, estabeleceu-se o Projeto 44 firmado pelo Ministério da Agricultura, Novacap e o ETA, cujo programa teve inicio em agosto de 1958. Mais de 23 milhões de cruzeiros e 12.500 dólares foram aplicados nos trabalhos de campo, de construções e de assistência aos criadores locais. A Fazenda-Escola possui 315 hectares preparados (destocados), dos quais 290 plantados. Conta com nove veículos, 5 tratores, e 13 reprodutores machos de raças européias e deverá receber brevemente 50 vacas para revenda. Dez prédios modestos foram construídos, inclusive um laboratório veterinário para inseminação artificial, inaugurado há dias. Um apiário, com 15 núcleos iniciais, está sendo formado. Também funcionará ali um Posto de Demonstração Avícola, mediante contrato com o Projeto ETA-42.
A Fazenda está preparada para atender a todos os pedidos de mudas e sementes de forrageiras para a formação de pastagens. O seu campo experimental possui mais de 100 variedades de forrageiras, oriundas das mais diferentes regiões do País. No ano passado forneceu aos interessados 120 mil mudas de capim Guatemala, 40 mil de aipim e 20 mil estacas de cana forrageiras, além de algumas dezenas de sacos de semente de capim gordura e de outras forrageiras, inclusive leguminosas, para multiplicação em granjas da Novacap e particulares. A sua patrulha mecanizada começou a funcionar em dezembro de já preparou mais de 100 hectares para formação de pastagens em propriedades de criadores locais. Pretende utilizar em larga escala a inseminação artificial e 30 filhos de reprodutores da Fazenda vem sendo criados em diversas propriedades para melhoramento dos rebanhos.
Coluna Norte da Caravana de Integração – A Coluna, no rumo do Rio de Janeiro, chega à capital mineira.

 

05
O.E.A – Acha-se em estudos, na Organização dos Estados Americanos, em Washington, o projeto para a construção, em Brasília, da sede de seus serviços no Brasil, sede ora situada no Rio de Janeiro.
Presidência da República – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o levantamento do pessoal dos Gabinetes Militar e Civil para funcionamento na nova Capital, tendo em vista a próxima mudança da Secretaria da Presidência da República para Brasília.
Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação em caráter urgente, pelo Departamento de Correios e Telégrafos, de um terreno em Paulo de Frontin, Estado do Rio, com a área de 2.400 m2 para a instalação de uma das subestações do sistema de micro-onda entre o Rio de Janeiro e Brasília.
Governador Carvalho Pinto – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Governador de São Paulo o seguinte telegrama:
“Lamentando a absoluta impossibilidade de comparecer, venho agradecer ao eminente Chefe da Nação o honroso convite com que me distinguiu para participar em Brasília da concentração promovida pela indústria automobilística nacional, ao ensejo do 4º aniversário do seu Governo. Já tive oportunidade, na passagem por São Paulo, da Caravana Sul, de dar-lhe o testemunho de meu apreço e caloroso apoio.
Venho agora congratular-me com Vossa Excelência e com a indústria automobilística pelo notável feito, exemplo da alta capacidade técnica dos veículos de fabricação nacional assim a serviço da causa da integração do vasto “hinterland” brasileiro, que notadamente caracteriza os patrióticos esforços do governo de Vossa Excelência, na luta contra o subdesenvolvimento”.

Ministério da Agricultura – O Ministro Mário Meneguetti reúne, em seu Gabinete, os diretores de Serviço e principais auxiliares para expor o seu plano de instalação, em Brasília, no menor tempo possível, do Ministério da Agricultura.
Inicialmente, o titular da pasta da produção mandara executar, pela Diretoria de Obras, o projeto da construção de armazéns e silos com capacidade para 12.000 toneladas, com um centro regulador dos produtos dos municípios satélites de Brasília.
 Outra medida tomada é o fornecimento de pescado, que será distribuído de maneira que não falte esse alimento à população da nova Capital.
O Ministro da Agricultura terá, em Brasília, duas sedes: uma burocrática, outra rural, ou seja, “Ministério fora do asfalto, na zona rural”. Para esta sede já existe uma área estabelecida de 11.700 hectares de terra.
 Núcleo Colonial do INIC – Localizado na região de Guariroba, dentro do Território Federal de Brasília, o Núcleo Colonial organizado pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização está em condições de tornar-se em futuro próximo um grande centro de abastecimento de gêneros de toda espécie à futura capital do país. Suas terras se estendem por 20 mil hectares, numa altitude média de 1.100 metros e, graças ao seu clima temperado-seco e ameno, e às condições naturais de irrigação, com mananciais permanentes, entre os quais sobressai o Rio das Pedras, poderão receber as mais variadas culturas e propiciar a formação de pastagens para a criação de gado.
Nada diz melhor da riqueza do solo do Núcleo Colonial de Brasília do que sua produção atual, variada e relativamente volumosa, abrangendo cereais, produtos horti-granjeiros, leite e frutas. Os principais produtos fornecidos pelo Núcleo à nova Capital são: café, fumo, cana de açúcar, arroz, milho, feijão, mandioca, batata, frutas diversas, leite e carne.
Esta produção tende a intensificar-se, pois o INIC já tem projetada a distribuição de novos lotes a colonos que desejarem lá se fixar. O projeto de distribuição compreende 20 mil hectares, assim divididos: 550 lotes rurais de 30 hectares, cada um e 500 lotes urbanos de 1.000m2. O INIC reservará uma área de 350 hectares para parques, jardins, campos de demonstração, etc e, para escoamento da produção, construirá estradas num total de 125 quilômetros.
Outros informes sobre o núcleo: temperatura média 19º; topografia ondulada. É servido por rodovias e aviões, estando distante do Rio de Janeiro 1.828 quilômetros via São Paulo e 1.868 quilômetros via Belo Horizonte. Por via aérea, o percurso é coberto em 3h e 20 m em aviões tipo “DC-3” e em 2h e 50m em “Convair”.
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional que partiu de Belém do Pará para juntar-se às Colunas Sul, Leste e Oeste e que no dia 2 do corrente participaram das festividades comemorativas do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek, chega ao Rio precisamente às 16h e 30m, depois de realizar excelente viagem e sem que fosse registrado qualquer acidente.
A Coluna, conduzindo quase 200 pessoas, percorreu 3.400 quilômetros, sendo que 2.200 no trecho Belém-Brasília, rompendo a selva amazônica através da rodovia Bernardo Sayão. O restante do percurso, ou seja, de Brasília ao Rio de Janeiro, foi realizado através de estradas quase completamente pavimentadas e construídas em obediência aos princípios da mais moderna técnica rodoviária.
Precedida de um esquadrão dos Dragões da Independência e de batedores da Inspetoria de Trânsito, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional chega ao Palácio do Catete às 16 h e 35 m.
Da sacada do Palácio, o Presidente Juscelino Kubitschek, na ocasião, também acompanhado de suas duas filhas, aplaude e recepciona entusiàsticamente os integrantes da Coluna, que totaliza 65 veículos.
Após a parada da Coluna, com os veículos estacionados em fila dupla, usa da palavra o Coronel-Aviador Lino Teixeira, que rapidamente focaliza os principais aspectos da jornada. No decorrer de sua oração, o Senhor Waldir Bouhid enaltece a obra do Presidente Juscelino Kubitschek, exaltando o seu grande trabalho no sentido da completa união nacional, através da construção de estradas ligando todos os pontos do país, e finaliza seu discurso exaltando a memória de Bernardo Sayão, o pioneiro da grande obra, e de Ruy Almeida, ambos falecidos na luta pelo engrandecimento do Brasil.
A esse orador, segue-se com a palavra Dom Elizeu Carolli, Bispo de Bragança, Estado do Pará, que também participou ativamente da Coluna, realizando o trabalho de um verdadeiro guia espiritual. As palavras do Bispo de Bragança são constantemente interrompidas. Falando em nome do Presidente da República, e exaltando o grande feito, discursa Dom José Pedro, Bispo de Caetité, Bahia, que em Brasília, durante o grande churrasco, também saudara os componentes das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Durante o discurso, Dom José Pedro da Costa refere-se, com palavras repassadas de entusiasmo, à obra que o Presidente Juscelino Kubitschek está realizando, principalmente no que diz respeito à luta contra o subdesenvolvimento.
Grande manifestação de aplauso e simpatia recebe a Coluna durante sua passagem pela Avenida Rio Branco, quando o povo, postado à beira das calçadas, tributa ao caravaneiros as maiores manifestações de carinho, enquanto que das janelas e sacadas dos edifícios são atiradas sobre a Coluna verdadeiras chuvas de confetes, papéis picotados, flores e serpentinas. O mesmo entusiasmo popular é notado em frente ao Palácio do Governo e na Rua Silveira Martins.
Exposição presidencial – Através de uma cadeia de radioemisssoras e canais de televisão, o Presidente Juscelino Kubitschek, durante mais de duas horas e meia, realiza uma exposição sobre seu Governo, referindo-se também a Brasília, que chama de meta-síntese de sua administração.
Afirma que, se não fosse o fato em si da mudança da capital, algo de extraordinário deveria haver nesta obra para provocar as atenções gerais. Declara que Brasília contém um profundo sentido de cristalização filosófica do desenvolvimento; ela quer dizer que estamos saindo do litoral depois de 400 anos de lutas. Ela afirma que o gigante está voltado agora para o interior. Descrevendo aspectos urbanísticos da nova Capital, alude às opiniões de numerosas autoridades estrangeiras que nos visitaram, inclusive à do Ministro da Cultura de França, André Malraux, que classificou Brasília como a capital da esperança, dizendo:
 “Se renascer a velha paixão das inscrições nos monumentos, gravar-se-á sobre os que aqui vão nascer: Audácia. Energia, Confiança. Não se trata de vossa divisa oficial, mas talvez da que vos dará a posteridade”.
 Declara o Presidente ser profundamente doloroso que o Brasil em 1960 tenha dois terço de sua superfície como um deserto, mas que Brasília, o marco número um do desenvolvimento do Brasil, vai fazer a integração nacional como já o comprovaram as caravanas que acabam de realizar a ligação Norte-Sul, Leste-Oeste do país. Explica ainda que, dentro em breve, em lugar de vinte teremos vinte e uma estrelas, com o Estado da Guanabara em nossa bandeira.
O Presidente, em seguida, diz de sua satisfação de poder cumprir com a construção de Brasília um dos sonhos dos Inconfidentes mineiros até agora não realizado: o da interiorização da capital do Brasil.

06
Convênio Florestal – Um acordo de florestamento entre o Ministério da Agricultura e a Novacap está funcionando desde o segundo semestre de 1957, em um programa de trabalho amplo, destinado a promover estudos e efetivar serviços de florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas com as silvicultura, na área do futuro Distrito Federal. Recursos são fornecidos por ambas as partes contratantes do convênio, sendo que a sede dos trabalhos é a antiga Fazenda do Bananal.
Foram distribuídas até agora para Brasília e cidade satélite de Taguatinga e Planaltina cerca de 10.000 mudas de essências florestais, entre elas casuarinas, flamboyant, pinus eliottii, pinus excelsa, cássias, araucárias, guapuruvu, tamboril, etc. O convênio dispõe atualmente de 600.000 mudas, sendo grande parte já embaladas.
No tocante à ornamentação, foi desenvolvida tarefa considerável, havendo, presentemente, cinco milhões de mudas de plantas ornamentais, como orquidáceas, bromeliáceas, gesneceáceas philodendrons, etc. Neste setor, além da ornamentação da cidade, tem cooperado na formação de jardins particulares.
Já foram distribuídas mais de 200.000 mudas ornamentais, estando semeadas mais de um milhão de sementes de essências florestais e ornamentais.

Rodovia Bernardo Sayão – Pelo Decreto no. 47.763, o Presidente Juscelino Kubitschek dá o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
08
Palmeiras imperiais – Para plantio na Praça dos Três Poderes, vão ser adquiridas mais 500 mudas de Palmeiras Imperiais, procedentes da cidade mineira de Mar de Espanha.
Logo que terminarem os ajardinamentos de outros locais, serão atacados os serviços naquela praça.
Embaixada do Japão – Encontram-se em Brasília membros da Embaixada do Japão, com a finalidade de tomar as primeiras providências para a instalação da representação de seu país na quadra a esse fim reservada. Os diplomatas visitantes são os Srs. Hisajiro Fujita, Conselheiro da Embaixada; Akaioshi Otaki, adido; e Tadashi Iwase, encarregado dos assuntos brasileiros no Ministério das Relações Exteriores do Japão.
 Cinema – Antes de 21 de abril estará terminada a construção do Cine Unidade de Vizinhança, que se localiza entre os blocos de apartamentos do IAPI e do IAPETC e que começou a ser erguido em novembro do ano passado.
Com uma tela de 15 metros por 7, uma fachada de 54 metros e tendo 60 metros da entrada à tela, o primeiro cinema de Brasília terá capacidade para 1.500 espectadores, e disporá de ar refrigerado.
 Nova pista do Aeroporto – Construída segundo os mais modernos requisitos técnicos, a nova pista do Aeroporto desta cidade terá uma extensão de 3.800 metros, permitindo o pouso dos grandes aviões a jacto, e seu custo está orçado em 600 milhões de cruzeiros.
 IAPB – O Presidente da comissão encarregada da construção de edifícios para o Instituto dos Bancários revela que os segurados desse Instituto e os funcionários que para aqui vieram transferidos terão à sua disposição, por aluguéis módicos, 152 casas. Declarou ainda que, do total de 456 apartamentos de construção a cargo do IAPB, já foram entregues, até o momento, 321, sendo que os restantes estarão em mãos do Grupo de Trabalho até 21 de abril. Disse, por fim, que os imóveis construídos até agora não serão vendidos.
Ministério da Viação – Anuncia a imprensa que estiveram em visita à futura Capital os servidores do Ministério da Viação que constituem o primeiro escalão daquela Secretaria de Estado que terão exercício em Brasília.
Em demorada visita de fim de semana às acomodações familiares e demais dependências do Ministério da nova Capital, os servidores em causa regressam satisfeitos e entusiasmados com o que puderam ali observar.

09
Jornalistas internacionais – Visita Brasília uma caravana composta de mais de 80 jornalistas internacionais, entre eles o Sr. William Randolph Hearst Jr., proprietário de famosa cadeia de jornais norte-americanos.
Palácio dos Despachos – Acha-se em fase de acabamento, recebendo retoques finais, o Palácio dos Despachos, com entrega prevista para os próximos dias. Nesse Palácio já foi realizado o grande banquete de recepção aos integrantes da Caravana de Integração Nacional, que recentemente se reuniu em Brasília procedendo de todos os extremos do país.
Rodovia Bernardo Sayão – O senhor Alair Barros, Chefe de serviço da Rodobrás, diz à imprensa, em entrevista, que, sem o apoio da Aeronáutica, teria sido praticamente impossível a abertura da rodovia Belém-Brasília dentro do curto prazo em que se realizou a obra, acentuando:
“Foi, com efeito, notável o trabalho realizado pelos oficiais e funcionários do Ministério da Aeronáutica destacados para apoiar as frentes de serviço dos trabalhadores da Rodobrás. Abrindo campos de pouso na selva equatorial, transportando técnicos e trabalhadores mortos e feridos, gêneros alimentícios, medicamentos, levando e trazendo notícias, as aeronaves transformaram-s, durante todo o tempo da derrubada das matas e da abertura do traçado, no único elo de ligação entre a civilização e os que construíam a estrada.”
Com a criação do Departamento de Base Aérea de Brasília, em maio de 1958, foi possível organizar-se o plano de cobertura dos aviões da FAB aos trabalhadores encarregados do desmatamento. Naquela ocasião, chegava à futura Capital Federal o primeiro C-47, com cerca de vinte homens a bordo para manutenção e guarda das aeronaves que seriam colocadas á disposição do Destacamento. Não havia em Brasília acomodações apropriadas para o pessoal.
Militares e civis comiam precariamente, pois ainda não existia rancho. As primeiras clareiras na mata foram abertas sob a orientação do Ministério da Aeronáutica. A de Guamá, às margens do rio com idêntico nome e distante 140 quilômetros de Belém, serviu como ponto de referencia ás demais, que passaram a denominar-se Quilômetro 14, Quilômetro 163, Quilômetro 305, Quilômetro 402, etc., de Guamá.
À medida que as frentes de serviço penetravam na selva, as aeronaves da FAB despejavam os alimentos em pacotes ou em sacos, na clareira mais próxima. “Paulistinhas”, “Beechcrafts” e  “Douglas” efetuavam arriscados vôos rasantes e a velocidade reduzida para cumprir essas missões. Raros foram os casos de perda de material, por erro de cálculo, apesar de os pilotos efetuarem as manobras “medindo as árvores de 60 metros”. Encerrada a fase de desmatamento e com o avanço das máquinas encarregadas de nivelar o terreno e de abrir o traçado, muitas das clareiras puderam ser transformadas em pista de pouso, sob a orientação ainda dos técnicos da Aeronáutica. Hoje contam-se 18 pistas de pouso ao longo da Rodovia Belém-Brasília, com uma extensão que varia de 800 a 1.300 metros cada
Para continuar apoiando a construção da BR-14, o Destacamento de Base Aérea de Brasília dispõe agora de 3 aviões C-47. 2 helicópteros e alguns aviões de pequeno porte.”
Mais 4 aviões de treinamento a jacto, do tipo T-33 chegarão ao nosso país brevemente e serão destinados ao Curso de Caça, que funciona em Fortaleza. Esses aparelhos serão transportados para o Brasil em vôo.

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Catedral – Divulga-se que a iniciativa privada, representada pela maioria das empresas construtora que trabalham em Brasília, colaborará para o erguimento da catedral planejada por Oscar Niemeyer. A catedral, que ficará localizada na Praça dos Três Poderes, já tem sua construção iniciada, com o anel de base concluído, em formato circular.
Agora, as colunas começam a surgir e toda a população verifica que mais esta gigantesca obra, que abrigará os católicos da nova capital em suas maiores festas, terá sua construção finalizada em breve. Até agora foram reunidos para o levantamento do templo quatorze milhões e seiscentos mil cruzeiros, como colaboração de cerca de cinqüenta empresas construtoras e bancárias que operam aqui.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Às 9 horas, parte do Rio de Janeiro, com destino a Porto Alegre, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional. Batedores da Guarda Civil escoltam a caravana até à barreira da Rodovia Presidente Dutra.
Compõem a caravana trinta e sete veículos de fabricação nacional e mais de duzentas pessoas, entre autoridades civis e militares, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Na cidade de São José dos Campos, a ela se incorporarão mais cinco carros, também de fabricação nacional.
A Coluna Norte percorrerá todas as cidades que margeiam a rodovia Rio-São Paulo. De São Paulo rumará a Registro-Curitiba, Rio Negro-Lajes-Vacaria-Caxias do Sul, e finalmente, Porto Alegre, aonde deverá chegar na próxima segunda-feira.
Visita do Presidente Eisenhower – O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América cede ao Governo brasileiro, por empréstimo, o equipamento de transmissão radiotelefônico que colocará Brasília em comunicação com o resto do mundo durante a próxima visita do Presidente Eisenhower.
O equipamento destina-se a 18 canais de radiotransmissão e pesa, ao todo, 25 mil libras, ou seja, de 10 toneladas, devendo seguir para Brasília logo após seu desembarque.
Com essa iniciativa do Itamarati os correspondentes estrangeiros que acompanharam o Chefe da Nação americana à futura Capital do Brasil terão sua missão facilitada.
Organização Judiciária – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de lei que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília.
Lei Orgânica de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de Lei Orgânica do Distrito Federal de Brasília.
Hospital de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova o plano de aplicação proposto pelo Ministério da Saúde, referente à dotação de duzentos milhões de cruzeiros, para prosseguimento das obras do Hospital Distrital de Brasília.

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Ministério da Agricultura – Em entrevista de imprensa, o senhor José Vieira, Chefe do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura afirma que os setores afetos ao Ministério da Agricultura, na área da futura Capital Federal, vem sendo cuidados com a atenção exigida pela sua importância em face do crescente desenvolvimento demográfico da região. O empenho com que estão sendo realizados os serviços de fomento da produção vegetal e animal, bem como os trabalhos florestais, são de molde a assegurar perspectivas as mais animadoras, quanto a esse ãngulo, para aqueles que se vão radicar em Brasília.
– Tais serviços de fomento – acrescenta o sr. José Vieira – estão entregues a técnicos competentes e vem tendo todo apoio do Ministro Meneguetti. Realizados em regime de convênios com a Novacap, estão obtendo bons resultados, a despeito das dificuldades encontradas. Em minha visita a Brasília, pude apreciar os trabalhos diretos que a Novacap está levando a cabo no setor agrícola e que representam uma apreciável colaboração em beneficio da cidade.
Prossegue o diretor do S.I.A. informando que o convênio firmado entre o Ministério, a Novacap e o E.T.A. (Projeto 34), posto em execução em 1957, propiciou a inversão de cerca de trinta e dois milhões de cruzeiros e a aquisição de equipamentos no exterior, interessando sua aplicação a uma área de 1,892 hectares. Nessa área, que já dispõe de 43 quilômetros de estradas internas, estão sendo usados recursos para restauração e conservação do solo, bem como para terraceamento. Possui ela, agora, 300 hectares cultivados, nos quais foi aplicado o método de cultura seca e produção de cobertura vegetal, cujas finalidades são diminuir a evaporação e adubar a terra.
Passando a aludir às possibilidades agrícolas da região da futura Capital, revela o Sr. José Vieira:
– Aplicada a técnica agronômica em 4.200 m2 daquela área do Ministério da Agricultura, foi obtido no ano passado, com a plantação de 19 variedades hortícolas, um lucro de quase 160 mil cruzeiros. Ali se obteve também milho, feijão, melancia, mandioca, amendoim, bem como se conseguiu excelente resultado com a criação de aves. Existem ali duas represas em funcionamento, 5.230 matrizes frutícolas, 35 mil pés de abacaxis em produção e grande plantio de batata-doce.
Por sua vez, o Projeto-44, que reúne atividade do Ministério, do ETA e da Novacap, está alcançando bons resultados no que diz respeito á produção animal.
Numa fazenda de 1.660 hectares, estão sendo executados trabalhos proveitosos, desde 1958. Nessa fazenda, que se situa a 26 quilômetros de Brasília, foram preparados 315 hectares, dos quais 290 já se acham plantados. Mais de 100 variedades de forrageiras são cultivados em seu campo experimental, tendo sido distribuídas aos criadores locais, até hoje, mais de 120 mil mudas de capim guatemala, 40 mil de aipim, 20 mil estacas de cana forrageira, dezenas de sacos de sementes de capim gordura e outros. Este ano, poderão ser atendidos todos os pedidos das granjas oficiais e particulares de Brasília, para a formação de pastagens.
Com relação aos trabalhos florestais, estão se processando segundo os planos. Para esse fim, através de acordo com a Novacap, dispõem os responsáveis por sua execução de 600 mil mudas de árvores e 5 milhões de unidades para ajardinamento. Mais de 10 mil mudas de essências florestais e mais de 200 mil mudas ornamentais foram entregues à Novacap para arborização da cidade.
Rodovia Bernardo Sayão – Entre os serviços que a rodovia Bernardo Sayão prestará à economia do Planalto Central, a partir de pouco tempo, está o do transporte do sal, que terá o percurso de chegada a Brasília diminuído de dois mil quinhentos e vinte e oito quilômetros, bastando para tanto que seja efetivado o entrosamento desta grande estrada com a rede rodoviária nordestina. Esta afirmação está contida em um estudo escrito pelo presidente do Instituto Brasileiro do Sal, senhor Dioclécio Duarte, e enviado ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, agora encampado pela Sudene. O que se torna necessário – afirma aquela autoridade federal, na tese – é que se encontre uma fórmula de intercâmbio comercial que garanta uma troca constante, de modo a assegurar equilíbrio econômico para as empresas que se dispuserem a transportar o sal para o Planalto.
O comércio de sal para o Centro do País,com a volta dos veículos transportando, por exemplo, o charque goiano, que é de ótima qualidade, seria um dos meios concretos para a solução do problema.
Estas considerações de ordem econômica foram dadas ao CODENO tendo em vista a proximidade da transferência da capital para Brasília e a necessidade de cuidar-se de assunto de grande importância, dada a necessidade do sal para o consumo de uma grande população que se fixará no Planalto Central, bem como para os rebanhos que ali se encontram e diversos tipos de indústrias que se estabelecerão na mesma região, precisando de grandes quantidades do produto.
A mudança da sede do Governo para o centro geográfico do país motivou novos estudos por parte da direção do Instituto Brasileiro de Sal, através de seu presidente e de seus vários técnicos. A diminuição do percurso de mais de dois mil e quinhentos quilômetros, significará possibilidades de barateamento do produto, tendo em vista os fretes menores. As ligações terrestres para a rodovia Belém-Brasília estabelecerão os novos rumos para os transportes de sal nesta região brasileira que agora se lança como sede do desenvolvimento do Brasil.
Hospedagem de visitantes – A cidade de Goiânia, Capital do Estado de Goiás, já iniciou os preparativos para recepcionar ilustres visitantes que para ali acorrerão em virtude da transferência da capital no próximo mês de abril.
Sua administração municipal, chefiada pelo prefeito Jayme Câmara, realizará um original programa de hospedagem das personalidades, principalmente mestres estrangeiros e autoridades de vários Estados, nas vésperas da mudança. Nesse sentido, uma comissão especial, denominada de “cooperação”, com cinco membros, já está articulando seus primeiros movimentos, de modo a ter um completo levantamento das possibilidades de hospedagem destes visitantes em residências de família da capital goiana. O começo da atividade está se mostrando dos mais promissores, dada a tradicional cortesia da gente da Goiânia e seu espírito de colaboração a todas as iniciativas que visem o bem comum e a propiciar aos que desejam ver Brasília momentos de satisfação em contato com o povo do Planalto Central, através de seus costumes.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Em sua marcha para Porto Alegre, a Coluna alcança a cidade de São Paulo.

12
Confederação Nacional do Comércio – O senhor Charles Edgard Moritz, Presidente da Confederação Nacional do Comércio, determina a constituição, nessa entidade, de um grupo de ligação com Brasília, para prestar informações ao comércio sobre os assuntos de seu interesse relacionados com a Nova Capital. Entre vários problemas que preocupam o comércio, incluem-se a questão dos tributos que incidirão sobre as casas comerciais de Brasília, procedimento para obter alvará de localização, prescrições estabelecidas para a instalação de cada tipo de casa comercial, distribuição do comércio por zonas específicas, regime de propriedade dos bens imóveis, etc. Esse grupo de ligação será o núcleo da CNC e entrará em estreito contato com a administração do Município Federal para com ela colaborar no que respeita a assuntos de interesse do comercio em Brasília. Coordenará, ainda, a transferência do funcionalismo da CNC para a nova Capital, providenciando o necessário para a instalação dos servidores.

Instituto Brasileiro do Sal – Entre as sugestões apresentadas pelo senhor Dioclécio Duarte, Presidente do Instituto Brasileiro do Sal, ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, com relação ao aproveitamento da madeiras da Amazônia para o fabrico de celulose, produto que hoje constitui assunto de interesse econômico em todo o mundo, figura a parte relacionada com a utilização do sal no Planalto Central.
Em sua tese. O Sr. Dioclécio Duarte afirma que existe uma verdadeira fome de celulose, agora, quando várias fontes demonstram nítidos sintomas de exaustão. Como exemplo de produtividade das nossas madeiras, cita o presidente do IBS o caso do nosso pinheiro, que ultrapassa o diâmetro de quarenta centímetros em apenas oito anos, enquanto árvores do mesmo produto, na Rússia, levam quarenta anos para chegar ao diâmetro de trinta centímetros.
É lógico que o Brasil deverá preparar-se para ingressar, dentro de pouco tempo, no mercado internacional da celulose. Neste ponto é que surge o interesse do Instituto Brasileiro do Sal, dado que cada tonelada de celulose exige seiscentos e sessenta quilos de sal, que serão fornecidos pela nossa indústria, propiciando-lhe um novo horizonte no terreno financeiro, de modo a oferecer-lhe perspectivas novas quanto ao aprimoramento das técnicas científicas até agora aplicadas na obtenção do produto. Esta inovação viria trazer um novo elemento que já é motivo de estudo para os nossos técnicos: o preço, que baixará na certa com o aumento da produtividade à base de salinas mecanizadas e do uso de novos tipos de transportes, principalmente o rodoviário, surgindo como ponto capital a rodovia Belém-Brasília. Somente esta estrada será capaz, com seu itinerário, de diminuir o tempo e a distância do transporte do sal em mais de dois mil e quinhentos quilômetros, possibilitando às empresas a cobrança de tarifas menores.
Ajardinamento de Brasília – A imprensa assinala que Brasília será como que um grande jardim em abril vindouro, pouco antes da mudança da sede do Governo Federal, graças ao andamento das obras neste sentido encetadas pelo Departamento Geral de Agricultura da Novacap. Os trabalhos estão sendo intensificados de modo a colocar todos os trevos, passagens de nível e viadutos completamente arborizados, o mesmo sucedendo nas encostas dos aterros das pistas já asfaltadas de várias vias de comunicação da nova Capital brasileira. Um verdadeiro batalhão de trabalhadores especializados nas tarefas de ajardinamento se ocupa, nos últimos dias, nesta tarefa que dará a esta cidade um aspecto mais interessante ainda, graças à simplicidade do traçado e à originalidade da arquitetura de Niemeyer. Para a feitura deste trabalho um ponto curioso deve ser assinalado: os técnicos estão procurando aproveitar ao máximo as árvores e plantas típicas de Planalto para o adorno da cidade.
Todas as árvores de conformação exótica, que possam constituir, a partir da mudança da Capital, atrativos turísticos, serão conservadas e terão indicações especiais. Troncos grossos assemelhando-se na forma a animais e galhos retorcidos ficarão intatos, de acordo com o estabelecido no trabalho de ajardinamento da cidade.

Caravana de Integração Nacional – A coluna Norte, em sua rota para Porto Alegre, atinge a cidade de Capão Bonito, onde pernoita.

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BRASÍLIA – FEVEREIRO DE 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – FEVEREIRO DE 1960

 

 

 

01
Discurso presidencial – No despacho coletivo com o Ministério, às 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso:
“Posso dizer, sem hipérbole, que a decisão relativa a Brasília constituiu para mim um esforço bem mais considerável do que toda a solicitude em acompanhar a parte executiva dessa obra, em verdade imensa e que temos de atribuir, não só à proteção de Deus, que não nos faltou, como à capacidade de trabalho de nossa gente, à dedicação inexcedível dos chefes e dos operários. Naquela ocasião, medi os prós e os contras, avaliei as dificuldades de toda a ordem: as materiais, com todo o cortejo de repercussões econômicas e problemas técnicos; mas, sobretudo, o significado de resolução e a gravidade decisiva do ato. O imperativo constitucional fora repetidamente ignorado e seria fácil permitir que continuasse letra morta. Mas a criação de Brasília, a interiorização do Governo, esse ato dramático e irretratável de ocupação efetiva do nosso vazio territorial, essa demonstração inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, esse triunfo do espírito pioneiro, essa prova de confiança na grandeza deste país, essa ruptura completa com a rotina e o conformismo, eu a sentia em intima e perfeita correspondência com a aspiração máxima do povo brasileiro: a revolução do desenvolvimento nacional. Brasília foi o primeiro ato dessa revolução, fecundo em conseqüências, a meta número um, a meta-síntese de um Brasil renovado.
Brasília significa, não apenas a mudança da sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação. Sei como são fortes as resistências e os antagonismos, porque sei até onde essa mudança tem um aspecto revolucionário, porque estou bastante lúcido quanto à serie de transtornos e de modificações que ela vai ocasionar. Não fugirá a ninguém o aspecto heróico da empresa, nem os sacrifícios requeridos; mas o dia de amanhã explicará melhor do que qualquer discurso – que Brasília obedeceu a uma imperiosa necessidade. Mas dia, menos dia, seria necessário colocar o Brasil no seu centro, conquistar essa parte importante do seu território, integrar o país em si mesmo.
Eu me dou por feliz pelo privilégio de construir Brasília, de realizar essa aspiração, que pareceu inatingível a muitas gerações de brasileiros, em tempo recorde, mostrando ao mundo que somos capazes de fazer o que queremos, e fazer como melhor não o fariam outros povos, que marcham na vanguarda da técnica e da civilização.”

Caravana de Integração Nacional – Em Goiânia, todas as colunas da Caravana se concentram, entre homenagens populares, para a última parte da jornada, a efetuar-se de 1º a 2 de fevereiro, até Brasília.
Chegando a Brasília, os integrantes da Caravana concentrar-se-ão no parque Dom Bosco.

Remoção de pessoal – O Presidente Juscelino Kubitschek, em despacho proferido em exposição de motivos do D.A.S.P., aprova minuta do convênio a ser estabelecido com o Grupo de Trabalho, bem como o respectivo Plano de Aplicação, da importância de 580 milhões de cruzeiros, destinada a despesas de quaisquer natureza, com a remoção do pessoal para Brasília, inclusive aluguel e arrendamento de imóveis.

Rodovia Belém do Pará-Brasília – Tendo visitado a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional no “Estreito” do Tocantins, o senhor Mattos Carvalho, Governador do Maranhão, viaja por via aérea até Goiânia, a fim de ali esperar a Caravana, com a qual chegará a Brasília.
Falando à imprensa da cidade, o governador Mattos Carvalho externa seu grande entusiasmo pelo que lhe foi dado observar da rodovia Bernardo Sayão, ressaltando a significação da estrada para o desenvolvimento do país:
“A estrada Belém-Brasília – diz – é um símbolo de progresso e dignifica um governo porque representa o enriquecimento de uma nação.”
Continua declarando que Brasília dá aos brasileiros a certeza de que está surgindo uma pátria nova, merecendo, por isso, todos os sacrifícios e não sendo admissível a protelação da mudança da sede do Governo para a nascente cidade.
Concluindo, afirma o Governador que seu Estado, o Maranhão, já sente os efeitos benéficos de Brasília e da rodovia, visto ser maranhense o mais próximo porto marítimo e estarem todas as cidades do sul maranhense, especialmente a região de Imperatriz, ligadas à futura capital federal pela rodovia de integração nacional.
Fazenda Nacional – O senhor Raymundo Brígido Borba, Diretor-geral da Fazenda Nacional, constitui seu Gabinete definitivo, que deverá embarcar para Brasília antes da transferência da Capital.
Ranieri Mazzilli – O Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:
“Peço ao eminente Presidente e amigo receber minhas congratulações efusivas pela partida da Coluna motorizada que participa da Caravana de Integração Nacional, simbolizando o sonho que seu dinâmico idealismo transformou em realidade brasileira”.
Declaração presidencial – Na inauguração do Mercado Livre do Produtor no 2, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, falando de improviso, assim se refere ao encontro, em Brasília, no dia 2 de fevereiro, da Caravana de Integração Nacional:
“Dentro de poucos minutos, vou transpor os céus deste País e, em algumas horas, descer no Planalto Central, onde, amanhã, assistiremos a uma solenidade singela, porém tocante e de profunda significação nacional: o encontro das Caravanas de Integração Nacional. Sabem o que significa esse movimento? Saíram de Belém, no Estado do Pará, às margens do Rio Amazonas, 65 automóveis, conduzindo 250 pessoas, para uma viagem até Brasília. Outros tantos automóveis saíram de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao encontro dessa caravana em Brasília. São quase 5 mil quilômetros de território brasileiro que estão sendo atravessados, de Norte a Sul, pela primeira vez na história do Brasil. E com uma particularidade: todas as caravanas transportadas por automóveis brasileiros, utilizando petróleo brasileiro e rodando em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro.
É o Brasil que se levanta nos seus próprios pés para dominar as dificuldades e começar uma nova marcha, que nos dará a emancipação e a liberdade econômica. Daqui partiu outra caravana, que chegará amanhã a Brasília; de Cuiabá, no longínquo Mato Grosso, saiu outra caravana, que amanhã também como a daqui se encontrará em Brasília, formando uma verdadeira cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direç cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direções.
Os senhores devem ter ouvido falar no que foi o drama para romper esta estrada através da floresta virgem e impenetrável da região amazônica. Nós a atravessamos com o maior esforço, devassamos os mistérios mais impenetráveis do território brasileiro, e hoje esta Nação já pode ser circulada de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Os descrentes, os negativistas não acreditavam fossem possíveis empreendimentos de tal envergadura. Havia no País uma mentalidade ainda negativa, uma mentalidade que apelava sempre para a beira do abismo. Nós a estamos vencendo, nós a estamos dominando, e no fim deste Governo a Nação terá os instrumentos básicos indispensáveis para caminhar sozinha, independente e livre, na rota do seu destino.
Eu sabia que dificuldades inúmeras teria que enfrentar nesta jornada. Sabia que teria que exigir sacrifícios do povo brasileiro, mas pergunto: qual a maneira de uma nação progredir? Viver à custa de auxílios estrangeiros, colonizar-se, humilhar-se diante dos mais poderosos, para realizar o seu desenvolvimento, ou lutar com as próprias forças e vencendo as dificuldades, orgulhosamente proclamar que tem bravura e energia para forjar o seu próprio destino?
Estamos, nesta hora, assistindo a uma nova marcha do Brasil. Estamos subindo o Planalto Central, para conquistar dois terços desta Nação, ainda completamente desertos.”

02
Caravana de Integração Nacional – Em Brasília, celebra-se a cerimônia da chegada das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Já considerável massa popular se acumulava na Praça dos Três Poderes, na manhã de hoje, presentes numerosas autoridades, quando o Presidente Juscelino Kubitschek ali chegou, em helicóptero da FAB, para a recepção às Caravanas de Integração Nacional. Estas deram então entrada na praça, à frente a Coluna Sul, seguida pelas Colunas Leste, Norte e Oeste.
O Chefe do Governo, em pessoa, apresenta as boas-vindas aos integrantes das colunas, cumprimentando-os e trocando rápidas palavras com vários deles. Nessa ocasião, o entusiasmo popular chega ao auge, observando-se que a Coluna Norte merecia especial atenção de parte da multidão.
Depois de percorrer todo o trajeto em que estacionavam os números veículos, o Presidente Kubitschek deixa o local, ainda no helicóptero da FAB, acenando para o povo com a Bandeira Brasileira que, trazida de Belém, lhe fora ofertada pela Coluna Norte.
De grande solenidade se reveste a Missa de Ação de Graças que, como parte do programa de recepção, é celebrada pelo padre Teixeira, pároco de Brasília, no local em que se erguerá a Catedral de Brasília. Assistem ao ato o Presidente da República, D. Sarah Kubitschek, governadores de Estado, o Prefeito do Distrito Federal, parlamentares, demais autoridades em visita à cidade, todos os membros da Caravana de Integração Nacional e a quase totalidade da população de Brasília. Aviões da FAB, em vôos rasantes, deixam cair uma chuva de papel picado, antes da cerimônia religiosa.
Momentos antes da Missa, o Arcebispo de Goiânia pediu à comissão que até ali trouxera a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, que a colocasse no altar, ao lado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília.
O sermão pronunciado por D. Fernando Gomes é todo ele alusivo à marcha realizada pela Caravana de Integração Nacional e à sua significação para o futuro do país. Encerrando-a, diz o Arcebispo de Goiânia:
“A marcha começou, para o triunfo do futuro do Brasil”.
Às 14h, realiza-se o churrasco, que reúne todas as autoridades que se encontram em Brasília, bem como operários que estão edificando a futura Capital federal. O primeiro orador é o senhor Celso Lisboa, presidente da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que fala em nome desta e do povo de sua cidade. Segue-se com a palavra o Governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, falando em nome dos demais governadores presentes: o senhor José Adjunto Filho, prefeito de Unaí; um homem do povo, de nacionalidade norte-americana, há muito radicado em Goiás; o deputado por Goiás, Rezende Monteiro, em nome do vice-presidente da República, João Goulart.
O sexto orador da reunião é o senhor Lúcio Meira, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. O Brasil – diz – estava vivendo uma hora auspiciosa, uma hora histórica. Com sua inflexível determinação, o Presidente Juscelino Kubitschek faz de Brasília o marco da conquista do Oeste e da Amazônia, para que o país deixe de ser o antigo arquipélago econômico e social.
Graças ao espírito audaz do Chefe do Governo, o Brasil afinal se encontra consigo mesmo, vê trafegar por belas estradas, pavimentadas com asfalto brasileiro, veículos brasileiros, queimando gasolina brasileira.
“Neste instante – acentua – a indústria automobilística nacional pode dizer: presente”.
E mais adiante:
“Aí estão os veículos brasileiros, prontos para o cumprimento de sua missão”.
Encerra sua oração transmitindo ao Presidente Kubitschek “a palavra de fé nos destinos da pátria, neste momento em que as caravanas chegam e o Brasil parte no rumo do futuro”.
Usa da palavra também, o Bispo D. José Pedro, traduzindo o júbilo de todo o povo brasileiro ante a concretização das metas governamentais.
“Precisamos acreditar num Brasil que se unisse em torno de empreendimentos como este – Brasília -, sonho que se tornou realidade. Aqui estou, para bendizer a pessoa de Vossa Excelência”.
E, a certa altura de sua oração:
“As injustiças, as calúnias e as incompreensões foram a moldura de todos os grandes homens que, no passado, trabalharam pela grandeza dos povos. Deus está com o Brasil, através de Vossa Excelência”.
Várias outras personalidades fazem uso da palavra, entre as quais o coronel Paulo René de Andrade, representando a cidade natal do Presidente da República, Diamantina; e o senhor Marcílio Viana.
O orador seguinte é o Governador do Amazonas, senhor Gilberto Mestrinho. Em tom entusiástico, ressalta as realizações do atual Governo, mencionando dentre elas Furnas e Três Marias. Os derrotistas e caluniadores – diz – fazem acusações ao Governo, mas este tem respondido a todas as calúnias com empreendimentos concretos: indústria automobilística, estradas que cortam o país de Norte a Sul, petróleo, conquistas de toda a sorte. Encerra suas palavras apresentando ao Presidente, pelo muito que tem sido realizado, os agradecimentos da Amazônia e do Estado do Amazonas.
Um operário, procedente da Paraíba, embora não estivesse inscrito entre os oradores, toma a palavra e, com expressões do mais alto entusiasmo, em nome de seus companheiros, saúda o Presidente Kubitschek.
Apesar da chuva que caia sobre Brasília, o povo não faltou com o seu aplauso ao desfile das colunas da Caravana de Integração Nacional, pelas principais ruas da cidade.
O presidente Juscelino Kubitschek num gesto que calou fundo no espírito de quantos integravam a grande parada cívica, compareceu em um minúsculo veículo “Romi-Isetta”, para mais uma vez cumprimentar os caravaneiros.
Encerrando a solenidade, fala o Presidente Juscelino Kubitschek.
Após seu discurso, o Presidente Juscelino Kubitschek diz algumas palavras, agradecendo as manifestações de todos os oradores e a colaboração que vem recebendo para a consecução das metas, por mais difíceis e exaustivas.
Em seguida, assina dois atos de significação nacional: um decreto conferindo condições de funcionamento, como porto livre, a Manaus, e outro conferindo o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
O último a falar, antes do discurso de encerramento do Presidente Juscelino Kubitschek, é o senhor Antonio Carlos Cantão, em nome do Centro Acadêmico 11 de Agosto, de São Paulo; faz ele entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek da seguinte mensagem em pergaminho, de autoria do poeta Guilherme de Almeida:
“Sobre o imenso mapa do Brasil desenha-se, neste instante, uma imensa cruz. Partindo, simultânea, dos quatro pontos-cardeais, quatro pontas de aço riscam a terra, atravessam lavras, selvas, praias, montes, vales, desertos e cidades, mirando um ponto de convergência. Aqui chegados, juntos, os quatro traços formam a desmedida cruz. É esta…como a do Cruzeiro do Sul, a das velas do Descobrimento e a do lenho da Primeira Missa, que, no céu, no mar e na terra, vem presidindo os destinos do Brasil, também esta será a benção. E porque é traçada pelas quatro colunas motomecanizadas da Caravana de Integração Nacional, será de Redenção.
Provindas – Norte, Sul, Leste e Oeste – avançaram, firmes, as quatro pontas de aço. É o Brasil que tem encontro marcado consigo mesmo em Brasília pelo Sinal da Santa Cruz”.
A imprensa noticia que o sucesso da marcha empreendida de Belém a Brasília foi de tal ordem que se animaram os seus comandantes a prosseguir viagem até o Rio, dando-a por encerrada na praça fronteira ao Palácio do Catete.

