João Bosco Bezerra Bonfim

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João Bosco Bezerra Bonfim, em uma série de poemas curtos, alguns quase hacais (na forma e na concepção), canta as cigarras, as “folhas de setembro”, os “Jeans da Paraíba”, a encher os olhos na feira do Guará, nos Eixos aptos a orientar as pessoas. E ironiza diante das conchas (do Congresso Nacional – a da Câmara convexa, côncava a do Senado), focaliza a Estação Rodoviária, Conic, metrô, o domingo no Eixão. Em “Brasília para os íntimos”, o poeta relembra figuras populares entre o pó vermelho “próprio para ingressar nos poros” (e era mesmo assim nos primeiros anos, anteriores à urbanização, ao asfalto), pó onipresente não só nos canteiros de obra, mas também nas superquadras, nas repartições, nas Esplanadas. Em “Os viventes se movem” estão os (sobre)viventes, os restantes na cidade que os proibiu e os marginalizou após os risonhos (conquanto árduos) dias dos pioneiros. O poema “Brasília” declara que “grávidos gravitam” (serão os servidores, como autômatos em torno de suas repartições?) e observa que “graves asas engravatam…” Enfoca as “…meninas/roxas de lycra”, filhas da classe operária, netas dos candangos pioneiros, e indaga: “O que vêem essas meninas”//, a “que aspiram essas meninas?”, essas “sheyllas, eyllas, kellys, schaarllenneys, chicas e tatyellys/americanas do Recanto das Emas/francesas do Setor “O”/dinamarquesas de Santa Maria/alemoas de Samambaia (…)”, uma legião, vistas com um misto de afago e ironia. Tudo tão precário, frágil, sem futuro, porquanto “o vento – que passa é o único que fica”. (“Eternidade na torre de TV”.)

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poema”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Jamil Almansur Haddad

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Jamil Almansur Haddad faz coro com Drummond e Cassiano, que o precederam na “convocação” e na decisão, jamais consumada, de tomar os rumos do Planalto. Mas, antes de apontar para a “cidade/Em que nunca haverá saudade” (C.R.) e repetir, literalmente, os termos do convite (“Vou-me embora pra Brasília”,) e de lembrar o Plano Piloto e reportar-se a um “…piloto sem plano”, ele sugere se excursione em certa cidade grega.
Trata-se de Cérigo ou Citara, ilha situada entre o Peloponeso e Creta, célebre pelo seu santuário de Afrodite Anadiomena.  É, segundo as enciclopédias, lugar privilegiado pelas suas fontes termais e cultura da vinha e da oliveira. (O título do aludido poema, cuja primeira parte se compõe, apenas, de uma quadra e um dístico, é “Partida para Citara”.) A segunda parte “prenuncia” que “Lá descobrirei uma ilha/À sombra dos pilotis”, e fala da futura catedral e da torre “Vinda de Volta Redonda”. Em “Canção egípcia” a cidade tem “grandeza faraônica”, faraônica no bom sentido, em oposição ao sarcasmo e à azeda ironia dos antimudancistas. Em “Balada das musas do Planalto”, há evocação de Marília e Gonzaga, a amada, zelosa, a “atualizar” seu endereço, não mais nas vetustas Minas Gerais, mas no moderno hotel brasiliense…E, com ela, se fazem presentes Moema, Beatriz e outras consagradas figuras: “Pelas madrugadas brancas/Vão placidamente os poetas/Contemplando as tuas ancas/Por serem meta das metas”, declara um terceiro poema (“Outra canção de amor”), a destacar, assim, a anatomia da cidade, que é feminina…Embora “criança”, ela já vive em processo de fecundação – é a urbe que se ergue, se edifica, a evidenciar que “Vai nascendo um Brasil novo”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Homero Homem

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Homero Homem compôs um dos mais antigos poemas de exaltação à nova Capital (em 1956), quando ainda anunciada nas pranchetas. Depõe em carta que nos remeteu: “Brasília, DF (…) foi escrita como um anúncio, uma antevisão…Vários amigos meus, aqui no Rio, trabalhavam no escritório de Oscar Niemeyer; entre eles Flávio de Aquino  (a quem o poema é dedicado) e o pintor Raymundo Nogueira…Eu freqüentava o escritório deles na sobreloja do edifício do MEC e via Brasília sob a forma de desenho…” Tratava-se da cidade sonhada pelos construtores, ideal sob todos os aspectos, ante-sala do paraíso…Do que o projeto prometia preservaram-se algumas características: “aérea”, “clara”, de “pilotis”, “róseo de cimento”, a crescer “a superfície”, “vidro plano…”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Hermenegildo Bastos

