Passagem de pedestres

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Passagem de pedestres
 
Tarde dourada de pingos,
tapetes de flamboyant.
 
Eis que uma delas atravessa a faixa,
tal e qual vindo da fonte,
a que aos domingos, simplesmente
denomina-se: Água Mineral.

Visivelmente, reforçava contornos,
Mestiçagem coleante
de pavão e serpente.
 
Seria até mais bronze se apenas gezela.
Mas atrapalhava listras,
dificultando o foco.
 
Seria a singeleza do sabão esculpido,
imortalidade anônima,
arte do povo,
Feira da Torre.
 
Mas, era só modelo,
fantasias de desfiles,
passarela.
Narciso brejeiro,
flor de TV.
 
Tardes fugidias,
névoa seca,
sonhos dispersos.
 
Não joguem pontas de cigarro no gramado!
Inútil incinerar saudades.
 
Luís Martins da Silva, poeta cearense, nasceu em Nova Russas.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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CONSTELAÇÃO

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CONSTELAÇÃO
 
São os campos floridos, singular constelação
Têm galhos retorcidos alguns dos astros que ali estão
São tão coloridos que às vezes lembram um faisão.
 
Malandragem de constelação, para onde sopra
O vento elas se vão, não perdem a direção.
Minhas pequenas flores sabem que o mundo
Gira em rotação e translação,
Assim como as ondas do coração.
 
Canto o sopro da vida apaixonada,
Levo o sol para minha morada
Pois da vida sou enamorada.
 
Minha constelação é da vida a razão.
Caminho em uma só direção em busca do perdão.
Me alegra o coração cantar para a vida uma canção.
 
Se fossem todos os seres na vida constelação,
Seríamos iluminados e o mundo não perderia a direção,
Habitaríamos o céu e não deixaríamos o mundo não.
 
Lurdiana  Araújo, poetisa tocantinense, nasceu em Filadélfia.
"Querido Mundo", Editora Tecci.

 

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TARDE

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TARDE
 
Das cabeceiras do verão
o tempo incerto
traz para a cidade
um domingo deserto.
 
                                     Os estacionamentos abandonados.
 
Dentro dos muros
de um domingo morto
esta cidade pára.
 
                                     A solidão nas superquadras.
 
Janua coeli.
Stella vespertina.
Tarde. Tarde.
Inconsolatrix.
 
                                     A poeira no claro espaço das brisas.
 
H. Dobal, poeta piauiense, nasceu em Teresina.
"Brasília em 5 quadros"

 

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A Noite

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A Noite:
 
Quer a noite inda ser noite
e abate seu negrume nos espelhos
populares e nos lagos do palácio.
E é então que os postes dançam luzes
sobre o asfalto enquanto a noite com seus pés de medo
caminha mansa na esplanada.
E tanto mais se fecha a noite,
mais ela se abre – a flor
brotada em caules luminosos
e retângulos de prata;
e tanto mais se alonga a noite,
menos se descansa
e mais a flor se aduba e amadurece
 
Affonso Romano de Sant’Anna, poeta mineiro, nasceu em Belo Horizonte.
Crônica de uma cidade quando nasce
"Poemas para Brasília’, de Joanyr de Oliveira.

 

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Origem

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Origem
 
1:
Bebi da garganta
do galo
gargalhos de canto:
 
amanheci no campo,
vesti-me do sereno.
 
Do azul me aprendi:
– pastor de pássaros.
 
No orvalho dos pastos
aflorei meus caminhos.
 
2:
O poente bebeu-me os olhos
fez-se a tarde em meu semblante.
 
Trago no peito presente
pássaros
e manhãs distantes.
 
Wilson Pereira, poeta mineiro, nasceu em Coromandel.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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A mística do Catetinho, por Ernesto Silva.