Bacia Amazônica – Durante sua estada em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe os governadores dos Estados e Territórios Federais da Bacia Amazônica. Nessa audiência, reúnem-se com o Presidente da República os governadores José de Mattos Carvalho, do Maranhão; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do Amazonas, e que representa o Governador do Pará; José Ponce de Arruda, de Mato Grosso; Paulo Nunes Leal, de Rondônia; Helio Araújo, do Rio Branco; e Manoel Fontenelle de Castro, do Acre.
Os governadores da Amazônia externam ao Presidente da República o seu desejo de ver executado um vasto plano administrativo e econômico para promover o rápido desenvolvimento de toda a região com o aproveitamento de seus incalculáveis recursos, elevando, ao mesmo tempo, o nível de vida de seus habitantes.
Na ocasião, os governadores apresentam a seguinte moção ao Presidente da República:
“Os governadores dos Estados e Territórios que compõem a Região Amazônica, no momento que reúne, na futura Capital da República, os participantes da Caravana de Integração Nacional, expressam a sua mais viva solidariedade ao dinamismo da administração do senhor Waldir Bouhid, o qual, à frente da Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia, corresponde à confiança que lhe depositou o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek ao lhe colocar sobre os ombros a pesada tarefa de encaminhar o enriquecimento de tão importante faixa do território pátrio.
Ao assumir essa posição, propugna a Amazônia por um esquema administrativo que assegure a continuidade da obra iniciada pelo senhor Waldir Bouhid no sentido de impedir qualquer colapso no ritmo que se imprimiu ao desenvolvimento da região, cujo abandono vinha ganhando características de verdadeira calamidade nacional.”
Recebe essa moção as assinaturas de todos os governadores acima.
O Presidente Juscelino Kubitschek assegura aos Governadores que teria todo o empenho em ver executado o plano sugerido pelos Governadores da Amazônia, solicitando-lhes que apresentassem um conjunto de medidas concretas e as estudassem com o senhor Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização da Amazônia. Os Governadores externaram sua satisfação pela receptividade dispensada pelo Presidente da República às suas mais importantes reivindicações. Fica assentado que os Governadores irão brevemente ao Rio para levar ao exame do Presidente Juscelino Kubitschek as medidas mais importantes e mais urgentes para acelerar o progresso daquela vasta região brasileira.

03
Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa.
A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede.
Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília.
Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro.
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano.
Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek.
Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento.
Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas.
Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida.
Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital.
Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão.
A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

04
Deputado Emival Caiado – O deputado Emival Caiado, presidente do Bloco Parlamentar Mudancista, concede entrevista à Agencia Nacional, afirmando:
– A construção da nova Capital e a transferência dos Poderes da República são fatos consumados e não cabe, a esta altura, discutir se a mudança se fará, mas tratar-se de efetivá-la, uma vez que já existem condições para isso. Meu projeto de fixação da data decorreu, não de deliberação precipitada, mas de exame acurado e planificação minuciosa.
O que a Novacap, visando a alcançar as condições mínimas imprescindíveis para a mudança, estará realizado, sem dúvida alguma, a 21 de abril.
Esclarece o deputado Emival Caiado, ainda, que promoveu uma reunião do Bloco Parlamentar Mudancista para o estudo de questões ligadas à transferência, tendo o grupo, depois de amplos debates, deliberado oferecer total apoio às medidas assentadas pela mesa da Câmara para a mudança desta, procurando mesmo estimulá-la na intensificação dos trabalhos até 21 de abril.
– Com essa finalidade – acrescenta – a presidência do Bloco Parlamentar Mudancista pensa em acompanhar de perto as atividades dos diferentes setores encarregados da mudança, tendo sempre presente a necessidade de se dar a tal orientação um tratamento político de alto teor, condizente com o espírito patriótico da empresa.
Finaliza sua entrevista o deputado Emival Caiado declarando que, “para dissipar qualquer dúvida na opinião pública”, o Bloco Parlamentar Mudancista resolveu proclamar ao País que serão inúteis todas as impatrióticas tentativas de adiamento de transferência da Capital Federal para o Planalto Central.
Caravana de Integração Nacional – Em entrevista de imprensa, o Major Edson Perpétuo, coordenador da Caravana, manifesta sua satisfação pela precisão cronométrica com que foram executados os planos, lembrando que a Coluna Leste se atrasou em sua chegada à Brasília apensa sete minutos: prevista para às 12 h do dia 1º de fevereiro, sua entrada na nova Capital ocorreu às 12 h e 7 m.
Revela também que, por toda a parte recebeu a Coluna Leste homenagens, não só de autoridades como de pessoas do povo. Em Cristalândia, pequena cidade do interior de Goiás, por exemplo, a população, tendo à frente o prefeito, abriu as portas de suas residências aos integrantes da Caravana. Ali, lhe foi feita uma intimação, pelo prefeito: este desejava receber, oficialmente um relatório de toda a jornada, para ser incluído na história da localidade.
Revela finalmente o Major Edson Perpétuo que vai reunir esforços, novamente, desta feita para organizar a Caravana de Integração do Nordeste. Esta, constituída por uma coluna-monstro, deverá partir de Fortaleza e atingir Brasília.
Interessante depoimento é feito, também, pelo Coronel Aviador Lino Teixeira, que comandou a Coluna Norte, à qual coube realizar o percurso Belém-Brasília, através da Rodovia Bernardo Sayão. A viagem dessa coluna durou sete dias, incluindo a estada em Goiânia, onde foram prestadas grandes homenagens à caravana. O deslocamento se fez igualmente com absoluto êxito.
– Para que se avalie a excelente condição da Rodovia Bernardo Sayão – declara aquele militar – basta dizer-se que, durante toda a viagem, não ocorreu um só acidente com veículo. Nem mesmo um pneumático furado, o que é digno de nota. Um eloqüente atestado de ação governamental nestes quatro anos e um magnífico teste para a nossa indústria automobilística.
Encerrando seu depoimento, diz o Coronel Lino Teixeira que no domingo, dia 24 de janeiro, a meio percurso da Coluna Norte, foi celebrada Missa, pelo Bispo de Bragança, no local em que perdeu a vida o engenheiro Bernardo Sayão, um dos pioneiros da abertura da rodovia Belém-Brasília.
Abastecimento – Anuncia-se que, a fim de fazer face ao aumento de população que se verificará em Brasília com a transferência da Capital, estão sendo intensificados os trabalhos agrícolas que vem sendo levados a efeito pelo Ministério da Agricultura e pela Novacap, através de convênios, na área do futuro Distrito Federal, superior a 5 mil quilômetros quadrados.
Em sua recente visita a Brasília, o Ministro Mário Meneguetti examinou vários problemas e assentou providências para a sua solução, trocando idéias com o Sr. Israel Pinheiro e com os representantes do seu Ministério.
Desde logo, ficou decidida a imediata ampliação dos convênios, de forma a se emprestar maior vulto à produção vegetal e animal. Deverá ser construído pelo Ministério da Agricultura um conjunto de armazéns e silos no grande Centro de Abastecimento, onde vem a Novacap de autorizar a construção de um moinho de trigo, com a capacidade diária de 100 toneladas.
Dos entendimentos havidos, ficou assentada ainda a vinda de outros técnicos do Ministério da Agricultura para pesquisas agronômicas, e se acordou a entrega ao Ministério de uma área rural de 12 mil hectares para instalação de serviços técnicos.
Será em breve inaugurado o primeiro supermercado construído pela Novacap, enquanto se iniciam as obras do segundo e as de uma usina de pasteurização.
Fazenda-Escola – Uma Fazenda-Escola, cuja base é constituída pelo antigo Posto de Criação e Monta, que há mais de cinco anos é mantido pela Inspetoria de Fomento Animal de Goiânia, está em organização por técnicos do Ministério da Agricultura, para desenvolvimento da pecuária nesta região. A Fazenda-Escola ocupa uma área de 430 ha
a ser ampliada para 1.660 hectares e dista 26 quilômetros do perímetro urbano de Brasília, cabendo-lhe estimular as atividades até então a cargo do Posto, cuja eficiência deixava a desejar diante da falta de recursos, de pessoal e equipamento com que lutava.
Com a construção de Brasília, foi reconhecida a necessidade de desenvolver aqueles trabalhos pioneiros e, para esse fim, estabeleceu-se o Projeto 44 firmado pelo Ministério da Agricultura, Novacap e o ETA, cujo programa teve inicio em agosto de 1958. Mais de 23 milhões de cruzeiros e 12.500 dólares foram aplicados nos trabalhos de campo, de construções e de assistência aos criadores locais. A Fazenda-Escola possui 315 hectares preparados (destocados), dos quais 290 plantados. Conta com nove veículos, 5 tratores, e 13 reprodutores machos de raças européias e deverá receber brevemente 50 vacas para revenda. Dez prédios modestos foram construídos, inclusive um laboratório veterinário para inseminação artificial, inaugurado há dias. Um apiário, com 15 núcleos iniciais, está sendo formado. Também funcionará ali um Posto de Demonstração Avícola, mediante contrato com o Projeto ETA-42.
A Fazenda está preparada para atender a todos os pedidos de mudas e sementes de forrageiras para a formação de pastagens. O seu campo experimental possui mais de 100 variedades de forrageiras, oriundas das mais diferentes regiões do País. No ano passado forneceu aos interessados 120 mil mudas de capim Guatemala, 40 mil de aipim e 20 mil estacas de cana forrageiras, além de algumas dezenas de sacos de semente de capim gordura e de outras forrageiras, inclusive leguminosas, para multiplicação em granjas da Novacap e particulares. A sua patrulha mecanizada começou a funcionar em dezembro de já preparou mais de 100 hectares para formação de pastagens em propriedades de criadores locais. Pretende utilizar em larga escala a inseminação artificial e 30 filhos de reprodutores da Fazenda vem sendo criados em diversas propriedades para melhoramento dos rebanhos.
Coluna Norte da Caravana de Integração – A Coluna, no rumo do Rio de Janeiro, chega à capital mineira.

 

05
O.E.A – Acha-se em estudos, na Organização dos Estados Americanos, em Washington, o projeto para a construção, em Brasília, da sede de seus serviços no Brasil, sede ora situada no Rio de Janeiro.
Presidência da República – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o levantamento do pessoal dos Gabinetes Militar e Civil para funcionamento na nova Capital, tendo em vista a próxima mudança da Secretaria da Presidência da República para Brasília.
Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação em caráter urgente, pelo Departamento de Correios e Telégrafos, de um terreno em Paulo de Frontin, Estado do Rio, com a área de 2.400 m2 para a instalação de uma das subestações do sistema de micro-onda entre o Rio de Janeiro e Brasília.
Governador Carvalho Pinto – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Governador de São Paulo o seguinte telegrama:
“Lamentando a absoluta impossibilidade de comparecer, venho agradecer ao eminente Chefe da Nação o honroso convite com que me distinguiu para participar em Brasília da concentração promovida pela indústria automobilística nacional, ao ensejo do 4º aniversário do seu Governo. Já tive oportunidade, na passagem por São Paulo, da Caravana Sul, de dar-lhe o testemunho de meu apreço e caloroso apoio.
Venho agora congratular-me com Vossa Excelência e com a indústria automobilística pelo notável feito, exemplo da alta capacidade técnica dos veículos de fabricação nacional assim a serviço da causa da integração do vasto “hinterland” brasileiro, que notadamente caracteriza os patrióticos esforços do governo de Vossa Excelência, na luta contra o subdesenvolvimento”.

Ministério da Agricultura – O Ministro Mário Meneguetti reúne, em seu Gabinete, os diretores de Serviço e principais auxiliares para expor o seu plano de instalação, em Brasília, no menor tempo possível, do Ministério da Agricultura.
Inicialmente, o titular da pasta da produção mandara executar, pela Diretoria de Obras, o projeto da construção de armazéns e silos com capacidade para 12.000 toneladas, com um centro regulador dos produtos dos municípios satélites de Brasília.
Outra medida tomada é o fornecimento de pescado, que será distribuído de maneira que não falte esse alimento à população da nova Capital.
O Ministro da Agricultura terá, em Brasília, duas sedes: uma burocrática, outra rural, ou seja, “Ministério fora do asfalto, na zona rural”. Para esta sede já existe uma área estabelecida de 11.700 hectares de terra.
Núcleo Colonial do INIC – Localizado na região de Guariroba, dentro do Território Federal de Brasília, o Núcleo Colonial organizado pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização está em condições de tornar-se em futuro próximo um grande centro de abastecimento de gêneros de toda espécie à futura capital do país. Suas terras se estendem por 20 mil hectares, numa altitude média de 1.100 metros e, graças ao seu clima temperado-seco e ameno, e às condições naturais de irrigação, com mananciais permanentes, entre os quais sobressai o Rio das Pedras, poderão receber as mais variadas culturas e propiciar a formação de pastagens para a criação de gado.
Nada diz melhor da riqueza do solo do Núcleo Colonial de Brasília do que sua produção atual, variada e relativamente volumosa, abrangendo cereais, produtos horti-granjeiros, leite e frutas. Os principais produtos fornecidos pelo Núcleo à nova Capital são: café, fumo, cana de açúcar, arroz, milho, feijão, mandioca, batata, frutas diversas, leite e carne.
Esta produção tende a intensificar-se, pois o INIC já tem projetada a distribuição de novos lotes a colonos que desejarem lá se fixar. O projeto de distribuição compreende 20 mil hectares, assim divididos: 550 lotes rurais de 30 hectares, cada um e 500 lotes urbanos de 1.000m2. O INIC reservará uma área de 350 hectares para parques, jardins, campos de demonstração, etc e, para escoamento da produção, construirá estradas num total de 125 quilômetros.
Outros informes sobre o núcleo: temperatura média 19º; topografia ondulada. É servido por rodovias e aviões, estando distante do Rio de Janeiro 1.828 quilômetros via São Paulo e 1.868 quilômetros via Belo Horizonte. Por via aérea, o percurso é coberto em 3h e 20 m em aviões tipo “DC-3” e em 2h e 50m em “Convair”.
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional que partiu de Belém do Pará para juntar-se às Colunas Sul, Leste e Oeste e que no dia 2 do corrente participaram das festividades comemorativas do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek, chega ao Rio precisamente às 16h e 30m, depois de realizar excelente viagem e sem que fosse registrado qualquer acidente.
A Coluna, conduzindo quase 200 pessoas, percorreu 3.400 quilômetros, sendo que 2.200 no trecho Belém-Brasília, rompendo a selva amazônica através da rodovia Bernardo Sayão. O restante do percurso, ou seja, de Brasília ao Rio de Janeiro, foi realizado através de estradas quase completamente pavimentadas e construídas em obediência aos princípios da mais moderna técnica rodoviária.
Precedida de um esquadrão dos Dragões da Independência e de batedores da Inspetoria de Trânsito, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional chega ao Palácio do Catete às 16 h e 35 m.
Da sacada do Palácio, o Presidente Juscelino Kubitschek, na ocasião, também acompanhado de suas duas filhas, aplaude e recepciona entusiàsticamente os integrantes da Coluna, que totaliza 65 veículos.
Após a parada da Coluna, com os veículos estacionados em fila dupla, usa da palavra o Coronel-Aviador Lino Teixeira, que rapidamente focaliza os principais aspectos da jornada. No decorrer de sua oração, o Senhor Waldir Bouhid enaltece a obra do Presidente Juscelino Kubitschek, exaltando o seu grande trabalho no sentido da completa união nacional, através da construção de estradas ligando todos os pontos do país, e finaliza seu discurso exaltando a memória de Bernardo Sayão, o pioneiro da grande obra, e de Ruy Almeida, ambos falecidos na luta pelo engrandecimento do Brasil.
A esse orador, segue-se com a palavra Dom Elizeu Carolli, Bispo de Bragança, Estado do Pará, que também participou ativamente da Coluna, realizando o trabalho de um verdadeiro guia espiritual. As palavras do Bispo de Bragança são constantemente interrompidas. Falando em nome do Presidente da República, e exaltando o grande feito, discursa Dom José Pedro, Bispo de Caetité, Bahia, que em Brasília, durante o grande churrasco, também saudara os componentes das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Durante o discurso, Dom José Pedro da Costa refere-se, com palavras repassadas de entusiasmo, à obra que o Presidente Juscelino Kubitschek está realizando, principalmente no que diz respeito à luta contra o subdesenvolvimento.
Grande manifestação de aplauso e simpatia recebe a Coluna durante sua passagem pela Avenida Rio Branco, quando o povo, postado à beira das calçadas, tributa ao caravaneiros as maiores manifestações de carinho, enquanto que das janelas e sacadas dos edifícios são atiradas sobre a Coluna verdadeiras chuvas de confetes, papéis picotados, flores e serpentinas. O mesmo entusiasmo popular é notado em frente ao Palácio do Governo e na Rua Silveira Martins.
Exposição presidencial – Através de uma cadeia de radioemisssoras e canais de televisão, o Presidente Juscelino Kubitschek, durante mais de duas horas e meia, realiza uma exposição sobre seu Governo, referindo-se também a Brasília, que chama de meta-síntese de sua administração.
Afirma que, se não fosse o fato em si da mudança da capital, algo de extraordinário deveria haver nesta obra para provocar as atenções gerais. Declara que Brasília contém um profundo sentido de cristalização filosófica do desenvolvimento; ela quer dizer que estamos saindo do litoral depois de 400 anos de lutas. Ela afirma que o gigante está voltado agora para o interior. Descrevendo aspectos urbanísticos da nova Capital, alude às opiniões de numerosas autoridades estrangeiras que nos visitaram, inclusive à do Ministro da Cultura de França, André Malraux, que classificou Brasília como a capital da esperança, dizendo:
“Se renascer a velha paixão das inscrições nos monumentos, gravar-se-á sobre os que aqui vão nascer: Audácia. Energia, Confiança. Não se trata de vossa divisa oficial, mas talvez da que vos dará a posteridade”.
Declara o Presidente ser profundamente doloroso que o Brasil em 1960 tenha dois terço de sua superfície como um deserto, mas que Brasília, o marco número um do desenvolvimento do Brasil, vai fazer a integração nacional como já o comprovaram as caravanas que acabam de realizar a ligação Norte-Sul, Leste-Oeste do país. Explica ainda que, dentro em breve, em lugar de vinte teremos vinte e uma estrelas, com o Estado da Guanabara em nossa bandeira.
O Presidente, em seguida, diz de sua satisfação de poder cumprir com a construção de Brasília um dos sonhos dos Inconfidentes mineiros até agora não realizado: o da interiorização da capital do Brasil.

06
Convênio Florestal – Um acordo de florestamento entre o Ministério da Agricultura e a Novacap está funcionando desde o segundo semestre de 1957, em um programa de trabalho amplo, destinado a promover estudos e efetivar serviços de florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas com as silvicultura, na área do futuro Distrito Federal. Recursos são fornecidos por ambas as partes contratantes do convênio, sendo que a sede dos trabalhos é a antiga Fazenda do Bananal.
Foram distribuídas até agora para Brasília e cidade satélite de Taguatinga e Planaltina cerca de 10.000 mudas de essências florestais, entre elas casuarinas, flamboyant, pinus eliottii, pinus excelsa, cássias, araucárias, guapuruvu, tamboril, etc. O convênio dispõe atualmente de 600.000 mudas, sendo grande parte já embaladas.
No tocante à ornamentação, foi desenvolvida tarefa considerável, havendo, presentemente, cinco milhões de mudas de plantas ornamentais, como orquidáceas, bromeliáceas, gesneceáceas philodendrons, etc. Neste setor, além da ornamentação da cidade, tem cooperado na formação de jardins particulares.
Já foram distribuídas mais de 200.000 mudas ornamentais, estando semeadas mais de um milhão de sementes de essências florestais e ornamentais.

Rodovia Bernardo Sayão – Pelo Decreto no. 47.763, o Presidente Juscelino Kubitschek dá o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
08
Palmeiras imperiais – Para plantio na Praça dos Três Poderes, vão ser adquiridas mais 500 mudas de Palmeiras Imperiais, procedentes da cidade mineira de Mar de Espanha.
Logo que terminarem os ajardinamentos de outros locais, serão atacados os serviços naquela praça.
Embaixada do Japão – Encontram-se em Brasília membros da Embaixada do Japão, com a finalidade de tomar as primeiras providências para a instalação da representação de seu país na quadra a esse fim reservada. Os diplomatas visitantes são os Srs. Hisajiro Fujita, Conselheiro da Embaixada; Akaioshi Otaki, adido; e Tadashi Iwase, encarregado dos assuntos brasileiros no Ministério das Relações Exteriores do Japão.
Cinema – Antes de 21 de abril estará terminada a construção do Cine Unidade de Vizinhança, que se localiza entre os blocos de apartamentos do IAPI e do IAPETC e que começou a ser erguido em novembro do ano passado.
Com uma tela de 15 metros por 7, uma fachada de 54 metros e tendo 60 metros da entrada à tela, o primeiro cinema de Brasília terá capacidade para 1.500 espectadores, e disporá de ar refrigerado.
Nova pista do Aeroporto – Construída segundo os mais modernos requisitos técnicos, a nova pista do Aeroporto desta cidade terá uma extensão de 3.800 metros, permitindo o pouso dos grandes aviões a jacto, e seu custo está orçado em 600 milhões de cruzeiros.
IAPB – O Presidente da comissão encarregada da construção de edifícios para o Instituto dos Bancários revela que os segurados desse Instituto e os funcionários que para aqui vieram transferidos terão à sua disposição, por aluguéis módicos, 152 casas. Declarou ainda que, do total de 456 apartamentos de construção a cargo do IAPB, já foram entregues, até o momento, 321, sendo que os restantes estarão em mãos do Grupo de Trabalho até 21 de abril. Disse, por fim, que os imóveis construídos até agora não serão vendidos.
Ministério da Viação – Anuncia a imprensa que estiveram em visita à futura Capital os servidores do Ministério da Viação que constituem o primeiro escalão daquela Secretaria de Estado que terão exercício em Brasília.
Em demorada visita de fim de semana às acomodações familiares e demais dependências do Ministério da nova Capital, os servidores em causa regressam satisfeitos e entusiasmados com o que puderam ali observar.

09
Jornalistas internacionais – Visita Brasília uma caravana composta de mais de 80 jornalistas internacionais, entre eles o Sr. William Randolph Hearst Jr., proprietário de famosa cadeia de jornais norte-americanos.
Palácio dos Despachos – Acha-se em fase de acabamento, recebendo retoques finais, o Palácio dos Despachos, com entrega prevista para os próximos dias. Nesse Palácio já foi realizado o grande banquete de recepção aos integrantes da Caravana de Integração Nacional, que recentemente se reuniu em Brasília procedendo de todos os extremos do país.
Rodovia Bernardo Sayão – O senhor Alair Barros, Chefe de serviço da Rodobrás, diz à imprensa, em entrevista, que, sem o apoio da Aeronáutica, teria sido praticamente impossível a abertura da rodovia Belém-Brasília dentro do curto prazo em que se realizou a obra, acentuando:
“Foi, com efeito, notável o trabalho realizado pelos oficiais e funcionários do Ministério da Aeronáutica destacados para apoiar as frentes de serviço dos trabalhadores da Rodobrás. Abrindo campos de pouso na selva equatorial, transportando técnicos e trabalhadores mortos e feridos, gêneros alimentícios, medicamentos, levando e trazendo notícias, as aeronaves transformaram-s, durante todo o tempo da derrubada das matas e da abertura do traçado, no único elo de ligação entre a civilização e os que construíam a estrada.”
Com a criação do Departamento de Base Aérea de Brasília, em maio de 1958, foi possível organizar-se o plano de cobertura dos aviões da FAB aos trabalhadores encarregados do desmatamento. Naquela ocasião, chegava à futura Capital Federal o primeiro C-47, com cerca de vinte homens a bordo para manutenção e guarda das aeronaves que seriam colocadas á disposição do Destacamento. Não havia em Brasília acomodações apropriadas para o pessoal.
Militares e civis comiam precariamente, pois ainda não existia rancho. As primeiras clareiras na mata foram abertas sob a orientação do Ministério da Aeronáutica. A de Guamá, às margens do rio com idêntico nome e distante 140 quilômetros de Belém, serviu como ponto de referencia ás demais, que passaram a denominar-se Quilômetro 14, Quilômetro 163, Quilômetro 305, Quilômetro 402, etc., de Guamá.
À medida que as frentes de serviço penetravam na selva, as aeronaves da FAB despejavam os alimentos em pacotes ou em sacos, na clareira mais próxima. “Paulistinhas”, “Beechcrafts” e “Douglas” efetuavam arriscados vôos rasantes e a velocidade reduzida para cumprir essas missões. Raros foram os casos de perda de material, por erro de cálculo, apesar de os pilotos efetuarem as manobras “medindo as árvores de 60 metros”. Encerrada a fase de desmatamento e com o avanço das máquinas encarregadas de nivelar o terreno e de abrir o traçado, muitas das clareiras puderam ser transformadas em pista de pouso, sob a orientação ainda dos técnicos da Aeronáutica. Hoje contam-se 18 pistas de pouso ao longo da Rodovia Belém-Brasília, com uma extensão que varia de 800 a 1.300 metros cada
Para continuar apoiando a construção da BR-14, o Destacamento de Base Aérea de Brasília dispõe agora de 3 aviões C-47. 2 helicópteros e alguns aviões de pequeno porte.”
Mais 4 aviões de treinamento a jacto, do tipo T-33 chegarão ao nosso país brevemente e serão destinados ao Curso de Caça, que funciona em Fortaleza. Esses aparelhos serão transportados para o Brasil em vôo.

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Catedral – Divulga-se que a iniciativa privada, representada pela maioria das empresas construtora que trabalham em Brasília, colaborará para o erguimento da catedral planejada por Oscar Niemeyer. A catedral, que ficará localizada na Praça dos Três Poderes, já tem sua construção iniciada, com o anel de base concluído, em formato circular.
Agora, as colunas começam a surgir e toda a população verifica que mais esta gigantesca obra, que abrigará os católicos da nova capital em suas maiores festas, terá sua construção finalizada em breve. Até agora foram reunidos para o levantamento do templo quatorze milhões e seiscentos mil cruzeiros, como colaboração de cerca de cinqüenta empresas construtoras e bancárias que operam aqui.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Às 9 horas, parte do Rio de Janeiro, com destino a Porto Alegre, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional. Batedores da Guarda Civil escoltam a caravana até à barreira da Rodovia Presidente Dutra.
Compõem a caravana trinta e sete veículos de fabricação nacional e mais de duzentas pessoas, entre autoridades civis e militares, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Na cidade de São José dos Campos, a ela se incorporarão mais cinco carros, também de fabricação nacional.
A Coluna Norte percorrerá todas as cidades que margeiam a rodovia Rio-São Paulo. De São Paulo rumará a Registro-Curitiba, Rio Negro-Lajes-Vacaria-Caxias do Sul, e finalmente, Porto Alegre, aonde deverá chegar na próxima segunda-feira.
Visita do Presidente Eisenhower – O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América cede ao Governo brasileiro, por empréstimo, o equipamento de transmissão radiotelefônico que colocará Brasília em comunicação com o resto do mundo durante a próxima visita do Presidente Eisenhower.
O equipamento destina-se a 18 canais de radiotransmissão e pesa, ao todo, 25 mil libras, ou seja, de 10 toneladas, devendo seguir para Brasília logo após seu desembarque.
Com essa iniciativa do Itamarati os correspondentes estrangeiros que acompanharam o Chefe da Nação americana à futura Capital do Brasil terão sua missão facilitada.
Organização Judiciária – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de lei que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília.
Lei Orgânica de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de Lei Orgânica do Distrito Federal de Brasília.
Hospital de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova o plano de aplicação proposto pelo Ministério da Saúde, referente à dotação de duzentos milhões de cruzeiros, para prosseguimento das obras do Hospital Distrital de Brasília.

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Ministério da Agricultura – Em entrevista de imprensa, o senhor José Vieira, Chefe do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura afirma que os setores afetos ao Ministério da Agricultura, na área da futura Capital Federal, vem sendo cuidados com a atenção exigida pela sua importância em face do crescente desenvolvimento demográfico da região. O empenho com que estão sendo realizados os serviços de fomento da produção vegetal e animal, bem como os trabalhos florestais, são de molde a assegurar perspectivas as mais animadoras, quanto a esse ãngulo, para aqueles que se vão radicar em Brasília.
– Tais serviços de fomento – acrescenta o sr. José Vieira – estão entregues a técnicos competentes e vem tendo todo apoio do Ministro Meneguetti. Realizados em regime de convênios com a Novacap, estão obtendo bons resultados, a despeito das dificuldades encontradas. Em minha visita a Brasília, pude apreciar os trabalhos diretos que a Novacap está levando a cabo no setor agrícola e que representam uma apreciável colaboração em beneficio da cidade.
Prossegue o diretor do S.I.A. informando que o convênio firmado entre o Ministério, a Novacap e o E.T.A. (Projeto 34), posto em execução em 1957, propiciou a inversão de cerca de trinta e dois milhões de cruzeiros e a aquisição de equipamentos no exterior, interessando sua aplicação a uma área de 1,892 hectares. Nessa área, que já dispõe de 43 quilômetros de estradas internas, estão sendo usados recursos para restauração e conservação do solo, bem como para terraceamento. Possui ela, agora, 300 hectares cultivados, nos quais foi aplicado o método de cultura seca e produção de cobertura vegetal, cujas finalidades são diminuir a evaporação e adubar a terra.
Passando a aludir às possibilidades agrícolas da região da futura Capital, revela o Sr. José Vieira:
– Aplicada a técnica agronômica em 4.200 m2 daquela área do Ministério da Agricultura, foi obtido no ano passado, com a plantação de 19 variedades hortícolas, um lucro de quase 160 mil cruzeiros. Ali se obteve também milho, feijão, melancia, mandioca, amendoim, bem como se conseguiu excelente resultado com a criação de aves. Existem ali duas represas em funcionamento, 5.230 matrizes frutícolas, 35 mil pés de abacaxis em produção e grande plantio de batata-doce.
Por sua vez, o Projeto-44, que reúne atividade do Ministério, do ETA e da Novacap, está alcançando bons resultados no que diz respeito á produção animal.
Numa fazenda de 1.660 hectares, estão sendo executados trabalhos proveitosos, desde 1958. Nessa fazenda, que se situa a 26 quilômetros de Brasília, foram preparados 315 hectares, dos quais 290 já se acham plantados. Mais de 100 variedades de forrageiras são cultivados em seu campo experimental, tendo sido distribuídas aos criadores locais, até hoje, mais de 120 mil mudas de capim guatemala, 40 mil de aipim, 20 mil estacas de cana forrageira, dezenas de sacos de sementes de capim gordura e outros. Este ano, poderão ser atendidos todos os pedidos das granjas oficiais e particulares de Brasília, para a formação de pastagens.
Com relação aos trabalhos florestais, estão se processando segundo os planos. Para esse fim, através de acordo com a Novacap, dispõem os responsáveis por sua execução de 600 mil mudas de árvores e 5 milhões de unidades para ajardinamento. Mais de 10 mil mudas de essências florestais e mais de 200 mil mudas ornamentais foram entregues à Novacap para arborização da cidade.
Rodovia Bernardo Sayão – Entre os serviços que a rodovia Bernardo Sayão prestará à economia do Planalto Central, a partir de pouco tempo, está o do transporte do sal, que terá o percurso de chegada a Brasília diminuído de dois mil quinhentos e vinte e oito quilômetros, bastando para tanto que seja efetivado o entrosamento desta grande estrada com a rede rodoviária nordestina. Esta afirmação está contida em um estudo escrito pelo presidente do Instituto Brasileiro do Sal, senhor Dioclécio Duarte, e enviado ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, agora encampado pela Sudene. O que se torna necessário – afirma aquela autoridade federal, na tese – é que se encontre uma fórmula de intercâmbio comercial que garanta uma troca constante, de modo a assegurar equilíbrio econômico para as empresas que se dispuserem a transportar o sal para o Planalto.
O comércio de sal para o Centro do País,com a volta dos veículos transportando, por exemplo, o charque goiano, que é de ótima qualidade, seria um dos meios concretos para a solução do problema.
Estas considerações de ordem econômica foram dadas ao CODENO tendo em vista a proximidade da transferência da capital para Brasília e a necessidade de cuidar-se de assunto de grande importância, dada a necessidade do sal para o consumo de uma grande população que se fixará no Planalto Central, bem como para os rebanhos que ali se encontram e diversos tipos de indústrias que se estabelecerão na mesma região, precisando de grandes quantidades do produto.
A mudança da sede do Governo para o centro geográfico do país motivou novos estudos por parte da direção do Instituto Brasileiro de Sal, através de seu presidente e de seus vários técnicos. A diminuição do percurso de mais de dois mil e quinhentos quilômetros, significará possibilidades de barateamento do produto, tendo em vista os fretes menores. As ligações terrestres para a rodovia Belém-Brasília estabelecerão os novos rumos para os transportes de sal nesta região brasileira que agora se lança como sede do desenvolvimento do Brasil.
Hospedagem de visitantes – A cidade de Goiânia, Capital do Estado de Goiás, já iniciou os preparativos para recepcionar ilustres visitantes que para ali acorrerão em virtude da transferência da capital no próximo mês de abril.
Sua administração municipal, chefiada pelo prefeito Jayme Câmara, realizará um original programa de hospedagem das personalidades, principalmente mestres estrangeiros e autoridades de vários Estados, nas vésperas da mudança. Nesse sentido, uma comissão especial, denominada de “cooperação”, com cinco membros, já está articulando seus primeiros movimentos, de modo a ter um completo levantamento das possibilidades de hospedagem destes visitantes em residências de família da capital goiana. O começo da atividade está se mostrando dos mais promissores, dada a tradicional cortesia da gente da Goiânia e seu espírito de colaboração a todas as iniciativas que visem o bem comum e a propiciar aos que desejam ver Brasília momentos de satisfação em contato com o povo do Planalto Central, através de seus costumes.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Em sua marcha para Porto Alegre, a Coluna alcança a cidade de São Paulo.

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Confederação Nacional do Comércio – O senhor Charles Edgard Moritz, Presidente da Confederação Nacional do Comércio, determina a constituição, nessa entidade, de um grupo de ligação com Brasília, para prestar informações ao comércio sobre os assuntos de seu interesse relacionados com a Nova Capital. Entre vários problemas que preocupam o comércio, incluem-se a questão dos tributos que incidirão sobre as casas comerciais de Brasília, procedimento para obter alvará de localização, prescrições estabelecidas para a instalação de cada tipo de casa comercial, distribuição do comércio por zonas específicas, regime de propriedade dos bens imóveis, etc. Esse grupo de ligação será o núcleo da CNC e entrará em estreito contato com a administração do Município Federal para com ela colaborar no que respeita a assuntos de interesse do comercio em Brasília. Coordenará, ainda, a transferência do funcionalismo da CNC para a nova Capital, providenciando o necessário para a instalação dos servidores.

Instituto Brasileiro do Sal – Entre as sugestões apresentadas pelo senhor Dioclécio Duarte, Presidente do Instituto Brasileiro do Sal, ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, com relação ao aproveitamento da madeiras da Amazônia para o fabrico de celulose, produto que hoje constitui assunto de interesse econômico em todo o mundo, figura a parte relacionada com a utilização do sal no Planalto Central.
Em sua tese. O Sr. Dioclécio Duarte afirma que existe uma verdadeira fome de celulose, agora, quando várias fontes demonstram nítidos sintomas de exaustão. Como exemplo de produtividade das nossas madeiras, cita o presidente do IBS o caso do nosso pinheiro, que ultrapassa o diâmetro de quarenta centímetros em apenas oito anos, enquanto árvores do mesmo produto, na Rússia, levam quarenta anos para chegar ao diâmetro de trinta centímetros.
É lógico que o Brasil deverá preparar-se para ingressar, dentro de pouco tempo, no mercado internacional da celulose. Neste ponto é que surge o interesse do Instituto Brasileiro do Sal, dado que cada tonelada de celulose exige seiscentos e sessenta quilos de sal, que serão fornecidos pela nossa indústria, propiciando-lhe um novo horizonte no terreno financeiro, de modo a oferecer-lhe perspectivas novas quanto ao aprimoramento das técnicas científicas até agora aplicadas na obtenção do produto. Esta inovação viria trazer um novo elemento que já é motivo de estudo para os nossos técnicos: o preço, que baixará na certa com o aumento da produtividade à base de salinas mecanizadas e do uso de novos tipos de transportes, principalmente o rodoviário, surgindo como ponto capital a rodovia Belém-Brasília. Somente esta estrada será capaz, com seu itinerário, de diminuir o tempo e a distância do transporte do sal em mais de dois mil e quinhentos quilômetros, possibilitando às empresas a cobrança de tarifas menores.
Ajardinamento de Brasília – A imprensa assinala que Brasília será como que um grande jardim em abril vindouro, pouco antes da mudança da sede do Governo Federal, graças ao andamento das obras neste sentido encetadas pelo Departamento Geral de Agricultura da Novacap. Os trabalhos estão sendo intensificados de modo a colocar todos os trevos, passagens de nível e viadutos completamente arborizados, o mesmo sucedendo nas encostas dos aterros das pistas já asfaltadas de várias vias de comunicação da nova Capital brasileira. Um verdadeiro batalhão de trabalhadores especializados nas tarefas de ajardinamento se ocupa, nos últimos dias, nesta tarefa que dará a esta cidade um aspecto mais interessante ainda, graças à simplicidade do traçado e à originalidade da arquitetura de Niemeyer. Para a feitura deste trabalho um ponto curioso deve ser assinalado: os técnicos estão procurando aproveitar ao máximo as árvores e plantas típicas de Planalto para o adorno da cidade.
Todas as árvores de conformação exótica, que possam constituir, a partir da mudança da Capital, atrativos turísticos, serão conservadas e terão indicações especiais. Troncos grossos assemelhando-se na forma a animais e galhos retorcidos ficarão intatos, de acordo com o estabelecido no trabalho de ajardinamento da cidade.