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Hermenegildo Bastos retrata, em “O código do herói opaco”, aquele cuja bravura sem loas, sem glórias, sem celebrações, sem reconhecimento, no seu quotidiano transita no “fundo do tempo”. O medo, paradoxalmente, depara-se com o “rejuvenescer da cidade”. As chuvas, que “desabam sobre as máquinas”, prevalecem sobre “o grande medo”, no exercício de seu singular oficio. “Ficou um denso mais verde”. No Planalto Central, o poeta contribui com seu inquestionável testemunho e com sua visão surrealista, e é, ao mesmo tempo, parte do cenário: “eu medito o centro/dentro e fora.//As mãos independem/não sou apenas/o que faço”. O vate extravasa, sente e sente-se Píndaro no estádio e na ode imaginários; trá-lo da Grécia, do seio das Égidas, para estar como partícipe da contemplação, como também da plena integração. Meros josés e joões, com o poeta, participam (“amontoados, separados”) no inevitável amor à cidade, a quem, com toda a sinceridade, se declara: “eu só te quero/porque não posso/não te querer”. E adiciona: “danação./as tuas carências/penetramos”. O conflito do adventício – que não apenas veio, mas aqui está para inserir-se, cabalmente, no processo de simbiose e também metamórfico – tem toda sua aceitação, nestes versos que são mais que metáfora: (…) não é a lagarta/mais bela nem menos/que a borboleta”. E há esta conclusão: “estrangeiros em nós próprios./cresce o fora, o dentro míngua/com alegria oferecemo-nos”.

Com “Em Brasília há uma lei que proíbe buzinar” temos o engajado. A luta, cuja vitória acabou adiada (e traída) pelo oportunismo da maioria dos políticos, é por ele lembrada: “(…) mais do que/passeata na cidade./Quando ouvi os carros,/desumanos,/buzinarem/o diretas-já da mudança.//Escutei as máquinas/ressoarem/marcha inédita.//e foi como/se àquela hora, em cada buzina/tocasse a mão do operário/que a produz/e afina”.

Hermenegildo Bastos, em “A cidade e as plantas”, fala que “Sementes precipitam-se”. Mas logo nos apercebemos de que não se trata de flora, das árvores tão cantadas pelos poetas. As palavras “cartografia”, “atlas”, “fronteira”, lançam suficiente luz sobre o quadro. E não é só isso. A câmera gira para todos os lados; ela desce do “Tecido azul”, aquele que se “estende/Lá por cima/A se perder de vista”, e prossegue: “Curva dos céus/Toca-se com as pontas dos dedos”. E revela: “Tudo aqui tem um jeito franco/De sobrenatural/Comércio do invisível”; E diz mais: “Prévia cartografia/Cabe tudo no Atlas/Os que aqui nascem/Não carecem descortinar/Os pontos cardeais”.

O índio incendiado pelos diabólicos meninos – lídimos representantes de uma sociedade cruel, preconceituosa, em que ter é sinônimo de poder e a impunidade impera – mereceu a atenção e a exaltação do poeta, quando enfatiza: “Você Galdino/queimado por desporto/inteiro morreu em cada parte/morte tríplice/três vezes qualificada”, e denuncia: “Um Galdino/é só o que vales//não chegas a João/Francisco, Tales”.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Henriqueta Lisboa

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Henriqueta Lisboa homenageia a cidade a falar do sol, da lua, da galáxia de Brasília. É que, embora radicada em Minas, teve a oportunidade de vê-la “à hora do nascer do sol”, transmudada de chofre em “bloco de topázio em prismas/alçado pelo azul do céu”, e à noite, “aquário escuro” sob uma lua de muitas originalidades: “Nenhuma lua vi maior/nem mais límpida em longitude/nem mais redonda em corola”. Também a Via Láctea? Sim, porque “Foi numa noite de mistério”. “Os astros formavam códigos/senhas algarismos e siglas”. Henriqueta Lisboa testifica porque viu “…a galáxia de Brasília/pairando sobre a flor de pedra”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