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"É preciso recordar. O povo que não lembra seu passado perde a identidade coletiva." (Henry Sobel)
Dia 10 de novembro, inauguração do Catetinho, nenhum órgão de imprensa desta cidade se referiu à importante data. Eu o faço agora. O Catetinho é símbolo de Brasília. Representa o idealismo, a fé, a esperança, o amor ao trabalho, a bravura, o desprendimento, o patriotismo de milhares de brasileiros que, sob o comando seguro do Presidente Juscelino Kubitschek, acorreram ao Planalto Central para edificar esta cidade, jóia do urbanismo moderno, que devemos preservar, eis que tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Nesse modesto e monumental Palácio de Tábuas, forjaram-se os planos revolucionários e dele partiram as ordens decisivas. Juscelino à frente, com espírito pioneiro e imaginação criadora, humanitário e bom, nos reunia, ouvia a todos e traçava os rumos. Assim, tornou-se imperativo que cada soldado dessa primeira linha de batalha se armasse de bravura absoluta, se revestisse de desambição e se empolgasse no renovado espírito de pioneirismo. Qualidades positivas de operosidade e de renúncia, capacidade realizadora, ânsia de progresso, fé nos destinos do Brasil se apresentariam libertas das antigas restrições, em toda a plenitude, na arrancada inicial.

Pelo exemplo e pela realização, era necessário destruir o conformismo que acomodava a consciência nacional em morna sonolência. Por isso, ao lidador da primeira hora de Brasília não foram permitidos o ócio, a pausa, a vacilação. Daí, a dureza das obrigações, quase desumanas, que todos sentiram nos regimes de serviço e na exigência de rapidez e da perfeição da obra. Portanto, não se pode permitir que seja esquecida a brilhante história da capital de um País que foi erguida com o patriotismo e a determinação do próprio povo. O Catetinho é uma lição para as gerações futuras.

O Catetinho foi construído em 10 dias (de 22 a 31/10/1956) por amigos de JK (Oscar Niemeyer, João Milton Prates, José Ferreira de C. Chaves, o Juca Chaves, Roberto Pena, César Prates, Dilermando Reis, Vivalde Lyrio, Osório Reis e Agostinho Montanddon) e dedicados operários. No dia 1º de novembro de 1956, os engenheiros e operários que trabalham na edificação da residência presidencial provisória se reúnem em um churrasco. No dia 10 de novembro de 1956, por via aérea, JK chega a Brasília a fim de inspecionar o andamento dos trabalhos a cargo da Novacap. Do aeroporto, JK dirige-se ao Catetinho.
Assim descreve JK a inauguração do Catetinho: "A recepção foi festiva. Do aeroporto provisório, segui diretamente para o Catetinho, onde grande número de pioneiros me aguardavam. Um temporal desabou sobre o local nesse momento, fazendo com que a festa, que teria lugar ao ar livre, fosse realizada no interior do Palácio de Tábuas. Serviu-se um almoço, com mesinhas espalhadas pela casa inteira, inclusive na varanda. E, em seguida, realizei ali o meu primeiro despacho. À noite, depois do jantar, teve lugar uma serenata com os pioneiros – a palavra candango ainda não havia sido criada – entoando o "Peixe-Vivo" e o "Canto da Nova Capital" (música de Dilermando Reis e letra de Bastos Tigre). O Catetinho foi, pois, um símbolo. Foi ele a flama inspiradora que me ajudou a levar à frente, arrastando o pessimismo, a descrença e a oposição de milhões de pessoas, a idéia de transferência da sede do Governo.

A mística do Catetinho foi, pois, precursora – dada a emulação que provocou – da mística de Brasília, consubstanciada em pioneirismo, em espírito de criação e na determinação de enfrentar o que parecia impossível. E a mística de Brasília, por sua vez, contagiando o País inteiro, realizou o milagre da construção de uma metrópole revolucionária, em três anos e dez meses".
O Catetinho foi tombado pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 22 de julho de 1959 e inscrito sob o número 329, Folha 55, no Livro do Tombo Histórico do Instituto Histórico e Artístico Nacional.
 