Caravana de Integração Nacional – A coluna Norte, em sua rota para Porto Alegre, atinge a cidade de Capão Bonito, onde pernoita.

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Caravana de Integração Nacional – A coluna Norte atinge a cidade de Curitiba, onde pernoita, após novo dia de viagem sem incidente, em perfeita ordem.
Arborização de Brasília – No Rio de Janeiro, visita o Ministério da Agricultura o senhor Vicente Ferrer Correia Lima, supervisor dos serviços agrícolas da Novacap, que informa à imprensa que, em Brasília, os serviços de arborização foram intensificados e que já se acham plantadas 18 mil mudas de essências, esperando-se que 32 mil já estejam plantadas até abril próximo. Esses plantios foram realizados na parte fronteira e no pátio interno do Palácio da Alvorada, nas áreas junto ao Hotel e anexas às escolas primárias, nas adjacências dos três trevos rodoviários e das passagens de nível. Foram usadas, principalmente, paineiras, mangabas, e cássias, havendo, em número menor, ‘flamboyants’, guapuruvas, etc.
Dez mil dessas mudas foram fornecidas pelo Ministério da Agricultura, através de Acordo Florestal com a Novacap e pelo Horto Florestal de Silvânia, sendo as demais ofertadas pelo Estado de Goiás e pela Prefeitura, das quais cerca de 200 na Praça dos Três Poderes.
Além das atividades, algumas centenas de hectares de tapetes verdes já foram plantados, em numerosos pontos de Brasília, principalmente nas áreas residenciais, junto aos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, sendo empregadas em grande escala, as gramíneas “batatais e seda” (capim de burro do Nordeste).
Atividades escolares – No Rio de Janeiro, a Diretoria do Ensino Secundário, do Ministério da Educação e Cultura, comunica aos interessados que as aulas dos estabelecimentos de ensino secundário mantidos por particulares, em Brasília, começarão normalmente em março.
Apenas o Centro de Educação Média e o Centro de Educação Complementar obedecerão ao que determina a Portaria Ministerial no. 36, de 29 de janeiro de 1960, cujos termos são os seguintes:
“Fixa, para o corrente ano, a época especial para inicio e término do ano letivo e prestação de provas nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura em Brasília.
O Ministro de Estado da Educação e Cultura, de acordo com o que lhe faculta o disposto na Lei no. 57, de 6 de agosto de 1947, tendo em vista a mudança da Capital da República para Brasília no dia 21 de abril de 1960, e, em caráter excepcional, resolve:

Art. 1º – Fixar, para o corrente ano, em 16 de maio e 23 de dezembro, respectivamente, as datas para o inicio e o término das aulas nas escolas do Centro de Educação Média e do Centro de Educação Complementar de Brasília.
Art.2º – Será de férias escolares o período compreendido entre 28 de agosto e 11 de setembro.
Art.3º – As provas parciais e finais realizar-se-ão nos períodos de 22 a 27 de agosto e de 12 a 23 de dezembro”.

Lago de Brasília – Verificação realizada pelo Serviço Hidráulico da Novacap apura haver o lago artificial atingido a quota de 990,04 metros de água acima do nível do mar, faltando apenas 10 metros, portanto, para ser atingida a quota máxima, que é de mil metros. A 21 de abril próximo estarão faltando apenas 5 metros.
Supermercado – Divulga-se que até o fim de fevereiro deverão estar concluídas as obras do Supermercado “Unidade de Vizinhança” do Plano Piloto. A construção encontra-se em fase de pintura, presentemente sendo preparadas as instalações das câmaras frigoríficas e o ajustamento de esquadrias. O Supermercado terá duas câmaras frigoríficas e seu salão útil compreenderá uma área de 810 metros quadrados.
Rodovia de Goiás – O Engenheiro Abel de Carvalho, diretor-geral do D.E.R., de Goiás, declara à imprensa considerar simplesmente extraordinário o impulso que a rodovia Belém-Brasília deu ao desenvolvimento rodoviário goiano, tornando realidade o sonho das populações do “hinterland” do Estado: obtenção de meio de acesso a outras regiões do País. Através do D.E.R. o Governo de Goiás promove a ligação à estrada Belém-Brasília de pelo menos 16 municípios, a saber: Peixe, São Miguel do Araguaia, Porto Nacional, Cristalândia, Pium, Miracema, Tocantínia, Tupirama, Pedro Afonso, Filafélfia, Babaçulândia, Xambicá, Tocantinópolis, Nazaré e Araguatina. Algumas dessas ligações estão quase concluídas e é certo que todas estarão, ainda no corrente ano, abertas ao tráfego. Ressaltando a importância da Rodovia Bernardo Sayão, para o progresso econômico do Estado, diz por fim, o diretor do D.E.R. de Goiás, que essa estrada serve a 55 municípios goianos.
Televisão – A imprensa divulga que, por ocasião da mudança da Capital, Brasília terá sua primeira TV. Os trabalhos de fundação da base para a torre de televisão, que se localizará no Eixo Monumental, nas proximidades da estação rodoviária, já foram iniciados. A torre terá 275 metros de altura, incluídos nesse total os 70 metros da plataforma de concreto que sustentará a parte metálica.

Escola-Parque – Divulga-se a conclusão da construção da Escola-Parque destinada aos filhos dos residentes da Fundação da Casa Popular. De acordo com os planos estabelecidos, cada Unidade de Vizinhança terá um estabelecimento no gênero, ou seja, uma Escola-Parque, cuja finalidade é complementar as atividades das Escolas-Classes, cuidando do desenvolvimento artístico, físico e recreativo das crianças. A Escola-Parque dispõe de pavilhão de artes industriais, conjunto de atividades sociais (música, dança, teatro, exposição e clube), instalações para a prática de educação física, refeitório e administração. Em seu conjunto de edifícios, a Escola-Parque atenderá a dois mil alunos, divididos em dois turnos.
Senado Federal – Conclui-se nesta data o revestimento da cúpula do edifício do Senado Federal, feito à base de cimento branco, empregando-se processo especial, de quatro mãos de massa e acabamento a pistola de pressão, sendo gastos 4 quilos de massa em cada metro quadrado. A área da cúpula do Senado é de 1.500 quadrados e a da Câmara de 6 mil metros quadrados.


Foto: Carol Boclin

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Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, partindo de Curitiba, rumo a Porto Alegre, alcança a cidade de Vacaria, onde pernoita.

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Caravana de Integração Nacional – Partindo de Vacaria, a Coluna Norte da Caravana alcança o ponto final de sua jornada, Porto Alegre, completando, assim, a ligação terrestre entre a capital gaúcha e Belém do Pará, via Brasília, num percurso total de mais de cinco mil quilômetros, assim divididos: de Belém a Brasília, pela rodovia Bernardo Sayão, 2.250 quilômetros; de Brasília ao Rio de Janeiro, 1.200 quilômetros; do Rio de Janeiro a São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais de 1.600 quilômetros. Os veículos brasileiros utilizados pela Coluna Norte, e que chegam a Porto Alegre às 17h e 30m, são em número de sessenta.
Hospital Distrital – Os jornais anunciam que, em 21 de abril de 1960, Brasília poderá contar com todos os serviços em pleno funcionamento, do seu Hospital Distrital, que se ergue entre a Praça dos Três Poderes e a Asa Norte, na zona hospitalar do Plano-Piloto. Formado por cinco blocos, o Hospital Distrital será dotado de todos os mais modernos requisitos para o perfeito cumprimento de sua finalidade.
Seus cinco blocos ocuparão uma área de 32 mil metros quadrados. O bloco A terá 12 pavimentos, com 80 metros de frente por 16 de largura; o bloco B compreenderá: enfermaria, isolamento, administração, pronto-socorro, centro cirúrgico e ambulatório; o bloco C será o dos consultórios médicos; o D se destinará aos serviços mecânicos (tratamento d’água, caldeira, instalações de vapor, estação de força de emergência): finalmente, no bloco E se localizará a rotunda, ou seja uma estação de tratamento de gases. À exceção do primeiro, todos os blocos terão apenas um pavimento.
As dependências do ambulatório, do pronto-socorro e do centro cirúrgico serão dotadas de ar refrigerado. Entre outros modernos equipamentos, o Hospital Distrital de Brasília terá: central de oxigênio, com tomadas em todas as enfermarias; controle de pressão automático, comutado com a central telefônica urbana; correio pneumático; central de filtragem de água e central de fornecimento de vapor, para esterilização de instrumentos.
Congresso Nacional – No plano de construção dos edifícios do Congresso Nacional em Brasília, imprime-se ritmo mais acelerado às unidades para o Senado e a Câmara. Dentro em poucos dias poderá iniciar-se o ajardinamento do local.
Lago de Brasília – Em Brasília, desperta grande interesse a chegada de cinco lanchas, que serão postas à venda por uma firma estabelecida no Núcleo Bandeirante. Com essas lanchas, que vieram por via aérea e que, certamente, em pouco, estarão sendo utilizadas no Lago Artificial, chegaram vários tipos de materiais náuticos, como esquis, salva-vidas, âncoras, bóias e motores especiais para a tração de esquis. A propósito, mencione-se que se encontra em organização o Iate Clube de Brasília.
Parque Desportivo – Iniciam-se as obras de construção e preparo de um parque desportivo para os habitantes da Asa Sul do Plano Piloto, no Eixo Rodoviário, parque completo, com piscina para crianças e play-ground.
Governador do Amazonas – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Senhor Gilberto Mestrinho, Governador do Estado do Amazonas, o seguinte telegrama:
“Ainda sob a impressão maravilhosa que me deixou esse monumento arquitetônico gigantesco que é Brasília, fruto do governo ciclópico e grandemente patriótico de Vossa Excelência, quero expressar-lhe o meu profundo agradecimento, não só pelo magnífico tratamento que houve por bem dispensar-me e aos demais membros da minha comitiva, como também pelo carinho com que foram solucionados vários problemas de vulto desta unidade federativa, permitindo desse modo que o Amazonas possa ressurgir do ocaso em que durante muito tempo esteve mergulhado, para resplandecer em progresso entre os mais futurosos pedaços da grande Nação brasileira.
Transmitindo a Vossa Excelência, como amazonense e como dirigente deste Estado, a imensa gratidão do povo de minha terra, sinto-me honrado em mais uma vez assegurar-lhe a minha admiração, meu respeito e mui elevada consideração.”

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa divulga que já se encontram concluídas e em condições de utilização todas as obras de arte da rodovia Belo Horizonte-Brasília.
O serviço foi dado como terminado com a conclusão dos serviços de construção da ponte sobre o rio São Francisco, com 360 metros de comprimento, no valor total de
Cr$ 80.377.591,40. A sua entrega ao tráfego poderá ser feita a partir do próximo dia 20.

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Urbanização – Acelera-se o ritmo de trabalho nas ruas e avenidas de Brasília, empregando-se, no preparo dos leitos, em cada boca dos trevos, três máquinas, 24 horas por dia.
Taguatinga – Com os restos de madeira empregada na construção de edifícios públicos, foram construídas em Taguatinga, cidade-satélite, 100 casas para os habitantes da Vila Amauri que tiveram suas residências tomadas pelas águas do Lago Artificial. O trabalho está sendo executado pela Novacap e tem a inspirá-lo a preocupação de oferecer aos trabalhadores e suas famílias condições humanas de habitação, com todos os requisitos de conforto e higiene.
DASP – A Novacap divulga que o bloco do conjunto dos Ministérios destinados ao Departamento Administrativo do Serviço Público e ao Tribunal de Contas da União já está concluído e com várias seções mobiliadas e vem funcionando com todos os seus sete elevadores. Em condições quase idênticas se acham mais cinco blocos ministeriais, faltando a estes, para a conclusão definitiva, pequenos serviços de acabamento.
Reunião ministerial – Reúnem-se, no Palácio do Catete, o Ministro da Justiça, o Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, o Deputado Abelardo Jurema, líder da Maioria, o Deputado Neiva Moreira, Segundo Secretário, o Sr. Guilherme Aragão, Diretor-geral do D.A.S.P., o Coronel Celso Neves e o Senhor Felinto Epitácio Maia, Secretário do Grupo de Trabalho incumbido da mudança da Capital para Brasília. São, na ocasião, examinadas as providências complementares da alçada do Executivo e referentes à mudança da Câmara dos Deputados para Brasília. O Deputado Neiva Moreira fez uma exposição completa das necessidades dos congressistas, bem como do corpo de funcionários face à mudança para a nova Capital.
O Coronel Celso Neves informa aos participantes da reunião que os plenários do Senado Federal e da Câmara dos Deputados serão dotados de aparelhos de refrigeração.
Todo o equipamento necessário já encontra em Brasília a fim ser devidamente instalado. Fica resolvido que o Deputado Neiva Moreira permanecerá em constante contato com o Chefe do Gabinete Civil e com os competentes órgãos do Executivo a fim de resolver todos os problemas de que depende a transferência dos Deputados e de suas famílias.

Presidência da Republica – O Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República designa uma Comissão constituída dos servidores Alsirio Palermo, Raul Iguaguara de Miranda, Sizenando Matos Bourguignon Júnior, Otávio de Oliveira Guedes e Darcília de Freitas Mendes para, sob a presidência do primeiro, apresentar, no prazo de trinta dias, o levantamento do acervo e equipamentos do Gabinete Civil da Presidência da República a serem transferidos para Brasília.
Banco Interamericano – A imprensa divulga que o Banco Interamericano, reunido em Assembléia na cidade de San Salvador, capital da República de El Salvador, decidiu realizar sua próxima Assembléia em Brasília, por votação unânime de seus participantes.
Bloco Parlamentar Mudancista – O Bloco divulga o seguinte comunicado:
 “O Bloco Parlamentar Mudancista, integrado por 230 Deputados de todos os partidos, ontem reunido no salão nobre da Câmara Federal, resolveu tomar as seguintes deliberações:
 1)     Envidar todos os esforços para a rápida tramitação dos Estatutos do novo Distrito Federal e do Estado da Guanabara;
2)     Reafirmar que Brasília possui todas as condições de habitabilidade previstas para o seu funcionamento no dia 21 de abril próximo;
3)     Reiterar a disposição de não concordar com a instalação de comissões de inquérito sobre a construção de Brasília até que se efetive a mudança da Capital.”

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Caravana de Integração Nacional – O Coronel-Aviador Lino Romualdo Teixeira, sub-chefe do Gabinete Militar da Presidência da República e o Senhor Waldir Bouhid, Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que chefiaram a Coluna Norte, da Caravana de Integração Nacional, enviam ao Presidente Juscelino Kubitschek de Porto Alegre, o seguinte telegrama:
 “Comunicamos ao eminente Presidente que a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional acaba de completar a última etapa de sua vitoriosa caminhada. Partindo de Belém e tendo como objetivo inicial atingir Brasília, a Coluna, após memorável encontro com V. Excia, na nova Capital, prosseguiu viagem até o Rio de Janeiro, estendendo-a ao Rio Grande do Sul, a cuja capital chegou às 18 horas de ontem, depois de cruzar os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A Coluna Norte, com esta travessia histórica, realizou uma viagem de verdadeira integração nacional, percorrendo todo o Brasil, de Norte a Sul, em rodovias construídas por engenheiros e trabalhadores brasileiros, numa extensão de mais de cinco mil quilômetros, em veículos de fabricação nacional, concretizando duas metas importantes do seu dinâmico e patriótico Governo – a rodoviária e a automobilística. A Coluna Norte da Caravana foi recebida em Porto Alegre pelo governador Leonel Brizola e pelo prefeito Loureiro da Silva, nos palácios do Governo e da Prefeitura, sendo saudada por ambos, que ressaltaram a obra governamental de Vossa Excelência e a sua grande repercussão econômica e social, em todo o país. O povo gaúcho encheu as ruas e avenidas que constavam do trajeto da caravana em Porto Alegre e aclamou, com vibração e entusiasmo, o nome do Presidente que promoveu a unificação física do Brasil, através do seu programa de governo.”
Reunião ministerial – A fim de tratar da mudança do Governo para Brasília realiza-se, pela manhã, no Palácio do Catete, uma reunião entre os Ministros de Estado, os chefes dos Gabinetes Militar e Civil da Presidência da República, o Presidente do Banco do Brasil, o Diretor Geral do DASP e o secretário do Grupo de Trabalho para a mudança da Capital para Brasília.
No decorrer da reunião, as autoridades demonstram perfeita coesão e identidade de pontos de vista no que diz respeito à mudança da Capital para Brasília na data legalmente fixada, estando todos os Ministérios em condições de se instalarem na nova Capital, no próximo dia 21 de abril, sem qualquer modificação do programa estabelecido. Externam os Ministros de Estado disposição de enfrentar qualquer resistência à mudança, não considerando, de forma alguma, qualquer cogitação de adiamento.
O chefe do Gabinete Civil transmite, na ocasião, a recomendação do Presidente da República ao Ministro da Fazenda no sentido de que colocasse à disposição do Grupo de Trabalho todos os recursos necessários à mudança dos Ministérios. Fica esclarecido que todos os Ministérios já aprontaram a relação dos funcionários que seguirão inicialmente para Brasília. Semanalmente haverá uma reunião ministerial com o objetivo de continuar o planejamento e a execução da mudança do pessoal remanescente. O contato entre o Governo instalado em Brasília e as repartições que permanecerem no Rio até a completa mudança ficará a cargo do Ministério da Aeronáutica, que organizará um serviço para o transporte, diariamente, de dois funcionários de cada Ministério, até um total de quarenta pessoas, que servirão de elementos de ligação.
O Presidente do Banco do Brasil reafirma que, no dia 21 de abril, aquele estabelecimento estará instalado em Brasília, com os respectivos diretores e uma equipe de funcionários, em pleno trabalho.
O titular da Agricultura adianta que, no dia 20 de março próximo, o Ministério estará instalado em Brasília. Todas as providências para o abastecimento já foram tomadas para que o mesmo se apresente em condições normais no dia 21 de abril.
O Ministro da Educação faz um relato sobre os trabalhos realizados a fim de que, ao se efetuar a mudança do Governo, sejam asseguradas as matrículas que se fizerem necessárias ao ensino primário e secundário, em Brasília. Os professores para o ensino primário e secundário estão sendo devidamente selecionados. Com esse objetivo foi aberta uma inscrição para o aproveitamento de cem professores, que servirão na Nova Capital, tendo se apresentado um total de mil e quinhentos candidatos.
Fica assentado que, diariamente, cada Ministério divulgará, através da Agência Nacional, o andamento dos trabalhos relativos à mudança de seu pessoal e de seus serviços.
Adianta o Ministro da Viação que, no dia 20 de abril, estarão em funcionamento 120 canais de micro-ondas, solucionando o problema das comunicações entre Brasília e o Rio.
No dia 25 de março, conforme resolvido, seguirá para Brasília a primeira turma de funcionários da Presidência da República que servirão na Nova Capital. No dia 22 de abril, o Palácio do Catete estará fechado.
O Ministério das Relações Exteriores, que requer condições especiais para seu funcionamento, será instalado, provisoriamente, no edifício do Ministério da Saúde, ocupando quatro pavimentos do mesmo.
O General Nelson de Melo informa que o Marechal Odílio Denys não pudera comparecer, mas que o incumbira de adiantar aos presentes que o Ministério da Guerra está em condições para se transferir para Brasília no dia 21 de abril.
Serviço telefônico – O Departamento de Telefones Urbanos e Interurbanos acaba de instalar, em caráter experimental, doze canais telefônicos de ondas curtas. O sistema utilizado, posto em funcionamento em tempo recorde, facultará a Brasília comunicar-se como todo o país através de telefonemas por onda curta. No momento, a cidade dispõe de 225 aparelhos telefônicos automáticos, com rede aérea provisória, mas está programada para breve a instalação de 5 mil linhas com capacidade para 6.500 telefones, sendo de se ressaltar que nesse trabalho será empregado o equipamento mais moderno do mundo, tipo “cross-bar” E, para futuro próximo, está programada a instalação, no Plano Piloto, de 200 mil aparelhos. Para comunicações com o Rio, São Paulo e Belo Horizonte, será usado o processo de micro-ondas, que difere daquele agora instalado.

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Sistema educacional – O Professor Clóvis Salgado, Ministro da Educação e Cultura, expõe, pela “Voz do Brasil”, os seguintes aspectos do sistema educacional de Brasília:
“Na reunião ministerial, ontem realizada no Palácio do Catete, dei conta das providências que vem sendo tomadas de longa data, para que um bom sistema escolar entre a funcionar em Brasília, na data da mudança da capital. Reproduzo aqui, pela “Voz do Brasil”, as informações prestadas, que são, felizmente, tranqüilizadoras.

Desde o primeiro momento que o Ministério da Educação vem colaborando no plano de construção de Brasília para que a rede escolar tivesse áreas de terreno amplas e bem localizadas, para sua gradual expansão, dentro das condições aconselháveis.
Dos estudos  procedidos por educadores e arquitetos, resultou a distribuição das diferentes unidades escolares pela área urbana projetada, de modo a atender toda a população prevista, com escolas de todos os níveis e ramos do ensino.
Tal distribuição ficou garantida em convênio firmado com a Novacap, quando da entrega dos primeiros recursos fornecidos pelo Ministério para obras escolares. Desse modo, julgo que Brasília oferecerá aos seus futuros estudantes escolas suficientes e, além disso, bem localizadas em relação à residência dos alunos a que devem servir.
Ao esforço público de educação em Brasília veio cedo juntar-se a cooperação da escola privada, que tem sido recebida de braços abertos. Muitos colégios já receberam generosas áreas de terreno, para construção de suas sedes na bela cidade. Três deles já estão em plena atividade prestando ótimos serviços à crescente população estudantil.
Até dezembro de 1959, o sistema escolar de Brasília ficara a cargo da Novacap, que instalou uma rede provisória de ensino primário, bem satisfatória, chegando a abrigar mais de 5 mil crianças. Por seu lado, o Ministério da Educação criou classes para adolescentes e adultos analfabetos.
Desse modo, embora em caráter de emergência, a cidade nascente vinha tendo uma razoável assistência educacional primária. E também uma excelente escola profissional para treinamento rápido do pessoal que chegava, cada dia, sem qualquer preparo. Essa escola, instalada em prédio definitivo, e bem equipada, permanecerá em caráter definitivo.
Novos e excelentes prédios já se acham concluídos para receber as crianças que se vão transferir a 21 de abril: jardins de infância, escola-classe e escola complementar. A escola classe é o nosso conhecido grupo escolar, com novo nome e salas de maior conforto. A escola complementar é quase uma novidade: permitirá que as crianças tenham mais quatro horas diárias de caráter educativo: trabalho manual, práticas desportivas, atividades artísticas e sociais. Um grande progresso, na verdade.
O curso secundário teve o seu calendário ajustado à data da mudança. As aulas começarão a 1º de maio, segundo recente portaria ministerial, na escola pública e no Colégio D. Bosco, cujo novo prédio, em linhas soberbas, ficará pronto naquela data.
O curso secundário, completo, isto é, ginasial e colegial, estará funcionando em boas instalações provisórias, no primeiro período. Mas já no 2º período, isto é, em agosto, passará para uma majestosa sede definitiva que tomou o nome de Escola Compreensiva, por que abrigará não só o curso secundário, como os demais ramos do ensino médio, comercial, industrial, normal e agrícola. É uma experiência nova, esse centro educacional de nível médio, há muito tempo desejado pelos educadores. Brasília vai tê-lo. Para a prática dos alunos do curso agrícola, o Ministério da Agricultura está instalando uma escola agro-técnica na periferia da cidade, que funciona em princípios de 1961.
Para a Universidade, há apenas área reservada e projeto em andamento. A Universidade do Brasil já foi autorizada a fazer funcionar a 6ª série médica em Brasília, aproveitando-se o amplo Hospital que o Ministério da Saúde ali está erguendo. Todas as providências ao lado da Faculdade Nacional de Medicina vem sendo tomadas para que a ordem do Presidente se cumpra. É certo que, em dezembro do corrente ano serão recebidas as transferências dos alunos promovidos à 6ª série, os quais começarão a trabalhar, no Hospital de Brasília, em janeiro de 1961. Essa feliz solução tornou-se possível graças à nova orientação do ensino médico, que reservará a 6ª série apenas para estágio em clínicas fundamentais. Os alunos se beneficiarão com os modernos equipamentos que o Hospital de Brasília vai receber. O Hospital contará com o trabalho gratuito dos doutorandos.
Para lecionar na nova capital não faltarão, felizmente, bons professores. A inscrição aberta, recentemente, encerrou-se com um resultado surpreendente: mais de 1.500 candidatos. Estamos, por isso, fazendo uma seleção rigorosa, para apurar uma centena, isto é, um professor escolhido, em cada 15 candidatos. Já se vê que teremos excelentes mestres, todos com boa prática de ensino, para tornar altamente eficiente a rede escolar da Nova Capital.
Lá o Ministério da Educação já assumiu, através de um novo órgão, a CASEB, a direção efetiva do sistema escolar público. Temos razões para afirmar que nada faltará aos estudantes dos cursos primários e secundários para prosseguirem, normalmente seus estudos em Brasília. Que as famílias confiem nas providências do Governo, é a conclusão desta palestra.”
VASP – A Viação Aérea São Paulo inaugura a linha regular São Paulo, Poços de Caldas e Belo Horizonte, com conexão direta para Brasília.
Presidente Eisenhower – Anuncia-se que os membros da comitiva do Presidente dos Estados Unidos ficarão hospedados no terceiro andar do Brasília Palace Hotel, todo reservado para tal fim. antecipando-se à chegada do Presidente dos Estados Unidos, já se acham ocupando alguns dos apartamentos técnicos da missão de comunicação, à qual cumprirá estabelecer ligações oficiais com aquele país, de forma a possibilitar ao Presidente Eisenhower falar diretamente com Washington, sempre que o desejar.

 

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Produção animal – Por determinação do Ministro da Agricultura, são enviadas para Brasília 55 vacas leiteiras, que acabam de ser entregues à Fazenda-Escola do Ministério da Agricultura, em instalações nas proximidades de Brasília. Esses animais serão revendidos em prestações durante três anos, ao preço de Cr$ 21 a Cr$ 23 mil cruzeiros o exemplar. Outras remessas serão feitas dentro do programa de fomento da produção animal ali em execução pelo Ministério, através de Projeto ETA 44, com a colaboração da Novacap.
Além disso, a própria Fazenda-Escola manterá, dentro em breve, 50 vacas holandesas de alta produção leiteira, para abastecimento local.
Abastecimento – Pela Voz do Brasil, o Senhor Mário Meneguetti, Ministro da Agricultura, profere a seguinte exposição a respeito do abastecimento em Brasília:
“Cabe hoje ao Ministério da Agricultura, pelo seu titular, dar todos os esclarecimentos sobre a situação de Brasília, no que se refere ao abastecimento normal de gêneros de primeira necessidade à população, e também dar a todos uma idéia de como irá funcionar na futura capital o Ministério da Agricultura.
Devo afirmar a todos que me ouvem que a produção hortigranjeira em Brasília dá perfeitamente para abastecer à população da Nova Capital. Quanto à carne, não haverá dificuldade nenhuma. Há abundância de produção e a preços mais acessíveis que os da atual Capital. É claro que é preciso organizar um sistema de distribuição para alimentos de primeira necessidade: supermercados à disposição de pessoas que irão morar no centro da cidade, em apartamentos ou casas de vizinhança. Já estão em vésperas de serem inaugurados super-mercados, construídos pela Novacap. Há abastecimento normal para um grande número de pessoas, mas outros poderão ser instalados, provisoriamente, até que sejam construídos mais super-mercados, até 21 de abril, pois haverá armazéns em estabelecimentos comerciais e mercadinhos, onde a população poderá comprar artigos de primeira necessidade para a sua alimentação.
O planejamento de Brasília, uma vez terminado, talvez seja o inicio de sistema novo no Brasil. Aliás, Brasília é, por si só, uma obra nova e universal como todos o sabem.
Seu sistema de abastecimento, uma vez terminado, se constituirá de super-mercados, com função de abastecimento de núcleos populacionais no máximo de 15.000 pessoas. Quer dizer que essas 15.000 pessoas encontrarão artigos necessários para a sua subsistência perto da zona residencial, sem necessidade de transporte em ônibus ou automóvel particulares; poderão mesmo ir a pé, pois estão sendo organizados esses mercados com todas as utilidades familiares. Até lá, levará algum tempo. Talvez até o fim do ano concluiremos as medidas que vamos tomar.
Eis as razões por que defendi, na última reunião do Ministério da Agricultura, a ida deste Ministério, antes do Governo Federal ser instalado; propus, e foi aceito, que antes do dia 20 ou 25 de março o Ministério deverá mudar-se para reforçar essas medidas referentes ao abastecimento normal da população. É um compromisso que tome voluntariamente e com o máximo prazer, na certeza de que poderemos contornar as dificuldades que existem.
Vejo com satisfação, com todos verão, que essas dificuldades serão contornadas e resolvidas até 21 de abril.
Devo dizer, também, que algumas reações, se é que existem, por parte de parlamentares e outras pessoas que são forçadas a lá se instalar, por um dispositivo constitucional (que todos devemos cumprir), não se justificam: esses parlamentares deverão ficar satisfeitos, como nós também, pois estaremos mais em contato com o povo do interior do Brasil.
É um imperativo democrático que todos devemos assumir com o máximo prazer e grande satisfação.
Como Ministro da Agricultura, devo dizer, estou perfeitamente tranqüilo no que se refere à questão do abastecimento indispensável para aqueles que vão habitar na Nova Capital.
Ao terminar esta palestra, no espaço radiofônico que me é dado utilizar pela Voz do Brasil, devo esclarecer a opinião pública que estamos colaborando com o atual Governo da República, com o Presidente Juscelino Kubitschek, dispostos a dar o máximo de nossos esforços e nosso sacrifício para que se concretize a obra gigantesca que o Governo está realizando. É um motivo de orgulho poder colaborar com a instalação de Brasília, que é hoje uma obra universal, pertencente ao Brasil, à nossa querida pátria.
Estas são as palavras terminais. Espero que todos compreendam a situação real e a importância que tem nossa mudança para o interior do Brasil”.
IPASE – Mais de trezentos operários empenham-se, desde sábado último, dia 13, nos trabalhos de construção de 210 casas de residência, destinadas a funcionários públicos federais. De acordo com o contrato firmado pelo IPASE com a firma construtora, o prazo para a entrega dessas casas é de 150 dias, mas procura-se conseguir que a tarefa seja executada em tempo mais exíguo, de forma a estar cumprida até abril próximo. De acordo com informações colhidas, as residências terão dois e três dormitórios, sala, varanda, banheiro e dependências completas para empregados.
Plataforma rodoviária – Iniciada em fins de dezembro de 1958, acha-se em sua fase final a construção da Plataforma Rodoviária de Brasília, obra projetada por Lucio Costa e cuja execução foi entregue pela Novacap a firma particular, selecionada por concorrência pública. A Plataforma, com 9 metros de altura, é um dos trabalhos mais arrojados deste grande canteiro de obras modernas e será uma das estações rodoviárias mais perfeitas do mundo.
Nela foram gastos 160 mil sacos de cimento, 600 toneladas de aço duro para concreto e 800 toneladas de aço de outro tipo. Terá, além das instalações comuns a tais edificações, restaurante, bar, cozinha, guarda-volumes, quatro escada rolantes e três elevadores, com capacidade para 20 pessoas cada um.


Foto: Arquivo Público do DF

Professorado – Mil e quinhentos mestres, entre especialistas nos cursos primários e secundários, se inscreveram para o concurso de seleção visando a formação dos corpos docentes que o Ministério da Educação e Cultura manterá na nova capital, através da Comissão Administrativa do Sistema Escolar de Brasília – CASEB.
O número de vagas existentes é de apenas cem nesta primeira fase, devendo aumentar brevemente, quando todas as unidades escolares planejadas estiverem em pleno funcionamento. O pessoal docente que for escolhido deverá estar em Brasília no fim do próximo mês de abril, já que o ano letivo ali será iniciado no dia primeiro de maio, de acordo com recente portaria baixada pelo Ministro Clovis Salgado, regulamentando o assunto. No momento, a CASEB realiza uma série de gestões visando fornecer aos professores que forem escolhidos nas provas nos meios adequados para a transferência de suas residências para o Planalto Central.

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Comunicações – Pela Voz do Brasil, o Almirante Ernani do Amaral Peixoto, Ministro da Viação e Obras Públicas, assim expõe a questão de comunicações em Brasília:
 “Nos últimos dias, tem aparecido nos jornais notícias desencontradas a respeito da mudança da capital para Brasília. há como que uma intenção bem definida de criar embaraços a essa mudança, criando situação de desconfiança, entre as pessoas que lá vão residir, sobre as condições que a Nova Capital oferece.
Um dos pontos mais visados tem sido o das comunicações. Diz-se que Brasília ficará isolada do resto do Brasil.
Nós acabamos de ver, através das Caravanas de Integração Nacional, que as estradas, convergindo sobre Brasília, estão dando acesso fácil à Nova Capital. Os caminhões e jipes, saindo do Norte, do Oeste, do Leste e do Sul encontraram-se, na data marcada, em Brasília, em meio às maiores alegrias de todos que lá se achavam e que compreendiam o grande alcance daquele encontro.
Um ponto também muito visado é o sistema de comunicações telefônicas e radio-telegráficas. Diz-se que não há possibilidades de Brasília se comunicar com qualquer parte do território nacional, mesmo com as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a facilidade exigida pela importância que vai ter aquela cidade. Desejo passar em revista o que existe atualmente a respeito e o que está sendo feito, para mostrar que podemos efetuar a mudança tranqüilamente para Brasília, porque o sistema de comunicações o permitirá. Atualmente, as tele-comunicações são efetuadas através de dois transmissores: um de dois canais e um outro de reserva. Esse transmissor maior, de 2,5 quilowatts usa um canal em fonia e outro em telegrafia, via teletipo.
O canal de reserva funciona com 500 watts e trafega em Morse. Esse sistema, naturalmente, construído para o período atual de instalação da Nova Capital, atende às necessidades atuais, mas seria muito precário para a ocasião da instalação do Governo em Brasília. Dentro de poucos dias, porém, teremos mais três transmissores e três receptores em ondas curtas, cada um deles com 4 canais telefônicos, num total de 12 de canais, portanto, usando terminais telefônicos Ericson. Ressalte-se que cada um desses canais poderá ser desdobrado em 12 canais para telegrafia. Desses transmissores,2 já estarão em funcionamento quando recebermos, na próxima semana, a visita do Presidente dos Estados Unidos, e o terceiro entrará em funcionamento antes de 21 de abril, data da inauguração de Brasília. Tais conjuntos já estão sendo usados experimentalmente. Além disso,  Brasília está ligada radiotelegraficamente e por linha telegráfica, com Goiânia e, portanto, com o resto do país.
O grande sistema de comunicações, entretanto, ainda não será esse. Será o de micro-ondas, em ligação direta com o Rio de Janeiro, com um “link” de 120 canais telefônicos, através de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia  e Brasília. Esperamos que esse sistema esteja em funcionamento no mês de abril; um outro circuito já está sendo estudado para ligar diretamente Brasília a São Paulo, tendo-se em vista, naturalmente, o aumento de serviço, que será extraordinário com a mudança da Capital.
Estamos, assim, perfeitamente tranqüilos quanto às comunicações entre Brasília e o resto do país. Aliás, a próxima visita do Presidente Eisenhower será uma experiência interessante, pois os jornalistas que o acompanham e os jornalistas brasileiros, que lá estarão para registro desse grande acontecimento, pretendem transmitir de Brasília 100 mil palavras por dia, e nós acreditamos que será possível alcançar esse número.
As ligações ferroviárias seguem o programa traçado e acredito que, até o fim deste ano, Brasília estará ligada a Anápolis. Os trabalhos, que já não estão mais na fase de estudos, e sim na de plena execução, seguem o seu ritmo normal.
Portanto, como os brasileiros acabaram de constatar, este alarma, esta grande celeuma que se faz em torno da impossibilidade da mudança, sob o aspecto das comunicações, não tem o menor fundamento. Vamos aguardar o dia 21 de abril, quando o Governo, instalado em Brasília, iniciará uma nova era de progresso para o nosso país.
Vamos registrar mais um fato: a ligação de Brasília com o Território do Acre. Isto, alguns anos atrás, poderia parecer um sonho, um sonho inteiramente irrealizável. Não fora a construção de Brasília, possibilitando estradas que convergem para essa cidade, nós não poderíamos nem sequer pensar em entrosar o Acre com o sistema rodoviário brasileiro. Temos esperanças de que, antes do fim do atual Governo, já essa ligação estará terminada.
Vamos mudar a Capital para Brasília, e isto representará, certamente, uma nova fase para o Brasil. Fase de progresso, que vai estimular a confiança dos brasileiros neste grande país.”

Energia elétrica – A rede de energia elétrica de Brasília, que é subterrânea e oferece a característica de permitir a realização de consertos sem necessidade de perfuração do asfalto, terá, em sua primeira fase, a extensão de 400 quilômetros. Desse total, já estão concluídos 290 quilômetros, sendo que até o dia 10 de março o abastecimento de energia deverá estar estendido até as superquadras. A energia procede da subestação da CELG, através de fios aéreos, os quais, à distância de 1 quilômetro do Plano Piloto, passam para a rede subterrânea.