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H. Dobal

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H. Dobal residiu em Brasília por vários anos. Veio do Rio, a capital destronada, como vários outros escritores que, em razão de suas atividades no serviço público, no magistério, na magistratura, ao longo destes anos vêm aderindo à “marcha para o Oeste”. É autor de uma série de poemas sobre a cidade. Selecionamos três para este livro: “Paisagem”, “Asas” e “A tarde”. A geografia brasiliense, a arquitetura singular, a atmosfera, foram habilmente colhidas por H. Dobal.  Senão, vejamos: “Os blocos de concreto/contemplam a secura dos gramados” (“Paisagem”); “As asas/pedindo ao seu vôo/a certeza da tarde” (“as Asas”); “uma canção de cigarra/persegue o verão” (“A Tarde”). H. Dobal, que, com tanta maestria, já havia cantado cidades do Piauí e do Maranhão, destaca-se entre os que mais se impregnaram da poesia desta cidade.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Guilherme de Almeida

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Guilherme de Almeida fez-se presente nas solenidades de inauguração da nova Capital. Coube-lhe a glória de ler, então, o poema de sua lavra que mais uma vez confirma o que veio a proclamar Anderson Braga Horta: “Brasília nasceu sob o signo da poesia”. Já entre os nomes da Inconfidência Mineira, a qual propugnava a transferência da capital litorânea para o Planalto Central, estavam três poetas. E, ao longo do tempo, àqueles se somaram outros destacados vates, como Osvaldo Orico e (mais recentemente) José Godoy Garcia, Lina Tâmega del Peloso, Antonio Carlos Osório (advogado, nas primeiras décadas, ainda por revelar-se íntimo da poesia). E incontável é o número dos que se têm inspirado na paisagem física e humana da cidade de JK. “Prece natalícia de Brasília” começa por assinalar o ponto de convergência não apenas fixado pelo “Diário Oficial”, e pela vontade de um presidente da República, mas consagrado por uma nação inteira, por multidões que se deslocaram de todos os quadrantes, na epopéica e “grande marcha”. Proclama o poeta: “Agora e aqui é a Encruzilhada Tempo-Espaço./Caminho que vem do Passado e vai para o Futuro;/caminho do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste;/caminho de ao longo dos séculos./caminho de ao longo do mundo (…)”. O grande poeta e tradutor de poetas franceses vem, comovido, “…das naus da Descoberta…”, chega às Bandeiras, às missões, ao Crucifixo – arma nas selvas “contra as flechas ervadas” – Ad majorem Dei gloriam”. E segue, passando pelos “três sangues”, atravessam (a estigmatizar) as senzalas. A longa estrada da história chega finalmente a Brasília, onde ocorre “…a intersecção de auroras e poentes” – seta em cruz sobre arcos retesos. “(Aqui, Guilherme de Almeida alude, provavelmente, ao brasão da cidade.) “Aí estás, Brasília! E, como estás, pareces/ave de asas abertas sobre a terra…” (…) “Aí estás, Brasília do olhar de menina! (…) “Rosa dos ventos…, Figura de proa…, Torre de comando…/Porto do destino…/Portal do sertão…”
 
Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Guido Heleno

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Guido Heleno, a tropeçar “nos escombros” de (…) (seus) “sonhos”, vem de Anápolis, a cidade outrora tranqüila que as máquinas e os candangos da embrionária Capital estremeceram. E caminha, canhestro, “pelo domingo lerdo e chato”. É o que ele declara em “Caminhada de domingo”, o segundo de seus poemas selecionados para esta coletânea. Com “Distrito Federal”, G.H. coloca-se entre os poetas que se debruçaram sobre a paisagem planaltina. Observa a flora e a fauna, mas não se restringe a observá-las. Capta, na mesma medida, o “místico rico em mitos e oráculos”, identifica “presságios”, etc. Há bastante poesia em seus versos, e ela se estende com leveza e naturalidade por todo o poema. Guido revela a presença de “mitos (que) galopam pela vastidão domada”. Impressiona-o, também, um “cenário desolado de árvores retorcidas”. E enfatiza: “Arde a noite em combustão espontânea”, “enquanto não se cumprem/os sonhos das profecias”.
 
Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Geraldo Pinto Rodrigues

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Geraldo Pinto Rodrigues visitou os canteiros de obras da então futura Capital em 1957. As grandes asas em que a cidade se equilibra eram ainda um projeto. Naquele tempo, o pó vermelho se erguia do chão rasgado pelas máquinas e bem alto se levantava, no vento, nos rodamoinhos.
G.P.R. consignou-o com destaque, a enfatizar em um de seus versos: “E pó, e pó, e pó…” Não podia manter-se indiferente ao “Sol de clarabóia”, e, como outros autores, observou: “Os ossos sob a canícula/ardem no desconforto da carne ressequida”. Apresenta seu preito a “estes peões candangos de sete fôlegos,/a cada sete dias renascidos”. E conclui enfático: “E aqui se planta uma cidade./E uma esperança”.
Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

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Fernando Mendes Vianna

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Fernando Mendes Vianna, como ninguém, soube retratar a metamorfose por que passou a bugra adolescente, quase menina, que ele conheceu, a construir-se na aridez do cerrado, isto é, a comuna que veio para ser uma, indivisível, dos candangos sobretudo e, súbito, se aburguesou, aderiu à sociedade de consumo, ao consumismo sem freios, e passou a viver à cata das novidades, pelas butiques. O poeta está saudoso dos dias empoeirados dos pioneiros. Do luar, dos bichos, das sujas botas, dos tratores em guerra sem tréguas com o mundo desértico e esquivo que o homem veio domar para todo o sempre. Quem assistiu à derribada dos núcleos dos bandeirantes que plantaram os alicerces da prometida metrópole, à remoção por vezes violenta dos barracos, à implacabilidade do concreto a expulsar os tapumes, à perda da “carícia tosca e áspera” da índia que morreu para dar lugar à senhora (a Brasília concluída), quem aqui viveu nos primórdios da cidade, pode captar com vivida emoção o perdido espírito de tudo isto. Fernando Mendes Vianna fotografou, assim, não a cidade translúcida e definitiva, mas o seu delinear abrupto e incontido e, em voz plangente, eternizou em versos belíssimos a inocência e a humildade que jamais voltarão. Em “Arvore do cerrado”, F.M.V. discorre sobre “…a arvore” (que) “vence o vasto vento”, e faz a apologia da (…) “erva nativa”, indomável: “…resiste à seca”, “árdua”: “igual à saliva/do canto”, que sobrevive ao tormento.

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Fernando Marques

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Fernando Marques, em “Esta cidade”, reporta-se à “acusação”, tantas vezes reiterada, de que inexistem praças  nesta comuna, onde não há lugar para ruas sinuosas nem para vetustas esquinas, como as temos em outros centros urbanos. Algures, há o onde possível à convergência de nostalgias, de histórias a brotar de cediças raízes, impossíveis, obviamente, na terra nova. O espaço que se quer nas vias públicas existem sim, revela o poeta, há que buscá-lo onde, exatamente, ele se encontra: “Esta cidade sem praças tem/nos bares suas praças:/novos e antigos amigos/tornam mais leve habitá-la”. Suas formas, de cidade do futuro, fazem-se quase incompatíveis com o homem do presente, nós, os ineptos que chegamos de outros rincões, daí porque “Teimamos em rasurar/com nossa presença pobre/sua geometria exata”, confessa o poeta em nome de todos. E ele observa e analisa, chegando à conclusão à conclusão de que “Seus espaços de filme/de ficção científica/podem fazer-se jardins/onde se plante política”. O fecho do poema (após a alusão “à luta de boas causas” de homens e mulheres) é uma só palavra, e esta vem a construir um neologismo em que os vocábulos “fraternidade” e “pátria” se acasalam, fundem-se, a expressar o forte anelo de vê-las como algo uno e indivisível: “frátria”. O segundo poema de FM (“Esta cidade ainda”) enfatiza o saudosismo dos que malograram, incapazes de fincar raízes no surpreendente Planalto. Assim, as saudades (goianas, mineiras, nordestinas) faziam sofrer (talvez ainda o façam, mas agora nem tanto) aos que deixaram o coração em outras latitudes, insensíveis ao aqui e agora, canhestros ante os desafios da nova realidade. “…logrados querem voltar…”, registra o poeta carioca, que lamenta a opção de quantos renunciaram ao privilégio de habitar a ilha que é Brasília, de participar de sua construção.