Ernesto Silva

 

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O sonho da moça negra

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O sonho da moça negra
 
A música que envolve o corpo da manhã
fez da manhã um sonho
e ele ficou amparado no braço da criança
que estava nadando no chão
como se chão fosse um mar.
E a ansiedade ficou perdida no corpo da moça negra
que estava esperando o ônibus como se o ônibus
fosse um barco que levasse à casa de seu sonho.
 
(A moça vinha da Ceilândia
para cavar um emprego na Caixa Econômica,
quando a Caixa anunciava vagas para moças
de boa aparência e que tivessem aptidão
para serviços de controle de dados).
 
Ai, moça negra!
ai, moça da Ceilândia!
ai, sonho!
 
José Godoy Garcia, poeta goiano, nasceu em Jataí.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Crepúsculo sobre o Lago Paranoá

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Crepúsculo sobre o Lago Paranoá
 
Repousa o lago – manso fluir de dorso espiritual,
leito azul-esverdeado na tarde de pássaros enternecidos.
Flora sombria, telhados e paredes,
superfície de meandros contornando a cidade,
alfombras, álacres tonalidades, púrpura evasão,
claridade vertendo cores nas águas.
Densidade obscura e translúcida, estremecimento de fragrâncias,
lívido céu rubro-acinzentado na calma espraiada.
Brisa gélida flui, borbulha o éter anímico,
azul trêmulo de luzir lunar: murmúrios de luz.
Repousa e passa o lago entre fulgores,
ebulição inerte da vegetação, sono dos bosques,
sagração da noite.
Perplexidade, quietude, harmonia,
suave claridade.
 
Márcio Catunda, poeta cearense, nasceu em Fortaleza.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Alô, Brasília!

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Alô, Brasília!
 
Tu és solta.
Absorta.
Tens um lado deserto…
És Quimera.
Utopia.
Reticência.
És a minha Brasília
– Um imenso tão perto.
Abraço por ti todas as Éles.
Beijo as Dáblius.
Por ti, minhas asas começam a tremer…
E me levam a voar
Por este Plano Que nem o Deus-Piloto
– Ousaria nunca um dia Re-to-car…
 
(Eduardo MAMCASZ
 – Poeta Quase-Zen.)

 

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Ladainha da cidade dura

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Ladainha da cidade dura
 
O drama se lavra
desde o princípio.
Erige-se,
apronta-se
no manto
da regra dura.
 
Enfeitado
de ilusão,
o drama convida,
saca a surpresa
dos cômodos
e lança a atadura.
 
Assim a regra
desceu à Ceilândia.
Esquecida,
a cidade caiu nas valas.
A poeira
de longe a demarca.
De teima, perdura.
 
Avaliada
pelos bandidos,
agasalha
os pobres,
os filhos dos pobres
que vivem em lisura.
 
Fazem da cidade
aquilo que dela não sabem,
e não vêem, não vivem.
Chega, princesa Durga,
vence a ignorância
Mahishasura.
 
Por que a insistência
em ver a pessoa
e pensar em bandido?
Ruas de medo, armadilhas
– ninguém sofre por eles.
Vida obscura.
 
Será ser bandido
ser inimigo da fome,
vencer, quase até ser vencido,
o trabalho que o esmaga,
tritura?
 
Será ser bandido
Soltar a resina do corpo,
Voltar cheio de graxa,
suor em respingos?
Não será digno
de ternura?
 
As portas guardam
homens e seus destinos,
Não se mede
a cidade
pelos dramas
de sua urdidura.
 
Não é só aflição,
corpos riscados
de crianças sem rumo.
De cada um que ali transita,
um anjo diz:
é minha criatura!
 
Não se mede no ruim,
descalabro
de quem vive
no fofo e balofo,
e só tem olhos
para a ditadura.
 