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Presidente Eisenhower – Anuncia-se que no aeroporto de Brasília será construída uma estação provisória, que abrigará, além dos aviões que conduzirão os Presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, 4 aviões dos tipos “Boeing” 207 e 727, que transportarão a comitiva do Presidente Eisenhower. Nesse local, será realizada a primeira cerimônia oficial em homenagem ao estadista norte-americano: o desfile de soldados da 6ª. Companhia sediada na cidade.
Cinegrafistas de toda a parte do mundo estão chegando a Brasília para colher flagrantes da visita que o Presidente dos Estados Unidos fará à nova capital do Brasil. Serão feitos filmes em cores e em cinemascope, para exibição nas telas dos cinemas de todas as cidades da terra. Números repórteres, dos mais categorizados, já se encontram em Brasília.
Televisão – Aceleram-se os trabalhos de construção da torre de televisão de Brasília. A firma incumbida da montagem vem desenvolvendo esforços no sentido de concluir a empreitada no prazo previsto. A torre, que se encontra localizada no eixo rodoviário, terá 150 metros de altura, sendo assentada numa base de cimento de 70 metros.
Banco do Brasil – Em entrevista à Agencia Nacional, o senhor Ascânio de Faria, diretor da Divisão de Caça e Pesca do Ministério da Agricultura, declara que o grande lago de Brasília, que já está sendo povoado de várias espécies de peixes, destinados à alimentação da população da futura capital, vai receber, agora, mais dois mil mandis, do Rio Mogi-Guaçu, em Pirassununga, São Paulo.
Quanto aos trabalhos de peixamento do grande lago, que vem sendo feito há algum tempo, declara o diretor de Caça e Pesca:
– Instalamos, por conta da Novacap, sete tanques para criação de peixes, visando ao povoamento do lago que tem 176 quilômetros de perímetro. Os tanques são de 40×10 metros, ou 400 metros quadrados, e já estão peixados com as seguintes espécies: Tanques 1 e 2 – Tilápia (tilápia melanopleura), espécie herbívora que importamos do Congo Belga. Atinge, no Brasil, até 2 quilos de peso, alimentado-se de capim de planta, folhas de batata-doce, de bananeira, etc. sendo grandemente prolífera. Tanque 3 – Tucunaré (cichla ocelaris) – peso máximo de 3 quilos. Cria-se em conjunto com a tilápia, que lhe serve de alimento. É uma espécie esportiva.
No tanque 4 cria-se o BlueGill, que atinge até 800 gramas (é uma espécie de pequeno porte), servindo de alimento para o Bass. Tanque 5 – Black-Bass (micropterus salmoide), espécie para águas frias, de grande porte, podendo atingir o peso recorde de 12 quilos e o peso comercial, com 2 anos, de 3 quilos. É uma espécie assalmonada, alimentando-se de Blue-Gill.
Na América do Norte a produção de Bass nas fazendas, em tanques, atinge anualmente a 200 milhões de quilos, segundo estatísticas do ‘Fish and Wildlife Service’.
Tanque 6 – Apaiaris (Astronetas acelatus), do Amazonas, atingindo até 1 ½ quilos. É muito saboroso.
Tanque 7 – serve de repositório para os alevinos que nascem nos demais tanques.
Esclarece o Diretor da D.C.P. que o plano já elaborado para daqui por diante será o seguinte: a) lançar no grande lago, em dezembro e março de cada ano, duas remessas de alevinos, na seguinte ordem: 1 – Alevinos de tilápia e Blue-Gill (peixe alimento); 2 – Alevinos das espécies nobres, de valor comercial. Os peixes-alimentos (tilápia e Blue-Gill), servirão de base para a criação do tucunaré e do Bass, embora também sirvam de alimentação para a população local.
As tilápias, os tucunarés, os Blue-Gill e os apaiaris foram transportados para Brasília do Km 47 – Universidade Rural – do Posto de Piscicultura da D.C.P.
– Já dispomos em Brasília de mais de 20 mil tilápias, informa finalmente o Sr. Ascanio de Faria, que serão lançadas em março, no grande lago.
Deputado Abelardo Jurema – Pela Voz do Brasil, o deputado Abelardo Jurema, líder da Maioria na Câmara dos Deputados, profere a seguinte alocução sobre a mudança da Capital para Brasília em 21 de abril próximo:
“Brasília constituiu uma constante em todas as nossas cartas constitucionais, desde 1891. Era assim um velho sonho a nos embalar dos primeiros dias de nossa formação republicana. A marcha para o Oeste imprimiria novos contornos à fisionomia política e econômica da Nação. Seria, sem dúvida, um reajustamento de nossas fronteiras econômicas àquelas fronteiras políticas que os nossos bandeirantes plantaram nos nossos sertões, escrevendo epopéias de sangue, de coragem, de sacrifício e de lutas épicas.
Ao espírito bandeirante, superpõe-se o espírito de pioneiro que o Presidente Juscelino Kubitschek plantou na consciência brasileira.
Rompendo com a rotina, sacudindo o gigante, dando todo vapor às nossas energias criadoras, o Presidente Juscelino Kubitschek desafiou o tempo, lançando-se à construção de Brasília. Há pouco mais de dois anos, lá estava o planalto virgem e a nova capital apenas numa miragem. Hoje, uma visão panorâmica, Brasília já rasga os céus com os seus edifícios e já indica ao País um novo destino. 80.000 brasileiros lá estão concluindo as obras da nova capital, desde as estradas às avenidas, dos edifícios públicos aos conjuntos residenciais, dos hospitais às escolas, das instalações elétricas aos serviços de abastecimento d’água, dos serviços telefônicos às redes de telecomunicações com o Brasil e o mundo, dos hotéis às agências bancárias, do Palácio da Alvorada ao Palácio do Congresso, do Palácio dos Despachos ao Palácio da Justiça, do grande lago às barragens para o aproveitamento hidrelétrico, do aeroporto às estações rodoviárias e ferroviárias, dos prédios comerciais aos aviários, dos cinemas aos mercados, dos clubes aos quartéis, tudo enfim que possibilite a habitabilidade para os primeiros brasileiros que de Brasília anunciarão a sua instalação oficial como Capital do Brasil em 21 de abril de 1960.
Nessa tarefa gigantesca de integração nacional, os legisladores que se mantiveram coerentes com o nosso passado constitucional não falharam no seu apoio à obra empreendida pelo Presidente Juscelino Kubitschek; todas as leis foram elaboradas, todos os recursos legais concedidos. Agora o Presidente Juscelino Kubitschek anuncia à Nação que Brasília já está em condições de receber o Governo. Executivo, Judiciário e Legislativo lá estarão em 21 de abril próximo.
Cumpriu o Presidente Juscelino Kubitschek a sua missão histórica, cabendo agora à Nação, ao Povo, a sua missão de trazer o futuro para o presente, dentro da conjuntura política, social, econômica e administrativa, irradiando de Brasília, em todas as direções, a ação realizadora de consolidação e expansão do que a nova capital significará para os destinos nacionais.
De meta-síntese dos planos de Governo para a nossa emancipação econômica, Brasília surge como o grande passo para o amanhã sem subdesenvolvimento, sem desníveis regionais, sem conformação com o pauperismo, dentro de rumos seguros para uma sobrevivência digna como Nação abençoada por Deus, engrandecida pelo povo brasileiro.”

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Presidente Eisenhower – Às 14,30 horas chega à região de Brasília, procedente de Porto Rico, o Boeing 707 em que viaja o Presidente Dwighat D. Eisenhower. O entusiasmo que se apossa da multidão, ansiosa por melhor se colocar quando do desembarque do Presidente dos Estados Unidos da América, leva-a a ultrapassar os cordões de isolamento, o que retarda de alguns minutos a descida do avião. O Boeing presidencial desliza, finalmente, pela pista e, no topo da escada colocada à porta, aparece o Presidente Eisenhower.
Centenas de autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo à frente o Presidente Juscelino Kubitschek e esposa, aguardam o desembarque do estadista norte-americano.
Uma grande multidão completa o quadro festivo, formada pelo moradores e operários de Brasília e, também, por numerosas caravanas vindas de outras cidades e, mesmo, de outros Estados.
Colocados em palanque especialmente armado para esse fim, a cerca de 30 metros do local de desembarque, entram em ação dezenas de fotógrafos e cinegrafistas brasileiros e estrangeiros, para documentar o encontro dos dois Presidentes. Estes trocam efusivos cumprimentos, enquanto troam as salvas da artilharia de estilo. Prestadas as honras militares, segue-se a apresentação das autoridades ao Presidente Eisenhower e à sua comitiva.
Como parte das solenidades de recepção, bandas militares executam os Hinos dos EE.UU. e do Brasil. O presidente da Novacap, faz entrega da chave da cidade ao Presidente Eisenhower, que, sob intensa ovação de todos os presentes, toma lugar no carro aberto e, de pé, acenando para os manifestantes, ruma para a cidade, na companhia do Presidente Kubitschek, à frente do cortejo de veículos conduzindo as autoridades.
O aeroporto, como a rodovia e a área urbana da nova Capital, estão engalanados para a ocasião, ornamentados com milhares de bandeiras e apresentando um aspecto realmente festivo.
Sempre de pé no automóvel, sorridente e acenando para o povo que o aclama, o Presidente Eisenhower, que traja um terno azul-marinho, é alvo de outra manifestação popular ao chegar à plataforma do Eixo Monumental, onde se reúne também uma multidão considerável, a maior até hoje vista em Brasília, ovacionando e agitando bandeirolas. Por entre a intensa vibração do povo, os dois Presidente tomam lugar no palanque ali armado, ouvindo-se então, executados por bandas militares, os Hinos Nacionais dos Estados Unidos e do Brasil.
O Presidente Juscelino Kubitschek profere, então, sua saudação ao Presidente Eisenhower.
Agradecendo, o Presidente Eisenhower profere em inglês discurso que é traduzido por seu interprete.
Após a solenidade na plataforma do Eixo Monumental, os dois Presidentes percorrem, de automóvel, alguns trechos da cidade, detendo-se na Praça dos Três Poderes, onde se visita o Palácio dos Despachos.
Do Palácio, os dois Presidentes dirigem-se ao sítio em que se ergue o monumento comemorativo da visita do General Eisenhower a Brasília, local onde se lê o documento firmado na ocasião, a Declaração de Brasília.
Alguns metros mais adiante, realiza-se a solenidade do lançamento da pedra fundamental da futura sede da Embaixada Americana em Brasília – usando-se um bloco de granito retirado do Dedo de Deus e oferecido pelo Prefeito do Município Fluminense de Teresópolis.
O Presidente Juscelino Kubitschek acompanha, a seguir, o Presidente dos Estados Unidos ao Palácio da Alvorada, onde o General Eisenhower se hospeda.
À noite realiza-se no Palácio da Alvorada uma recepção, a que se segue um jantar intimo.

Transporte de bagagem – Anuncia-se que, a partir de 10 de março, 2.333 caminhões farão o transporte da bagagem dos funcionários que em Brasília deverão estar funcionando no dia 20 de abril. Esses veículos sairão carregados do Rio de 30 em 30 minutos, durante quarenta dias e quarenta noites, a fim de que o transporte esteja terminado à véspera da transferência da Capital. A operação de instalação do primeiro grupo de funcionários requererá mão-de-obra estimada em 500 mil homens-hora.

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Presidente Eisenhower – O Presidente dos Estados Unidos para de Brasília, pela manhã, rumo ao Rio de Janeiro.

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Fundação da Casa Popular – A Fundação firma contrato com o Grupo de Trabalho de Brasília para a cessão, mediante arrendamento, dos 840 apartamentos que formam as segunda e terceira etapas do Núcleo Residencial daquela entidade na nova Capital. Tais apartamentos, distribuídos em 28 blocos de três andares, vão ser ocupados por servidores públicos federais que, em razão de suas funções, neles instalarão suas residências.
Assinam o contrato o Superintendente da Fundação e o Diretor Geral do DASP, este em sua qualidade de dirigente do Grupo de Trabalho.
Na oportunidade, manifesta o diretor geral do DASP sua satisfação por ver concretizada essa etapa do amplo concurso da FCP para a solução do problema residencial em Brasília, onde a presença da mesma entidade – presença realmente pioneira, pois foi, ali, a primeira instituição a iniciar construções e a primeira a inaugurar conjunto residencial – está representada por obras de grande vulto.
Com efeito, as realizações da FCP em Brasília representam contribuição das mais importantes para que possa o Governo atender ao problema de habitação na nova metrópole. Começou a FCP construindo um grande conjunto residencial constituído de 500 casas, muito confortáveis e em estilo moderno, segundo projeto de Oscar Niemeyer. Esse conjunto foi inaugurado em agosto de 1958 e se encontra habitado desde então.
Seguiu-se a construção (2ª e 3ª etapas) do grupo de 840 apartamentos, concretizada em pouco mais de 200 dias úteis.
A Fundação já iniciou a construção na nova Capital de mais 180 apartamentos, conjunto que significa sua quarta etapa de obras na grande metrópole.
SAPS – Ao completar três anos de trabalho em Brasília, o Serviço de Alimentação da Previdência Social – SAPS,  – do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, está com um plano de ação que fornece cinco mil refeições diárias a trabalhadores nas mais variadas obras da nova Capital. Além do total de refeições indicadas, o SAPS ainda fornece mais de quinhentas refeições às empresas construtoras e aos que procuram suas instalações. Embora a sede do Serviço tenha sido preparada para fazer três mil e duzentas refeições por dia, o movimento foi aumentando, dado o ritmo acelerado que tomaram as obras, e os servidores se viram obrigados a multiplicar esforços para o atendimento a todos que comparecem ao seu refeitório para almoçar ou jantar. Oitenta funcionários de várias categorias compõem a equipe do SAPS em Brasília.
O abastecimento para o refeitório de Brasília é feito por meio de concorrência pública, sempre na fonte de produção, principalmente nas cidades de Anápolis, Goiânia, Formosa, Luziânia e Planaltina, havendo vezes que na própria capital isto também se torna possível, tendo-se em vista a formação do cinturão verde, para o qual já contribuem os colonos japoneses ali localizados.

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Jóquei Clube de Brasília – Eleito Presidente do Clube, o senhor Vasconcellos Costa, interventor do Governo Federal junto à Prudência Capitalização, concessionária do Brasília Palace Hotel.

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Tráfego aéreo – Em 1959, o tráfego aéreo comercial em Brasília mostrou-se superior, em número de pousos e decolagens, ao do aeroporto internacional do Galeão, na atual Capital da República. Os dados estatísticos fornecidos pela Diretoria de Aeronáutica Civil e divulgados pelo IBGE acusam, em 1959, um total de 6.741 pousos e 6.738 decolagens em Brasília, enquanto que os números apurados para o Galeão registram, respectivamente, 5.882 e 5.889.
O movimento de aeronaves comercias na Novacap apresenta, portanto, uma vantagem da ordem de 15%.
Transportaram-se para Brasília, por via aérea, no correr daquele ano, 88.194 passageiros e  lá embarcaram 84.052 passageiros. Embora esse movimento tenha sido ligeiramente menor do que o do aeroporto do Galeão (95.935 passageiros desembarcados e 97.743 embarcados) não está longe de alcançá-lo. Vale notar que o total de passageiros chegados de avião a Brasília – o que dá a medida de seu interesse turístico – supera em mais de vinte milhares a população ali residente (64.314 habitantes, segundo o último Censo).
Relativamente ao transporte de volumes, o aeroporto da Nova Capital já mostra resultados apreciáveis. No ano passado foram desembaraçadas 1.645 toneladas e embarcadas 774 toneladas de mercadorias. São no entanto ainda modestas as quantidades de correspondência e encomendas postais transportadas por via aérea: 2.333 quilos enviados e 3.140 quilos recebidos.
Fonte: Coleção Brasília VII – Diário de Brasília – 1960. Presidência da República.

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Brasília – Janeiro de 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – JANEIRO DE 1960

 

 

 

 

 

02
Caravana de ônibus – A Comissão Brasileira de Turismo anuncia a organização de uma caravana de cinco ônibus de turismo para Brasília, para a primeira semana de março de 1960. O itinerário a ser seguido pela caravana compreenderá ida por São Paulo, caracterizando-se a volta por Minas Gerais, passando os participantes da viagem por Belo Horizonte e pelas cidades mineiras do século XVIII.

Esta caravana pioneira terá um objetivo: estudar o itinerário e verificar os pontos de maior interesse para visita, durante as viagens que serão realizadas, partindo do Rio, na semana da inauguração na nova Capital.

 

04
Sinfonia de Brasília – O Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação e Cultura anuncia a próxima divulgação das condições do concurso “Sinfonia de Brasília”, com prêmio de Cr$ 500.000,00 ao compositor colocado em primeiro lugar. A comissão julgadora será composta de três membros, sendo seu presidente o Diretor do Serviço de Radiodifusão Educativa. Os outros dois membros são vultos conhecidos nos meios musicais brasileiros, pois são homens que labutam no terreno da crítica musical há muito tempo. São eles os críticos musicais Otávio Beviláqua, do vespertino O Globo; e o Professor Andrade Muricy, do Jornal do Comércio.

Turismo – A Comissão Brasileira de Turismo discute, em reunião, a possibilidade de instalação de um Bureau de Turismo em Brasília, para funcionamento por ocasião e depois da transferência da Capital.

Discurso presidencial – Em Brasília, nas festas comemorativas ao aniversário do Senhor Israel Pinheiro, presidente da Novacap, o ministro José Sette Câmara, Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, lê um discurso do Presidente Juscelino Kubitschek, impedido de comparecer por motivos de saúde.

Prefeito do Distrito Federal – A convite do Presidente Juscelino Kubitschek, visita Brasília o Senhor J.J. de Sá Freire Alvim, Prefeito do Distrito Federal.

 

05
Caravana de Integração Nacional – A imprensa divulga que dois grupos de reconhecimento, tendo à frente, cada um deles, um Oficial do Exército e um engenheiro do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, já iniciaram os trabalhos de que foram incumbidos tendo em vista a posterior execução dos deslocamentos das Colunas Sul e Leste que se encontrarão, em Brasília, no próximo dia 1º. de fevereiro, com as que procederão do Norte e do Oeste do país.

Constituirão essas colunas a Caravana de Integração Nacional, integrada por Governadores de Estado, pelo Prefeito do Distrito Federal, dirigentes da indústria automobilística e autoridades ligadas a esses setores das metas governamentais, que o Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado do Ministério, receberá em Brasília, sendo esse acontecimento parte das comemorações do programa do quarto aniversário do Governo. A finalidade da Caravana de Integração Nacional é demonstrar praticamente que estão prontas e em condições normais de utilização as ligações rodoviárias das diferentes regiões do país com a futura Capital.

As colunas de reconhecimento partiram dia 3 de janeiro, do Rio, deslocando-se a primeira delas para São Paulo, de onde seguirá para Matão, Prata, Goiânia, Brasília, retornarão da futura Capital por Paracatu, Três Marias, Belo Horizonte, Juiz de Fora e, finalmente, Rio. A outra, depois de São Paulo, demandará Capão Bonito, Curitiba, Lajes e Porto Alegre. Essas colunas, além de verificar o estado das rodovias, entrarão em entendimentos com as autoridades das localidades por onde passarem, tendo em vista o plano e a finalidade da caravana, data de sua passagem e outras providências relativas ao empreendimento.

 

06
Supremo Tribunal Federal – Uma comissão constituída dos Ministros Nelson Hungria, Cândido Mota Filho e Antonio Villas Boas, e que contará com a assistência de um engenheiro arquiteto, é designada para estudar in loco o problema da transferência do Supremo Tribunal Federal para Brasília na data fixada em lei.

Caberá à comissão examinar não só os problemas de mudança dos diversos setores do Tribunal naquela data, mas, também, dos Ministros e funcionários, com suas respectivas famílias. Será, por isso, dada atenção especial ao problema da moradia e também das próprias condições de funcionamento do Tribunal.

Participam da reunião todos os Ministros do Supremo, tendo sido eleita a comissão de acordo com a Lei no. 3.273, de 1957, pela qual incumbe ao Tribunal adotar as providências necessárias para a efetivação da medida.

12
Embaixador da Alemanha – Na Câmara Teuto-Brasileira do Comércio, no Rio de Janeiro, o Senhor Herbert Dittmann, Embaixador da Alemanha, faz uma análise das relações entre seu país e o Brasil, assim se manifestando sobre Brasília, a propósito de uma excursão recente pelo interior:

“O que vi nessa viagem em plano criadores, iniciativa, espírito de pioneirismo, em generosos projetos de infra-estrutura, construção de estradas em escalas surpreendentes, represas, usinas, postos de abastecimento de gasolina em regiões praticamente desabitadas até agora, o que eu vi, finalmente, em Brasília, com os meus próprios olhos, isso me obriga a ser otimista. Depois dessa viagem não tenho mais dúvidas de que aqui no Brasil se realiza atualmente o plano de desenvolvimento mais vasto e mais corajoso de que o mundo livre tem conhecimento. Brasília é uma realidade – disso não se pode mais duvidar.”

Sempre com o mesmo entusiasmo, prossegue o chefe da representação diplomática alemã dizendo que, embora surjam dificuldades no futuro, não se pode mais apagar uma cidade como Brasília, com 14 mil modernas habitações prontas, onze Ministérios de nove andares, edifícios imponentes como o Supremo Tribunal, o Parlamento num arranha-céu de 26 andares, escolas, igrejas, hospitais, rede de trânsito sem nenhum cruzamento em nível plano, em suma, todas as realizações que lá estão e que lá ficarão. Focaliza da mesma forma o progresso que se nota nas regiões intermediárias, “onde a vida começa a brotar”.

“Uma brisa fresca, diz, passa pelo altiplano de Goiás, mas ela não toca somente a terra; ela penetra também nas cabeças dos jovens engenheiros, arquitetos e artistas de Brasília e das estradas convergentes. Auto-confiança, decisão e uma profunda fé no futuro do país, eis a impressão que obtive nas conversações com inúmeros jovens especialistas brasileiros. Lá encontrei uma geração disposta a acabar com preconceitos enraizados e a preparar o caminho de um futuro de progresso para seu país.”

 

13
Censo – Distribui-se na reunião da Comissão Censitária Nacional, realizada na Secretaria do Conselho Nacional de Estatística (IBGE), uma publicação com os resultados gerais e definitivos do Censo Experimental realizado há alguns meses em Brasília.

 

14
Escola de Música – O Ministério da Educação e Cultura revela estar sendo estudada a proposta apresentada pelo Senhor Edson Magalhães de Mello de criação em Brasília de um órgão de coordenação e incremento das atividades musicais e artísticas. Dentre as idéias lançadas, uma é de grande profundidade, pois trata da criação de uma Escola de Música em Brasília e da formação de núcleos e ramificações em todos os Estados. Estas entidades ficariam ligadas ao órgão central sugerido. A organização de concertos e recitais, cursos de aperfeiçoamento com a participação de mestres renomados e festivais de música nas capitais de Estados, pelo menos uma vez por ano, acompanhadas de concursos de música com distribuição de bolsas também foram aventados.

 

15
Fundação Casa Popular – A imprensa divulga que se encontram em andamento as obras de construção, pela Fundação da Casa Popular, de mais de um conjunto residencial em Brasília, constituído de 180 apartamentos de sala, três quartos e demais dependências.

Trata-se da quarta etapa de obras da Fundação Casa Popular na futura Capital, pois as etapas anteriores consistiram na construção de um conjunto de 500 casas, já habitadas há quase um ano e meio, e de um grupo de 840 apartamentos (28 blocos de três pavimentos), inaugurado em dezembro último pelo Presidente Juscelino Kubitschek. Com o novo núcleo, ascenderá a 1.520 moradias o total de edificações da Fundação da Casa Popular em Brasília.

Represa do Paranoá – O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro entrega à Novacap as primeiras seções das comportas para a represa do rio Paranoá, em Brasília. O Arsenal construiu as comportas e agora as está enviando, por seções, para remontagem no local da instalação definitiva. Esse serviço será executado sob a supervisão de engenheiros navais pertencentes aos quadros do Arsenal. Ainda para Brasília, o Arsenal ultima, em sua Divisão Técnica, os planos para uma embarcação destinada a navegar no lago que está sendo formado pelo represamento das águas do rio Paranoá.

 

16
Caravana de Integração Nacional – Os jornais comentam a organização da Caravana de Integração Nacional constituída de quatro colunas procedentes dos quatro pontos cardeais do território nacional, formada por automóveis e caminhões fabricados no Brasil, onde a receberá o Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de todo o Ministério no dia 2 de fevereiro.

Selos comemorativos – No empossamento da Comissão Filatélica, o Ministro da Viação declara que a primeira tarefa da nova entidade será a emissão dos selos referentes à inauguração de Brasília, a serem lançados em 21 de abril.

18
Solenidades de instalação – O presidente Juscelino Kubitschek assina decreto, designando componentes da Comissão de Planejamento e Execução das Solenidades da Instalação do Governo na Nova Capital da República – representante do Senado Federal, Evandro Mendes Viana; representante da Câmara dos Deputados, Luiz Guimarães; representante do Ministério da Viação, Ministro Henrique Rodrigues Vale; representante do Ministério da Guerra, Coronel Carlos Luiz Guedes; e, representante do Ministério da Marinha, Capitão de Fragata Alfredo Álvaro Canongia Barbosa. A coordenação geral dos trabalhos caberá ao Senhor Oswaldo Penido, Sub-chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Ministério da Viação divulga que já estão concluídos 99,3% dos serviços de terraplenagem da rodovia Belo Horizonte-Brasília, da extensão total de 568 km. Outros dados sobre serviços concluídos: 92% da sub-base, 80,1% da base, 67,4% da pavimentação, 35 obras de arte (100%). As obras de arte da Belo Horizonte-Brasília, em números de 35, medem um comprimento total de 3.177 m. De terraplenagem há, concluídos, 564,3 km, 522,7 de sub-base, 445 km de base e 383,1 km de pavimentação.

19
Entrevista do Ministro Nelson Hungria – Durante sua visita a Brasília, em comissão do Supremo Tribunal Federal, o ministro Nelson Hungria transmite à reportagem suas impressões:

“Minha impressão de Brasília, onde estive há seis meses – diz de inicio – é realmente de surpresa. O que se conseguiu realizar, de então para cá, é qualquer coisa de admirável, de espantoso. Diria, mesmo, que o que se fez tem algo de milagre. Quando aqui estive anteriormente, tudo ainda era esqueleto – e hoje venho encontrar substância.

Encontro uma série de monumentos, e blocos residenciais.

A visão de Brasília nos convence de sua realidade – hoje não se pode negar Brasília, não se pode deixar de ter fé no empreendimento. E vejo que este milagre de realização se deve, em grande parte, à gente laboriosa que aqui está, a essa gente que trabalha, naturalmente, 18 horas por dia, porque sem isso não seria possível obter-se tal prodígio de realização, este prodígio que é Brasília.”

A seguir, refere-se o Ministro Nelson Hungria à questão da mudança do Supremo Tribunal Federal para a nova Capital, declarando considerar exageradas as notícias que dão tal providência como pouco viável, em 21 de abril.

“O que existe no Supremo Tribunal é descrença em torno de Brasília, porque as notícias que nos chegam são as mais desencontradas e contraditórias. Há notícias desanimadoras, quanto à questão da habitação em Brasília. Dizem que aqui não é possível viver-se sob todos seus aspectos, dizem que aqui falta tudo. Mas isso é, fora de dúvida, um grande exagero. Brasília poderá não ter as acomodações suficientes de uma grande cidade, pode não oferecer o conforto de uma grande cidade do litoral, mas já tem elementos suficientes para enquadrar uma capital.”

Perguntado sobre se a visita dos membros do Supremo Tribunal Federal a Brasília, na sua opinião, teria como resultado a remoção de possíveis dificuldades quanto à transferência daquela corte na data prevista, declara o entrevistado:

“É possível. Por enquanto nós nos limitamos a uma visita panorâmica, não conhecemos os detalhes. Agora é que vamos conhecer as minúcias. Vamos visitar o edifício do Supremo e em seguida visitaremos os locais onde se instalarão os tribunais. Depois visitaremos também os blocos residenciais que estão destinados à moradia dos funcionários, pois só os do Supremo Tribunal atingem o número de 120.

Acreditamos que pelo menos cerca de 300 famílias serão instaladas, em principio, famílias essas dos funcionários dos três Tribunais, ou sejam o Tribunal Superior Eleitoral, o Tribunal Federal de Recursos e o Supremo Tribunal. Temos que verificar como ficarão instalados não só os ministros como também esses funcionários, sem os quais os primeiros não podem trabalhar, não podem funcionar.”

A propósito das residências reservadas para os Ministros, diz o Senhor Nelson Hungria:

“Nas plantas, já as conhecemos. Até em croquis colorido, e nos deram uma impressão de casas tão agradáveis que nelas nós moraríamos até no deserto. Mas essas casas não estão sequer iniciadas. Entretanto, nos foram reservados apartamentos muito bons, como residências provisórias, apartamentos esses que hoje iremos conhecer. As informações dizem que são apartamentos suficientes, capazes de alojar não só uma família média como também de comportar os nossos livros, pois cada um de nós tem, em média, de 5 a 7 mil livros. Digamos que não se transfiram todos para cá, mas pelo menos uns dois mil livros. Faz-se necessário uma dependência só para eles, ou, digamos para a nossa biblioteca.”

Outro assunto abordado pelo entrevistado, ante uma pergunta, foi a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal negar-se à sua transferência no dia 21 de abril:

“Tal não poderia ocorrer – diz o Ministro Nelson Hungria – desde o momento em que o Governo oferece a sede para a instalação do Tribunal e acomodações para seus Ministros e os seus funcionários, nós não poderíamos nos negar. Estaríamos cumprindo a lei. Se assim não fosse, assumiríamos uma atitude de rebeldia. Ainda mesmo que o Tribunal não possa funcionar, por isso ou por aquilo, poderíamos fazer um recesso aqui, não lá. Nós só poderemos funcionar no Distrito Federal, na Capital da República. Ora, se o Rio de Janeiro deixa automaticamente de ser a Capital Federal, para ser o Estado da Guanabara, nós não poderemos permanecer no Rio. Seríamos, lá, um ajuntamento ilícito.

Nós temos que vir para Brasília, embora aqui haja dificuldades tais que o Tribunal não possa funcionar. Mas creio que isso será qualquer coisa de muito passageiro. Haverá um momento de confusão inicial, confusão natural de qualquer mudança, mas tudo irá se acomodando e se ajustando, de modo que, no máximo após o recesso de um mês, tudo estará bem. Mas esse recesso nós teremos que fazer aqui, não podemos é funcionar lá. Quero aproveitar a oportunidade para desejar que Brasília continue na sua arrancada, levando, realizando o ideal do Presidente Juscelino Kubitschek que, ainda outro dia, nos dizia que o Brasil em apenas um terço do seu território povoado, que ainda resta povoar dois terços. Faço votos para que Brasília consiga levar a cultura e a civilização a esses dois terços restantes”.

 

20
Presidente do México – Em entrevista coletiva, o Senhor Adolfo Lopez Mateos, Presidente do México, afirma aos jornalistas, na Associação Brasileira de Imprensa, que a instalação da nova Capital do Brasil no interior de seu território, nas condições em que está sendo realizada, representa sem dúvida um passo de grande significação no caminho do progresso brasileiro. O surgimento de novos núcleos populacionais, de novas fontes de trabalho, de centros de riqueza, o estabelecimento demográfico com todas as suas consequências benéficas à economia do país, serão os resultados previsíveis e imediatos.

 

21
Presidente do México – A convite do Presidente Juscelino Kubitschek, visita Brasília o senhor Adolfo López Mateos, Presidente dos Estados Unidos Mexicanos.

Viajando no avião presidencial, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e senhora e autoridades civis e militares, o Chefe do Governo mexicano e esposa chegam a Brasília pouco depois das 12 horas.

Após a troca de cumprimentos, das apresentações de praxe e das honras militares, prestadas por um destacamento da Aeronáutica, o Presidente mexicano, juntamente com o Chefe do Governo brasileiro, dirige-se ao local em que brevemente será construída a sede da representação diplomática do seu país. Ai, ao som dos Hinos Nacionais do Brasil e do México, é então inaugurada uma placa comemorativa da visita.

Saudando o Presidente mexicano, nessa oportunidade, o Senhor Israel Pinheiro pronuncia um discurso em que, ao lado de um breve histórico sobre a construção da cidade focaliza os seus problemas de urbanismo. Ainda nessa ocasião uma aluna do grupo escolar local, ao término da fala do Presidente da Novacap, dirige uma saudação ao Presidente López Mateos.

Finda esta parte, realiza-se a visita às obras de construção da cidade, notadamente a Praça dos Três Poderes, local em que estão sendo construídos os Ministérios, a Plataforma Rodoviária e outras obras de vulto.

No Palácio da Alvorada, o Presidente Juscelino Kubitschek e senhora, oferecem um almoço aos visitantes, de que participam várias autoridades. Findo o almoço, o Presidente da República convida o Presidente López Mateos e senhora, para, em helicóptero, sobrevoar a cidade e a represa do rio Paranoá, fornecedor do grande lago que circundará Brasília e cujas águas já estão sendo acumuladas.

No decorrer da visita ao Palácio da Alvorada, o Senhor Luiz Gonzáles Aparício, presidente da Associação de Arquitetos Mexicanos e do Colégio Nacional de Arquitetos do México, entrega a Oscar Niemeyer um pergaminho. Essa homenagem, frisa, representa um testemunho eloqüente da admiração e da simpatia dos arquitetos mexicanos pela obra do artista brasileiro, cuja fama há muito transpôs as fronteiras do continente.

O Presidente Juscelino Kubitschek, a esse ensejo, em breve improviso, além de associar-se às homenagens prestadas a Niemeyer, refere-se à cultura dos profissionais mexicanos e lembra a necessidade de um maior intercâmbio cultural e artístico entre o Brasil e o México. Dirigindo-se ao Presidente López Mateos, o Chefe do Governo brasileiro diz que a sua visita a nosso país simbolizava também o desejo de maior aproximação entre os dois grandes povos irmãos.

Agradecendo o oferecimento do Governo brasileiro, traduzido na cessão do terreno em Brasília para a construção da Embaixada do seu país, o Presidente López Mateos diz que para os estudiosos da geografia em seu país sempre causara admiração o fato de a maioria da população brasileira estar contida no litoral e que tão belas regiões do nosso imenso território aparecessem sempre como pontos inexplorados. Pensávamos que isso constituía um repto ao gênio criador dos brasileiros. Agora, porém, vemos o povo empenhado em conduzir seu país à conquista desse grande território, orgulhoso de receber a tarefa de construir essa magnífica cidade que trouxe ao interior o trabalho do litoral. Dirigindo-s aos trabalhadores, frisa o Senhor López Mateos:

“Magníficos são vocês, trabalhadores brasileiros, que com as suas mãos e com o seu valioso trabalho levantaram essa cidade. É meu grande desejo que aqui se inicie um novo ciclo para o Brasil, o ciclo maravilhoso em que, a par do desenvolvimento cultural e espiritual, encontre nessa soberba terra assuntos definitivos e perduráveis, pois este é o ponto de partida do grande ciclo de ouro do Brasil.”

Depois de referir-se à inteligência, à bravura e ao espírito de sacrifício do trabalhador brasileiro, o Presidente Lopes Mateos encerra seu breve discurso congratulando-se com o Presidente Juscelino Kubitschek e com o país pela gigantesca obra que, diz, pode ser qualificada como a obra do século, porque a construção de Brasília representa um passo glorioso de sua vida, tão glorioso como a conquista da sua própria independência.

Os dois Presidentes regressam ao Rio de Janeiro no mesmo dia.


Presidente do México visita Brasília
Foto: Arquivo Público do DF

Igreja Episcopal – A Novacap doa à Igreja Episcopal Brasileira, ramo da Comunhão Religiosa Anglicana que funciona em nosso país desde 1880, um terreno onde será construído na nova Capital um templo nacional dessa comunidade protestante. A escritura de doação do terreno é lavrada no cartório Hugo Ramos, tendo assinado pela entidade doadora o Sr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap, e pela Igreja Episcopal Brasileira, o Reverendo D. Edmundo K. Sherrill. Após a lavratura e assinatura do termo de doação, usa da palavra o Reverendo Dr. Octacílio M. Costa, que agradece à Novacap a oportunidade concedida à sua organização evangélica para construção de um templo à altura da nova Capital do Brasil e conclui congratulando-se com o Presidente Juscelino Kubitschek pela idealização e concretização de Brasília.

Inter-American Visitors Association – Divulga-se que cem professores norte-americanos, dentre os quais integrantes de departamentos de escolas superiores nos campos de Engenharia, Arquitetura, Desenho e Belas Artes, além de urbanistas e industriais de diversos ramos, visitarão o Brasil no próximo mês de abril a fim de assistir o ato que os agentes internacionais de turismo já denomimaram de a “solenidade do século”, ou seja, a transferência da Capital do país para Brasília. Nos Estados Unidos, a divulgação em torno da nova capital brasileira é das maiores, nos setores de agências de viagem e de turismo, bem como nos escritórios de nossas empresas de aviação que para ali fazem linhas regulares. O patrocínio desta caravana será da Inter-American Visitors Association, entidade especializada em organizar viagens para aqueles que integram seus quadros. Entre os industriais que a ela pertencem estão homens que dirigem fábricas de aviões, de elevadores, de produtos eletrônicos, proprietários de cadeias de hotéis e restaurantes, além de cerca de vinte outras profissões.

22
Caravana de Integração Nacional – A imprensa noticia que, no próximo dia 2 de fevereiro, o Presidente Juscelino Kubitschek assistirá, acompanhado de seu Ministério, do Palácio do Planalto, a entrada, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, da Caravana de Integração Nacional, constituída pelas colunas Norte, Sul, Leste e Oeste, tendo à frente dos Governadores dos Estados a serem pelas mesmas percorridos.

A Caravana, partindo, com sua diferentes colunass, de Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, convergindo sobre a nova Capital da República, oferecerá ao povo brasileiro uma visão maciça do desenvolvimento alcançado pela indústria automobilística nacional e ao mesmo tempo revelará que o sistema rodoviário brasileiro atingiu o importante objetivo de ligar umas às outras as diferentes regiões do país, integrando-as num bloco único.

A Caravana de Integração Nacional é uma idéia que partiu da indústria automobilística brasileira, com o objetivo de prestar uma homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek pela passagem do 4º. aniversário de seu Governo. A organização da Caravana ficou a cargo da própria Presidência da República, sendo supervisor da mesma o Coronel Aviador Lino Teixeira, Sub-chefe do Gabinete Militar, e coordenador o Major Edson Perpétuo, Ajudante de Ordens do Presidente da República. O empreendimento será realizado sem nenhum ônus para os cofres públicos, de vez que as indústrias automobilísticas contribuirão com os veículos, pessoal e demais encargos. Cada coluna será constituída por 50 viaturas, num total, portanto, de duzentas, estando compreendidos nesse número todos os tipos de veículos fabricados pela indústria automobilística nacional, que percorrerão os nossos sertões, numa demonstração do progresso alcançado por esse setor da indústria brasileira.

As Colunas da Caravana de Integração Nacional tem seus pontos de partida em Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, isto é, procederão do Norte, Sul, Leste e Oeste, concentrando-se em Brasília. Os itinerários a serem seguidos pelas mesmas serão, também, uma amostra do trabalho levado a efeito pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem e pela Rodobrás, que construiu em tempo recorde muitos dos trechos a serem agora entregues ao povo brasileiro.

A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional, sob o comando do Coronel Lino Teixeira, deixará a 23 a cidade de Belém, no Estado do Pará, a fim de cobrir o seguinte itinerário: Belém Guamá, Açailândia, Estreito (onde atravessará o rio Tocantins), Guará, Gurupi, Porangatu, Ceres, Anápolis e Brasília. A estrada, numa extensão de cerca de 2.250 quilômetros, é de terra, estando asfaltados os trechos de Belém a Guamá e de Anápolis a Brasília.

Comandada pelo Major Leopoldo Freire dos Santos, do Estado Maior do Exército, a Coluna Sul é a primeira a partir, deixando, hoje, Porto Alegre, pela manhã, atingindo à tarde a cidade de Vacaria. Daí prosseguirá viagem, passando por Rio Negro, Curitiba, onde se subdividirá em duas, seguindo uma para Capão Bonito, pela estrada da Serra, e a outra para Registro, pela estrada nova do Litoral, atingindo, as duas, São Paulo. Nessa Capital, a Coluna destacará seis veículos que se deslocarão para a BR-55, estrada “Fernão Dias”, a fim de se encontrarem em Belo Horizonte com a Coluna Leste. O grosso das viaturas da Coluna Sul prosseguirá de São Paulo para Limeira, Jaboticabal, Prata, Goiânia, Anápolis e Brasília. O itinerário a ser coberto pela Coluna Sul será de 2.300 quilômetros, dos quais 1.100 já totalmente asfaltados. A ligação de São Paulo a Belo Horizonte, pela BR-55, cobre 570 quilômetros, dos quais 400 estão pavimentados.

A Coluna Leste, comandada pelo Major Edson Perpétuo, partirá do Rio na manhã do dia 28 de janeiro corrente, da praça fronteira ao Palácio do Catete, para cobrir perto de 1.200 quilômetros com o seguinte itinerário: Juiz de Fora, Belo Horizonte, Três Marias, Cristalina e Brasília.

Desse percurso, 1.100 quilômetros já estão asfaltados, estando apenas por pavimentar cerca de cem quilômetros não consecutivos.

A partida da Coluna Leste, no próximo dia 28, do Rio, será revestida de solenidade, na praça fronteira ao Palácio do Catete. Uma banda de música executará, então, o Hino Nacional, seguindo-se uma revoada de pombos da Diretoria de Comunicações do Exército.

A Coluna Oeste, organizada pelo Governador do Estado de Mato Grosso, Sr. Ponce de Arruda, partirá de Cuiabá, no próximo dia 25, passando por Rondonópolis, Alto Araguaia, Mineiros, Jataí, Rio Verde, Goiânia, Anápolis e Brasília, num percurso de 1.300 quilômetros.

A Diretoria de Comunicações do Exército manterá ligação constante entre as diversas colunas, juntamente com a rede de rádio do DNER, da SPVEA e dos rádios-amadores do país, acompanhando-as sempre e proporcionando a todos os brasileiros informações sobre a marcha da Caravana de Integração Nacional, em seus quatro movimentos. Essas informações serão distribuídas às emissoras, aos jornais e transmitidas diariamente pela “Voz do Brasil”.

Chegando as diversas Colunas a Anápolis, no dia 1º. de fevereiro, na manhã do dia 2 chegarão a Brasília.

O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de seu Ministério e de altas autoridades, assistirá, do Palácio do Planalto, à entrada, na Praça dos Três Poderes, das Colunas da Caravana de Integração Nacional, trazendo os Governadores dos Estados. Em seguida, haverá missa em Ação de Graças, após o que será realizado um almoço de que participarão o Presidente da República, os Ministros de Estado e outras autoridades.

 

23
Telecomunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza a Comissão Executiva do Plano Postal Telegráfico a empregar a importância de 550 milhões de cruzeiros, constante do Orçamento em vigor, para atender a diversos serviços, inclusive o estabelecimento de telecomunicações com Brasília.

Caravana de Integração Nacional – A Caravana já se encontra em pleno movimento.

Assim é que, ontem, dia 22, a Coluna Sul deixou Porto Alegre para pernoitar em Vacaria, vencendo um percurso de 230 quilômetros. Nesta data, pela manhã, essa mesma coluna parte de Vacaria, no Rio Grande do Sul, com destino a Rio Negro, no Paraná, numa etapa de 364 quilômetros.

Amanhã, pela manhã, a Coluna Sul se deslocará de Rio Negro, com destino a Curitiba, onde pernoitará.

Por sua vez, a Coluna Norte inicia nesta data sua marcha, deixando Belém às 8 horas da manhã, para alcançar São Miguel do Guamá, às 10,50 horas, prosseguindo dessa cidade até o quilômetro 163, término do trecho até agora asfaltado, no Norte, e onde pernoitará.

Lambretistas de Belém fizeram a escolta da primeira camioneta que conduzia os dirigentes da coluna (Valdir Bouhid e Coronel Lino Teixeira) e a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira de Belém e da Amazônia, até a saída da Cidade. Todos os carros, numerados, saíram da porta da Catedral, após a missa de despedida e a benção dada a cada veículo pelo Vigário Geral de Belém.