Abriram asas ao regresso, quadro pelo poeta visto e vivido: “(Eu vivi: amigos, primos,/mesmo aquela namorada/me foram todos embora.) /Disto te acusam, cidade/da culpa que não é tua”. Observe-se a função do pronome (me) – os que se foram representam uma parte (perdida parte) de quem ficou, um pedaço de seu ser, inconformado. Ele declara sua peremptória posição: “Pois te defendo cidade,/se me é dado fazê-lo”. Há também denúncia dos pacotes palacianos – que tanto e tantas vezes afligiram a nação -, “cheios de números podres”, arremessados contra o cidadão indefeso. Contudo, apesar dos pesares, este torrão “onde cresce minha filha”, é “a cidade de açúcar…” E muito mais doce aos que a têm (ou tiveram) como berço.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília” de Joanyr de Oliveira

 

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Ézio Pires

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Ézio Pires. Conquanto nele perdure o convicto anarquista, e embora haja – aqui, sobretudo…-“gobierno”, sempre estimou Brasília. Seu “Asas de Terra e Água” (o título é também refrão, com que fecha cada estrofe) sabe até certo ponto o salmo davídico, pelo ritmo, por algumas das expressões a ele incorporadas. Refere o “começo do mundo”, ao “lago de leite e mel” (o que evoca a “Terra Prometida” dos textos sagrados), ao coral, aos “bons e maus”, ideário e terminologia trazidos  do universo onde, como seminarista batista, apesar de tudo, fincam-se suas raízes.

Mas Ézio Pires não se detém nesse território assaz edênico, quase celestial. Dirige os olhos, com clara repreensão, à “praça dos despoderes”, porque o incomodam os desequilíbrios do mundo. “No escuro/(…) te procuro”, “em sonho te suponho”, em “Fugindo de mim” confessou o poeta à cidade resumida nos seus primeiros prédios, mais promessa, “loucura faraônica”, do que realmente cidade. Ele é pioneiro e teve o privilégio de contemplar os começos. Há lamúrias em seu cantar: “ainda não sei/se é um prêmio/ou castigo/ser teu candango/antigo…”. E indaga, perplexo “- quem és tu/Brasília/que fugiste de mim?” E continua: “ – és mulher, anja (sic), demônio/ou uma alucinação?” Mas assevera, confiantemente: “mato/o coveiro da esperança/não fugirás nunca/de nossa história/ainda que fujas de mim/nos crimes livros e filmes”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

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Esmerino Magalhães Jr.

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Esmerino Magalhães Jr., pioneiro das letras brasilienses que tão cedo nos deixou (grande perda!), com “Menino presidenciável” retorna aos dias de infante, quando “…queira ser herói, doutor, aviador ou simples presidente”, mas tão-somente perdeu seu “…coração na aurora”. Informa o poeta: “…só não sonhei Brasília, minha última namorada”. A de Manuel Bandeira foi a primeira, e era um fofo coelhinho; a dor do autor de Ir entre os vivos (a derradeira) veio em sua juventude – e a ela foi fiel, fidelíssimo, até a chegada de sua morte precoce, em 20 de julho de 1996. ele se encantava com “…seus argentinos eucaliptos” (…)./”seus espaços planetários”/suas sebes de ciprestes”. E.M.Jr., que cantava nas noites brasilienses e declamava poemas, seus e dos colegas, traz para a literatura a “315 Norte” que prefere ao “Jogging no Central Park”. Elege as “alumbradas alamedas” e, brasiliense assumidissimo, proclama: “…carrego às costas um orgulho maior/que minha cosmogonia”. E comunica a reciprocidade desse amor: “Caminho pela quadra/e cumprimentam-me a brisa/e as árvores em alas/e sonho que me proclamam rei/e me aplaudem as vegetais vassalas”. Embora botânico não fosse, ele reconhece pelo nome as árvores que oxigenam os pulmões da terra que o poeta fez decididamente sua, desde quando, em 1960, chegou (como revisor do Departamento de Imprensa Nacional) ao Planalto Central.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