Para quem sabe
e não vê, Ceilândia lança
mal o sol espreguiça]
por porta
que não os segura,
 
homens e mulheres
que irão florir,
engomar, carpir
sorrir em sobejos
outra cidade
que não os atura.
 
Voltam sujos.
Gasta no mar dos parques,
das piscinas,
a água não veio.
E são sujos por descuido
nas línguas sem postura.
 
Para aqueles que voltam
no rumo de casa,
a cidade não soa
as peças de quem
a discrimina.
A cidade entoa doçura.
 
Pendida no sono,
a cabeça reflete,
no suor, a fadiga,
o desalinho da demora.
Como vai longe
a estrada da procura!
 
Os dias são voltas,
Revoltas que crescem
e não podem estourar.
 
Cada poça que se pisa,
cada pó que se aspira,
faz a revolta madura.
 
E a poça é a rua
e o pó é a nuvem.
E o dia é ausência.
Na volta,
o sorriso ficou
nos andaimes, na altura.
 
Nas louças, nas roupas,
nas gramas,
o sorriso ficou.
No aperto das voltas.
O sorriso desenhado
nos prédios, pintura.
 
Não doma o dia,
cansa-se no descanso.
Fugir é sem onde,
sem limites
que façam
a fadiga em cura.
 
A cana da tranqüilidade
se mói.
A vizinha reclama,
esperneia,
se se assusta
e teme a loucura.
 
Sacos sem viola,
moram como coelho
em cartola.
Passe de mágica
e não por aventura.
 
A cidade é uma rima dura,
fura os olhos, os ouvidos,
come as facetas
de acreditar em belezas.
Só quebradura.
 
Mora na cidade
o desamparo.
Tem as nuvens,
e os ventos as levam.
Foi prometido o noivo
e ele não chega
com a fartura.
 
Salomão Sousa, poeta goiano, nasceu em Silvânia.
"Safra Quebrada", Dupligráfica.

 

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DA ESFINGE DISSIMULADA

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"Até hoje, Brasília constitui um enigma; todos anseiam por avaliá-la, assim como por predizer seu futuro e seus efeitos na história do Brasil" 
Gilberto Freyre
 
DA ESFINGE DISSIMULADA 
 
A Esfinge me arrebata e fende o sono,
ao detonar o enigma ouvido outrora.
Depois de se afirmar sem rumo ou dono,
se diz sombria e vã, se oculta e chora.
 
Ela empana, lacrados sob as patas,
episódios, ternuras e metralhas;
e no fluir de vozes inexatas
o temor e o tremor de suas falhas.
 
Cultiva os intangíveis veteranos,
e universos de sonhos como o seu;
converte em odisséia os desenganos
 
e um pelourinho de ouro onde morreu.
(Logro ouvir em velhíssimos arcanos
que a Esfinge não é outro senão eu…)
 
"Soberanas mitologias e a cidade do medo"
Joanyr de Oliveira.

 

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Seda e ouro

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Seda e ouro
Não recorte este sonho
ele é tudo que escapa livre
pela mente
escorre pelo cérebro
como serpentinas de seda e ouro
 
Não deixe adormecer a fantasia
pois a realidade dorme impune
e desperta mais faminta
a realidade come pão de três dias
a fantasia faz oásis
e inventa deuses.
 
Joilson Portocalvo, poeta alagoano, nasceu em Porto Calvo.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Cordel para Antônio Miranda…

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Cordel para Antônio Miranda…
Gustavo Dourado

(lido pelo autor na homenagem a Antonio Miranda,
no UNICEUB, em 9/11/2007)

Escritor, poeta, dramaturgo
Cartofilista…escultor,
Colecionador de bromélias,
Romancista, professor
Bibliotecário – bibliófilo:
Mestre, vate, criautor…

Autor de mais de 40 títulos:
É destaque cultural…
É titular da UnB:
E na Biblioteca Nacional…
O livro é seu coração:
Miranda é fenomenal…

O Maranhão lá no Nordeste:
É sua terra natal…
Criatividade reconhecida
Pela crítica internacional…
Antônio Carvalho de Miranda:
10 no Planalto Central..