Em seguida à Rural Willys número um seguiram os jipes conduzindo os 35 jornalistas convidados pela Rodobrás; em ônibus, caminhões e caçambas da Mercedes-Benz, DKW-Vemag, Volkswagen, General Motors, seguiram os convidados e representantes das indústrias automobilísticas e as autoridades e técnicos da SPVEA e Rodobrás.

Dois Governadores (Hélio Araújo, do Rio Branco, e o Coronel Paulo Nunes Leal, de Rondônia), os Cônsules dos Estados Unidos e do Japão e o Bispo da Prelazia de Guamá, D. Elizeu, acompanharam desde o inicio a caravana.

Sobre o rio Guamá está em construção uma ponte de 80 metros de comprimento, sendo essa e a ponte de Estreito as duas principais obras de arte do extenso traçado de cerca de 2.200 quilômetros entre Belém e Brasília.

À margem esquerda do Guamá é que está colocada a estaca zero da rodovia que se desenvolve, desse ponto em diante, sobre terreno que há dois anos ainda era coberto de mata virgem.

Do Guamá ao Campo 163 a estrada oferece as melhores condições de tráfego, bastando dizer, para ressaltar esse fato, que os veículos da Caravana – todos de fabricação nacional – puderam chegar a seu destino apesar de violentíssimo temporal que assolava a região.

 

24
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, procedente de Belém, com 50 carros, chega a Açailândia, onde, precisamente há um ano, o Presidente Juscelino Kubitschek assistira à solenidade do encontro dos tratores das patrulhas de desmatamento. Açailândia, que há um ano e meio ainda era floresta virgem, hoje constitui centro em que já se aglomera uma população pioneira na tarefa de implantar a civilização numa região antes completamente desabitada e desconhecida.

Este povoado, servido por excelente campo de aviação, dista 72 quilômetros de Imperatriz, cidade centenária, à margem direita do rio Tocantins, marcando o limite meridional da Hiléia Amazônica e o inicio do chapadão goiano.

Antes de deixar o campo 163, a Caravana assiste Missa campal, celebrada pelo Padre Vitaliane Vare, secretário do Bispo de Guamá, Dom Eliseu. O próprio Bispo serve como acólito da cerimônia, à qual compareceram todos os membros da Caravana, no total de 240 pessoas. É a Missa rezada justamente no local onde o Engenheiro Bernardo Sayão pereceu, atingido por gigantesca árvore. Uma grande cruz de madeira assinala o ponto em que se deu o infausto acontecimento.

A Caravana já se encontra em pleno território maranhense. Os motoristas das viaturas consideram satisfatórias as condições da estrada, levando em conta a época de chuva e o fato de ainda se acharem em fase final de construção vários trechos da rodovia. Todos os integrantes da Caravana estão satisfeitos por haverem cumprido a primeira etapa da jornada sem o menor acidente.

A Coluna Sul percorre o trecho entre Rio Negro, no Paraná, na fronteira de Santa Catarina, e Curitiba, onde chega às 12 horas.

 

25
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte chega, às 9,30 horas da manhã, à cidade de Imperatriz, no Maranhão, vencendo 620 quilômetros, desde Belém do Pará.

Pela primeira vez na história do Brasil, uma coluna motorizada atravessa 400 quilômetros de selva, para alcançar o Planalto Central.

Cidade centenária, Imperatriz vivia isolada à margem de um dos trechos mais difíceis do Tocantins, sofrendo todas as consequências desse isolamento. Era uma cidade que parecia fadada ao desaparecimento, onde já ninguém se fixava ou sequer construía uma residência. Mas, a partir do momento em que se iniciaram os trabalhos da rodovia de ligação Norte-Sul, a cidade de Imperatriz ganhou novo alento e passou a vibrar no ritmo novo de progresso que essa rodovia desencadeou numa região que durante tantos anos vivia no mais completo abandono. Para caracterizar esse fato, basta dizer que atualmente se constroem nada menos de três casas por dia em Imperatriz. E casas de pedra e tijolo.

De Imperatriz, a Coluna Norte segue, após meia hora de repouso, para a localidade de Cacau, onde seus integrantes almoçam. De Cacau, a Coluna segue viagem até o chamado “Estreito”, onde pernoitará, e onde se está construindo, no eixo da rodovia Belém-Brasília, a ponte sobre o rio Tocantins, com 533 metros de comprimento. A Coluna chega ao Estreito às 17 horas. A travessia do rio, em balsas, faz-se à noite.

A Coluna Sul parte pela manhã de Curitiba, dividindo-se em duas, seguindo, a primeira, pela nova estrada São Paulo-Curitiba, pelo litoral, tendo almoçado no quilômetro 100 e atingindo a localidade de Registro às 18 horas. A outra almoça em Tunas, Estado de São Paulo, e chega a Capão Bonito, no mesmo Estado, às 17 horas e 30 minutos.

O deslocamento dessa Coluna através dos Estados do Sul tem despertado grande entusiasmo popular em toda a região meridional do país, sendo festivamente recebida pelas autoridades e aclamada pelo povo.

Bispo de Pesqueira – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Bispo de Pesqueira, Dom Severino Mariano, o seguinte telegrama, sobre Brasília:

“Regressando de Brasília, que visitei com todo meu clero, sinto-me feliz em apresentar a Vossa Excelência vivos cumprimentos pela maravilha da realização da nova Capital, situada no imenso Planalto Central, com irresistível convite ao recolhimento, clima indispensável ao equacionamento das metas de progresso e desenvolvimento da nossa abençoada Pátria.”

Banco de Minas Gerais – Inaugura-se em Brasília a agência do Banco de Minas Gerais.

Ferrovia Brasília-Cuiabá – O Ministério da Viação divulga planos para futura ligação ferroviária entre Brasília e Cuiabá.

Hotel de Turismo em Anápolis – O Lion’s Clube de Anápolis inicia um movimento pro-construção de um Hotel de Turismo nessa cidade, hoje ponto obrigatório da ligação rodoviária com Brasília.

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Cerejeiras japonesas – Anuncia-se o embarque, no Japão, pelo navio “África Maru”, de cento e dez mudas de cerejeiras para plantio experimental em Brasília. A promessa do envio das mudas de cerejeiras foi feita ao Presidente Juscelino Kubitschek por Sua Alteza Imperial o Príncipe Mikasa, quando de sua visita ao Brasil, em junho de 1958.

Confederação Nacional do Comércio – Em sua primeira reunião do ano, a Diretoria da Confederação Nacional do Comércio debate, entre outros assuntos, o problema de sua transferência para Brasília, em abril próximo, obedecendo assim à determinação legal segundo a qual a entidade sindical máxima do comércio deve ter sua sede na Capital da República.

Todos os diretores, falando a respeito, encarecem a necessidade dessa mudança a 21 de abril, não só por determinação da lei mas como uma demonstração do desejo da CNC de colaborar com o Governo no importante empreendimento.

A Confederação ainda não edificou sua sede em Brasília, embora já tenha o terreno para esse fim. Os diretores são unânimes em reconhecer, porém, que não se deve esperar a construção do edifício próprio para que a CNC para ali se transfira, e deliberaram que o Senhor Charles Edgar Moritz, Presidente da Novacap, para acertar as providências indispensáveis ao funcionamento da Confederação em Brasília, a partir de 21 de abril próximo.

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Sul, sob o comando do Major Leopoldo Freire, já atingiu a cidade de São Paulo. O Major José Edson Perpétuo, Ajudante de Ordens do Presidente da República e um dos organizadores do patriótico movimento, recebe um radiograma do Major Freire comunicando que a Coluna Sul, tendo em vista as solicitações das populações de Itapetininga e Sorocaba, decidiu desviar o itinerário, passando por aquelas duas cidades.

Depois de almoçarem na cidade de Sorocaba, os integrantes dessa Coluna partem com rumo a São Paulo e ali chegam às 14 horas de hoje. O trajeto no rumo de Itapetininga e de Sorocaba permitiu o trânsito por uma rodovia inteiramente pavimentada.

Nos limites do município de São Paulo, a coluna é recebida pelo próprio Governador do Estado, Professor Carvalho Pinto, por um representante do Cardeal- Arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta e por várias autoridades civis e militares.

Dos limites do município até o Palácio do Governo, a Coluna é precedida por batedores o Exército, da Fôrça Pública e da Guarda Civil do Estado e por onde passa é vivamente aclamada pelo povo.

As viaturas, num total de 25 e conduzindo 80 pessoas, ficam estacionadas no pátio interno do Palácio do Governo. Os integrantes da Coluna ficam hospedados no Hotel Claridge.

A Coluna Norte, que partiu de Belém do Pará, transitando pela rodovia Belém- Brasília,de 55 viaturas e 240 pessoas.

Depois de ter atravessado o Estreito, na noite de ontem, segunda- feira, passou pela localidade de Araguarina e já se encontra a caminho de Guará. Essa parte da Caravana é composta de 55 viaturas e 240 pessoas.

Em radiograma, o Coronel-Aviador Lino Teixeira informa que a viagem está transcorrendo normalmente, sendo excelente o moral e o estado de saúde do pessoal.

De Araguarina para o Sul, a Coluna Norte percorre um trecho ainda em fase inicial de construção, mas com os trabalhos em franco progresso, tendo almoçado no acampamento armado no local denominado Capivara, que em breve será também um próspero povoado, chegando finalmente a Guará.

Supremo Tribunal Federal – O Supremo Tribunal Federal divulga a seguinte nota, a propósito da transferência do Poder Judiciário para Brasília:

“Os Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos hoje na sala da Presidência, ouviram a leitura das informações prestadas pelo Senhor Ministro Antonio Villas Boas, membro da Comissão enviada pelo Supremo a Brasília, e o relatório do engenheiro-arquiteto, Doutor Ademar Marinho, que acompanhou a dita Comissão. As conclusões do Ministro Villas Boas são favoráveis à possibilidade de transferência do Supremo, com seus Ministros e funcionários administrativos, para Brasília, na data legalmente determinada. Quanto ao relatório do engenheiro-arquiteto Marinho, contém várias restrições ao anunciado término das obras e condições de habitabilidade indispensáveis a essa transferência.

Na reunião, ficou decidido que se remetesse a Novacap e ao Sr. Ministro da Justiça cópias do relatório do Engenheiro Marinho, solicitando a máxima diligência no sentido das medidas reclamadas.

Também se assentou que em março irá novamente a Brasília a Comissão de Ministros, acompanhada pelo Engenheiro Marinho, para uma última inspeção.”

 

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Sistema educacional – Até o fim do próximo mês de março, o Ministério da Educação e Cultura espera ter em Brasília, adestradas de acordo com as mais modernas conquistas pedagógicas, centro e vinte mestres de curso elementar para se ocuparem da rede escolar cuja conclusão se dará nos primeiros dias de abril, mês da inauguração da capital.

Para coordenar tal trabalho, o Ministro Clóvis Salgado baixou portaria criando a CASEB que tem como membros os diretores do Departamento Nacional de Educação, dos Ensinos Secundário, Industrial e Comercial e do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, tendo como seu Diretor-Executivo, o Professor Armando Hildebrand.

Diversos trabalhos visando acelerar as obras e o preparo do pessoal para a missão de educar estão em curso, esperando as autoridades encarregadas do plano poder realizar tudo o que está previsto para o ano letivo de 1960. O primeiro elemento do MEC a seguir para Brasília foi o diretor da sua Divisão de Orçamento, Sr. Julio Furquim Sambaquy.

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Sul deixa a Capital de São Paulo pela manhã e chega a Campinas às 12,05 horas, prosseguindo viagem até Limeira, onde pernoitará.

A Coluna Norte deixa Guará pela manhã e pernoitará em Gurupi, tendo percorrido até agora 1.550 quilômetros.

Saindo pela manhã do povoado de Guará, a Coluna atingiu Cercadinho, onde em outubro de 1958 esteve o Presidente da República acompanhado de vários embaixadores estrangeiros. Nessa época, Cercadinho era ponta do Serviço de Demarcamento e Terraplenagem. A partir de Guará para o Sul, a rodovia, praticamente concluída, já está aberta ao tráfego com o máximo de segurança e permitindo alta velocidade aos veículos. Toda a extensão da rodovia está habitada por famílias de pioneiros que estão plantando lavouras e criando gado. Assim, a partir de Guará, que há dois anos era um vazio demográfico, a Caravana encontrou laboriosos núcleos em crescimento vertiginoso, alguns batizados com as seguintes denominações: Província, Santa Luzia, São Pedro, Nacional, Serrote, Fortaleza e Crixás.

A própria cidade de Gurupi, que surgiu com a abertura da rodovia, alcançou em menos de três anos de existência uma população de cerca de 10 mil habitantes e já produz uma safra de arroz de 150 mil sacas. Em conseqüência do espantoso progresso, Gurupi foi elevada à condição de Município em janeiro do ano passado. Durante o trajeto, a Caravana recebeu também homenagens das populações de antigas cidades ribeirinhas do Tocantins e do Araguaia, as quais viviam isoladas e sujeitas aos caprichos da natureza para suas comunicações com outras cidades.

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Seleção de professores – Dados publicados no primeiro número do boletim oficial Educação em Brasília, da Comissão de Administração do Sistema Educacional de Brasília – CASEB – do Ministério da Educação e Cultura, indicam que o trabalho de Seleção de professores de ensino elementar e médio para a rede escolar da nova Capital está atingindo o final de sua primeira etapa, qual seja a distribuição e coleta de formulários com informações sobre o “curriculum-vitae” de cada candidato e as atividades pedagógicas exercidas.

Inúmeros tem sido os mestres, de todos os pontos do país, que os solicitaram, subindo a mais de duzentos inscritos.

Para esta seleção, o estudo pormenorizado dos formulários será complementado com entrevistas e provas escritas. Visando documentar esta tarefa, a CASEB incluiu uma cópia destes formulários no seu boletim. Os mestres que forem escolhidos firmarão contratos de serviços regidos pela legislação trabalhista, recebendo passagem para si e sua família, além de ajuda de custo para sua instalação em Brasília, tendo direito a residência, mediante aluguel acessível e o ensino primário ou secundário gratuito para seus filhos.

Além do trabalho de seleção do magistério que lecionará em Brasília, a direção-executiva da CASEB está cuidando também do contato com os funcionários públicos que vão mudar-se no primeiro escalão para a nova capital e estudando a matrícula de seus filhos.

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional parte, pela manhã, do Rio de Janeiro para Brasília, saindo da praça fronteira ao Palácio do Catete, depois de despedir-se do Presidente Juscelino Kubitschek, presentes Ministros de Estado, o Arcebispo Auxiliar do Rio de Janeiro, D. Hélder Câmara, General Odílio Denys, Comandante do 1º. Exército, Prefeito do Distrito Federal e numerosas outras autoridades civis, militares e eclesiásticas, bem como grande massa popular, que aplaude entusiasticamente o acontecimento.

Com a partida das Colunas do Rio e de Cuiabá, completam-se os quatro movimentos da Caravana de Integração Nacional que, procedentes do Norte, Sul, Leste e Oeste, convergem para Brasília.

Os Dragões da Independência do Batalhão de Guardas deram realce à cerimônia, sendo executado o Hino Nacional, após a chegada do Presidente da República à sacada do Palácio. Em seguida, toda a multidão presente guardou um minuto de silêncio, em memória do Embaixador Osvaldo Aranha.

Após a alocução do Major Edson Perpétuo, o Presidente Juscelino Kubitschek pronuncia as seguintes palavras:

“Há 150 anos, o Brasil esperava esta hora, a hora do inicio das novas bandeiras para a conquista e posse do território nacional. Esta solenidade marca o inicio de uma nova marcha. Vamos subir o Planalto Central, para, dali, nos lançarmos à conquista dos seis milhões de quilômetros quadrados que ainda jazem desertos e adormecidos, esperando o passo redentor dos brasileiros. Esta bandeira sai do Rio de Janeiro em automóveis brasileiros, com pneumáticos brasileiros, e petróleo brasileiro, e vai trafegar por estradas asfaltadas com asfalto brasileiro. É a nação que desperta para a sua grande arrancada, e, felizmente, apoiada pelo calor e pelo entusiasmo do povo brasileiro. As palavras pessimistas daqueles que não acreditam no Brasil está ficando superadas. Ao povo carioca, que é um artífice extraordinário da grandeza e da prosperidade desta Nação, ao povo carioca, que veio assistir a esta partida da Bandeira da Integração Nacional, uma saudação muito afetuosa. A todos aqueles que agora saem daqui para reeditar as façanhas do Século XVIII, desejo a maior felicidade, certo de que, ao recebê-los, segunda-feira, em Brasília, estaremos plantando a semente profunda da grandeza e da prosperidade do Brasil.”

A Coluna Leste, chega a Petrópolis precisamente às 12,35 minutos. Nos limites da cidade de Petrópolis, o Governador Roberto Silveira e o Prefeito Nélson de Sá Earp recebem a Caravana e a ela se juntam até o quartel do 1º. Batalhão de Caçadores, onde o Comandante, Coronel Perry de Lima, e demais oficiais homenageiam a Caravana com um almoço. A coluna segue, após o almoço para Juiz de Fora onde pernoitará.

A Coluna Oeste deixa Cuiabá às 5 horas da manhã, viajando até Alto Araguaia, onde pernoita.

A Coluna Norte vence a etapa de Gurupi a Porangatu. A viagem continua com passagem em novos núcleos surgidos nestes últimos anos por influência da rodovia Belém-Brasília, dentre os quais Entroncamento, Formosa, Estrela do Norte, Amaro Leite e Campinorte. A caravana pernoita em acampamento no rio Passa-Três, distante um quilômetro do centro da cidade de Uruaçu, junto do local onde há seis dias desabou o aterro da ponte em virtude de enchente provocada por uma tromba d’água violenta. Essa ponte foi construída há oito anos para acesso ao centro urbano. Sua destruição não obstou a marcha da Caravana, a não ser que a obrigou a fazer a travessia em balsas rumo a Ceres, Anápolis e Goiânia.

A Coluna Sul vence a etapa Limeira-Jaboticabal.

 

29
Caravana de Integração Nacional – Continua, com pleno êxito, ao longo das estradas que do Norte, Sul, Leste e Oeste, convergem sobre Brasília, o deslocamento das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional.

Depois de pernoitar de 28 e 29 na cidade de Juiz de Fora, onde é alvo de grandes homenagens por parte das autoridades e do povo, a Coluna Leste parte para Belo Horizonte, passando pelas cidade de Santos Dumont e Barbacena. Em Santos Dumont, a Coluna, ao chegar aos limites do Município, é recebida pelo Prefeito Paulino Alves Guedes, outras autoridades e grande massa popular. Ao atravessar a cidade, a Coluna passa entre alas formadas por estudante e o povo, enquanto jovens da sociedade local atiravam flores sobre os carros.

Depois de hora e meia de viagem, que foi lenta, a fim de receber as manifestações prestadas pelas populações das localidades por onde passava, a Coluna chega a Barbacena, onde é entusiasticamente aplaudida pelo povo. Numa homenagem à população local, a Caravana percorre diversas ruas da cidade, recebendo calorosas manifestações do povo. Na Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica, o comandante, Brigadeiro Sinval Castro, bem como oficialidade, sargentos e praças, prestam expressiva homenagem à Coluna.

O Comandante oferece no Cassino de Oficiais um almoço aos integrantes da Coluna.

De Barbacena, a Coluna prossegue viagem para Belo Horizonte, onde pernoita.

A Coluna Sul parte pela manhã de Jaboticabal, tendo passado pela cidade de Barretos, sendo festivamente recebida pelas autoridades e a população. De Barretos, a Coluna desloca-se para a cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, onde pernoita.

A Coluna Norte prossegue de Uruaçu com destino a Ceres.

A Coluna Oeste efetua o percurso Alto Araguaia-Goiânia.

Instituto dos Bancários – Anuncia-se que, como parte das comemorações de mais um aniversário do Governo do Presidente Juscelino Kubitschek, o Instituto dos Bancários inaugurará mais 228 apartamentos na nova Capital, elevando-se assim a 312 o total de unidades residenciais desse tipo construídas pela referida autarquia em Brasília. Segundo declarações do engenheiro Mauro Pessoa, chefe das obras do IAPB em Brasília, todas as unidades obedecem a uma linha uniforme, possuindo três dormitórios, ampla sala de visitas, ante-sala, cozinha-copa espaçosa, pequeno depósito, área de serviço e dependências para empregada. Todos os apartamentos serão entregues mobiliados e tem vista para o lago, oferecendo, desse modo, magnífica visão panorâmica da cidade. Informa ainda o engenheiro Mauro Pessoa que será iniciada em breve a construção de um conjunto de 152 casas para bancários, todas dotadas de instalações iguais às dos apartamentos. Além deste conjunto o IAPB construirá mais cinco blocos de apartamentos para funcionários públicos e 50 novas residências de primeira categoria.


Foto: Arquivo Público do DF

Sistema Educacional – Anuncia-se que a coordenação geral das atividades do sistema educacional de Brasília, bem como a determinação de tarefas ao pessoal e a celebração de contratos especiais de prestação de serviços, nos termos da legislação trabalhista – são algumas das iniciativas que ficarão a cargo do diretor-executivo da Comissão de Administração do Sistema Escolar de Brasília, prof. Armando Hildebrand.

Outras atribuições conferidas a este técnico do Ministério da Educação e Cultura são as seguintes: 1) propor planos de trabalho e de aplicação de recursos e promover a execução de providências conforme as decisões da Comissão Deliberativa da CASEB, presidida pelo Diretor-geral do Departamento Nacional de Educação; 2) providenciar no sentido da boa administração das escolas e do incremento das atividades culturais na nova Capital; 3) movimentar os recursos à disposição da Comissão; 4) prestar contas das despesas efetuadas; 5) submeter, no inicio de cada ano, à consideração da Comissão Deliberativa da CASEB, relatório circunstanciado das atividades levadas a efeito no ano anterior.

 

30
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Leste deixa Belo Horizonte e atinge Três Marias, onde pernoitará.

A Coluna Oeste, procedente de Cuiabá, atinge Goiânia à 1 hora da madrugada deste dia.

A Coluna Sul sai de Prata, pela manhã, para ir pernoitar em Itumbiara.

A Coluna Norte alcança Goiânia.

Rodovia Fortaleza-Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o Departamento Nacional de Obras contra as Secas a empregar o crédito de Cr$ 241.139.434,00, na construção da rodovia Nordeste-Brasília, considerada de interesse nacional.

 

Fonte: “Diário de Brasília”, Coleção Brasília VII, Serviço de Documentação/Presidência da República – 1960

 

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Brasília – Dezembro de 1959

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

 

BRASÍLIA – DEZEMBRO DE 1959

 

 

 

 

01
Curso Médico – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova a exposição de motivos do Ministro da Educação sobre o funcionamento, no próximo ano, da sexta série do curso médico, em Brasília. Para esse fim, aquele titular sugeriu ao Chefe do Governo o aproveitamento das instalações hospitalares em construção em Brasília e a organização das quatro clínicas fundamentais ao ensino médico prático, às quais estava reservada a sexta série de treinamento, de acordo com a reforma do ensino médico, proposta por aquele Ministério e que vem sendo executada por algumas de nossas faculdades. As quatro clínicas fundamentais (médica, cirúrgica, pediátrica e obstétrica) seriam organizadas de acordo com os respectivos catedráticos da Faculdade Nacional de Medicina, que indicariam os professores que iriam dirigí-las e ministrar o ensino. Prosseguindo em sua exposição, diz o Ministro que em 1960 se pode iniciar o funcionamento da sexta série do curso médico em Brasília, com 30 a 50 doutorandos, que seria o núcleo da futura Faculdade de Medicina. Sugeriu, ainda, o titular da Educação, sejam recomendadas à Novacap as necessárias providências para efetivação do plano, incumbindo-se o Ministério da Educação da parte que lhe cabe, através da Universidade do Brasil.

Hotel Hilton – No Palácio do Catete, o presidente Juscelino Kubitschek recebe a visita do Senhor Sidney H. Willner, vice-presidente da Companhia Internacional de Hotéis Hilton, que lhe exibe planos e a maquete para a construção de um grande hotel em Brasília.

02
Usina de Cachoeira Dourada – O presidente Juscelino Kubitschek aprova o programa de trabalho relativo à aplicação da importância de trinta milhões de cruzeiros, na dotação reservada ao Departamento Nacional da Produção Mineral, do Ministério da Agricultura, destinada à linha de transmissão de Cachoeira Dourada, no Estado de Minas Gerais.

 

03
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem informa à imprensa a conclusão das obras do viaduto sobre a rodovia estadual MG-1, no quilômetro zero da Belo Horizonte-Brasília. Trata-se de uma obra de arte com quarenta metros de comprimento, executada em concreto armado.

 

05
Observatório Meteológico – O presidente Juscelino Kubitschek, atendendo a uma exposição de motivos do Ministro da Agricultura, autoriza o aproveitamento da importância de oito milhões de cruzeiros (parte da dotação reservada ao Serviço de Meteorologia). A referida importância, de acordo com a autorização, será destinada ao aparelhamento do observatório de Brasília, para importação do equipamento necessário, compreendendo aparelhos eletrônicos modernos. Esse equipamento virá consignado à Novacap, com a qual o Ministério da Agricultura assinou um convênio.

 

07
Departamento de Imprensa Nacional – O presidente Juscelino Kubitschek despacha favoravelmente a exposição de motivos do Ministro da Justiça e Negócios Interiores, submetendo à sua consideração processo em que o Departamento de Imprensa Nacional solicita autorização para aquisição do material necessário ao prosseguimento normal dos trabalhos daquele órgão, não só no que se refere a material para atender às necessidades da repartição até março de 1960, como também para prover a futura sede do D.I.N. em Brasília, de artigos de consumo e equipamentos.

 

09
Homenagem ao Presidente da República – No Rio de Janeiro, os jornalistas credenciados junto ao Palácio do Catete homenageiam o Presidente Juscelino Kubitschek oferecendo-lhe um almoço e uma placa de prata com incrustações em ouro, com a representação dos Palácios do Catete e da Alvorada e a inscrição “Pro Brasília fiant eximia”. No verso, a seguinte dedicatória:

“Ao Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, pela transferência da Capital para Brasília, a homenagem dos jornalistas credenciados junto à Presidência da República, em 09/12/59”.

Ao lado, achavam-se gravados os nomes dos jornalistas credenciados.

Agradecendo a homenagem, o Presidente da República discursa de improviso, assim se referindo à placa recebida:

“Ela é de um admirável simbolismo. Traz gravada o Palácio do Catete, que representa uma extraordinária página da história do Brasil. Palácio que condensa quase toda a nossa vida republicana, em cujas salas e sob cujos tetos se desenrolaram, neste meio século, os acontecimentos e os fatos mais importantes da vida brasileira, exatamente os fatos que haviam de modelar e consolidar no país uma consciência democrática.

Logo em seguida, vocês colocaram o Palácio da Alvorada, que representa, mais do que o presente, o futuro da Nação. Representa a marcha, a caminhada que estamos empreendendo para a integração nacional neste prosseguimento, que ainda se faz, do próprio descobrimento do Brasil, com o objetivo de integrar na vida, na atividade e na economia do país imensas áreas abandonadas, que ainda estão esperando a energia e o passo fecundador do brasileiro.

Agradeço, portanto, esta homenagem, que guardarei como um símbolo da vida nacional. Estamos numa fronteira da vida brasileira. Vamos iniciar uma nova marcha, mas a marcha que só poderá dar resultado se se apoiar nos exemplos do que decorreu até agora. Procuramos concentrar na energia do brasileiro o espírito pioneiro bandeirante, que frutificou a terra nesta terra, sobretudo no século XVIII, o espírito que estamos ressuscitando, para implantar no Planalto Central, e estender pelo Oeste ainda deserto, as energias e as forças realizadoras do nosso povo”.

 


Palácio da Alvorada: simbolismo
Foto: Arquivo Público do DF

 

10
Casa dos Municípios – O presidente Juscelino Kubitschek envia mensagem ao Congresso Nacional acompanhada de projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a abrir, pelo Ministério da Educação e Cultura, o crédito especial de Cr$ 25.000.000,00 destinado às despesas de planejamento e construção da “Casa dos Municípios”, em Brasília.

Núcleo Colonial Modelo – Divulga-se que, após vários entendimentos entre o Instituto Nacional de Imigração e Colonização e a Novacap, veio a ser celebrado convênio entre essas duas entidades para a instalação de um Núcleo Colonial Modelo em Brasília.

O INIC, com os seus recursos financeiros e a colaboração da Novacap, instalará na área de 20.930 hectares cedidos pela Novacap, um Núcleo Colonial onde pretende estabelecer 600 famílias de nacionais e estrangeiros visando colaborar substancialmente no abastecimento da nova Capital.

O Núcleo em apreço será localizado na região denominada Guariroba, a uma altitude média de 1.100 metros, distando, aproximadamente, 45 km do Plano Piloto, ou seja, do centro urbano de Brasília.

Os 600 lotes aludidos terão áreas de 25 a 30 hectares. Para maior segurança na orientação técnica do colono, autorizou o presidente do INIC ao seu diretor técnico que tome imediatas providências junto ao Departamento de Colonização para que se designe os técnicos que irão supervisionar os trabalhos de levantamento dos solos da área que compõem o Núcleo e cuja finalidade é determinar a capacidade de utilização econômica das terras e o preparo técnico racional do plano de exploração agro-pastoril.

Em face da planta da área destinada ao Núcleo e que a Novacap enviou ao INIC, e, tendo em vista a pressa de instalar-se uma nova unidade colonizadora, determinou ainda o presidente do INIC que se faça um projeto de urbanização da sede, o qual já está em fase de conclusão.

Nele se encontram, bem distribuídos, 1.250 lotes, sendo 1.000 de 800 m2 e 250 de 360 m2 (lotes proletários), além das áreas reservadas aos edifícios da administração, residências de funcionários, igreja, escolas primárias, ginásio, Escola de Iniciação Agrícola, Hospital, Centros Comercial e Industrial, Clube Recreativo, Praça de Esportes, jardins, etc.

Ainda em torno da sede será criado o cinturão verde constituído de pequenas granjas (10 hectares) visando ao fornecimento de leite, aves, ovos e verduras a funcionários e trabalhadores.

 

14
Rede Mineira de Viação – Divulga a Rede Ferroviária Federal que vinte mil toneladas de trilhos foram entregues à Rede Mineira de Viação, para reforma do percurso Garças de Minas-Goiandira.

Essa quantidade, atribuída à Novacap para proceder a ligação Pires do Rio-Brasília, de 270 km de extensão, não teve condições de aplicação imediata. Em face disso, os trilhos foram cedidos à Rede Ferroviária Federal, que os colocou à disposição da RMV.

Pelo trecho Garças de Minas-Goiandira passarão os trens de mudança para Brasília.

 

15
Mudanças de repartições e servidores – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto (número 47.433, de 15 de dezembro de 1959) de estabelecimento de normas para a mudança de repartições federais e de servidores públicos civis e militares para Brasília.

 

18
Discurso presidencial – Na solenidade de conclusão de curso na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, em seu discurso de improviso, referindo-se à evolução do progresso nacional, assim se manifesta sobre Brasília:

“…Brasília lá está, no Planalto Central, pronta, palpitando de impaciência para começar a arrancada da conquista dos territórios desertos… Estou certo de que, com esta marcha, que no Sul já toma proporções alentadoras, com a Sudene no Nordeste, que coordenará todas as atividades, e Brasília nascendo para o Centro e para o Oeste, esta Nação realmente agora encontra o caminho propício ao seu desenvolvimento e ao seu enriquecimento.”

 

19
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem divulga ter sido concluído o serviço de pavimentação, na extensão de 54 km, da rodovia Belo Horizonte-Brasília, em seu trecho inicial.

 

20
Fundação da Casa Popular – O presidente Juscelino Kubitschek inaugura, em Brasília, o novo conjunto residencial da Fundação da Casa Popular.

Construído em apenas 210 dias, esse novo grupo de moradias se constitui de 840 apartamentos de estilo moderno, em 28 blocos de três andares, com mais de 47.000 metros quadrados de área de construção – uma nota imponente e agradável na paisagem urbanística da metrópole. Trata-se das 2ª e 3ª etapas de obras da Fundação da Casa Popular em Brasília.

O presidente da República é saudado em nome da Fundação da Casa Popular pelo Sr. Ademar Vidal, presidente do Conselho Central da entidade. Acentua o orador que o presidente Juscelino Kubitschek, pelas diretrizes democráticas e pelo dinamismo realizador de seu Governo, traçou o novo figurino do Brasil e que, por isso mesmo, recebe hoje os aplausos de todos os brasileiros.

Em breves palavras pronunciadas na ocasião, diz o presidente da República de se contentamento por observar que a Fundação da Casa Popular está na determinação de fazer a nação andar, sublinhando que pedia a Deus que mantenha sempre vivo no País o espírito de Brasília.

 

23
Sistema Educacional – O presidente Juscelino Kubitschek assina na pasta da Viação e Obras Públicas decreto de alteração do quadro de distribuição de canais de VHF constante das normas e planos de distribuição de canais para o serviço de televisão no Brasil, na parte referente a Goiás. A Brasília são concedidos os canais 2, 4, 11 e 13.

O presidente da República outorga, outrossim, à Superintendência das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União concessão para estabelecer, a titulo precário, uma estação de radiotelevisão em Brasília, para operação com a Rádio Nacional.

 

30
Almoço ao Ministério – Após o almoço que oferece, no Palácio das Laranjeiras, aos Ministros de Estado e auxiliares imediatos, o presidente Juscelino Kubitschek faz-se fotografar com todos os convivas na entrada do Palácio.

Nessa ocasião, o presidente da República declara que se tratava da última fotografia tirada com o Ministério no Rio de Janeiro como capital da República, dizendo:

“A próxima, em dezembro de 1960, será batida em Brasília”.

 

31
Discurso presidencial – Em sua Mensagem de Ano Novo, através da Voz do Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek afirma:

“O Brasil de Brasília, o Brasil de Três Marias, com o Rio São Francisco plenamente utilizável, o Brasil de Furnas, o Brasil dos Reservatórios de Araras e de Orós – há cem anos reclamado pelo Ceará – o Brasil da Usiminas e da Cosipa, o Brasil articulado por estradas de penetração, o Brasil da indústria automobilística, da indústria naval, o Brasil da Sudene, o Brasil já não é o Brasil de quatro anos atrás, graças aos esforços heróicos dos homens de boa vontade, dos que amam o trabalho e tanto me ajudaram.”

Após assinalar que não podem ser atribuídas ao Programa de Metas e à construção de Brasília as causas da inflação, declara:

“Os frutos de um trabalho que não conhece pausa responderão ao palavreado dos intérpretes de uma causa perdida, essa causa que pleiteava a continuação de um Brasil retardatário, débil e dependente do estrangeiro. Às lamentações dos nostálgicos da estagnação, responde a indústria automobilística, pondo em circulação carros brasileiros; a indústria naval, que, dentro em pouco meses, lançará ao mar os nossos primeiros navios. Aos que choram um ínvio e incomunicável Brasil, respondem as estradas abertas, que cobriam dez mil quilômetros e hoje cobrem 30.000. A estrada Belém-Brasília já foi apontada como inútil pelos que só conhecem deste país as calçadas das cidades principais. Mas quantos centros de vida estão repontando graças a Belém-Brasília! Apresento-vos, meus patrícios, filha da estrada nova, essa Gurupi que ainda há pouco existia – a 750 quilômetros de selva – e que hoje cresce e produz 10.000 sacas de arroz. Aqui está Imperatriz, uma velha cidadezinha, entravada e triste, onde, há cinquenta anos não se construía uma casa sequer – e hoje se constroem três por dia, graças à Brasília-Belém; aqui está, em plena Açailândia, a recém-vinda, o último dos núcleos brotados na estrada, a 1.500 quilômetros de Brasília; e Cercadinho, com as suas primeiras roças a humanizarem uma paisagem quase agressiva na sua solidão. Eis as gerações da Brasília-Belém, que aqui vos ofereço!”

 

Fonte: Coleção Brasília VI – Diário de Brasília, 1959. Rio de Janeiro – Presidência da República/Serviço de Documentação.

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Brasília – Novembro de 1959

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BRASÍLIA – NOVEMBRO DE 1959

 

 

 

 

01
Colação de grau – O Presidente Juscelino Kubitschek envia mensagem ao Congresso Nacional, acompanhada de projeto que faculta aos cursos de Arquitetura, Urbanismo e Belas Artes, somente no ano de 1960, a realização da última série em um único período letivo, com inicio a 2 de janeiro e término a 20 de abril, de modo a permitir a colação de grau no dia 21 de abril de 1960, coincidindo com a data da mudança da Capital do país.

Os estabelecimentos de ensino superior que mantenham aqueles cursos, após o pronunciamento de seus órgãos próprios, deverão fazer a devida comunicação ao Ministério da Educação. De acordo com o projeto, haverá apenas uma prova de aproveitamento ou habilitação, que será completa, constituída de exame escrito e oral, acrescido de prova prática, quando a cadeira o comportar, sendo a nota de habilitação a média aritmética dessas provas. Colarão grau os candidatos que lograrem habilitação nessa época única nos termos do Regimento de cada estabelecimento. As aulas serão ministradas em curso intensivo, exigindo-se a freqüência mínima de oitenta por cento. Os professores deverão perceber uma gratificação correspondente à metade de seus honorários. Haverá segunda época a ser fixada oportunamente pelos órgãos próprios de cada estabelecimento, desde que transcorra entre a primeira e a segunda, período não inferior a dois meses.

03
Câmara Federal – Da Tribuna da Câmara Federal, o deputado Elias Adaime profere discurso de critica à administração da Novacap e às obras de Brasília.

04
Câmara Federal – A Novacap distribui a seguinte nota, a propósito do discurso proferido na véspera, na Câmara, pelo deputado Elias Adaime:

“A propósito das acusações formuladas da tribuna da Câmara dos Deputados, em sessão especial, envolvendo a responsabilidade desta Companhia, a presidência da Novacap tem a informar que dará documentada, minuciosa e cabal resposta a todas as alegações e insinuações, de maneira a não deixar qualquer dúvida sobre a lisura e a honestidade com que vem sendo executadas as obras de construção da nova Capital do Brasil.

O senhor Israel Pinheiro, que se encontra em Brasília, prestará, logo que regresse ao Rio, todos os esclarecimentos que a opinião pública reclame para a perfeita elucidação da verdade.”

Transporte de cargas – Com base na experiência dos trens organizados pelo Grupo de Trabalho do DASP, em cooperação com a Rede Ferroviária Federal, dois itinerários – um para cargas e outro para passageiros – passaram a ser feitos regularmente para Brasília.

O transporte de cargas é efetuado via Barra Mansa e E.F.Goiás, enquanto o transporte de passageiros utiliza as linhas da Central, da Santos a Jundiaí, Companhia Paulista, Mogiana e E.F.Goiás, com baldeações em Campinas e Araguari, tendo essa viagem, até Anápolis, a duração de 51 horas.

A evolução dos transportes de cargas para Brasília, por intermédio da RMV, pode ser apreciada pelos números que se seguem: em 1957, foram utilizados 333 vagões que rebocaram 60.527 toneladas. Até junho do corrente ano, a RMV carregou naquele percurso 1.918 vagões com 47.524 toneladas. A média mensal de vagões carregados foi de 28, 217 e 274, nos anos de 1957, 1958 e 1959 (até junho), transportando, respectivamente, 664, 5.044 e 6.789 toneladas, evidenciando um crescimento constante no transporte de cargas para a nova capital, por intermédio da RMV.

Rede Mineira de Viação – Até o fim do ano de 1959 será entregue ao tráfego ferroviário (Rede Mineira de Viação) o trecho Garças-Goiandira, para o transporte, por via férrea, das mudanças dos funcionários federais e autárquicos que se transferirão para Brasília.

Objetivando reparos de emergência e melhoramentos gerais que possibilitem o transporte de 12.000 m3 de carga prevista, a Rede Ferroviária Federal S.A., apresentou ao ministro Amaral Peixoto, da pasta da Viação, o plano de serviços, que abrange substituição de trilhos e obras do alargamento do leito da via férrea.

05
Rodovia Belo Horizonte-Brasilia – O DNER acaba de construir a trigésima primeira da série de 35 obras de arte especiais da rodovia Belo Horizonte-Brasília, a ponte sobre o córrego Facão, em concreto armado, medindo 50 metros de comprimento por 10 metros de largura. Dos 3.151 metros que terão as 35 pontes, já se acham concluídos 2.640 metros.

As obras concluídas são as seguintes: Ponte sobre o Rio São Marcos (270m) na divisa Minas-Goiás; Ponte no Rio das Almas Primeiro, com 87 metros; no Córrego Leitão – 29 metros; Ribeirão Pedras (34m); Córrego Bagre (45m); Rio Peixe (80m); Rio Boi (100m); Rio Furnas (82 m); Rio Cristal (91m); Vereda Grande (50m); Riacho Fundo (26m); Rio Jacareí (55m); Rio São Bartolomeu (192 m); Rio Extremo Grande (69m); Rio Prata (190m); Córrego Taquara (60m); Rio João Fernandes (64m); Córrego Meleiros (51m); Córrego Manso (45m); Rio Abaeté (144m); Córrego Casa Branca (55m); Rio Escuro (166m); Córrego Olho Dágua (48m); Rio Santo Antonio (80m); Córrego Rio (84m); Rio Curral das Éguas (70m); Rio das Almas Segundo (91m); Rio do Sono (38m); Córrego Extreminha (70m); Rio Fecha Mão (34m).

06
Biblioteca Visconde de Porto Seguro – Já se acha instalada, em Brasília, a Biblioteca Visconde de Porto Seguro, que reúne cerca de três mil volumes, dispondo, ainda de uma vasta discoteca, formada por doações de embaixadas credenciadas no Brasil, instituições culturais, ministérios, outras bibliotecas e entidades particulares, bem como de escritores e homens de ciência do país e do exterior.

A Biblioteca Visconde de Porto Seguro está localizada no Plano Piloto, na primeira casa do segundo grupo de construções da Caixa Econômica em Brasília. O estabelecimento é mantido pela Novacap. A Biblioteca Visconde de Porto Seguro vem atender às necessidades mais urgentes da evolução da nova Capital e de seus atuais moradores, dispondo de coleções pedagógicas, seções de literatura brasileira e estrangeira, livros de sociologia, arte e literatura infantil e para adolescentes.

Lin Yutang – Em telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek, o escritor chinês Lin Yutang, assim se manifesta sobre Brasília:

“Em particular, muito me impressionou a idéia de Brasília. Uma cidade inteiramente planejada pode fazer muitas coisas que cidades já existentes não o podem, e Brasília tem todas as vantagens de uma cidade inteiramente planejada. Não tive a oportunidade de discutir detalhes, mas estou certo de que tem planos de reflorestamento e de arborizações para as avenidas que completam tanto a beleza de uma grande capital como Paris ou Buenos Aires.”

07
Gilberto Freyre – Em Brasília, entrevistado pelo repórter Alfredo Ribeiro, da Rádio Nacional de Brasília, o sociólogo Gilberto Freyre assim se manifesta sobre o que lhe é dado ver na futura Capital do Brasil:

“Foi com a maior satisfação que, depois de um primeiro contato, espécie de aperitivo, com Brasília, voltei esta semana a ver de perto esta assombrosa criação brasileira, desta vez a convite do meu eminente amigo, o Presidente Juscelino Kubitschek.

Sejam quais forem suas deficiências, neste ou naquele particular, Brasília é de certo um esforço que honra a capacidade de realização dos homens públicos, dos administradores, dos arquitetos, dos urbanistas, dos sanitaristas, dos educadores, dos técnicos e dos operários nele empenhados com um fervor que, em alguns, chega a ser um fervor místico ou religioso. Do ponto de vista artístico – Brasília é qualquer coisa de maravilhoso. Continuo a pensar que lhe faz falta a presença, entre os orientadores da sua construção, do ecologista e dos cientista sociais; e renovo daqui o meu apelo ao Presidente da República e ao Diretor Israel Pinheiro, no sentido de procurarem juntar, sem demora, esta colaboração efetiva ao esforço cada vez mais complexo que a construção de Brasília representa como um grande triunfo brasileiro no espaço tropical e no tempo moderno.

É evidente que Brasília se desenvolverá como uma cidade basicamente brasileira. Por conseguinte, com problemas comuns a outras cidades brasileiras. Por outro lado – tal é a sua modernidade, tal é a sua projeção sobre o futuro, como cidade situada no trópico, que vários dos seus problemas serão especificamente, vamos dizer, brasilianos e não apenas brasileiros.

Esses problemas, que acabo de chamar especificamente brasilianos, terão de ser considerados – e quando possível resolvidos, por administradores de visão na verdade larga, com a colaboração não só de urbanistas, arquitetos e artistas, mas – permita que insista neste ponto – de ecologistas e cientistas sociais, pois não nos esqueçamos de que Brasília não é uma criação do vácuo, mas dentro de uma ecologia – a tropical e condicionada pela situação do Brasil, pelas suas inter-relações internas (inter-relações das quais Brasília se vai tornar o centro) e pelas suas relações com o exterior: relações de uma já quase potencia, não só continental como atlântica.

Não sei se se deva dizer que Brasília vai-se desenvolver como cidade de formação cosmopolita. A meu ver, se tal sucedesse, seria não a sua grandeza, mas, talvez, a sua desgraça. Brasília, a meu ver, deve desenvolver-se combinando o que nela é brasileiro com o que lhe virá, cada vez mais, de fora, sob a forma de boas e saudáveis influencias de caráter cosmopolita.

Sou dos que acreditam de modo, posso dizer, absoluto, em que a interiorização da Capital é uma necessidade brasileira. Será um meio de tornar-se o Brasil um todo mais dinamicamente inter-regional e, por conseguinte, um todo verdadeiramente nacional.”

10
Catetinho – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside à cerimônia de entrega ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do primeiro Palácio Residencial Provisório de Brasília, o Catetinho. Nessa ocasião, congratulando-se com os pioneiros que, por conta própria, chegaram a Brasília e por conta própria construíram o Catetinho, o Presidente da República diz:

“Há três anos, pela primeira vez dormi nesta construção que o próprio povo denominou Catetinho, traduzindo o espírito que imperava em todos os corações: a transferência do Governo para o interior.”

Passa o Presidente a abordar aspectos dos primeiros dias de Brasília. cita o fato de um caminhão levar então cerca de vinte dias ou mais para chegar até lá por falta de estradas. As cargas eram atravessadas sobre os rios em balsas improvisadas. Ainda agora, quando marcham para Brasília os primeiros transformadores, que possibilitarão a chegada da energia elétrica de Cachoeira Dourada a Brasília, a tarefa do transporte foi entregue ao Exército e constitui uma verdadeira operação de guerra, através de mil quilômetros de distancia. Entretanto, prossegue o Presidente, o panorama hoje se transforma. De várias regiões chegamos através de boas estradas asfaltadas. E amanhã, a 21 de abril, de todos os pontos do Brasil, chegaremos a Brasília por grandes estradas, entre as quais a Brasília-Belém, a espinha dorsal do país e o maior empreendimento pioneiro do século.

Diz ainda o Presidente da República que, quando chegou a Brasília pela primeira vez, sonhando com a ligação Norte-Sul do país, chamou o engenheiro Bernardo Sayão e expôs-lhe as dificuldades, mostrou-lhe os perigos da aventura através de 600 quilometros de selva e Sayão, com os seus homens, iniciou a grande jornada, tornando-se o primeiro herói e o primeiro mártir. Dois anos depois, a estrada está aberta nos 600 quilometros de selva desconhecida, marcando para sempre a grande marcha em busca da integração de seis milhões de quilômetros quadrados de territórios até agora abandonados.

Brasília – continua o Presidente – representa um elo, uma nova fase na vida brasileira que está recuperando, em três anos, três séculos perdidos.

Reafirma o Presidente Juscelino Kubitschek que Brasília não é uma cidade. É uma trincheira avançada, que em boa hora o seu governo tomou a decisão de construir, para a grande arrancada rumo ao interior.

Termina o Presidente congratulando-se mais uma vez com o pioneiros de Brasília, que lá chegaram em caminhões que ninguém sabe por onde vieram, nem como chegaram.

E em dez dia, convidaram o Presidente a transferir a sede do Governo para o seu novo palácio. E acrescenta, textualmente:

“Nesta data, há três anos atrás, despachei pela primeira vez na pequena sala onde uma placa de bronze fixa para a posteridade o ato heróico daqueles dias.”

Finalizando, diz de sua satisfação em entregar à diretoria do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, na pessoa de seu diretor, professor Rodrigo de Melo Franco Andrade, a primeira residência de Brasília, que assim ficará perenemente preservada para a História.


Foto: Arquivo Público do DF

Entrevista do Presidente da Novacap – No Rio de Janeiro, o Senhor Israel Pinheiro concede à imprensa uma entrevista coletiva, em que aborda, um a um, os pontos estudados, na Câmara Federal, pelo deputado Elias Adaime, em torno da construção de Brasília.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Ministério da Viação informa que, das 35 obras de arte especiais da rodovia Belo Horizonte-Brasília, 32 já se acham concluídas pelo DNER.

Informa ainda o DNER que um viaduto no quilometro zero, entre Lagoa Jacaré, sobre a rodovia estadual, ficará concluído dentro de 30 dias. A ponte do córrego Rico em dezembro próximo. Finalmente, uma ponte sobre o Rio São Francisco, a mais longa (360m) tem a sua conclusão prevista para o dia 20 de janeiro do ano vindouro, encerrando-se naquela data o serviço de construção de obras de arte na Belo Horizonte-Brasília.

Vice-governador de São Paulo – Ao Presidente Juscelino Kubitschek, o General Porfírio da Paz, vice-governador de São Paulo, dirige o seguinte telegrama:

“Diante dos injustificados ataques contra sua monumental obra de Brasília, que, com o ser imperativo constitucional é sobretudo de supremo interesse para a Pátria que lhe deve assinalados e relevantes serviços, apresso-me em enviar-lhe meus protestos de solidariedade integral não só como homem público, soldado da Pátria e seu sincero amigo e grande admirador. Sua obra de Brasília é por demais grande e tão consagrada está no Brasil e em todo o mundo que não lhe atingem ataques pessoais nem partidários partam de onde partirem. Meu ilustre Presidente e querido amigo sabe que à proporção que se aproxima a data marcada pela sua competente autoridade e alto critério que tem presidido seus atos da mudança da Capital para Brasília, vão aparecendo as vozes agoureiras daqueles que são incapazes de compreender a excelsa significação de sua obra que assombrou o mundo e encheu o coração dos brasileiros de fundadas esperanças de um amanhã melhor na certeza absoluta de um futuro de progresso, prosperidade e paz. A mudança da Capital desgosta alguns que não querem deixar essa maravilhosa Guanabara, mas alegrará a esmagadora maioria dos brasileiros da hinterlândia que serão tirados da solidão e do esquecimento em que vivem pela coragem, decisão e solidariedade do grande presidente Juscelino. Para a frente, querido amigo, e que Deus e Nossa Senhora Aparecida o ajudem.”

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Arquiteo Sérgio Bernardes – De regresso de Brasília, o arquiteto Sérgio Bernardes assim se manifesta à imprensa sobre o que viu na nova Capital:

“Confesso que, antes de ir a Brasília, não tinha uma idéia precisa sobre o que ela representa de grandioso e de promissor para o futuro do Brasil. É natural que aquela empresa ciclópica, criada do nada, em pleno planalto goiano, pela vontade férrea do Presidente Kubitschek, venha dando assunto para críticas e alarma de gente acostumada a ver o Brasil marcar passo na senda do Progresso, seguindo a orientação da bússola do espírito conservador e rotineiro.

Até o advento da presidência Kubitschek, o nosso imenso País foi governado por homens probos e ilustres que pautavam os seus atos procurando sempre não piorar o que já estava feito, mas sem cuidar de atender ao muito que ainda estava por fazer para amalgamar, para consolidar a verdadeira unidade nacional. O apego às velhas praxes administrativas, circunscritas à placidez sombria dos salões de despachos, não permitia àqueles conspícuos cidadãos uma visão panorâmica de um outro Brasil, perdido no “hinterland”, dissociado da comunhão nacional, mas estuante de possibilidades para cooperar no desenvolvimento de nossas forças econômicas. Brasília é, justamente, o marco principal de uma nova era nos métodos da governança da União e, sem ela, as metas programada pelo dinâmico e impetuoso governo do Sr. Juscelino Kubitschek não teriam finalidades práticas e decisivas para as prosperidades do nosso grande e bom povo.

O plano da Nova Capital, da lavra desse humanismo e genial Lúcio Costa, resolve, de maneira simples e harmoniosa, todos os problemas de urbanização da nossa futura Metrópole. E o poder criador de Oscar Niemeyer surge, nos principais edifícios de Brasília, como uma afirmação do adiantamento da arquitetura brasileira. É deveras lamentável que um empreendimento impar na arquitetura mundial, da projeção social e econômica de Brasília nos destinos de nossa Pátria, esteja, agora, passando pelo crivo de criticas políticas que nada podem tirar do valor e da irrecusável utilidade daquela corajosa e portentosa obra.

Fala-se muito nos gastos com a construção de Brasília, mas o que lá se gastou é uma parcela ínfima do que a Nação lucrou com esses abençoados quatro anos de paz, de ordem, de liberdade, que a figura humana do Sr. Kubitschek concedeu a todos os setores da vida nacional. Naturalmente, nada se faz sem sacrifícios, mas o que o Sr. Juscelino vem fazendo, sem poupar esforços e canseiras, para despertar a Nação do marasmo burocrático em que vivia hibernada, há muitas décadas, será reconhecido pelas gerações futuras, como a obra de um homem que porfiou, que sofreu, tocado pela ante-visão de um Brasil forte, unido e próspero.

Aí, então – conclui o arquiteto Sérgio Bernardes – Brasília será compreendida e louvada.”

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Marechal Henrique Lott – Visita Brasília o ministro da Guerra, Marechal Henrique Teixeira Lott, que é homenageado pelos operários na Praça dos Três Poderes. Agradecendo a recepção, o Ministro da Guerra declara-se vivamente entusiasmado com o andamento das obras, referindo-se ao esforço e à capacidade do trabalhador brasileiro, notadamente daqueles que, vindo dos recantos mais distantes do país, com dedicação e patriotismo, empregam o melhor dos seus esforços na concretização da grande obra, que a seu ver é de salvação nacional.

Concluindo, o Ministro da Guerra lembra as criticas e até mesmo os insultos de que foram vitimas Oswaldo Cruz e o Barão do Rio Branco, ambos hoje lembrados com veneração e respeito por todos os brasileiros, pelo muito que fizeram pela elevação da Pátria. Dessa mesma incompreensão, diz o titular da Guerra, está sendo vitima o Presidente Juscelino Kubitschek com a construção de Brasília; mas estejam certos os brasileiros que os descrentes de hoje serão os mais crentes de amanhã, porque Brasília já é, indiscutivelmente, o inicio de uma nova era de progresso para o país.


Foto: Arquivo Público do DF

Entrevista de imprensa – O senhor Ernesto Silva, diretor da Novacap, presta à imprensa, a propósito de declarações do deputado Elias Adaime, as seguintes informações:

“O Presidente Israel Pinheiro, na sua exposição, complementada com os amplos esclarecimentos que democraticamente prestou na entrevista coletiva à imprensa, já contestou todas as inverdades veiculadas pelo deputado e repeliu, com veemência, a indébita intromissão na vida particular e as injúrias que lançou contra dirigentes, chefes e altos funcionários da Novacap, que merecem, pelo rigor no cumprimento do dever, pela probidade e pela capacidade profissional, o mais alto respeito e consideração.

Quanto às acusações que me faz pessoalmente e a meus auxiliares diretos, carecem de idoneidade, porque não vieram acompanhadas de provas.

A questão da mobília para a Granja G-4, que servirá de residência para o Diretor durante a sua gestão na Novacap, não teve qualquer interferência de pessoas do meu gabinete, pois a sua aquisição foi realizada mediante tomada de preços pelo Departamento de Compras da Novacap e encomendada à firma vitoriosa na concorrência, sendo que as especificações da mesma foram feitas pelo Departamento de Arquitetura.

No que concerne à concorrência dos eucaliptos e ao contrato das oliveiras, neles não se envolveu, sob qualquer aspecto. Os processos foram originados no Departamento de Agricultura, sob a supervisão de outro diretor da Novacap, o Dr. Íris Meinberg. Seu gabinete jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer assunto relacionado com a agricultura, dele tomando conhecimento através das Atas do Conselho e da Diretoria.

A afirmação de que o Sr. Amaury (encarregado da instalação da Vila Amaury) e d. Dinah (que é minha assessora, porém jamais teve interferência em assuntos ligados àquela vila), tenham recebido propinas é inteiramente infundada; se algum fiscal procurou se prevalecer de suas funções para explorar os trabalhadores, o fato não mereceu aprovação de quem quer que seja, nem nele se envolveram os funcionários citados, que vivem para o seu trabalho e gozam do maior conceito na Companhia. É, aliás, inteiramente impossível que os moradores da Vila Amaury, simples assalariados e, na sua maioria, amparados pelos órgãos de assistência social em Brasília, estejam em condições de dar propinas, quando, sem o fazer, poderiam dispor gratuitamente dos lotes para as suas residências.

Quanto ao parentesco com o Sr. Duarte e a Sociedade na Copiadora, já foram assuntos desmentidos pelo Sr. Israel Pinheiro. Só podem ter sido veiculados por maldade ou engano. O Sr. Duarte é chefe da Divisão de Documentação e não é meu parente próximo ou remoto; os proprietários da Copiadora não os conheço: a referida Copiadora transferiu-se para Brasília quando para lá se transferiu o Departamento de Arquitetura e a maior parte das cópias heliográficas é destinada, como é óbvio, aos diversos departamentos intimamente ligados às construções, não subordinados diretamente à minha pessoa.”

IBC – O Presidente Juscelino Kubitschek visita, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna, a planta e fotografias da maquete do edifício-sede que o Instituto Brasileiro de Café erguerá em Brasília, planta de autoria do arquiteto Sérgio Bernardes.

Cachoeira Dourada – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza a liberação da verba de 40 milhões de cruzeiros e a assinatura do contrato a ser celebrado entre o Ministério da Agricultura e as Centrais Elétricas de Goiás S.A., para construção das linhas de transmissão do sistema da Central Hidrelétrica da Cachoeira Dourada.

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Discurso presidencial – Falando na instalação do XIV Congresso Mundial de Câmaras Junior, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se expressa a propósito de Brasília:

“O aproveitamento, em grande escala, do imenso potencial hidrelétrico do Brasil, com a construção de modernas e bem aparelhadas usinas; a exploração petrolífera em marcha ascendente; a construção de rodovias que ligam o “hinterland” com o litoral, em todos os sentidos – e outras realizações, cujos frutos serão recolhidos pelos moços – são obras que não se destinam a encher os olhos do efêmero, mas a melhorar as bases do nosso soerguimento e de nossa segurança.

Como coroamento dessas tarefas, estamos, como deveis saber, construindo uma nova Capital, no próprio coração do território pátrio – a primeira capital da nova civilização, como acentuava, há pouco, o escritor francês Malraux.

Não se trata de renegar a civilização litorânea, como se tem dito irrefletidamente, e sim de aproximar o litoral do nosso “hinterland”, onde jazem imensas riquezas, ainda inexploradas.

Sendo o Brasil, geograficamente, um dos maiores paises do mundo, situando-se, no seu interior, o coração do continente sul-americano, não se justificaria esse apego ao litoral, quando há tanta por lavrar, tantas solidões a povoar, tantas estradas por abrir, tanto tesouro a retirar do solo e do subsolo.

O deslocamento da Capital para Brasília vai permitir uma revolução econômica que tem sido o sonho de muitas gerações de brasileiros. Não mais veremos arquipélagos de difícil acesso, como na configuração econômica atual, mas um bloco uno, interligado por ferrovias e rodovias, sem os desníveis de enriquecimento que ainda há, de região para região, com tão funestas consequências para o povo brasileiro.

Já no deserto goiano, onde há três anos não se viam senão cerrados e campos, ergue-se hoje a Cidade Nova, que será o centro vital de um Brasil novo.

Mas, quero dizer-vos que a edificação de Brasília é também um ato que se enquadra nos princípios norteadores da Operação Pan-Americana, que busca valorizar e tornar úteis as áreas não desenvolvidas do Continente, a elas estendendo os benefícios do progresso técnico e levando a civilização.”

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Georges Mathieu – O Presidente Juscelino Kubitschek acompanha o pintor Georges Mathieu na visita que o artista francês faz a Brasília. Mathieu, após a visita, diz ao Presidente da República de seu agradecimento, por ter podido assistir ao nascimento de um milagre: Brasília.

“Bem sei, diz Mathieu, que aqui elevais o milagre ao nível de instituição nacional e particular. Mas, no caso, trata-se de uma das maiores epopéias da história dos homens, talvez mesmo a maior. Eu vi Brasília de avião, de automóvel, andando a pé e de helicóptero. E fiquei fascinado.

Como disse a Niemeyer, era preciso ser Paul Valéry para falar sobre Brasília. E se esse nome me ocorreu, não foi por acaso. Se Valéry tivesse visto Brasília, talvez duvidasse da mortalidade das civilizações. Depois de sete séculos, no curso dos quais a busca da evidência nos escondeu a verdade, nosso Ocidente reencontra o caminho de sua verdadeira vocação, pela rota de Brasília. Nunca o mundo teve tantas razões de esperança como tem hoje convosco, brasileiros!”

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Declaração presidencial – Em São Bernardo do Campo, São Paulo, o Presidente Juscelino Kubitschek, participando da inauguração oficial da fabricação em série de automóveis Wolksvagen, profere discurso de improviso, em que afirma, a respeito de Brasília:

“Só agora, neste Governo, se fez a ligação física do Brasil, através de uma estrada que sai no rio Amazonas e vai aos pampas do Rio Grande do Sul, desfazendo a posição em que nos encontrávamos, de um conjunto de ilhas humanas.

A realidade nos acostumará a estas façanhas, a estas temeridade que tornam as nações mais fortes, tornam as nações mais poderosas. Dentro de cinco meses, já estaremos subindo o altiplano de Piratininga, rumo a um mais alto ainda, situado no coração do Brasil, quando da inauguração da nova Capital do nosso País: Brasília. Brasília, que se ergue, como tenho sempre afirmado, não apenas como uma cidade, mas como um novo posto de comando, do qual dirigiremos a batalha para a conquista do território imenso abandonado. Brasília, dentro de cinco meses, como nos sonhos, como nas lendas, será uma realidade efetiva para o Brasil. Ainda há pouco, eu convidava D. Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, eminente cardeal de São Paulo, para celebrar a missa inaugural da cidade de Brasília. Ele me dizia que, a 3 de maio de 1957, há menos de 3 anos portanto, ele celebrava, no planalto ainda deserto, a primeira missa para os brasileiros que ali se reuniram. Em menos de 3 anos, S. Eminência celebrará a missa que marcará o fim desse esforço tremendo para mudança da capital da República.”

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Câmara dos Deputados – Divulga-se o parecer do deputado Abelardo Jurema, líder da maioria, a respeito do discurso proferido em 3 do corrente pelo deputado Elias Adaime, sobre a Novacap e a administração das obras de Brasília. O Parecer toma o número 20, de 1959.

Técnicos do Ponto IV – Visitam Brasília numerosos técnicos de Administração do Ponto IV dos Estados Unidos, que por intermédio do Sr. Bernholz assim manifestam sua impressão:

“Consideramos todos Brasília a maravilha do século.”

Energia elétrica – A Agencia Nacional divulga dados interessantes a respeito do abastecimento de energia elétrica a Brasília.

Duas usinas hidrelétricas garantirão o progresso da Nova Capital – a de Cachoeira Dourada e a do Paranoá. A primeira, com uma unidade já em funcionamento, com 28 mil KWA, e uma outra a ser inaugurada ainda no corrente ano. A Usina do Paranoá, com um total de 27 mil KWA, proporcionará maior abundancia de eletricidade à nova capital, quando de sua conclusão.

Para o futuro, de acordo com as necessidades regionais, Brasília será o ponto de interligação dos grandes sistemas de eletricidade nacional, com as Centrais Elétricas de Goiás. De acordo com os contratos de serviço, Brasília terá energia elétrica em abundancia até o fim do ano, quando entrará em funcionamento a Usina de Cachoeira Dourada, na sua segunda etapa.

De Cachoeira Dourada a Brasília, num total de 320 quilometros de transmissão, já estão em pleno funcionamento 150 quilometros de linha Cachoeira Dourada-Goiânia, constituindo a primeira etapa dos serviços. Da Goiânia-Brasília estão terminadas 461 torres, devendo até 30 do corrente concluírem-se todos os serviços, com os cabos esticados. Estas obras acham-se a cargo da SADE – Sul-América de Eletrificação S.A., que montou uma média de 12 torres por dia.

A linha de transmissão da Usina de Paranoá a Brasília mede 10 quilometros de extensão e será construída em cabo submerso e dutos subterrâneos. Os serviços deverão ser executados pela EBE – Empresa Brasileira de Engenharia.

A Subestação Abaixadora (220-33 KV) está sendo construída em Brasília, os serviços a cargo da CELG – Centrais Elétricas de Goiás S.A. A primeira etapa – funcionamento de 40 MVA – 130-11.5 KV, será concluída no fim do corrente mês.

A distribuição de toda a energia elétrica destinada a Brasília, necessitará do seguinte: Estações Abaixadoras de 33-3,2 KV, 4 Subestações de 60 MVA, 2 Subestações de 20 MVA, 1 Subestação de 10 MVA.

Para distribuição de 13.200 volts, uma rede subterrânea com 100 quilometros de dutos múltiplos dos quais 45 quilometros em primeira etapa. Destes, acham-se concluídos mais de 7 quilometros e uma rede de 50 quilometros, pertencendo também à primeira etapa.

Subestações Abaixadoras distribuirão 13.200-380-220 volts, sendo instalados 380 transformadores de 500 KVA e 120 de 300 KVA. A primeira etapa, que deverá estar concluída no próximo dia 30, prevê a instalação de 100 transformadores para atender o setor de administração pública, e a parte construída da Asa Sul da cidade (Fundação da Casa Popular – Institutos – etc). As obras já foram iniciadas devendo estar concluídas até o dia 30 próximo.

Distribuição de 320.220 volts. Rede Subterrânea em dutos com 80 quilometros, dos quais 40 (primeira etapa) deverão ser entregues, concluídos, até 30 de novembro.

Ainda, 100 quilometros de rede aérea que será construída de acordo com as demandas, pois se trata de distribuição para loteamentos residenciais.

As Centrais Elétricas de Goiás tiveram liberados, pelo Presidente da República, 40 milhões de cruzeiros, destinados ao custeio das obras em realização (segunda etapa) de Cachoeira Dourada.

A Usina do Paranoá, contratada com a Siemens, aproveitará o desnível da Cachoeira do Paranoá e a barragem do Lago. Os trabalhos de barragem já estão concluídos na parte essencial, ficando agora a Siemens com os serviços de instalação da Usina. Estes serviços só estarão concluídos depois da transferência da capital federal. Até lá, Brasília será abastecida de energia pela Usina de Cachoeira Dourada.

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Plataforma – Em Brasília, os alunos e professores da Escola Superior de Guerra assistem à cerimônia da inauguração, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, da grande plataforma existente no cruzamento dos eixos Monumental e Longitudinal da futura capital brasileira, uma das maiores obras de engenharia do gênero, em todo o mundo, e em torno da qual se processará grande parte do movimento da cidade que surge no planalto goiano.

No Plano-Piloto de Brasília, a grande plataforma terá como função evitar o cruzamento de trânsito, possuindo pistas de alta velocidade e de trânsito local. Ali também será localizada a estação rodoviária de Brasília, “o estuário em que palpitará a vida de Brasília, na sua expressão de progresso, grandeza e força pioneira, a serviço do Brasil”, conforme descrição de placa comemorativa da inauguração.

Cabe ao General Hescket Hall, por deferência do Presidente Juscelino Kubitschek, descerrar a referida placa tendo, na oportunidade, diretores e engenheiros da Novacap explicado o mecanismo de funcionamento desta plataforma, que dará a Brasília uma grande flexibilidade no tráfego urbano, uma das características principais do seu planejamento.

Ginásio Dom Bosco – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, em Brasília, à solenidade de lançamento da pedra fundamental do prédio definitivo do Ginásio Dom Bosco. Na oportunidade, em discurso, diz o Presidente da República que numa cidade onde tudo era fundamental, nada tão fundamental como lançar os alicerces de uma obra destinada à educação das novas gerações, às quais desejamos legar um país mais forte e consciente de sua grandeza.

Escola Superior de Guerra – Em visita a Brasília, um grupo de estagiários da Escola Superior de Guerra ouve uma exposição do Presidente da Novacap e uma explanação do Presidente Juscelino Kubitschek, esta precedida de um resumo do programa de metas. O Presidente da República faz um balanço das atividades de seu Governo nos diversos setores da vida nacional e que estão consubstanciadas no programa de metas econômicas. Esclarece o Presidente a necessidade deste preâmbulo, para se compreender o sentido de Brasília, que é o coroamento do arcabouço econômico que se está construindo, no país, através de indústrias de base e de infra-estrutura, que darão ao Brasil, dentro dos próximos anos, as ferramentas necessárias para romper a barreira do subdesenvolvimento.

Enumera, então, dados relativos às diversas metas, muitas das quais ultrapassadas, como é o caso do petróleo, das estradas de rodagem, da indústria de automóveis e de pavimentação asfáltica e que por isso mesmo tiveram de ser revistas, estabelecendo-se marcas mais elevadas, que estão sendo perseguidas com tenacidade. Em outras, o andamento está plenamente satisfatório, como o da indústria siderúrgica, do potencial de energia elétrica instalado, o de fertilizantes, de cimento, de marinha mercante, etc.

Tudo isso – afirma o Presidente – foi feito com o objetivo de dar ao país os instrumentos para o seu progresso. Indica a necessidade de fazê-lo, em vista do crescimento demográfico brasileiro, dos mais céleres. Se o país não estivesse aparelhado para desenvolver os seu próprios recursos, dentro de poucos anos, a pressão demográfica condenaria o Brasil a mergulhar definitivamente no subdesenvolvimento.

Sobre Brasília, afirma que traduz a ressurreição do bandeirantismo no Brasil. É a ponte de comando para a conquista do interior brasileiro, para a conquista do maior deserto do mundo, que é a Amazônia, com seis milhões de quilômetros quadrados. Em todos os países cujas capitais foram transferidas, a mudança significou uma hora solar na vida dos seus povos. Assim será também Brasília como marco no esforço para a integração nacional. Brasília é uma obra do mais puro sentimento nacionalista de nosso povo. E sempre se caracterizou por seu sentido plebiscitário. A transferência da capital era um anseio de todos os brasileiros, como pode sentir em sua campanha eleitoral. Brasileiros de todos os quadrantes pediam que se cumprisse a Constituição, no dispositivo que determinava a mudança da capital. E ele a estava cumprindo. Além do mais, só a nova capital possibilitaria empreendimentos como a Estrada Belém-Brasília e a Brasília-São Paulo, cujo traçado iria permitir a sonhada ligação física do Norte com o Sul do país, por terra. E também a Belo Horizonte-Brasília e a Fortaleza-Brasília, outras estradas de grande expressão econômica. Desse modo, quando, a 21 de abril, governadores do Norte, do Centro e do Sul do país seguirem de automóvel, para o encontro que já foi marcado na nova Capital, este encontro não será meramente simbólico, mas significará que o Brasil começa a se integrar pelos seus caminhos naturais.

Os estagiários da Escola realizam, a seguir, um debate com o Presidente da Novacap, a respeito da construção de Brasília, formulando perguntas:

A primeira é sobre a razão da construção de apartamentos em Brasília, quando havia tanta área livre no planalto.

Responde o Sr. Israel Pinheiro que a concepção do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, vencedor do concurso instituído pela Novacap, fora a de construir uma cidade concentrada. De acordo com os mais modernos conceitos, urbanismo é trazer o campo para o conforto da cidade e levar o conforto da cidade para o campo.

Se Brasília fosse uma cidade espalhada, tornaria inacessível a prestação de serviços eficientes como escola, assistência médica e hospitalar, abastecimento, diversões, etc., à população. Assim, foi idealizada a “unidade de vizinhança” que permite a concentração de moradores. Mas cumpria distinguir que os apartamentos em Brasília eram diferentes dos do Rio de Janeiro. Vão ficar localizados no centro de parques, onde não haverá, sequer, circulação de veículos. O plano urbanístico e também paisagístico de Brasília prevê que cada unidade de vizinhança seja cercada por árvores, de modo a que cada uma delas constitua verdadeiro bosque.

A uma pergunta sobre os serviços de águas e esgotos, informa o Sr. Israel Pinheiro que todos estão sendo atacados. A estação de tratamento de água terá controles eletrônicos. Os esgotos serão também tratados, para a produção de adubos, sendo que uma estação de tratamento do lixo funcionará conjugada com a de esgotos, para este fim.

Sobre a energia elétrica para o abastecimento das residências, objeto de outra pergunta, esclarece que até o momento a tarifa cobrada é a mesma de Goiânia. Com a entrada em funcionamento das novas usinas que abastecerão Brasília, serão então fixadas novas tarifas. No que se refere ao gás liquefeito, está em estudos a idéia de criação de centrais de gás, para cada uma das super-quadras. Quanto aos lotes individuais, seria naturalmente individual o abastecimento.

Um dos alunos indaga o motivo pelo qual foram importadas estruturas metálicas para a construção dos Ministérios, quando Volta Redonda também as fabrica.

Explica o Sr. Israel Pinheiro que, antes de se cogitar da importação, a Companhia Siderúrgica Nacional foi consultada, respondendo seu presidente, general Macedo Soares, pela impossibilidade de atendimento, sob pena de sacrificar o abastecimento de aço às indústrias de transformação. Em vista disso, foi adotada a solução de importação, com financiamento do Export and Import Bank.

Sobre o problema do ensino de nível superior, responde o presidente da Novacap que o assunto já está sendo estudado pelo Ministério da Educação, cogitando-se de instalar em Brasília uma universidade de cúpula, destinada ao aperfeiçoamento dos professores. O Ministro Clóvis Salgado foi incumbido de dar a solução ao problema, devendo apresentar suas conclusões dentro em breve.

Ainda em atenção a uma outra pergunta, informa o Sr. Israel Pinheiro que em Brasília não haverá grande indústria. A localização destas será nas cidades satélites que vão surgir em torno da futura capital, a 30 e 40 quilometros de distância. Em Brasília só haverá lugar para pequenas indústrias de transformação, que se localizarão nas proximidades da estação ferroviária, na ponta do eixo monumental. De um lado, as pequenas indústrias e, de outro, os armazéns e depósitos vinculados com o sistema de abastecimento de Brasília. Esclarece o Sr. Israel Pinheiro que em Brasília não haverá, por exemplo, açougues. A carne a ser consumida pela população entrará na cidade já devidamente embalada e poderá ser vendida por estabelecimentos comerciais que possuam frigoríficos. São ainda abordados os problemas de comunicação de Brasília com outros centros brasileiros, tendo o presidente da Novacap assegurado que o sistema de micro-ondas estará funcionando na data de inauguração da nova capital e que esse sistema representará um benefício para cerca de 40 outras cidades brasileiras. Fala-se também sobre a produção agrícola da região em torno de Brasília, que aumentou depois da criação da nova Capital, havendo além disso outros reflexos, como os fretes, que baratearam. Antigamente, um caminhão que conduzisse arroz para os centros de consumo não tinha frete de retorno, porque nada havia para transportar para a região, e isso naturalmente encarecia o custo do transporte. Hoje, a situação modificou-se inteiramente.

Cabe ao general Hescket Hall, comandante da Escola Superior de Guerra, agradecer, em nome do estabelecimento que comanda, a explanação do Presidente Juscelino Kubitschek, que considera clara e convincente, sobre o progresso do Brasil. Salienta estar feliz de voltar a Brasília, três anos depois de sua primeira visita e verificar a existência de uma cidade, onde antes não havia nada. Este fato, acrescido das palavras de fé no destino do país, pronunciadas pelo Presidente da República, permitia um sentimento de orgulho e de patriotismo de que partilhavam todos os presentes, alunos e professores da E.S.G. Por fim, o general Hescket Hall oferece ao Sr. Juscelino Kubitschek uma flâmula da Escola Superior de Guerra.

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Lions Clubes – No Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek é homenageado pelos Lions Clubes, sendo saudado pelo Senhor Clarence Sturn, Presidente do Lions Club International, o qual diz, em seu discurso:

“Ouço maravilhas a respeito de Brasília, lamentando não ter tido tempo de conhecer a futura capital – obra marcante do Governo de V.Excia., que causa admiração em todo o mundo. Espero visitar Brasília quando for inaugurado o Lions Club daquela cidade, e assim travar contato com essa grande obra de integração econômica e social do Brasil.

Brasília, Sr. Presidente, é a afirmação da capacidade de realização do povo brasileiro, uma obra que coloca um Governo e um povo no mais alto conceito internacional.”

Em seu discurso de agradecimento, o Presidente Juscelino Kubitschek refere-se a Brasília, para declarar que o empreendimento está obedecendo a tal ímpeto que já, nesta altura, nada poderá impedir a sua completa realização.

Tratava-se de providencia de extrema necessidade, visto como a civilização, em nosso país, está limitada a uma faixa litorânea, de cerca de 500 quilometros de penetração, enquanto no restante de nosso território a densidade demográfica não chega a ser de um habitante por quilometro quadrado. Regiões despovoadas nessa proporção são consideradas regiões desertas, e, assim, nosso deserto surge como o maior do mundo, duas vezes maior que o Saara. A construção de Brasília se impunha, portanto, como ponto de partida para a conquista da vasta área territorial abandonada, para dar os seus primeiros frutos – continua – forçando a construção de 10 mil quilômetros de novas estradas de rodagem, que constituem princípio de formação da “teia de aranha” que, convergindo para a futura Capital Federal, dela fará “a esquina de todas as atividades nacionais”. A rodovia Belém-Brasília – diz – com seus 2.200 quilometros, já está praticamente aberta e, em dois meses, ficará concluída a ponte sobre o Rio Tocantins, parte integrante da grande ligação rodoviária e a primeira ponte que se ergue sobre um afluente do Amazonas. A ligação Fortaleza-Brasília será inaugurada em abril de 1960, bem como as rodovias Belo Horizonte-Brasília, com 730 km e São Paulo-Brasília. Em breve, pela primeira vez, o homem poderá, através de boas estradas, ir do Amazonas ao extremo sul do País. São todos empreendimentos que terão como resultado final a prosperidade, a tranqüilidade e o bem-estar do povo brasileiro, e que constituem um exemplo de bravura e da determinação de um povo.

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Fundação cultural – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe no Palácio do Catete uma comissão constituída de personalidades representativas dos meios culturais e das classes produtoras, que sugere na ocasião ao Chefe do Governo a criação em Brasília de uma Fundação destinada a representar o pensamento das elites intelectuais do país. A Fundação, a exemplo do Fórum Roberto Simonsen, mantido pela Federação das Indústrias de São Paulo, e de entidades existentes na capital da República e em outras grandes cidades, seria um ponto de contato permanente e de reunião entre brasileiros de todos os quadrantes, estando representados no seu Conselho Diretor todas as unidades da federação pelas suas expressões de maior relevo e responsabilidade. Seria ainda um dos objetivos da Fundação, para a qual seria construída uma sede condigna, dotada de anfiteatro, promover congressos nacionais e internacionais de cunho cientifico e artístico.

A comissão recebida pelo Presidente Juscelino Kubistchek estava constituída dos Srs. Lucas Nogueira Garcez, ex-governador de São Paulo, Amador Aguiar, superintendente do Banco Brasileiro de Descontos, Antonio Devisate, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Nadir Figueiredo, vice-presidente da mesma Federação, Lídio Lunardi, presidente da Confederação Nacional das Indústrias, Dante Paganasse, Diretor do Instituto de Cardiologia do Estado de São Paulo, Adolfo Araújo, médico, e senador Cunha Bueno.

O Presidente Juscelino Kubitschek palestra demoradamente com os visitantes, reconhecendo a necessidade de dotar-se a futura capital da República, logo no inicio de sua vida, de uma instituição no gênero da que então se sugeria, pois é realmente uma necessidade que a sede do Governo disponha de um local adequado para a realização de congressos e conferencias, que ali ocorrerão com freqüência.

28
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Ministério da Viação e Obras Públicas divulga que a rodovia Belo Horizonte-Brasília conta, nesta data, com 302 km pavimentados.

Nas obras da estrada, a terraplenagem já atinge a 560 km, a sub-base a 501 km e a base a 393 km. Os serviços de terraplenagem aproximam-se da fase final. Tudo se faz para que a rodovia esteja pronta para a inauguração de Brasília.

Educação do Surdo – O Ministério da Educação e Cultura cria em Brasília um Centro de Coordenação da Campanha de Educação do Surdo brasileiro. A portaria baixada nesse sentido foi complementada por outra que designou o pessoal que deverá seguir para a nova capital a fim de, imediatamente, iniciar os estudos e a instalação do novo órgão, cuja finalidade é prestar assistência a todos os deficientes da audição e de fala que vivem naquela região.

30
Lei Orgânica – O Ministro da Justiça, Senhor Armando Falcão, faz entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek do projeto de Lei Orgânica de Brasília, bem como de outro referente à organização judiciária da futura capital.

Crédito Rural – A Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Goiás divulga já haver instalado cinco escritórios de Extensão Rural, em Ceres, Jaraguá, Inhumas, Nerópolis e Brasília, nas quais equipes treinadas de agrônomos e especialistas em economia doméstica prestam assistência técnico-educativa aos agricultores.

Ministério da Fazenda – O Senhor Sebastião Paes de Almeida, Ministro da Fazenda, constitui, junto à direção Geral da Fazenda Nacional e sob a supervisão desse órgão, uma comissão denominada “Comissão de Transferência do Ministério da Fazenda”, com atribuições de estudar e promover, não apenas no tocante à transferência do primeiro grupo de servidores para a nova Capital do país, programado para abril de 1960, como, também, as transferências posteriores dos demais grupos e, em colaboração com a Divisão de Obras, completar os estudos referentes à instalação dos órgãos que deverão funcionar nas áreas reservadas ao Ministério da Fazenda, em Brasília.

A Comissão promoverá todas as medidas indispensáveis ao transporte dos servidores e suas famílias, podendo propor, finalmente, tudo quanto julgar indispensável ao perfeito cumprimento de suas funções e da completa efetivação da transferência do Ministério, para Brasília.

Fonte: Diário de Brasília – Coleção Brasília (IV) – Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro. 1960

 

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Brasília – Novembro de 1958

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BRASÍLIA – NOVEMBRO DE 1958

 

 

 

 

07
Cadetes do Ar – Neste dia, esteve em visita a Brasília, uma caravana de professores e oficiais da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena, chefiada pelo Major Aviador Otávio Augusto Pereira de Souza.
Percorreram todas as obras em andamento e regressaram no dia seguinte, àquela cidade.

Dia 08
Governador de Goiás – Em visita a Brasília, nesta data, esteve o Dr. José Ludovico de Almeida, governador de Goiás, que se hospedou no Brasília Palace Hotel.
Depois de uma visita rápida às obras, regressou no dia seguinte.

Dia 09
Presidente da República – Neste dia, para uma das suas habituais visitas de inspeção a Brasília, chegou às 13 horas, o Presidente Juscelino Kubitschek, a bordo de um dos “Viscount” da Presidência, sendo recebido no aeroporto pelo Dr. Israel Pinheiro e diretores da Novacap.

Acompanhavam-no, entre outras pessoas, os senhores Orlando Leite Ribeiro, embaixador do Peru, Cid Sampaio, governador eleito de Pernambuco, Júlio Soares, senador, Dix-Huit e Lullius Vereist, diretor presidente da Cia. Siderúrgica Belgo Mineira.

Prosseguindo no programa, inaugurou sucessivamente: 1 estrutura em alvenaria, no IAPI; 1 estrutura de obras de alvenaria e acabamento no IAPC; primeiro poço semi-artesiano de Brasília e 3 estruturas, obras de alvenaria e acabamento, no IAPB.

Saudando o Presidente da República respondeu em belo discurso em que mais uma vez historiou a gestação da idéia de Brasília e o desenvolvimento posterior da fase de execução, reafirmando que nenhuma força seria capaz de impedir a transferência do Governo na data marcada pelo Congresso, embora a resistência impatriótica de alguns brasileiros de visão unilateral.

Às 19 horas, em Palácio, com o salão da Biblioteca completamente repleto, o Presidente Israel Pinheiro proferiu uma palestra sobre Brasília, ilustrada com projeção de “slides” e explicações de Oscar Niemeyer.


Foto: Arquivo Público do DF

 

Dia 12
Pernambuco / Ceará – No dia 12 de novembro de 1958, quarta-feira, partiu de Brasília o primeiro ônibus para transporte de passageiros, com destino a Pernambuco.

O itinerário inicial se fará por Patos de Minas, Pirapora, Montes Claros, Conquista, Jequié, etc, até o ponto de destino: Caruaru.

No dia 20 de novembro de 1958, partiu o primeiro ônibus de passageiros com destino a Teresina, capital do Piauí.

Nesse mesmo dia, também seguiu o primeiro caminhão levando passageiros para Fortaleza, capital do Ceará.

Os veículos pertencem à empresa Auto-Viação Princesa do Nordeste. Embora ainda não se trate de linhas regulares, com viagens em dias e horários pré-estabelecidos, o acontecimento é de grande significação, pois vem demonstrar, com um ano e meio de precedência sobre a transferência do Governo Federal para o Planalto Central, que Brasília já se pode considerar como efetivamente ligada, através de rodovias transitáveis, com todo o nordeste do país.

Dia 13
Prefeito de Baton Rouge – No dia 13, para uma visita a Brasília, chegaram o senhor John Christian, prefeito de Baton Rouge (Lousiana – EUA) e a senhora Richard W. Freeman, de Montine.

Em companhia do arquiteto Oscar Niemeyer e do Dr. Carlos Alberto Quadros, visitaram as obras em andamento e regressaram no mesmo dia.

Dia 15
Prefeitos e Vereadores – No dia 15, em avião especial, vinda de Bauru (SP), chegou para uma visita a Brasília, uma caravana de 27 pessoas, entre prefeitos e vereadores da zona noroeste de São Paulo, chefiada pelo senhor Antonio Bartoni. Hospedaram-se no Brasília Palace Hotel, visitaram as obras e regressaram no dia 16.

Dias 18 e 19
Congresso Inter-Americano – Nos dias 18 e 19, 105 membros do Congresso Municipalista Inter-Americano que acabava de se reunir no Rio de Janeiro, a convite do Presidente da República, visitaram Brasília, sendo recebidos no aeroporto pelo Diretor Íris Meinberg e vários funcionários da Novacap.

Dia 24
Ministro do Canadá – Neste dia, convidado pelo Presidente da República, chegou às 10 horas, pelo “Viscount” presidencial, para uma visita a Brasília, o Sr. Smith, ministro do Exterior do Canadá, que foi recebido pelo presidente da Novacap, Israel Pinheiro, e percorreu as obras em andamento.

Dias 26 e 27
Dirigentes Sindicais – Nos dias 26 e 27, Brasília recebeu a visita de dirigentes sindicais, convidados pelo Presidente da República.

Acompanhados pelo Dr. Carlos Alberto Quadros, visitaram as obras em andamento, almoçaram no Brasília Palace Hotel e regressaram no mesmo dia.

Fonte: Revista “Brasilia”, da Novacap, novembro de 1958, número 23.

 

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BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

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BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

 

 

 

 

07
Declaração presidencial – No discurso que profere perante a Conferência dos Governadores dos Estados da Bacia Paraná-Uruguai, em São Paulo, o presidente Juscelino Kubitschek refere-se a Brasília da seguinte forma:

“Não é meu propósito referir-me agora a todas as obras promovidas pelo meu Governo, e bem numerosas são elas, na região em apreço, pois são bem conhecidas dos ilustres Governadores, que tão diligentes e zelosos se tem mostrado no seu indispensável concurso à administração central, visando à sua normal execução. Lembro apenas, de passagem, as grandes rodovias-tronco pavimentadas que, de São Paulo, atingirão nossa extrema fronteira meridional, oferecendo a possibilidade de escoamento rápido à produção agrícola e industrial de consideráveis áreas do Vale; a majestosa ponte sobre o rio Paraná, com a finalidade de estreitar nossas relações de amizade e incrementar o intercâmbio comercial com o Paraguai; a construção, já em fase adiantada, da grande central elétrica de Cachoeira Dourada, que contribuirá para o fornecimento de energia à parte setentrional da Bacia, zona em que a carência de eletricidade se faz tanto mais sensível quanto recrescem dia a dia as suas exigências de progresso. É que, junto ao ponto mesmo em que começam a correr as águas que afluem para este Vale, no próprio divisor entre as grandes Bacias potamográficas do Brasil, a Amazônia, a do São Francisco e a do Paraná-Uruguai, se ergue agora Brasília, a nossa grande Capital da Esperança, como a cognominou André Malraux, e que já se prepara para constituir a 21 de abril próximo a sede dos Poderes da República, levando para o próprio centro geográfico do País o centro das decisões políticas da Nação, na materialização desse ideal longamente nutrido e esperado pelas gerações brasileiras de que algo de concreto e definitivo se devia fazer para cimentar, no futuro, a indestrutível unidade da Pátria, que não poderá continuar a ver relegadas à condição de deserto as áreas verdadeiramente continentais do Centro, do Norte e do Oeste. Estou seguro de que a construção de Brasília representará, para toda a Bacia Paraná-Uruguai, como para a Bacia Amazônica e a Bacia do São Francisco, uma nova era de Trabalho, ação, progresso, riqueza, cultura e civilização.”

09
Rodovia Belém-Brasília – O superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia envia ao presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:

“Tenho a honra de comunicar a V.Excia, que delegações ao XI Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, integradas de ministros dos transportes e de pavimentação da URSS, assessorados de professores catedráticos da Escola Politécnica daquela Nação e respectivo interprete; vice-ministro das comunicações da Polônia e diretores do Instituto de Pesquisas técnicas e de estradas do mesmo país; vice-ministro de transportes da Rumânia, assessorado por diretores dos Institutos de Pesquisas e de estradas e professor da Escola Politécnica do mesmo país; ministro dos transportes, ministro de construções e arquitetura da Bulgária; vice-diretor geral de transportes da Tchecoslováquia e professor da Escola Politécnica do mesmo país, percorreram em minha companhia 260 quilômetros da Rodovia Belém-Brasília. Na qualidade de maiores autoridades no assunto em seus países, externaram opinião entusiasmada sobre a Transbrasiliana, particularmente o trecho da floresta equatorial, considerando-se uma das obras de maior importância do governo de V.Excia. À chegada a Belém, ofereci um jantar aos delegados dos países referidos, durante o qual renovaram suas impressões sobre a Rodovia Belém-Brasília, manifestando, ainda, agradecimento pela gentileza com que tem sido tratados em nosso país.”

10
Ministro Antoine Pinay – Em Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek recebe, no aeroporto, o senhor Antoine Pinay, Ministro das Finanças da França, para uma visita às obras da futura capital.

Logo ao chegar ao Palácio da Alvorada, o ministro Antoine Pinay fala à imprensa e dá a seguinte impressão sobre Brasília:

“Em 1957, quando o presidente Juscelino Kubitschek me falou do plano de construção da nova capital e me mostrou os elementos estudados, confesso que fiquei perplexo.

Mas hoje, diante da realidade que vi, não tenho como me exprimir, pois, de fato, me sinto humilhado. De qualquer forma, no entanto, estou muito admirado da audácia e do arrojo do Presidente Juscelino Kubitschek e das qualidades surpreendentes de realizador deste estadista brasileiro. Sei que é bastante cedo para fazer o julgamento da cidade como um conjunto, mas, de qualquer forma quero afirmar desde já pelo que se vê do traçado de suas avenidas e grandes artérias que ela será não só a capital mais moderna, como provavelmente a mais bela do mundo.”

Logo a seguir, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro Antoine Pinay a visitar as dependências do Palácio da Alvorada, começando pela Biblioteca. Poucos minutos após é servido o almoço em homenagem ao estadista francês.

Ao fim do almoço, o presidente Juscelino Kubitschek oferece ao ministro Pinay um exemplar autografado do livro “Brasil, Capital Brasília”, do escritor brasileiro Oswaldo Orico.

Encerrada esta parte do programa, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro das Finanças da França para verificar o andamento da construção em uma viagem de helicóptero.

Nessa ocasião, o senhor Antonie Pinay diz ao Presidente da República que esta era a primeira vez em que tomava assento em um helicóptero.

Depois de percorrer a parte da Praça dos Três Poderes, a Cidade Bandeirante, os grandes conjuntos residenciais e os prédios públicos, o presidente Juscelino Kubitschek ruma para o aeroporto com o seu ilustre convidado. Acompanha o presidente na viagem de helicóptero, o Embaixador da França e o Sr. Israel Pinheiro. Às 15:30h, no avião presidencial, o ministro deixa Brasília com destino ao Rio de Janeiro.

Ferreira de Castro – Toma parte no almoço oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek ao Ministro Antoine Pinay, o escritor português Ferreira de Castro que, a propósito de Brasília, assim fala aos jornalistas:

“Um dos momentos mais originais e romanescos da minha vida foi ver hoje nascer Brasília dentre as nuvens da cabine do avião que nos conduzia. Era um espetáculo surpreendente em que o sonho se fundia em realidade. Considero Brasília, depois de vê-la, um prodígio do gênio brasileiro e estou convencido de que do ponto de vista estético ela virá a exercer grande influência em muitos outros países.

Considero que o presidente Juscelino Kubitschek está realizando obra que não só honra o Brasil, mas a humanidade inteira, pois ela nos prova as possibilidades deste imenso e generoso país. O Palácio da Alvorada, que agora tenho a honra de visitar e percorrer, é uma obra-prima da arte moderna brasileira já tão conhecido no mundo como um templo célebre da era medieval. Em sua frente, encontrei uma sobriedade de linhas que se casa com a sua singeleza interna, com um bom gosto sem precedentes.”

Antes de embarcar para o Rio o romancista luso faz questão de abraçar o presidente Juscelino Kubitschek e agradecer-lhe as homenagens que recebeu do Chefe do Governo do Brasil. Ao apertar a mão do presidente, diz Ferreira de Castro:

“Volto encantado com o presidente, o homem e a obra.”

14
Universidade Mackenzie – O presidente Juscelino Kubitschek, antes de comparecer, em São Paulo, ao banquete oferecido pela classe médica, atendendo ao convite dos professores e alunos da Faculdade de Urbanismo da Universidade Mackenzie, visita esse estabelecimento de ensino superior, onde é recepcionado com entusiasmo. Ao saudar o Presidente da República, o presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Urbanismo dá ciência ao Chefe do Governo de que os formandos de 1959 naquele ramo de arquitetura colariam grau em Brasília, numa demonstração de apoio à soberba realização que já é a nova Capital do país. O presidente Juscelino Kubitschek agradece a homenagem e declara que se sentia feliz com a manifestação de aplauso dada pelos futuros urbanistas a uma das maiores iniciativas a que se vinha consagrando sua administração.

15
"Brasilien baut Brasília" - No Palácio das Laranjeiras, o presidente Juscelino Kubitschek recebe o álbum "Brasilien baut Brasília" – "Brasil constrói Brasília", que reproduz aspectos da Exposição Internacional de Arquitetura (Interbau) realizada em Berlim, em 1957, na qual foram apresentados pela primeira vez ao público europeu os planos urbanísticos e arquitetônicos da Nova Capital Brasileira.

Faz a entrega ao Chefe do Governo a escultora Mary Vieira, brasileira que vive e trabalha em Zurique e que se encontra há uma semana no Rio. Foi ela quem, juntamente com o seu marido, professor Carlo Belloli di Seriate, organizou e paginou o volume, editado por uma companhia industrial suiça. A concepção plástica do volume chama a atenção para a integração dos componentes estéticos num todo – ideal de Brasília – e propõe essa mesma integração entre os elementos do livro, através da imagem fotográfica e do equilíbrio da composição gráfica, material e cor.

Nas 110 páginas do volume, impresso em papel acetinado, com capa em aluminio, as imagens do pavilhão brasileiro na Interbau de Berlim contam como se tentou demonstrar, através de uma arquitetura racional e expositiva, o plano de Lúcio Costa e a obra de Oscar Niemeyer. Da leitura dos textos e comentários essencialmente históricos verifica-se também a repercussão que teve sobre o público a apresentação das construções erguidas na Nova Capital. Dos 10 volumes impressos, um foi ofertado ao presidente da República, dois a Lucio Costa e um ao Museu de Brasília.

16
Grupo de Trabalho – Volta a reunir-se o Grupo de Trabalho de Brasília, tratando inicialmente de preparativos para proporcionar a ida a Brasília de servidores a serem transferidos. À reunião estarão presentes todos os representantes dos Ministérios e das Forças Armadas, tendo sido lidos ofícios encaminhados aos Institutos e Caixas e à administração da Novacap, referentes às datas em que deverão ser entregues os apartamentos destinados aos servidores.

Trata-se também de assuntos relativos à apresentação da relação dos funcionários a serem transferidos, bem como à substituição dos que estiverem impossibilitados para a mudança.

22
Livro de Moisés Gicovate – Lança-se no Rio de Janeiro o livro "Brasília – Uma realização em marcha", do escritor Moisés Gicovate. A obra, que traz ilustrações de Storni, abrange uma introdução, um estudo sobre o nascimento das capitais, retrospecto histórico, geopolítica da localização das cidades e informes diversos e completos sobre Brasília. Merece menção especial o capítulo "Em busca do Tempo Perdido", no qual demonstra o autor que Brasília, colocada no centro da convergência do País, significa a recuperação do tempo perdido e determinará a dinamização do progresso nacional, corrigindo os pontos de estrangulamento de nossa economia e permitindo encontrar solução para os problemas brasileiros, dentro das nossas realidades em três dimensões: tempo, espaço e profundidade.

Rede Mineira de Viação – A imprensa anuncia que a Rede Mineira de Viação está recebendo 33 mil toneladas de trilhos novos, importados do Japão, destinados à remodelação de 443 kms de linha, visando ao transporte regular de cargas para Brasília.

Esses trilhos estão sendo colocados no trecho Garças de Minas-Belo Horizonte (221 kms) e entre os km 603 e 825 (22 km) da linha Tronco, permitindo a tração diesel-elétrica na linha de Angra dos Reis a Goiandira e na linha de Garças à capital mineira, em toda a sua extensão.

Para completar esse equipamento, a RMV está recebendo mais 20 mil toneladas de trilhos novos cedidos pela Novacap, suficientes para a substituição de cerca de 270 km de linha e que serão colocados a partir do Km 825, em direção a Goiandira, no acesso a Brasília.

Além de facilitar o escoamento das safras produzidas no Triângulo Mineiro para atendimento do consumo da futura capital, esse programa se integra aos estudos formulados pelo Grupo de Trabalho do DASP, em cooperação com a Rede Ferroviária Federal, que incluem a RMV nas áreas por onde se efetuará regularmente o transporte de cargas para Brasília.

27
Governador de Córdoba – Visitando Brasília, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, o senhor Arturo Zanichelli, governador do Estado argentino de Córdoba, assim se manifesta sobre a futura Capital:

"Faço questão de, inicialmente, ressaltar que falarei de Brasília como um homem do interior argentino. Em minha pátria, também lutamos há um século pela interiorização da nossa capital. De tudo que vi em Brasília volto mais convencido da necessidade de medidas como esta em países de extensões muito grandes como o Brasil e a Argentina. Considero Brasília a obra mais importante dos últimos tempos na América do Sul, fruto da inteligência e da audácia do homem brasileiro. A mim, particularmente, parece que a nova capital virá solucionar o problema de áreas ainda por ocupar, como o Oeste brasileiro. Tenho a impressão de que Brasília se caracteriza como um grande centro de turismo, o maior desta parte do continente. Neste particular, sou dos que pensam que o turismo deverá pagar, em grande parte, as despesas com a sua feitura. Quando desembarquei aqui já sabia que não iria encontrar o Brasil como um grande pássaro dormindo, cujas asas se voltavam para o Atlântico. Encontrei um gigante desperto, cuja cabeça é São Paulo, tendo por coração Brasília e por alma o Rio de Janeiro. Tive dois contactos com o Presidente Juscelino Kubitschek e guardo a melhor impressão de sua rapidez e agilidade, própria dos políticos de nossa época. Somente um homem desse teor seria capaz de realizar uma obra arrojada como Brasília."

Fonte: Diário de Brasília, 1959. Serviço de Documentação da Presidência da República.

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1959

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1959

 

 

 

 

Dia 02
O Presidente Juscelino Kubitschek aprova parecer do Consultor Geral da República, Antonio Gonçalves de Oliveira, a propósito da transferência da Capital Federal para Brasília.

Dia 04


Foto: Arquivo Público do DF

O jornalista francês James Coquet, do jornal parisiense “Le Figaro”, percorre trechos da rodovia Belém-Brasília. Ao chegar a Belém, manifesta sua admiração pelo esforço gigantesco que está sendo realizado para a rápida construção da rodovia, que classificou de “obra ciclópica”.

Dia 05
Falando à juventude no Estádio do Fluminense Futebol Clube, o presidente Juscelino Kubitschek assim se refere à Brasília:

“Não encontramos um país fácil, nem condições inteiramente favoráveis, mas nunca cessou o nosso esforço de penetração do interior e de conquista da natureza. Recentemente, tomamos providências de larga envergadura: ocupamos definitivamente o centro do Brasil, até aqui deserto. Estamos destruindo a solidão em que se encontravam zonas até hoje desdenhadas e pondo fim à condição de arquipélago em que vivíamos, com tantos núcleos de população dispersos e privados de meios de comunicação e intercâmbio”.

Neste dia, em companhia do Ministro Horácio Lafer, visita Brasília o Secretário Geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjoeld.

Dia 11
Rodovia Belo-Horizonte/Brasília – O Ministério da Viação divulga a conclusão, na rodovia Belo Horizonte-Brasília, da ponte sobre o córrego Poções, de 38 metros de cumprimento.

Dia 12
Correio Braziliense – lançada a pedra fundamental do Correio Braziliense.

Ligação telefônica – De Brasília, o Presidente JK fala pelo telefone com o Rio de Janeiro, inaugurando o circuito rádio-telefônico entre as duas cidades.

Inaugurações – Nesta data, em homenagem ao aniversário de JK, realizam-se numerosas inaugurações em Brasília:

Barragem do Paranoá – entre as obras inauguradas destaca-se o fechamento da barragem do Paranoá, a inauguração de trevos e viadutos e dezenas de quilômetros de pavimentação asfáltica nos principais eixos rodoviários de Brasília, inclusive o que vai até a ponta da península. O fechamento da barragem implica no inicio do represamento do Paranoá, para a formação do lago que circundará Brasília e que é um dos belos efeitos plásticos no plano urbanístico da nova capital. Por outro lado, esta obra ganha outra importância, porquanto ao pé da barragem será instalada uma usina hidrelétrica, que fornecerá energia para a cidade.

Trevos urbanos – de automóvel, o presidente JK percorre, inaugurando-os, os dois trevos pavimentados do Plano Piloto, inclusive o grande trevo da Avenida das Nações Unidas.

Catedral – O presidente JK procede ao lançamento da pedra fundamental da Catedral de Brasília, a ser construída, em terreno doado pela Novacap, com recursos oferecidos por particulares. A Catedral, verdadeira jóia arquitetônica, concebida por Niemeyer, no dizer do Arcebispo de Goiânia, Dom Fernando Gomes dos Santos, que oficiou a cerimônia litúrgica.

Aniversário de JK – o programa comemorativo do aniversário do presidente JK inicia-se com um toque de alvorada, defronte à residência presidencial, onde um grupo de cinqüenta colegiais canta, em coro, o “parabéns para você”.

Em seguida, no Palácio da Alvorada, realiza-se o plantio de uma muda “sequióia gigante”, oferecida pelo governador da Califórnia ao presidente da nação brasileira, através do embaixador dos Estados Unidos, John Moors Cabot, que ressalta ser a sequióia uma das árvores características da Califórnia que costuma viver mil anos.
Na Capela de Nossa Senhora de Fátima, o Arcebispo de Goiânia celebra missa, seguindo-se, na Avenida W-3, um desfile com dois mil colegiais e contingentes militares.

Blocos de apartamentos – o Presidente JK inaugura no programa de comemorações de seu aniversário, novos blocos de apartamentos, do plano de construções do IAPB e do IAPC, visitando ainda as obras do Hospital Distrital de Brasília.

Dia 13
Pioneiras Sociais – inaugura-se em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, o Hospital das Pioneiras Sociais, primeira unidade assistencial da cidade.

Dia 14
Congresso de Críticos – começam a chegar ao Rio de Janeiro, os arquitetos e criticos de arte estrangeiros que participarão do Congresso Internacional de Críticos de Arte, a instalar-se em Brasília a 17 do corrente.

Dia 15
Rodovia Belo Horizonte/Brasília – o Ministério da Viação divulga a conclusão, na rodovia Belo Horizonte/Brasília, da ponte sobre o rio São Marcos, na divisa dos Estados de Minas Gerais e Goiás. Trata-se de uma das mais imponentes obras de arte da rodovia Belo Horizonte/Brasília construída em concreto armado, numa extensão de 270 metros e a 22 metros de altura sobre o nível das águas.

Dia 16
Ministério da Marinha – o Ministro da Marinha expede aviso ao Presidente da Comissão de Estudos para Instalação da Marinha em Brasília, aprovando o minucioso trabalho dessa comissão sobre os estabelecimentos, serviços e forças a serem criados e instalados na futura capital.

Dia 17
Congresso Internacional de Críticos de Arte – instala-se em Brasília, o Congresso Internacional de Críticos de Arte que reúne as mais destacadas figuras da arte do mundo inteiro.

O professor Giulio Carlo Argan, da Universidade de Palermo, da Itália, cita Brasília em sua saudação como a “capital moderna do mundo moderno”.

Dia 21
V Bienal de São Paulo – O presidente JK fala sobre Brasília na inauguração da Bienal como “expressão avançada de nossa autenticidade criadora”.

Congresso Rodoviário – Falando, no Rio de Janeiro, na cerimônia de inauguração da Exposição do Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, o presidente JK se refere a Brasília como “foco irradiador de energia, de cultura e de civilização na nova marcha para o Oeste”.

Dia 26
Câmara dos Deputados – visita Brasília uma comitiva de membros da Câmara dos Deputados, sob a chefia de seu Presidente, deputado Ranieri Mazzilli.

Dia 28


Foto: Arquivo Público do DF

Avião Caravelle – o primeiro avião “Caravelle” comprado na França pela Varig realiza viagem a Brasília, onde é batizado. A bordo do avião, o presidente JK inaugura uma placa comemorativa da viagem inaugural do “Caravelle” à futura capital.

Fonte: Diário de Brasília/Coleção Brasília/Serviço de Documentação da Presidência da República, 1959.

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1958

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1958

 

 

Dia 06
Para uma visita às obras de Brasília, chegou, em avião especial, às 10h, uma caravana de membros do Instituto de Engenharia de São Paulo, chefiada pelo Presidente João Soares do Amaral Neto.

Dia 07
Desfilam, no Dia da Pátria, destacamentos do Exército e da Aeronáutica e mais de mil escolares e atletas.
Em visita à Brasília, chegou às 12h, o médico parisiense Dr. Alfred Baconnet, acompanhado de sua esposa. Em sua companhia vieram também o Ministro para os Assuntos Econômicos em Paris, Máximo Sciolette e esposa.
O Dr. Alfred Baconnet celebrizou-se pelos seus trabalhos sobre o emprego de papaverina nas afecções cardíacas e por ter sido médico assistente do Papa Pio XII.

Dia 08


Foto: Arquivo Público do DF


O presidente da Itália, Giovanni Gronchi, visita Brasília e recebe o lote destinado a construção da Embaixada italiana na futura Capital do Brasil.

Dia 12
Em dois aviões “Constelation” da Panair do Brasil, chegou às 9:15h, a comitiva de alunos da Escola Superior de Guerra, sob a chefia do Major-Brigadeiro Vasco Alves Secco para a segunda visita de membros da ESG à Brasília.

Dia 13
A Comissão do Senado Federal encarregada dos assuntos da transferência da Capital, esteve neste dia em visita à Brasília e especialmente às obras do Congresso Nacional. Integravam a comitiva os senadores Cunha Melo, Gaspar Veloso e Paulo Abreu.

Dia 21
O Presidente Juscelino Kubitschek, às 8:30h, procedeu ao plantio de uma árvore (a segunda plantada por ele na Nova Capital), dando inicio à arborização da cidade de Brasília.

Exatamente há um ano, no mesmo horário, em que plantou uma muda de “cangerana” (Cabralia Cangerana) em frente ao Grupo Escolar Provisório, do bairro denominado Novacap, JK plantou uma muda de “almacega”, árvore típica do cerrado, na quadra 23 das Casas Populares, na Asa Sul do Plano Piloto.

O presidente da Novacap plantou uma muda de ipê e o Dr. Ernesto Silva plantou uma muda de “flamboyant”. Neste dia, foram plantadas 2.500 mudas para constituírem os três primeiros parques das 528 Casas Populares já habitadas.

Dia 24
Neste dia, para uma visita às obras de Brasília, chegou às 10h, uma caravana de deputados nacionais, arquitetos e estudantes de arquitetura argentinos.

Dia 25
Assinado Termo de Acordo entre o Ministério da Saúde e a Novacap para a construção dos edifícios previstos para a rede hospitalar de Brasília.

Dia 29
No dia 29, às 11:20h, foi feita a ligação do conduto e lançado o primeiro jato de água na primeira câmara do reservatório R2 de Brasília.

Este reservatório acha-se colocado nas proximidades do Cruzeiro (Alto da mira), na altitude de 1.136 metros. Sua capacidade é de 30 milhões de litros.

Fonte: Revista Brasília, da Novacap, edição setembro de 1958, número 21.

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Brasília – Agosto de 1959

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Ônibus em Brasília

Terça-feira, 4 de agosto
Pavimentação rodoviária – Despachando exposição de motivos da Novacap, o Presidente Juscelino Kubitschek aprova as atas das reuniões de 1º de julho de 1959, do Conselho de Administração daquela Companhia, que autorizou a Novacap a executar, mediante termo aditivo e pelo preço do contrato anterior as pavimentações dos trechos Brasília (Estação do Gama) – Luziânia, da Rodovia Brasília-Belo Horizonte, e Torto – Estação Rodoferroviária, da Rodovia Brasília-Planaltina.

Quarta-feira, 5 de agosto
Carta ao Presidente da República – Em carta ao Presidente Juscelino Kubitschek, o advogado colombiano Horácio Atuesta Ângulo assim se manifesta a propósito da construção de Brasília:

“Seu labor, tendente a transformar a região da selva em fonte de riqueza, converterá o Brasil no primeiro produtor do continente. Com a estrada Trans-Brasiliana, que atravessando as selva enormes como o símbolo da civilização e do esforço de um grande povo, prolonga-se paralelamente aos rios Tocantins e Araguaia para abrir à vida econômica, social e política, o coração de sua Pátria, partiu Vossa Excelência em duas a historia do Brasil. A da formação e a plenitude.

A cidade milagrosa de Brasília, obra cuja construção se deve à sua visão e atividade, será, a partir de 1960, sede do Governo, e o sol a cuja volta girarão as 21 estrelas que integram o Brasil; seus raios alcançarão e iluminarão as trevas que ainda envolvem algumas de nossas nações americanas no sétimo dia de sua criação.

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Brasília – Agosto de 1958

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BRASÍLIA – AGOSTO DE 1958

 

 

Dia 01
No dia 1º. de agosto, em avião de transporte da Força Aérea Norteamericana, chegaram às 18 horas, vários senadores e deputados dos Estados Unidos que tomaram parte na Conferência Interparlamentar do Rio de Janeiro e visitaram Brasília. Estavam acompanhados de suas esposas e filhos, num total de 39 pessoas.

Foram recebidos no aeroporto pelo presidente (Novacap) Israel Pinheiro e Carlos Alberto Quadros, seguindo em ônibus especiais para o Brasília Palace Hotel, onde ficaram hospedados.

No dia seguinte, depois de uma rápida excursão pelas obras, decolaram rumo aos Estados Unidos.

Dia 02
No dia 02 de agosto, 88 membros da Conferência Interparlamentar que acabava de se realizar no Rio de Janeiro, com esposa e filhos, chegaram em 2 aviões, para uma rápida visita a Brasília, sendo recebidos no aeroporto pelo presidente (Novacap) Israel Pinheiro.

Conduzidos ao auditório da Rádio Nacional, em ônibus especiais, ali ouviram uma exposição do Dr. Israel Pinheiro sobre o desenvolvimento dos trabalhos de construção. O conferencista falou em francês e um interprete repetia suas palavras em inglês. Após o almoço no Brasília Palace Hotel, seguiram para uma visita às obras.

Durante a visita ao Palácio da Alvorada, o Dr. Israel Pinheiro, em nome do Presidente da República, fez a doação de um terreno na avenida das Nações à Organização dos Estados Americanos, representada pelo seu Secretário Geral, Embaixador José A. Mora, para construção do edifício da sede, sendo lavrada uma ata.

Faziam parte da caravana, parlamentares de dezenas de nações e entidades internacionais: Itália, Turquia, Paraguai, Uruguai, Panamá, Argentina, Dinamarca, Paquistão, Ceilão, Indonésia, Suíça, Polônia, França, Noruega, Rússia, Israel, Países Baixos, Suécia, Áustria, Chile, Unesco, Oea, União Interparlamentar, e outros.

Dia 05
No dia 05 de agosto, às 17 horas, foi iniciado o lançamento da 1ª. camada de concreto asfáltico, sobre base estabilizada já existente, em Brasília.

O ato foi realizado na avenida que faz a ligação entre o Palácio da Alvorada e a Praça dos Três Poderes, na extremidade próxima a esta praça.

Achavam-se presentes o presidente (Novacap) Israel Pinheiro, o chefe do Departamento de Viação e Obras, Dr. Moacyr Gomes e Souza, o diretor da Divisão de Construção e Pavimentação, Dr. Vasco Viana de Andrade, o engenheiro dessa Divisão, Dr. Ataualpa da Silva Prego, o chefe do Gabinete da Presidência, Dr. Carlos Quadros, o Dr. Dino Daldegan e engenheiros da firma empreiteira.

Dia 06
Visita Brasília o Secretário de Estado dos EUA, John Foster Dulles, que planta nos jardins do Palácio da Alvorada uma magnólia, planta símbolo dos Estados Unidos da América.


Foto: Arquivo Público do DF

 

Dia 07
No dia 07 de agosto, de helicóptero, com os Drs. Israel Pinheiro e Moacyr Gomes e Souza, o Presidente Juscelino Kubitschek percorreu demoradamente várias obras.

Entre as obras visitadas e estudadas com os seus dois acompanhantes estavam a Barragem do Lago, a Usina do Paranoá, os Reservatórios de Água do Torto, os edifícios ministeriais, a terraplenagem do cruzamento dos Eixos Monumental e Rodoviário, a Esplanada Rodo-ferroviária, o Congresso e outras.

À noite, o presidente da República novamente voltou a examinar os serviços de construção do Palácio do Congresso.

Programado há vários meses, somente neste dia foi possível realizar-se o plantio de uma muda de “Maquilishuat”, a flor nacional da República de El Salvador, plantada no gramado da Capela de Nossa Senhora de Fátima, lado direito do templo.

Dia 08
No dia 08, sempre em companhia do Dr. Israel Pinheiro e engenheiros da Novacap e ainda de helicóptero, visitou a Península Norte, cujo loteamento fora concluído recentemente.

Dia 09
No sábado, dia 09, às 11horas, descia do helicóptero na Cidade Satélite de Taguatinga, na sua primeira visita de inspeção a esse núcleo auxiliar de população.

Dia 10
No dia 10, uma caravana de 15 membros do Instituto Pestalozzi do Rio de Janeiro esteve em visita a Brasília.

Ainda neste dia, chegaram para uma visita a Brasília, senadores e deputados japoneses.

Neste dia também esteve em visita a Brasília, o príncipe Gianfranco Alliata di Montcreale, deputado do Parlamento Italiano.

Dia 12
Tem inicio a construção da Catedral de Brasília, com o lançamento da pedra fundamental.

Dia 16
No dia 16 de agosto, procedente de Ouro Preto e Belo Horizonte, chegou, acompanhado de sua esposa, D. Laura Huxley, para uma visita a Brasília, como convidado do presidente da República, o notável escritor inglês Aldous Huxley.

Dia 17
Neste dia foi feita a ligação da pequena usina do Ipê, com turbina C.V., para servir exclusivamente à sede do sítio do Ipê.

Dia 20
Realizado entre os dias 20 e 23 de agosto, sob o patrocínio do Departamento de Educação Física e Assistência Social, o primeiro Seminário de Assistentes Sociais de Brasília.

Fonte: Revista “Brasília”, da Novacap, edição de agosto de 1958, número 20.

 

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Brasília – Julho de 1958

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BRASÍLIA – JULHO DE 1959

 

 

02 de julho
Funcionalismo – Em entrevista à imprensa, o Senhor João Guilherme de Aragão, Diretor-Geral do Departamento Administrativo do Serviço Público, indica as providências tomadas pelo Grupo de Trabalho incumbido da transferência da Administração Pública Federal para Brasília. dentre essas providências, salientam-se as referentes à Exposição de Motivos aprovada pelo Presidente da República fixando os quantitativos do primeiro Grupo Executivo que deverá, em 21 de abril de 1960, se encontrar funcionando em Brasília.
Para esse efeito já foram distribuídos os questionários que deverão ser preenchidos pelos funcionários de cada Ministério que integrarão o 1º. Grupo a ser transferido. Por outro lado, de acordo com a Exposição de Motivos número 1.156-59, de 23-6-59, o Presidente da República acaba de determinar a entrega imediata das unidades residenciais, que forem sendo concluídas, ao Grupo de Trabalho, mediante acordos com as diversas instituições.
A direção Executiva do Grupo de Trabalho já está apurando os dados dos primeiros questionários preenchidos de modo a possibilitar enquadramento uniforme de pessoal, de acordo com as residências disponíveis, cujo plano de resultados será submetido à apreciação dos órgãos interessados.
O Plano de Transporte estudado por Subgrupo Especial será submetido também a cada órgão diretamente interessado na mudança.
O Subgrupo encarregado dos estudos sobre o abastecimento já concluiu os seus trabalhos e as sugestões subirão em breve à aprovação presidencial.
Os problemas de Educação foram objeto de minucioso exame, reunindo-se em Brasília os componentes da Comissão que os estuda.
As conclusões já obtidas sobre as obras em andamento do Jardim de Infância, Escola-Classe e Escola-Parque e Ginásio que vem sendo executadas pela NOVACAP, bem como sobre a construção de outras unidades escolares nas superquadras, garantem rede escolar para abril de 1960.
O Ministério da Educação e Cultura, por outro lado, passou, através do Grupo Especial de servidores, a orientar diretamente em Brasília a execução dos planos sobre educação. O Edital de Concorrência sobre o mobiliário para a instalação inicial dos Ministérios, bem como a concorrência pública sobre a construção de Parque de Material destinado ao abastecimento das Repartições Públicas, será publicado no Diário Oficial dentro de poucos dias.

05 de julho
Escolas primárias – Realizada a primeira concentração de escolas primárias de Brasília, com desfile na W-3 de cerca de quatro mil crianças e oito carros alegóricos.

06 de julho
Hospital Distrital – O Ministério da Saúde visita, em Brasília, as obras do Hospital Distrital, planejado para 260 leitos e para assistir a 40.000 habitantes, já que os demais casos de internação crônica serão encaminhados a outras instituições. A inauguração está prevista para meados de 1960 e as obras estão sendo realizadas em ritmo acelerado, com turmas que se revezam nas 24 horas do dia.

Telecomunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek dispõe que se atribuam à Companhia Urbanizadora da Nova Capital os estudos, construção e instalação de uma rede de telecomunicações entre Brasília e as cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

15 de julho
Planejamento rural – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Comissão Técnica do Planejamento e Construção na Área Rural de Brasília.
A referida Comissão tem por finalidade estudar, planejar, projetar, especificar, orçar, estabelecer prioridades, organizar e executar os projetos de aproveitamento da área rural de Brasília destinada ao Ministério da Agricultura, bem como todas as obras e instalações necessárias aos órgãos de ensino, pesquisa e extensão agrícola e veterinária do referido Ministério.

16 de julho
Inspeção presidencial – Chega a Brasília, para mais uma visita de inspeção, o Presidente Juscelino Kubitschek, que se demorará na futura Capital até o dia 20.

18 de julho
Adidos militares – Visitam Brasília os adidos militares, navais e aeronáuticos às Embaixadas estrangeiras acreditadas junto ao Governo brasileiro, em número de 44 pessoas.

19 de julho
Estado-Maior da Aeronáutica – Visita Brasília o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Reynaldo de Carvalho, em companhia de numeroso grupo do Estado-Maior, em visita de inspeção.

21 de julho
Escola Superior de Guerra – Visita Brasília a equipe da Escola Superior de Guerra encarregada do setor de estudos sobre a nova Capital.

Dr. Irvine H. Page – Após visitar Brasília, o doutor Irvine H. Page, médico do Presidente dos Estados Unidos, telegrafa ao Presidente Juscelino Kubitschek nos seguintes termos:
“Estamos profundamente impressionados com sua magnífica criação. Brasília é uma experiência única numa geração e reflete uma visão que o resto do mundo é obrigado a admirar”.

23 de julho
Correios e Telegráfos – Expondo pela “Voz do Brasil” a situação das atividades postal-telegráficas em Brasília, o coronel Everardo de Simas Kelly, Diretor do Departamento de Correios e Telégrafos, informa que o material adquirido para instalação de um novo sistema de rádio de onda curta, alta freqüência, composto de seis canais telefônicos e doze telegráficos, permitirá seis ligações simultâneas entre Rio e Brasília e o escoamento de todos os despachos telegráficos, podendo ainda o D.C.T. ceder a determinados órgãos do governo canais privativos, num total de oito. Esse sistema, conhecido por “Doublé Single Side Band”, será, ainda, em 1960, talvez alguns meses após a transferência da Capital (21 de abril), substituído por outro sistema mais moderno e mais eficiente. É o sistema de micro-ondas, com 120 canais, que permite 120 ligações telefônicas simultâneas e mais um “link” de televisão, que possibilitará aos habitantes de Brasília, bem como às cidades componentes dos circuitos (Juiz de Fora, Belo Horizonte, Ueraba e Goiânia), assistir aos melhores programas de televisão do Rio de Janeiro.
O material para o sistema rádio já foi adquirido pela NOVACAP e os estudos, em estado bem adiantado, permitirão o inicio dos trabalhos ainda no mês de agosto próximo.
Quanto ao sistema de micro-ondas, que funcionará em 1960, já foram elaborados todos os estudos e enviadas às principais firmas do Rio e de São Paulo cartas-convites para que suas propostas possam ser julgadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital e pelo Departamento dos Correios e Telégrafos, que assinarão um convênio para a execução, exploração e manutenção desse sistema de telecomunicações.