 

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Ésio Macedo Ribeiro

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Ésio Macedo Ribeiro começa por ecoar o cediço queixume dos inadaptados, na luta para aspirar os novos ares, que eles também existem. Arranham-no “…flores artificiais e concreto armado…”. “Deslizo em seu asfalto/vazio e volto como gosma/sem conseguir me impregnar em seu corpo”. E mais: “Visito palácios onde não existem reis”. Ele quer deparar-se com majestades, realezas, nobrezas talvez medievais (o que seria deveras anacrônico…). Mas os dias são outros. Na cadeira (ou cátedra?) do intelectual, o povo soberano, e indócil ante os seus governantes anteriores, houve por bem entronizar o líder sindical – e torneiro mecânico do ABC -, fato rigorosamente inédito, impensável até bem pouco tempo atrás na consabida “república dos bacharéis”. Mas o poeta não se conforma no inconformismo… Num salto espetacular (e encantador!), passa por radical conversão. E logo se “alucina”: “Me entrego a você,/mulher de outros ladrões.” Subitamente, ele tem coração e tímpanos desobstruídos, e pode até apreciar as cigarras, que vêm e “zumbem em seus” (de Brasília) “mangueirais”. No poema “Palafita”, o poeta testemunha que “Boceja a aurora/e, no rosto do plebeu,/brota a seiva/da coluna de marfim”.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Emanuel Medeiros Vieira

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Emanuel Medeiros Vieira transporta ao Planalto o herói grego, rei lendário de Ítaca e filho de Laerte.  E, com ele, sua Penélope. Ele denuncia: “(…) o Planalto é sempre,/além dos burocratas conversas fatigadas”. (O espírito do artista se enfada na aridez e monotonia da repartição pública.)

A perenidade da personagem maior da Odisséia é o pólo oposto a “(…) tanta finitude”. O bolor da burocracia não se harmoniza com o sempre novo da criação, da epopéia. O poeta reflete sobre o efêmero, que é o estigma de sempre no mundo dos seres, do homem. E adverte: “Carece preparar os rituais do retorno (…)”. A morte se insinua ou se apresenta como saída possível, única, do fastidioso presente, em que “(…) o domingo, regatas, procissões (…) não pesam o bastante para contrabalançar e estabelecer o equilíbrio”. O “Planalto é para sempre” (só ele restará), reitera o poema, enquanto sobre nós paira a espada de Dâmocles e o “oblívio” – do qual, por ventura, escaparemos? Não. Ninguém escapará do esquecimento a que estamos todos nós irremediavelmente condenados.

“Planalto: aqui ficarão os ossos”. É tudo sombras, somente? O pessimismo impera soberanamente? Não: algo de transcendental, de mais alto se fará presente. Algo transcenderá; sobreviverá o fim do fim: “Deus faz que me esquece:/depois reaparece”. O segundo poema de E.M.V. por nós selecionado busca despir a cidade amada do imerecido estigma de inabitável e inóspita, pobre e árida “capital do estatuto (…)”, de mero habitat “dos maquiáveis planaltinos”, a que muitos intentam reduzi-la. Em verdade, “ela tem esquinas sim: é preciso decifrá-las”. Brasília é “real no rosto anônimo”,  tem chuvas, “mangueiras em flor”, “pássaros de outros nomes”, “belos crepúsculos”. Sim, há que decifrá-la.

Transcrito  “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Domingos Carvalho da Silva

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Domingos Carvalho da Silva “não perde oportunidade para reiterar sua condição de paulistano”, observa J.R. de Almeida Pinto (Poesia de Brasília: duas tendências, p. 40). “Quanto a Brasília” – prossegue o escritor – “Domingos lhe dedica alguns deles [versos], de Vida prática e de Múltipla escolha: “Cidade não sai do papel/e do compasso, mas do chão” (VP, 41);

“Daqui pra diante me enrosco/em trevos, siglas e táxis/(…)/o lago do Paranoá/ou Guanabara dos pobres” (VP, 20-1); “Aqui te trouxe o tempo a este vespeiro/de sono e simetria,/este esconderijo do assombro/onde os homens só se encontram/no aeroporto e na ausência” (ME, 138); “neste fechado círculo de silêncio,/nesta omissão de mar, nesta empolgante/fábrica de nostalgia e de decretos” (VP, 45). O autor de Poesia de Brasília: duas tendências, no ensaio em que procede ao exame textual de quatro dos nomes mais representativos da rotulada poesia culta e de quatro da chamada poesia marginal (ambas na Capital Federal), por fim pondera: “De um lado, na ‘vida prática’ poucas pessoas terão atuado com tanto ardor para o estabelecimento de uma cultura literária em Brasília. Além de ser professor de Letras e publicar, ocasionalmente, artigos de critica em periódicos da cidade, Domingos foi membro da Associação Nacional de Escritores e é membro fundador da Academia Brasiliense de Letras, inspirador e fundador do Clube de Poesia de Brasília, fundador e mantenedor da Revista de Poesia e Critica, já havendo ocupado a presidência tanto do Clube quanto da Academia”.

Reproduzo em seguida o enfoque a “Um violeiro em Brasília”, constante da introdução a Brasília na poesia brasileira, p.19:

“Outros bardos se inebriam nos plenilúnios da nova terra; D.C.S, porém, confessa-se saudoso da “lua-eletricidade”… Há razões para isso: é que lá moram “juntos/na fria fraternidade” os preciosos amigos Mário e Oswald de Andrade, com os quais conviveu e dos quais foi discípulo. Evoca a trajetória: “…atravessei esse mato/como um novo Borba Gato,/(…)de tapera em tapera/(…) pelo asfalto da picada”. Seu relato de viandante vai sendo enriquecido pela lembrança de bandeirantes, de figuras da mitologia e da literatura, até defrontar-se com a gritante humildade de uma cidade-satélite, de uma daquelas melancólicas favelas que agridem com sua inocultável realidade o mármore e os tapetes da “Capital do Século”. Ao final, sobe ao “alto de Taguatinga”, usa de suas onipresentes irreverências para com Dom Bosco e “amaloca-se” na Invasão do IAPI. E encerra com um escárnio jogado às águas do Paranoá, que para ele é apenas a “Guanabara dos pobres”…

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Diniz Félix dos Santos

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Diniz Félix dos Santos situa-se entre os que elegeram a Catedral da Esplanada dos Ministérios (maior praça de Brasília e, provavelmente, do mundo) como objeto de seu cântico. A exaltar o majestoso templo, busca-o com a audição e a visão: os sinos repercutem “a doce canção” e os (quatro) profetas neotestamentários e, ainda, os “alados arcanjos”,  “(…) banhados em luz natural”. A atmosfera suscitada pela Catedral leva o poeta a outros elementos espirituais, lato sensu, como a música (Villa-Lobos) e a arte (Martins Penna). Uma série de elementos se conjugam para dar corpo ao poema. Vão do “(…) chão do Cerrado” à Morada de Órion e ao Cruzeiro do Sul; dos palácios que sediam os três poderes republicanos aos “olhos da História”. Como em um eco ou um quase refrão, crianças comparecem, no fecho da segunda estrofe de cada uma das quatro partes do poema – rezando, bailando, sonhando, crescendo – emprestando-lhe o gerúndio a idéia de continuidade, de permanência. A perpetuar cada quadro.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia Poemas para Brasília, de Joanyr de Oliveira.

 