Mais de 200 artigos científicos:
Miranda tem publicado…
Homem de artes e letras:
Sempre tem se renovado…
Pela amiga Meireluce:
Muito bem recomendado…

Dramaturgo de primeira:
É um nome respeitado…
Reconhecido pela crítica:
Tem sido bem premiado…
Londres, Bogotá, Caracas:
Por lá foi glorificado…

Foi militante do PC:
Em um tempo complicado…
A Ditadura censurava:
O povo foi ultrajado…
Miranda foi-se do Brasil:
América Latina ao lado…

Fez Mestrado na Inglaterra:
Na Argentina foi premiado
Programa de Pós-Graduação:
Por ele coordenado…
Documenta a Informação:
É mestre qualificado…

Tú País está Feliz:
Pela Thesaurus publicou
Além desses outros livros:
Vicror Alegria editou…
Miranda com a sua verve:
Seu nome celebrizou…

Brasília, Capital da Utopia:
A Senhora Diretora…
A Quadratura do Ó:
Canto Brasília, na aurora…
De Crenças e Vivências:
Brasil, Brasis, a toda hora…

Fez Horizonte Cerrado:
Ciência da Informação…
Ás da biblioteconomia:
Miranda é um vulcão…
Poeta concriativo:
Que orgulha o Maranhão…

Eu, Konstantino Kaváfis de Alexandria:
Retratos e poesia reunida…
Relógio não marca as horas:
Versos Itinerantes, na vida…
Miranda forma e informa:
Edifica a Avenida…

O Despertar das Águas:
São Fernando Beira-Mar…
Miranda luz maranhense:
É como Nauro e Gullar…
Sousândrade e Oswaldino:
Gonçalves Dias solar…

Manucho e o Labirinto:
"Narrativa modular"…
Disse Majú Evangelista:
Em um tributo popular…
Poesia – prosa híbrida:
Alto estilo ao criar…

Conto, romance e crônica:
Conexão intertextual…
Transgressão da Escritura:
Poética fundamental…
Miranda proseia e versa:
Quintessência cultural…

Organiza e representa:
É artista de talento…
"Perversos" em poesia:
Arte e conhecimento…
Muitos prêmios conquistou:
Com a expressão do pensamento…

Na Universidade de Brasília:
Consagrado professor…
Amigo de Cassiano…
Se quiser vai ser Reitor…
Na UnB é um Mestre:
Pela USP é Doutor…

Programa Sociedade da Informação:
Conteúdos e Ação Cultural:
Biblioteca e Arquivo:
Saber exponencial…
Do erudito ao popular:
À arte experimental…

Lá em Lima no Peru:
É Professor Honorário…
Universidade Ricardo Palma:
Li em um jornal diário…
Aqui vou mirandear:
No Webdomadário…

Teço loas ao Miranda:
Brasília a ele reconhece…
Muito fez pela cultura:
A memória não esquece…
Seu exemplo é louvável…
Aplausos: ele merece…

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br

 

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Reinvenção

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Reinvenção
 
                          A Benedito Coutinho
 
Resisto ao inimigo feroz que me assedia
e me reconstruo
em metáforas de sonho.
 
Em bandeiras escarlates
continuo a desfraldar minhas manhãs
e quando a noite-feiticeira chega
mimetizo-me.
 
Teço-me no meu sangue delirante
e reconstruo as minhas entranhas.
 
Chamo à luta em campo aberto os inimigos de minha carne.
 
Resisto-me, refaço-me, reinvento-me
em metáforas de sonho.
 
Antonio Carlos Osório, poeta gaúcho, nasceu em Guaraí.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Meu amado

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Meu amado
 
Meu amado, alado, vaga
entre ondas e sereias,
sob o sol, o céu, o vento,
pelas águas, sobre a areia.
 