Aspectos constitucionais – Na Confederação Nacional do Comércio, o senhor Carlos Medeiros Silva profere conferência sobre “Aspectos constitucionais e legais da mudança da Capital”.

26 de julho

Primeiro Ministro do Japão – A convite do Presidente Juscelino Kubitschek, o senhor Nobusuke Kishi, Primeiro-Ministro do Japão, visita Brasília, percorrendo todas as obras de construção e almoçando no Palácio da Alvorada.
Sobre sua visita, o Primeiro-Ministro Kishi dirigirá ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte mensagem:
“Conhecendo de perto uma parte das maravilhosas realizações do desenvolvimento que o Brasil está levando avante com ritmo acelerado, vencendo toda espécie de dificuldades, senti fortalecer em mim a fé na paz mundial e na felicidade da humanidade.
Senti-me também profundamente impressionado pela grandiosa construção de Brasília, como símbolo que é da crescente vitalidade do Brasil jovem”.

30 de julho
Discurso presidencial – Em visita ao DASP, por ocasião da comemoração do 25º. aniversário do Departamento, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que assim se manifesta sobre Brasília:
“Aquilo que seria fatalmente uma utopia, perenemente à espera de um amanhã destinado a não sair jamais das sombras do futuro, ergue hoje as suas vigas de ferro e as suas paredes de cimento, no Planalto Central – a nova Capital brasileira, espelho de nossa capacidade de fazer, exemplo de nossa vitalidade, lição de nossa cultura e de nossa técnica.
Nesta hora de evolução brasileira, se não levássemos adiante o empreendimento de Brasília, estávamos realizando diante do mundo e diante do porvir a anomalia de um desencontro do País consigo mesmo.
Dispondo de grande urbanistas e de grandes arquitetos, que impuseram os seus nomes e as suas obras à admiração internacional, não podíamos deixar que o tempo se escoasse sem fazer convergir para o empreendimento modelar da grande cidade do Planalto a experiência e a visão daqueles técnicos. E por isso fomos plantar com a pressa de quem necessita recuperar o tempo perdido, o maravilhoso núcleo urbanístico, que já se desenha no horizonte. E os que ontem riam pelo tamanho do nosso sonho, já se surpreendem agora com o tamanho da realidade que lá está.
Na árdua batalha em que me empenho, sempre contei com a preciosa colaboração deste Departamento. A visita de cortesia, que a data de hoje perfeitamente explica, vale também como um pretexto a confessar de público esta colaboração silenciosa, que se estende por todo o amplo conjunto da rede administrativa brasileira. E que não é apenas técnica, no sentido da fria participação de ordem cientifica – é também política, no sentido da sutileza dos valores humanos.
…Há ainda uma circunstância a assinalar nesta oportunidade. E eu a escolho para fecho deste discurso. Com a mudança da Capital para Brasília a 21 de abril de 1960, é este o derradeiro aniversário do D.A.S.P. no Rio de Janeiro. Órgão de cúpula integrante da Presidência da República, pertence ele ao quadro das entidades pioneiras que no próximo ano se transplantarão para Brasília e ali assistirão ao amanhecer de um novo Brasil na nova cidade que ajudaram a edificar. E espero rever-vos, no dia de hoje, no próximo ano e numa celebração como esta, em que festejaremos, com a memória deste encontro, o primeiro aniversário do D.A.S.P. na nova Capital do Brasil.
Não vos aceno mais com uma promessa. Desta vez, tenho a honra de fazer-vos um convite”.

31 de julho
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem informa ser a seguinte a situação, em 31 de julho, dos serviços da Rodovia Belo Horizonte-Brasília, com extensão de 568 km: terraplenagem, 531.4 km; regularização, 454 km; reforço de sub-leito, 409.5 km; sub-base, 353.6 km; base, 204.9 km; imprimidura, 168.4 km; tratamento supercial, 109.6 km. Foram concluídas ainda 29 obras de arte especiais do total de 35 previstas para o trecho, com o comprimento total de 2.407 metros, o que equivale a uma obra de comprimento igual a 1.25 vezes a extensão da Avenida Rio Branco.

Venda de lotes – Até esta data, a NOVACAP já vendeu, apenas em seu escritório no Rio de Janeiro, 2.119 lotes em Brasília, no total de Cr$ 824 milhões.

Fonte: Diário de Brasília – volume VI

 

 

 

BRASÍLIA – JULHO DE 1958

 

10 de julho
Palácio da Justiça – Iniciadas as obras do Palácio da Justiça – STF – e do Palácio do Planalto.

14 de julho
Palácio do Congresso – Iniciadas as obras do Palácio do Congresso.

18 de julho
Esplanada dos Ministérios – Iniciadas as obras dos edifícios da Esplanada dos Ministérios;

População – O IBGE informa que a população de Brasília é de 30 mil habitantes.

24 de julho
Trem Explorador – Chega a Anápolis, o trem Explorador, que partiu da estação de Alfredo Maia, no Rio de Janeiro, com uma comitiva chefiada pelo Diretor-Geral do DASP, dr. João Guilherme de Aragão. A viagem durou 67 horas.

29 de julho
Primeiro vôo – No primeiro vôo da capital, realizado nesta data, o presidente JK voou do Aeroporto ao Palácio da Alvorada, de helicóptero.

 

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Brasília – Junho de 1958

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BRASÍLIA – JUNHO DE 1958

 

 

 

Brasília recebe Príncipes Japoneses
O príncipe e a princesa Mikasa estiveram em visita às obras de Brasília, a convite do Presidente da República, que os acompanhou na viagem.

Tele-Comunicações de Brasília
O diretor-geral do Departamento dos Correios e Telégrafos, cel. José Alberto Bitencourt, inaugurou o serviço de radiotelegráfico e radiotelefônico entre o Rio de Janeiro e Brasília.

Igreja N.S. de Fátima inaugurada

Na placa comemorativa descerrada por d. Sarah, lêem-se os seguintes dizeres: “Este Santuário, primeiro de Brasília, foi mandado erigir em honra a N.S.de Fátima, por iniciativa da sra. Sarah Kubitschek, em cumprimento de uma promessa.”

Primeiro casamento

Logo após inaugurada, realizou-se no novo templo, a cerimônia religiosa do casamento da srta. Maria Regina Uchoa Pinheiro, filha do casal Israel Pinheiro, com o sr. Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz, filho do deputado e sra. Pereira Diniz.

Serviço médico
O Serviço Médico de Brasília nos meses de maio e junho atendeu a 5.098 pessoas, e vacinou contra o tifo, paratifo, varíola 17.799. Aplicou ainda a bcg em 80 pessoas, e procedeu ao exame de pele em 400 pessoas.

Presidente de Honduras
O Presidente de Honduras, Ramon Villeda Morales, fez um giro completo pela América e incluiu Brasília para atender convite do presidente Juscelino Kubitschek.

Primeiro telegrama
Às 15,15 horas do dia 3 de junho, foi postado o 1º. Telegrama. Endereçado ao Presidente da República e assinado pelo Dr. Mário Meireles
Fonte: revista “Brasília”, edição de junho de 1958, número 18

Palácio da Alvorada inaugurado


Foto Revista Brasília, junho de 1958

“Aí está Brasília…”, disse JK em seu discurso na inauguração
do Palácio Alvorada. Em seguida, houve a inauguração do
marco comemorativo do ato, que é um bloco de granito
colocado no lago fronteiro ao Palácio, com a seguinte
inscrição: “Neste dia, 30 de junho de 1958, inaugurou o
Presidente dos Estados Unidos do Brasil, Dr. Juscelino
Kubitschek, este palácio, denominado da Alvorada, residência
do Chefe de Estado brasileiro e primeiro edifício erguido em
a nova Capital da República. A obra foi projetada pelo
arquiteto Oscar Niemeyer, executada de 3 de abril de 1957 a
30 de junho de 1958, por engenheiros e operários irmanados
todos no ímpeto criador que tornou possível fundar, no
coração de nossa Pátria, este centro de civilização, que dá
testemunho da energia e da capacidade realizadora dos
brasileiros.”

Foram inaugurados neste 30 de junho de 1958: o Brasília Palace Hotel; a estrada Anápolis-Brasília, com 130 quilometros de extensão e o primeiro ponto de apoio a Brasília por terra, vinculando-a ao sistema rodo-ferroviário nacional.

O Presidente da República inaugurou também a Avenida das Nações e o Eixo Monumental.

No dia 05 de junho de 1958 é fundada Taguatinga, batizada com o nome de Santa Cruz de Taguatinga e localizada a 25 quilometros do Plano Piloto. Nos seis primeiros meses de existência abrigou apenas 10 moradores.


Foto: Arquivo Público do DF

Em 18 de junho de 1958 foram iniciadas as fundações dos edifícios ministeriais.

Em 26 de junho de 1958 a Novacap começa a construir 15 casas na Quadra do Lago. O primeiro habitante de uma dessas casas foi Targino Pereira.

 

 

BRASÍLIA – JUNHO DE 1959

 

 

Dois itinerários
Dois itinerários ferroviários, um para carga e outro para passageiros, são feitos regularmente para Brasília.
O transporte de cargas é efetuado via Barra Mansa, pela Central do Brasil, Rede Mineira de Viação e Estradas de Ferro Goiás.
O percurso destinado a passageiros utiliza as linhas da Central, da Santos-Jundiaí, Companhia Paulista, Mogiana e E.F. de Goiás com baldeações em Campinas e Araguari. Por esse trajeto, a viagem até Anápolis tem a duração de 51 horas.

Plano de transferencia
O diretor do Dasp, dr. Guilherme Aragão, divulgou, em todos os seus pormenores, o plano de transferência dos funcionários para Brasília.

Golda Meir
A sra. Golda Meir, ministra das Relações Exteriores de Israel, esteve em Brasília, acompanhada do dr. Negrão de Lima, ministro das Relações Exteriores do Brasil.

 

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Discurso de JK na inauguração do Palácio da Alvorada

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“Entre os conselhos que me deu o venerando e antigo Arcebispo de Diamantina, Dom Serafim Gomes Jardim, no começo da jornada política que me conduziu à chefia do Governo, figurava o de cultivar a virtude da paciência. Vendo-me preparado para enfrentar tempestades, lutas e maldades em viagem tão perigosa, pediu-me o Santo Homem que me munisse de prudência e paciência, elementos indispensáveis e preciosos nessa longa caminhada. Posso, examinando-me detidamente, concluir que não dispensei o conselho amigo e que, se pude realizar alguma coisa de positivo do meu ambicioso programa, sem dúvida o devo a ter medido as minhas forças antes de cada passo, e ter exercido, até ao grau da mortificação, a paciência.

Brasília é um dos frutos da paciência que Deus me deu. Tenho-a mantido ao ouvir críticas e comentários os mais injustos e, mais do que injustos, repassados de incompreensão, esta acirrada inimiga da paciência. A injustiça tem sua origem quase sempre na paixão cega. A incompreensão, entretanto, porque uma forma de injustiça total, é o que mais fortemente acicata a paciência. É a incompreensão o mais escarpado de todos os óbices que devemos galgar, ainda que com as maiores dificuldades, para avançar e prosseguir na rota em que nos empenhamos.

A iniciativa de Brasília tem sido posta em dúvida por alguns setores da opinião pública. Sobre a operação da mudança de nossa Capital se fizeram ouvir, até agora, palavras vãs, erros de apreciação e, principalmente demonstrações que revelam desconhecimento da magnitude do efeito. Mas é preciso frisar que a idéia de Brasília já se enraizou no espírito dos homens de boa vontade, dos que não tem outro interesse e outro alvo senão o de querer arrancar da improdutividade uma imensa extensão territorial brasileira. Minha paciência em não discutir o que sei fruto da falta de visão, em suportar observações improcedentes, não me arrefeceu o ânimo e a resolução de levar avante a empresa que talvez pareça arrojada, mas que é medida inadiável e urgente para a transformação deste país.

Não podemos continuar indefinidamente a ser um território manchado de desertos, com uma população na sua maior parte colada ao litoral, com as mais ricas zonas do nosso território abandonadas e que servem apenas para referências literárias.

O nosso destino de ser grande nação é tão imperioso e forte, que é temeridade contrariá-lo, sufocá-lo. Nascemos com proporções continentais; nossa visão humana não pode ser menos ampla que a nossa realidade geográfica. Não teríamos proposto que se iniciasse um combate tenaz ao subdesenvolvimento em todo este hemisfério, sem que em nosso próprio território tivéssemos dado o exemplo dessa decisão. Esse combate, essa bandeira que acenamos aos países irmãos do Continente, a fim de que se revigore a unidade da América e não se perca o elevado ideal do pan-americanismo, está a exigir de todos os brasileiros decisão e firmeza.

Aproveito esta hora, de importância decisiva para o nosso destino de grande nação, em que lutamos e empreendemos urgentes esforços para assegurar ao Brasil a posição a que tem direito, e diante da responsabilidade que assumimos no campo internacional, desejosos de promover a harmonia e o fortalecimento de todo o Continente, aproveito esta hora para fazer um apelo a todos os brasileiros. O meu apelo é no sentido da paz e da união, não em torno de meu governo e da minha pessoa, que somos passageiros, mas em torno do Brasil, que desejamos eterno, do ideal que nos inspira, para que a nossa voz se faça ouvir forte e clara, acima dos ressentimentos e das dissenções momentâneas.

Mas a luta pelo desenvolvimento deve começar em nosso próprio país. E Brasília é um dos pontos básicos dessa luta de integrar o Brasil no seu território, de fortalecer a nação. Brasília não resulta apenas da obrigação de obedecer a um preceito constitucional: é um marco, é a bandeira de luta contra o subdesenvolvimento. E é mais que isso: é a conquista do que tem sido nosso apenas no mapa.

Não quero perder-me em palavras, nem com elas elevar torres de sonhos. A verdade e a justiça reclamam que o povo brasileiro seja informado e se dê conta de que estamos empreendendo a suspirada marcha para o Oeste, tão decantada e tão prometida, por anos e anos, à nossa gente.

Longe dos olhos citadinos, por entre dificuldades e tropeços de toda a sorte, vamos caminhando na conquista do Brasil. Enquanto nos distraímos e reclamamos nas cidades cheias de luz; enquanto nos empenhamos em debates políticos e outros, há um exército de vinte mil trabalhadores praticando feitos memoráveis no coração de nosso país, entre os quais a construção da estrada que em breve ligará diretamente a nova Capital da República à Região amazônica. É a Brasília-Belém, de dois mil e duzentos quilômetros, dos quais, já estão prontos 1.050. Trata-se, sem hipérbole, do desbravamento da grande selva. Quinhentos e cinqüenta quilômetros se abrem no meio de uma floresta densa, em que as árvores se perdem em alturas que custamos a crer, atingindo algumas até 70 metros. É um pedaço do Brasil que jamais, até hoje, nenhum homem da civilização trilhara. Reino de bichos selvagens, onde apenas alguns índios logram suportar o ambiente hostil.

Vinte mil seres, nossos irmãos, estabelecem a ligação entre a cidade que acaba de nascer e essa Amazônia que deixará de ser a misteriosa terra que Euclides da Cunha descreveu como mal despertando de um sono cósmico. Para se ter uma noção mais completa ainda de que tudo está por fazer nesse mundo de Deus, basta lembrar, aqui, que só agora um rio da importância do Tocantins vai ser atravessado por uma ponte de mil e duzentos metros.

Mas não é apenas essa obra ciclópica que está sendo tocada com rapidez inusitada. O plano de comunicações envolvendo Brasília e toda a região vai sendo executado com a perfeição e urgência possíveis. A rodovia Anápolis-Brasília acha-se concluída, com 130 quilometros asfaltados, estabelecendo assim a ligação indispensável da nova cidade com a Estrada de Ferro de Goiás. Já vai sendo também levada adiante a ligação São Paulo-Brasília. Até aqui só se faziam estradas de primeira qualidade para unir cidades importantes a sítios amenos, de prazer e veraneio. O Brasil oculto, pelo abandono e pelo esquecimento, não merecia grandes atenções. Em 1960 espero em Deus, com o esforço de nossos engenheiros e trabalhadores, que não só esta estrada, mas as outras projetadas também, como Rio-Belo Horizonte-Brasília, sejam entregues ao tráfego.

Vai fazer um ano e meio que desci aqui num campo de pouso provisório. Nada havia ainda. A mão do homem não erguera construção, nem cultivara terra. Era o campo bruto, a solidão, os horizontes rasgados do oeste. Aos pioneiros que deviam iniciar a ofensiva conquistadora cedeu o Exército barracas de campanha. Mas na primeira noite não foi possível a ninguém dormir. Uma onça rondava os pousos dos novos bandeirantes. Já vamos longe desse primeiro encontro que pertence ao dia de ontem, ainda quente, mas que em breve será uma hora na história de nossa civilização. Parece distante, pelo progresso que conquistamos, aquela primeira missa que aqui rezou Sua Eminência o Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, num altar armado no tempo, e cujas sábias e inspiradas palavras guardamos carinhosamente nas páginas iniciais da crônica de Brasília, que o futuro escreverá. O primeiro templo, dedicado à Senhora de Fátima, eleva-se na sua singeleza. O primeiro hotel, correto e moderno, se abre para atender aos que incessantemente procuram Brasília. O palácio do governo está concluído.

Experimento, meus senhores, uma sensação que se assemelha à da tranqüilidade. Vejo que o sonho adquire bases firmes de realidade; que tudo começa a concretizar-se.

Sei que não são pequenos os investimentos, mas sei também que são os mais mutáveis e certos que este país já fez até aqui em favor da unidade nacional e que libertarão o Brasil de muitas limitações. O país, forte e rico de amanhã, pagará facilmente o empréstimo que o país necessitado de hoje lhe faz. Chegou o momento de realizar-se a operação em benefício da saúde do Brasil.

As pequenas soluções não passam de paliativos que permitem apenas enfrentar as dificuldades de todo o dia. A mudança a que estamos procedendo, e que já procedemos, corresponde, pelos seus efeitos, a uma mudança do Brasil. É singular que se inquira de inoportuna e rentabilíssima operação que nos dará posse de nós mesmos, que nos trará possibilidades reais e a curto prazo, se medirmos os dias ao ritmo próprio das nações.

Alega-se que a geração atual está sendo sacrificada por uma idéia que só trará beneficio às gerações futuras. E se assim fosse? Haverá alguma coisa que mais eleve e justifique a vida humana do que essa oferenda de nós mesmos aos que nos sucederão no tempo? Condenar Brasília, porque não é para os nossos dias, e porque é um problema adiável, é atentar contra a verdade três vezes. O primeiro atentado vai contra a cidade mesma que já começa a erguer-se. Veremos, dentro em breve, em pleno funcionamento, a nova Capital dos Estados Unidos do Brasil. Ei-la jovem, mas presente. Outro atentado é alegar que poderíamos adiar a mudança, o que equivale, em termos exatos, a adiar a recuperação do Oeste brasileiro.

Digo e repito, e em dias futuros estas palavras serão mais bem compreendidas do que hoje – Brasília era inadiável. Mas apenas para argumentar – mesmo que não pudessem os homens de hoje ver viva a nova cidade, condená-la por esta razão – eis o terceiro atentado – seria condenar que se lançasse à terra a semente de uma árvore que fosse frutificar quando a mão do semeador se tivesse transformado em cinza. Ainda que esta árvore, que já surge aos nossos olhos com ramos promissores, levasse um século para crescer, não nos teríamos precipitado em plantá-la. Compreendo que alguns duvidem deste empreendimento. É que a razão de se estar mudando a capital para o centro do país é uma razão de fé, de confiança no Brasil. Quem tem confiança no Brasil crê em Brasília.

Tenho fé neste país. A fé que o Brasil me inspira é que me faz enfrentar lutas e cansaços e multiplicar a minha resistência. Não desconheço que as dificuldades que nos cercam são ponderáveis. Quem as conhece melhor do que eu? Mas como tenho fé, e estou apoiado em homens de fé, aí está a nova capital. Aí está Brasília que é, não o fim ou o objetivo de nossas lutas, mas o marco inicial desta dura e difícil jornada em demanda do grande Brasil.”

Discurso do Presidente Juscelino Kubitschek ao inaugurar o Palácio da Alvorada, em 30 de junho de 1958.

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Brasília – Maio de 1958

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – Maio de 1958

 

 

 

 

 

Em visita a Brasília, presidente do Paraguai assiste à colocação da 1a. estaca do Palácio da Justiça
Foto: Arquivo Público do DF

Inauguração em breve

 

Palácio da Alvorada (foto de H.Franceschi)

 

Palácio da Alvorada (detalhe interno) foto de H.Franceschi
Brasília Palace Hotel (foto de H.Franceschi)

Financiamento
A Caixa Econômica Federal está recebendo propostas de financiamento mediante garantia hipotecária, para compra de conjuntos residenciais em Brasília, inclusive a incorporação de edifícios por empresas construtoras.
Terão prioridade as propostas de funcionários públicos federais, lotados nas repartições sediadas na cidade do Rio de Janeiro; militares; servidores das autarquias federais, e finalmente, empresas construtoras.
As propostas, admitidas sem compromisso, serão inscritas, instruídas com a documentação e praxe e processadas pelos órgãos competentes, de acordo com as normas vigentes na Carteira de Hipotecas.
As plantas dos imóveis obedecerão ao plano urbanístico de Brasília, sendo as construções, desde o início até a conclusão, fiscalizadas pelos engenheiros da Caixa Economica lotados na nova Capital.
A verba para os financiamentos será fixada, periodicamente, numa base mínima de 20 milhões de cruzeiros por mês.

Rodobrás
Foi criada, por decreto presidencial, na estrutura administrativa da Superintendência do Plano de Valorização Economica da Amazônia, e a ela subordinada diretamente, a Comissão Executiva da Rodovia Belém-Brasília (Rodobrás), com o fim de orientar, dirigir e finalizar os trabalhos da ligação rodoviária da nova capital com a cidade de Belém do Pará.

Brasil, Capital Brasília

Foi feito o lançamento do livro de Osvaldo Orico sobre Brasília.

Rádio Nacional inaugurada

Inaugurada oficialmente a Rádio Nacional.

Pista do aeroporto
Inaugurada a iluminação da pista do aeroporto.

Serviço telegráfico
Inicia-se o serviço regular telegráfico entre Brasília e o Rio de Janeiro.


 

BRASÍLIA – Maio de 1959

 

Inaugurada às 17h, do dia 16/05/1959, a Usina de Saia Velha, com 250 cv, aproveitando as águas da Cachoeira Saia Velha.

Hino de Brasília

O "Hino de Brasília", musicado pela professora Neusa Pinto França de Almeida, foi apresentado pela primeira vez diante de JK, em 16/05/1959, quando da inauguração do colégio CASEB.

Projeto Lycio Hauer
O projeto de lei número 329/1959, de autoria de Lycio Hauer, que "dispõe sobre a transferência dos servidores públicos civis para Brasília".

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Brasília – Abril de 1958

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Brasília 1958
Abril

 

Brasão de Brasília
“Brasília terá o seu brasão”, informou o presidente Juscelino Kubitschek aos jornalistas, acrescentando que o historiador Gustavo Barroso fora o encarregado de elaborar o brasão das armas da futura capital brasileira.
O campo é uma alvorada, simbolizando o despertar de uma nova era para o país. Haverá uma inscrição, cuja legenda ainda não foi aprovada. Foram sugeridas duas legendas: uma “Brasília, alvorada de um novo Brasil” e outra, em latim, “Brasília cor Brasilae”. O presidente Juscelino Kubitschek acha a primeira muito longa e tem óbvias preferências pela segunda. Contudo, ainda não decidiu sobre o assunto e não o fará sem conversar, antes, com o sr. Israel Pinheiro. Ainda a propósito da futura capital, revelou que o voluntariado aberto para o funcionamento não se restringe ao Rio de Janeiro. Todos os funcionários federais que quiserem, poderão se candidatar ao trabalho em Brasília. Ninguém irá forçado para lá.

Sol, figura obrigatória
O historiador Gustavo Barroso, diretor do Museu Histórico, incumbido pelo presidente da República de projetar o brasão de Brasília, declarou que submeteu 5 projetos ao sr. Juscelino Kubitschek e que já pediu nova audiência para apresentar mais dois desenhos. “Estes dois últimos projetos são, a meu ver, mais interessantes que os anteriores. É meu propósito nada sugerir ao presidente da República, para que assim possa ele escolher o brasão a seu gosto, mas creio que esses últimos são melhores”
O historiador patrício declarou que me todos os projetos, sem exceção, o sol, como símbolo da alvorada, do porvir, do futuro do país, é figura obrigatória.
“O presidente da República denominou o palácio do governo em construção de Palácio da Alvorada e através disso, cheguei à compreensão de que o brasão de Brasília deve ter como idéia central, o sol nascente, que significa alvorada”.
Como o brasão da Nova Capital não deve somente simbolizar o presente e o futuro, pois a própria decisão que levou a sua construção no “hinterland” brasileiro tem ligação com o nosso passado, haverá nas armas de Brasília, alguma coisa do nosso passado, de nossa história.
“Como ideais constantes, isto é, ideais que figuram em todos os projetos que apresentei ao presidente da República, ressaltam, além do sol (alvorada), a cruz de Cristo, que lembra a colonização; a coroa imperial, que evoca o Brasil Imperial, e o barrete da República, que simboliza o nosso período republicano”.
Além desses elementos que se traduzem em traços e cores, o brasão de Brasília incluirá também uma legenda, que ainda não foi definitivamente escolhida.
A inscrição poderá ser em português, e nesse caso seria “Brasília, alvorada de um novo Brasil”, que em latim, como na boa técnica heráldica, e nessa hipótese, seria – “Brasília Brasilae Cor”. O historiador Gustavo Barroso revelou, por fim, que prefere a inscrição latina, por ter, entre outras, a vantagem de ser mais curta.

Primeiro Contingente da FAB
Em avião comandado pelo major aviador Francisco de Assis Oliveira Lopes seguiu o primeiro contingente de cabos e soldados da Força Aérea Brasileira, designada para servir na futura capital da República.

Presidente da Caixa Econômica
Em avião especial, tendo descido no aeroporto do Gama, chegou o almirante Augusto do Amaral Peixoto, presidente da Caixa Econômica Federal, que estava acompanhado dos Srs. José Coelho Branco, Silvio Moreira, Alberto Cabalero, Oscar Gomes Miranda e Ernani Aguiar.
Ficaram hospedados no Palácio do Gama, tendo percorrido nos pontos principais da Nova Capital, em companhia do presidente da Novacap, Israel Pinheiro.
O presidente da Caixa Econômica fez também demorada visita à Agencia local do seu instituto de economia popular, mostrando-se bem impressionado com o surpreendente desenvolvimento dessa agência.

Fonte: revista “Brasília”, da Novacap, edição de abril de 1958, número 16.

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Brasília – Março de 1959

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BRASÍLIA 1959
Março

 

 

Ministro Norueguês

“Só o espírito jovem das Américas poderia construir obra pioneira tão grandiosa como Brasília. O europeu, com séculos de tradição, jamais poderia ter iniciativa tão arrojada”.

A declaração é do sr. Arne Skang, ministro norueguês, durante visita este mês à Brasília.

Congresso de Prefeitos

“Se for preciso, pegaremos em armas contra aqueles que pretenderem impedir essa grande obra”. Frase do representante de Montes Claros, durante Congresso de Prefeitos Mineiros e Goianos, realizado na cidade de Unaí (MG).

Cholly Hnicherbocher

“Brasília é um estupendo milagre. Uma cidade fabulosa, ultra-moderna, erguida em plena selva pela energia, coragem e o gênio do homem. Em cada esquina, um edifício estoura do solo e se ergue em direção ao céu. Estradas rasgam-se em todas as direções. A construção do edifício do futuro Congresso está muito adiantada: como será, no entanto, depois de pronto, só o senhor Niemeyer pode nos dizer. Em Brasília, tudo é assim”.

O comentário é do Governador de Nova Jersey e Sra Robert Meyner que acompanharam visita do jornalista Cholly Hnickerbocker à Brasília a convite do presidente Juscelino Kubitschek.

Grupos Geradores

A firma Burmeiter & Wain, da Dinamarca, por intermédio da Cia. T. Janér, forneceu para o palácio presidencial em Brasília, dois grupos geradores Diesel-Elétricos inteiramente automáticos numa capacidade total de 850 kw. Assim, está assegurado o fornecimento ininterrupto de energia elétrica ao Palácio da Alvorada, sendo esta a primeira usina Diesel-Elétrica inteiramente automática existente no Brasil.

Livros sagrados

O sr. Chamum Chalita, na qualidade de delegado da Liga dos Estados Árabes, entregou no escritório da Novacap, ao Dr. Ernesto Silva, para fazer parte da Biblioteca Nacional de Brasília, três preciosos livros, sendo um exemplar de “Al Coran”, um da “Bíblia Sagrada” e a obra “O Profeta”, escrita por Gibran, considerado o mais famoso filósofo moderno dos povos árabes.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília

O Ministério da Viação e Obras Públicas comunica que estão prontos mais 370 quilometros de terraplenagem e, praticamente, as 16 obras num total de 948 metros, da Rodovia Belo Horizonte –Brasília.

Visita honrosa


Foto: Arquivo Público do DF

A Duquesa e a Princesa Kent estiveram em Brasília, tendo sido recebidas no aeroporto pelo dr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap, que as conduziu ao Palácio da Alvorada, onde as esperavam o Presidente Juscelino e Sra. Sarah Kubitschek.

Ao chegar ao Palácio da Alvorada, a Duquesa de Kent passou em revista às tropas da 6ª. Companhia de Guardas, aquartelada em Brasília, que prestou, na ocasião, as honras de estilo. Em seguida, percorreu o edifício do palácio em companhia do presidente Juscelino Kubitschekm e de sua esposa.

A Duquesa examinou detidamente todas as dependências do Palácio da Alvorada e fez questão de conhecer o sr. Oscar Niemeyer, a quem foi apresentada, fazendo-lhe muitas perguntas sobre o que qualificou de “uma das obras máximas da moderna arquitetura mundial”.

Também os quadros, tapeçarias e outra decorações da residência oficial mereceram exclamações de franca admiração de Sua Alteza.

Pouco depois, acompanhada do presidente Juscelino Kubitschek, a duquesa de Kent visitou as principais obras da nova capital, demorando, na Praça dos Três Poderes, onde verificou a marcha dos trabalhos de construção dos edifícios do Congresso com 16 dos 28 andares de estrutura de ferro já levantados e com a cúpula do Senado já concluída e em fase de conclusão a concha da Câmara dos Deputados.

John dos Passos

John dos Passos, famoso escritor norte-americano, autor do “Paralelo 42”, esteve visitando o Brasil e acabou, como todo visitante ilustre, indo até Brasília.

O Palácio da Alvorada, os projetos de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, a beleza e o clima da região encantaram-no. Com a sensibilidade própria de um romancista, John dos Passos, visualizou, naquele movimento febril de máquinas e de homens, que constroem Brasília, a cidade ultra-moderna, que, em futuro próximo, surgirá ali.

Impressionado com a fabulosa realidade nascente de Brasília, John dos Passos registrou suas impressões em um artigo que será publicado em todas as edições do Reader’s Digest – Seleções.

Tia Margarida vai a Brasília

Encontra-se em circulação, o primeiro livro para crianças, do prof. Jayme Martins, sobre a

nova Capital. Trata-se de um livro de ficção “Tia Margarida vai a Brasília”, que o autor, com seu estilo incomum, escreveu, contando toda a história da mudança da Capital desde os primeiros pronunciamentos, até o presente, quando Brasília, já se torna uma realidade, pela tenacidade e denodo do presidente Juscelino Kubitschek.

Destina-se este livro de história às crianças do Brasil, mostrando-lhes como os homens de fibra lutam e vencem. O professor Jayme Martins escrevendo esta obra, a primeira no gênero, sobre a mudança da Capital, prestou um grande serviço, não só à Pátria, mas a toda juventude brasileira e se incorporou aos escritores patrícios como Monteiro Lobato, Humberto de Campos, Viriato Corrêa, Josué Montello, Franklin de Salles, Clemente Luz e muitos outros, que dedicaram parte de suas vidas, de seus afetos, contando histórias das belezas e grandezas de nossa terra, enaltecendo-a, e exaltando os feitos heróicos daqueles que derramaram o seu sangue e o seu suor para que ela sempre sobrevivesse firme, bela e altaneira no coração de seus filhos.

É assim o livro do escritor em apreço, pleno de poesia, repleto de glória, com emoções em cada instante e ensinamentos sobre a Nova Capital que surge em pleno sertão brasileiro, como raio de sol entre as moitas floridas, convidando o povo para a festa do progresso do Brasil gigante.

 

Fonte: registros transcritos da revista “Brasília”, da Novacap, edições de março de 1958 e 1959 (números 15 e 27, respectivamente)

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Brasília – Março de 1958

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BRASÍLIA 1958
Março

 

Fala o presidente da Novacap


Foto: Arquivo Público do DF

Na Sociedade Mineira de Engenheiros, o Dr. Israel Pinheiro pronunciou uma conferência sobre a futura Capital Federal.

A palestra do presidente da Novacap atraiu grande massa de pessoas ao auditório da entidade, que ouviu com a maior atenção e interesse a explanação do ilustre conferencista. Inicialmente, o sr. Israel Pinheiro ocupou-se em explicar o projeto do professor Lucio Costa, vencedor da concorrência para a escolha do Plano Piloto de Brasília. Em seguida, o orador abordou plano rodoviário para a nova Capital, parte do qual está sendo atacado.

Revelou o sr. Israel Pinheiro também o lado humano de Brasília, referindo-se especialmente, ao entusiasmo, à fé inabalável dos trabalhadores e moradores da nova Capital no seu êxito. Entre outras coisas, pôs em relevo a grande funcionalidade de Brasília, cujos menores detalhes foram meticulosamente estudados pelo professor Lucio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Chamou bastante atenção dos presentes a grande missão do lago artificial de Brasília e que deverá ser de grande beleza panorâmica.

Aspectos como o acesso à nova Capital e o seu abastecimento foram amplamente focalizados também pelo conferencista. A fidelidade com que o orador soube narrar o que existe em Brasília e a forma como a cidade funcionará depois de concluída entusiasmou bastante os assistentes. Tanto que, após a conferência, numerosas pessoas mostravam-se dispostas a adquirir lotes na nova Capital para ali edificarem residências.

 

Três motivos

O escritor Plínio Salgado, em artigo publicado em “A Marcha”, estuda pormenorizadamente os três motivos em favor de Brasília: ocupação do território a oeste, defesa nacional na guerra atômica e recomposição no equilíbrio econômico.

Inicialmente o sr. Plínio Salgado comenta: “A fundação de Brasília e a mudança imediata da Capital do País para aquela cidade são imperativos do momento nacional e internacional em que vivemos. Além de persistirem os motivos tão eloquentemente expostos por Veloso de Oliveira, em 1810, por José Bonifácio, em 1823, por Thomaz Delfino, em 1891 – todos baseados na necessidade de afastar o Governo Central do bulício e das paixões das massas populares que se acumulam nas cidades de elevado índice populacional – outros surgiram, como razões do nosso tempo”.

Mas adiante o ilustre homem público escreve: “A mudança da Capital para Brasília vai influir no sentido de corrigir esse desequilíbrio, incrementando a economia de grandes zonas do nosso vasto território. O brado de alarme dado por Euclides da Cunha em “Os Sertões”, mostrando o contraste entre a civilização do litoral e o completo abandono do homem brasileiro além da faixa privilegiada amplia-se hoje com uma ressonância jamais atingida, em face das consequências que se fazem sentir nos próprios centros de índices populacionais elevados. É a queda da produção motivada pela falta de dinheiro e de crédito, pela insuficiência de transportes, pela ausência de assistência técnica, de aparelhagem agrícola moderna, pelo abandono do homem rural. O encarecimento do custo de vida nas metrópoles hipertrofiadas liga-se diretamente a esse desequilíbrio orgânico da nacionalidade.

Assim, a mudança da Capital será o começo de uma descentralização dos recursos indispensáveis ao nosso interior, o primeiro passo para atingirmos um equilíbrio econômico, sem o qual o Brasil não poderá sobreviver.

Estes são os três motivos pelos quais Brasília se impõe ao entusiasmo de todos os nossos patrícios. O governo do sr. Juscelino Kubitschek, quando nada tivesse realizado, bastaria Brasília para consagrá-lo na História Política e Administrativa do País. E se tivermos em vista a audaciosa rapidez com que está criando a nova Capital e a firmeza com que tem enfrentado os argumentos dos que raciocinam sem visionar largos panoramas nacionais e internacionais, do presente e do futuro, mas adstringindo-se à paisagem reduzida de problemas de segunda ordem, então poderemos considerar Brasília como uma autêntica revolução da mentalidade nacional.

E assim como, em relação ao Rio de Janeiro, podemos dividir a história desta cidade em dois períodos: antes e depois da revolução de Oswaldo Cruz e Pereira Passos, também no futuro se dirá, já então com referência à vida econômica do Brasil, esta frase que honrará o atual Presidente da República: antes e depois de Brasília”.

Festa da cumeeira


Foto: Arquivo Público do DF

O Presidente Juscelino Kubitschek presidiu às comemorações do lançamento da cumeeira do primeiro edifício residencial do Instituto dos Bancários, em Brasília, das quais participaram o sr. Israel Pinheiro, o ministro Parsifal Barroso e o prefeito do Rio de Janeiro, Negrão de Lima.

Após a quebra solene de uma garrafa de champanha, o Presidente da República pronunciou palavras de entusiasmo, com relação às realizações do I.A.P.B., na futura Capital, salientando o fato de ter sido aquele edifício o primeiro, em Brasília, a alcançar o primeiro estágio de cumeeira.


Foto: Arquivo Público do DF

O Presidente ressaltou que o recorde atingido pelo IAPB deve servir de exemplo às demais autarquias, uma vez que ele representa uma contribuição inestimável para o plano de construção de Brasília.

Reiterou, a seguir, a afirmativa de que a transferência da nova capital se efetuará em 21 de abril de 1960.

O sr. Enos Sadok de Sá Mota, presidente da autarquia, declarou, na ocasião, que tem dado todo o empenho possível à execução das obras do Instituto dos Bancários, em Brasília, em cumprimento às instruções do Presidente da República.

O edifício do IAPB, de linhas modernas e construído sobre pilotis, está com toda a sua parte de estrutura concluída e já em fase de acabamento. Deverá ser inaugurado a 12 de setembro do corrente ano, data de fundação do Instituto dos Bancários. É o primeiro conjunto de 11 edifícios, com seis andares cada um, totalizando 456 apartamentos de dois ou três quartos, sala e demais dependências. Disporá o conjunto de um gerador e poço artesiano para abastecimento d’água.

Pretende o sr. Enos Sadok de Sá Mota, que de 60 em 60 dias, um desses prédios atinja a etapa das fundações e outro a etapa de laje. O projeto arquitetônico é de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer, que previu a construção de parques ajardinados, numa área de 50 mil metros quadrados.

Justifica-se plenamente a existência do mencionado número de apartamentos para os bancários, pois Brasília contará com 32 bancos, de acordo com os cálculos da Novacap.

As inversões do IAPB, naquela cidade em nada sacrificam o ritmo de construções do Instituto no resto do país, visto que tais inversões ocorrem por conta da dívida da União para com essa autarquia.

Além do conjunto residencial, exclusivamente para os bancários e suas famílias, o IAPB construirá o edifício-sede, apartamentos para a administração e uma escola destinada aos filhos dos associados.

Tiveram início as solenidades de sábado com uma missa, celebrada no próprio local das obras, pelo padre Primo, vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Aparecida (Brasília). Seguiu-se o hasteamento da Bandeira pelo Presidente da República, a visita às instalações provisórias da administração e dos serviços, e a subida ao topo da construção, onde o sr. Juscelino Kubitschek deu como lançada a cumeeira. Acompanharam-no todo o tempo, os srs. Israel Pinheiro, presidente da Novacap; Parsifal Barroso, ministro do Trabalho; Negrão de Lima, prefeito do Distrito Federal; outras autoridades, jornalistas e numeroso público composto de convidados especiais, engenheiros e operários.

Visita de Rosemary Poter

Vinda de Londres, visitou Brasília Rosemary Poter. Essa visita teve um significado todo especial para a Novacap e para o Brasil, porquanto Miss Poter é bisneta do jornalista brasileiro Hipólito José da Costa que manteve, em Londres, na primeira metade do século XIX, o jornal “Correio Braziliense”, em cujas colunas se bateu pela mudança da Capital brasileira para o Planalto Central.

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