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Danilo Gomes

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Danilo Gomes, cronista, memorialista, crítico e repórter literário, surpreende-nos, em Brasília, como poeta. (E não se conformou em estacionar na mera condição de bissexto!) E se revelou competente poeta, sensível, de inquestionável bom gosto. Em “Noturno do Lago Norte”, sua modéstia nega-lhe reconhecimento, afirmando a impossibilidade de “…grandes vôos épicos e primordiais”. Porém, quanto mais se nega méritos, mais seu estro confirma-nos inequívocas qualidades. Sua lira colhe “jardins suspensos de tristezas vagas…” (“não de glórias babilônicas…), solidões de parques na penumbra,/canoros pássaros nas manhãs azuis/(…)”. Ele chega à terceira estrofe com ênfase negativa, e na tenebrosa Santa Helena do destronado imperador faz seu exílio, enquanto, paralelamente, continua a agradar o leitor com suas belas imagens: “Passarei sem alarde como o vento/sobre ardósias e falésias”. E, colocado na sina do hebreu sem futuro, encerra com estes dois versos: “E assim espero a morte,/escravo em Babilônia”. O poeta excursiona pelo que há de mais belo nestes rincões, “No Jardim Botânico de Brasília”, a colher em poesia “…essas alamedas de azaléias/de fim de outono, ressonâncias dos réquiens de Brahms e de Mozart, e ainda do que flui das mãos de Fauré. E um contraste se registra: o defrontar-se do sombrio das composições fúnebres com o vegetal, a paixão, as “antigas lembranças amáveis”. A catedral também emociona, comovem as “colunas do tempo novo” diante do “eu que sou do tempo antigo”. O sino de outrora, dos dias do monarca, as celebrações, os ofícios religiosos conduzem o coração de regresso ao torrão natal, a mineira Mariana. A fulgurante Brasília, em “Pequena oferenda matinal”, suscita saudações ao Irmão Dia a expor (“prêmio e mistério”) os Irmãos Pássaros, na mais harmônica fraternidade.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Cyro dos Anjos

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Cyro dos Anjos, já na maturidade, romancista consagrado, escreveu os primeiros versos após deparar-se com o que metaforicamente (eufemisticamente) chamou de Anjo (da Morte…). Sobre seus Poemas coronários, em correspondência de 17 de maio de 1967 dirigida ao escritor mineiro Edison Moreira, o autor de Abdias e O amanuense Belmiro depõe: “Como lhe disse, aquilo foi mais um testemunho, uma despedida de quem pensou que ia fazer a viagem que não tem volta. Não pretendi, nem poderia pretender incursionar no campo da poesia, desarmado, que me achava, de qualquer experiência artesanal. Muito me alegrou, porém, você ter encontrado merecimento naquela tentativa de comunicação por via poética”. Entre a doze partes do livro de Cyro dos Anjos há uma, a nona, intitulada “De novo caminharei pelo Eixo Rodoviário”. Ele anuncia que o fará “…contra a brisa do altiplano,/lá, onde o céu teve de alongar-se para tocar a terra”. E comunica o seu regozijo: “O pulso está firme, ritmado. O corpo venceu a morte!” E exclama: “Alegria, minério raro!”, a constatar e festejar o triunfo.

Manuel Bandeira consagrou o rótulo sob o qual haveria de estar o autor pouco freqüente no labor poético, na “luta com a palavra” como diria Drummond. “Bissexto”… “Em suma, bissexto é todo poeta que só entra em estado de graça de raro em raro”. [2ª. Ed., Rio de Janeiro]. Ele chegou a reunir 39 deles nessa coletânea que a Simões editou em 1964. A primeira edição é de 1946.] À falta de melhor denominação, seja Cyro dos Anjos considerado poeta daquela categoria em que estão nomes quase conhecidos apenas como prosadores, ou de outras áreas de nossa cultura. P. ex: Aníbal Machado, Gilberto Freyre, Joel Silveira, Pedro Dantas, Sérgio Buarque de Holanda, Pedro Nava, Raimundo Magalhães Jr, Rubem Braga, Guimarães Rosa. Cyro dos Anjos aqui representa os ilustres bissextos do Brasil.
 
Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Ciro José Tavares

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Ciro José Tavares recorre à mitologia, terreno de sua predileção, em que transita com engenho e arte. Busca o herói tessálico, rei dos lápidas, lançado ao fogo por seu sogro Deioneu. Seria Brasília (ou o poeta) o pássaro vermelho e, como tal, teria, de algum modo, a ver com a personagem condenada por Zeus a permanecer amarrada, para sempre, a uma roda em chamas? O poeta se proclama “…preso ao eixo por centauros”, e completa: “…que diuturnos fiam ocasos com meu sangue.” Mas há o contraponto, os ares benfazejos, como que a anular todo o desconforto e o indesejável, as “…artérias frias”/desnudando ventres de ciclopes no concreto…” e “…o orvalho das manhãs”, a envolver o vate, generosamente, e a saciar-lhe a sede.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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