Meu amado, ausente, penso,
paira e pousa no poente,
sobrevive ao ocaso
e desperta as estrelas.
 
Meu amado, sábio, sente,
saboreia a lua cheia,
sonda, sabe o presente
e mergulha o pensamento.
 
Meu amado aedo canta,
calmo, cálido amante,
acomoda a inquietude
e adormece tão distante.
 
Meu amado sempre volta,
vagabundo e vencedor
revivendo o amor desfeito,
renascendo no meu sonho.
 
Aglaia Souza, poetisa carioca, nasceu no Rio de Janeiro.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Natureza morta

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Natureza morta
 
A mesa, a tolha branca,
e sobre a mesa, plácido,
em puro repouso,
um faisão dourado.
De que aljava, de que arco,
sobre que mar, que tardes,
que navegados céus
azuis de aves e barcos,
de que mãos, de que cega
vontade de ferir
terá partido a seta,
direto ao vôo, ao peito,
às plumas frias e altas?
 
Que cega pontaria
te tombou no horizonte,
como um feixe de luzes
tuas penas brilhantes,
tua mínima vida
colorida e deserta?
Vejo teu corpo, o claro
movimento retido
na pousada asa aberta,
e penso em mim, em ti,
urdo os fios da trama,
e temo a minha seta.
 
Marly de Oliveira.
"Cerco da Primavera"
Livro na Rua, Thesaurus Editora

 

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Brasília (II)

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Brasília (II)
 
(Brasília, brasa e ilha
em agudo contraste.)
 
No passado incineras
as mãos das maresias
em soturnas esquinas,
musgo em vetustos muros,
pétreas biografias.
As cigarras e brisas,
os braços dos arbustos
retorcidos em sedes
comunicam bem forte
novas canções: a Musa
que faz cessar o outrora.
E assim como o calcinas,
acendes cada dia
a virginal aurora
nos ombros do Planalto.
 
Ardente brasa em fios
Ligados a ancestrais,
a esmaecer nas horas
os olhos avoengos
marcados pelo mar.
Brasa que enfim revoga
Calendários de cinza…
 
Insulares contornos
me delineiam cantos
nas linhas de teu corpo.
O que nos cerca é um eco
de nativos e aves
arquivados e extintos
nos abismos do tempo;
a flora sepultada
nos roteiros dos ventos.
 
E nestes continentes
de silêncios, magias,
mistérios que inebriam,
os olhos inserimos.
Somos irmãos dos trevos,
dos luminosos dias,
da leveza das formas,
das luas do Altiplano,
do lago filho augusto
de férreas mãos candangas
em termos tributários
(Paranoá e Torto)
em lendas submersos.
Somos cantos que encantam
nas artérias dos versos.
 
Redivivos em luzes
em vítreas divisórias
sobre passos e ninhos -,
as novas proclamamos
no cerne do cristal.
Em sutileza e chamas,
Embalados no azul,
em vozes submersas,
em plumas e nas linhas,
nas sendas do Anhangüera,
nas solidões de Minas,
na secura dos ventos,
fazendo nosso mar.
 
(Sim: nisso renascemos.)
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, nasceu em Aimorés.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Bilhete a Mário de Andrade

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Bilhete a Mário de Andrade

Querido Poeta,
sessenta e um anos sem você
Quanta falta nos faz!
… e à poesia?
       Mais de meio século comigo,
       que bom! feliz por viver.
       Mas é curta a vida,
       você passou e eu
       estou passando.
A poesia ficou veloz
aderiu à linguagem do clipe
virou hai kai
perdeu pétalas
       Até o mal do século
       matador de poetas, mudou
       é outro, atinge muito mais
Há sessent’anos
sabíamos pouco de bombas
você saía — eu insistia em chegar
levando a guerra
trazendo a paz
       Mas ainda ocorrem explosões
 

Joilson Portocalvo, poeta alagoano, nasceu em Porto Calvo

 

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Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …